Tudo estava quieto, e eu estava tão cansada que adormeci. Mais tarde, acordei assustada quando senti a torre tremer e ouvi pesados passos. O caçador escancarou minha porta e irrompeu por ela. Ele não estava vestido com as roupas da caçada, mas com uma túnica e uma capa de um príncipe de contos de fadas. Ele me olhou especulando.
“O que acontece agora?” eu me aventurei. “Eles ganharam a primeira parte do jogo?”
“Eles ganharam. Apesar de você ter roubado, deti dama.”
“Eu roubei? Como?”
“Você os sinalizou de algum jeito. Disse a eles onde achar você. Não havia como eles descobrirem essa ilha sozinhos. Não sei como você fez isso, mas estarei te vigiando com mais cuidado agora. Obviamente, eu os subestimei. Agora terei de fazer a parte dois mais difícil.”
“Mais difícil? Você quase matou eles!”
“Sim. Quase. Eles arruinaram meu recorde em rastreamento. Eles ganharam a batalha, mas eu ganharei a guerra, lhe garanto. Ainda assim, quase nunca aconteceu comigo antes. Eu estava certo em acreditar que esse seria meu melhor jogo. Se você não tivesse me enganado para limitar meus poderes, eu teria os vencido no primeiro dia.”
“Limitar seus poderes! Há! Você trapaceou! Duas vezes! Talvez mais. Eu não estava te olhando o tempo todo, então provavelmente você trapaceou o tempo todo!”
“É meu jogo, não seu. Se não entende as complexidades das regras, o problema não é meu. Agora antes de começarmos a fase dois, você deveria estar apropriadamente vestida, querida.”
“O que quer dizer?”
“Quero dizer, que se você vai interpretar o papel de uma princesa, deve parecer uma.” O dragão me circundou, avaliando minha forma e cor. “Ah, eu tenho a coisa perfeita.” Ele estalou os dedos, e eu estava envolvida em sussurros de tecido. O quarto se embaçou para branco e então voltou a se materializar. Olhei para baixo e ofeguei. Minhas roupas haviam sido substituídas por um lindo vestido. Levantei uma mão para tocar a manga justa que terminava em meu pulso.
“Não, tem alguma coisa faltando. Ah, eu sei. É o cabelo. Seu cabelo é muito curto.” Eu peguei um cacho curto na frente do meu rosto e o olhei. Ele estalou os dedos, e eu gritei quando meu cabelo começou a crescer.
“Ei!”
Ele cantarolava enquanto meu cabelo continuava crescendo e crescendo.
“Pare com isso!”
O cabelo agora passava da minha cintura, e ele estava ocupado checando a própria aparência no espelho.
“Lùsèlóng!”
“O quê?” Seus olhos encontraram os meus no espelho. “Oh.” Ele estalou os dedos outra vez e meu cabelo parou de crescer, mas agora já passava dos meus joelhos, e era pesado. “Aí está. Muito melhor. Você pode me assistir no espelho se quiser. Essa parte não deve demorar muito.”
“Espere!”
Ele deu um giro e desapareceu. A porta bateu fechada, e eu estava sozinha outra vez. Soquei a porta com raiva, só porque me fazia sentir bem e então fui para perto do espelho para checar meus tigres.
Uma estranha me encarava de volta. O dragão não tinha apenas me vestido, ele fez minha maquiagem. Uma beldade de olhos atrevidos estava refletida ali, e eu cutuquei minha bochecha algumas vezes para ter certeza de que era a mesma pessoa. Ele me vestiu em num vestido rosa claro que realçava meus olhos escuros e cabelo. O vestido tinha mangas longas e justas com bordados prateados na bainha e era embelezado com fitas de cetim. Um elegante decote, decorado em prata, cobria logo antes dos meus ombros deixando meu pescoço nu.
Palatinas de organza transparente caiam de faixas nos meus braços e um grosso cinto de prata pendia da minha cintura. A saia se alternavas em camadas de seda e organza, e o corpete era adornado com bordados prateados para combinar com as bainhas das mangas. Trançados de prata e rosa adornavam a borda da saia, e eu calçava delicadas sapatilhas prateadas. Meu longo cabelo castanho estava brilhante e caia em ondas de uma delicada tiara prateada com um longo véu rosa. Eu era uma princesa linda e rabugenta que estava extremamente irritada.
Tirei o véu da minha cabeça e sentei na cama, mas então grunhi de frustração quando minha cabeça foi puxada para trás porque sentei no meu cabelo idiota. Arranquei duas fitas das minhas mangas, as rasquei, e trancei a
massa em duas longas tranças embutidas. Disse para o espelho. “Me mostre os tigres.” O espelho brilhou e se aproximou. Os pobres irmãos ainda estavam em sono solto. O ar se moveu, e de repente Lùsèlóng estava de pé ao lado deles. Ele limpou a garganta, e os dois tigres se levantaram alertas e rosnaram. O dragão estalou os dedos, e os tigres se transformaram em homens. Ren e Kishan se levantaram a frente dele furiosos, imundos e perigosos. Os dois deram um passo em direção ao dragão, que calmamente examinava suas unhas.
“Eu decidi que a próxima parte do jogo terá regras diferentes. Em vez de dar as armas a vocês aqui, vocês terão de lutar por elas. Vão acha-las em lugares diferentes no labirinto, mas para pegá-las devem vencer o guardião que as protege. Vocês talvez tenham de lutar com alguns. Com outros vocês terão de ser mais espertos que eles. Se sobreviverem ao labirinto, terão de escalar os muros do castelo, me derrotarem, e resgatar sua princesa. E dessa vez, sem trapaça. Agora, vamos ter certeza de que estão vestidos de acordo.”
Ele estalou os dedos e as roupas mudaram nos dois. Kishan vestia um gibão de couro marrom com uma túnica de mangas compridas, calças pretas, botas de montaria polidas, e uma capa preta com capuz. Ren usava uma camisa branca que aparecia pelas mangas de um gibão de veludo verde com arremates dourados. Ele tinha calças pretas com botas na altura da cocha. Sua capa de lã tinha detalhes de pele.
Aparentemente serei resgatada pelo Robin Hood ou pelo Príncipe Encantado.
O dragão considerou os dois. “Excelente. Agora imagino que estejam famintos. Vão achar comida no labirinto enquanto viajam e, dessa vez,” ele bateu uma luva de couro em sua palma enquanto considerava, “eu acho que seria bom se não viajassem juntos.” Ele se inclinou para perto e riu. “Não queremos que o desafio seja muito fácil, queremos?”
Ele riu e estalou os dedos de novo. Todos desapareceram.. Perguntei ao espelho para me mostrar Ren. Ele estava numa entrada do labirinto. Ele olhou para a colina na direção do castelo, mas o dragão fez uma névoa que o cobriu, para que fosse mais difícil de acha-lo. Ren trincou os dentes e entrou no labirinto. Quando fiz o espelho mudar para Kishan, o achei já dentro do
labirinto. Ele estava correndo num grande corredor, depois virou a esquerda e continuou em frente.
Pelo meio-dia, Ren tinha roubado água e pão de uma raivosa matilha de cães e ganhou uma espada e a bainha de um gnomo que ele havia capturado e pendurou de cabeça para baixo enquanto segurava seu pé. O raivoso gnomo chutava e gritava, mas Ren se recusava a soltá-lo até que ele lhe desse um prêmio. Kishan, enquanto isso, havia matado um javali torcendo suas presas violentamente, quebrando seu pescoço.. Ele ganhou o Fruto Dourado e o fez criar comida. Ele comeu e bebeu enquanto corria.
Á noite, Ren tinha derrotado um ogro e pegou o chakram de Kishan, Kishan conquistou meu arco e flechas numa competição de tiro, e eles estavam mais ou menos na metade do labirinto. Ren parou para passar a noite, mas Kishan continuou. Ele foi a frente por alguns corredores mas adivinhou a resposta errada quando uma Manticora* fez uma pergunta. (“A manticore (manticora) é um perigosíssimo animal grego com cabeça humana, corpo de leão e rabo de escorpião. Tão feroz quanto a quimera e igualmente rara, a manticora tem fama de cantar baixinho enquanto devora a presa. Sua pele repele quase todos os feitiços conhecidos e sua mordida pode causar morte instantânea.” Isto é a explicação do livro Animais fantásticos e onde habitam da J.K. Rowling na verdade quem faz perguntas é a esfinge!)A criatura era vermelha com o corpo de um leão, a cabeça de ogro, a cauda de escorpião, e asas de um morcego. Kishan derrotou a Manticora quando ela atacou, mas foi enviado de volta para o começo do labirinto. Kishan berrou de frustração e começou a andar de novo. Finalmente, ele parou perto da meia noite e dormiu.
Ren foi atacado de madrugada enquanto ainda estava dormindo. Uma gangue de bandidos com redes e lanças. Ele lutou com eles usando a espada e depois com as próprias mãos. Quando um homem cairia incapacitado, eles brilhavam e desapareciam. Ofegando, Ren acabou com o último homem e foi premiado com um espetacular cavalo branco com uma cela prateada. Ele subiu na garupa do corcel e continuou seu caminho pelo labirinto.
Kishan estava muito atrás agora, e ele escolheu um caminho diferente do de antes. Ele ganhou a gada lutando com uma cobra gigante e o tridente
matando um abutre com uma flecha dourada. Ren usou o chakram para cortar as cabeças de três harpias fêmeas que tentaram atraí-lo com feitiços e promessas sedutoras. Com prêmio, a Echarpe Divina foi devolvida a ele.
Kishan cruzou um córrego fervente pulando sobre pedras. No meio do caminho, um crocodilo gigante atacou. Ele tinha o Fruto Dourado então encheu a boca do bicho com manteiga de amendoim grudenta, e ele desapareceu debaixo d’água de novo. Alguns passos depois, Kishan achou seu kamandal pendurado em uma árvore. Colocando-o em seu pescoço, ele o ajeitou em sua túnica e foi em frente.
Kishan encontrou com a Manticora revitalizada, e dessa vez respondeu a questão corretamente. A Manticora o deixou ir em frente. Ele estava perto agora. Muito mais perto que Ren. Ren havia parado quando chegou a um beco sem saída. O labirinto tinha sido bloqueado por um muro de tijolos. Ele virou o cavalo e foi por outro caminho mas chegou em outro muro de tijolos. Ele estava preso. Grandes aranhas começaram a escalar as sebes, fazendo o cavalo branco bater os cascos e relinchar.
Ren acalmou o cavalo e ao mesmo tempo ele usou a Echarpe Divina para criar uma grande rede. Ela varreu todas as aranhas, juntando-as numa teia fina. Ele fez a Echarpe enrola-las numa gigante bola de algodão cheia de aranhas, lançou-a com sua espada, a girou em sua cabeça algumas vezes, e a jogou em outra parte do labirinto. A parede de tijolos se quebrou, e Ren orientou seu cavalo cuidadosamente entre os pedaços quebrados.
Depois de algum tempo, ele parou num córrego que desaparecia quando ele tentava beber. O cavalo conseguia beber, mas Ren não. Ele ficou ali pensando por um tempo, se transformou em tigre e bebeu até estar saciado, e depois voltou a ser homem. Usando a Echarpe, ele fez uma bolsa d’água e a encheu para levar com ele. Suas roupas de príncipe continuaram com ele quando se transformou de volta. Ren e Kishan dormiram ilesos aquela noite, fazendo de suas camas a grama macia do labirinto.
Os desafios eram tão frequentes e tão difíceis que eu estava em constante estado de horror. Eu acabava de ver um homem seguro e dava um suspiro de alívio quando o outro estava em perigo. Sentei na cama grudada
no espelho, pensando que se eu o deixasse por um minuto, voltaria para acha-los mortos ou horrivelmente feridos. Os dois me asseguraram de que não podiam morrer, mas eu não estava inteiramente certa disso. E se alguma coisa cortasse suas cabeças? Ou os envenenasse? Ren tinha tirado a bala do ombro de Kishan com uma garra, um processo sangrento do qual tive de desviar o olhar. Kishan tinha se curado, mas e se a bala tivesse ido mais fundo? Bloqueado uma artéria? Tentei descansar enquanto eles dormiam, mas eu acordava com um susto toda vez que ouvia um barulho.
Cedo na manhã seguinte, Kishan disparou pelo labirinto e achou um cavalo preto esperando por ele. As brumas clarearam momentaneamente, então ele podia ver o castelo. Ele montou no cavalo e cavalgou forte, forçando seu corcel a galopar. Ren encontrou uma salamandra gigante que cuspia veneno. Usando sua espada, ele cortou sua cabeça, e assistiu a criatura morta se refazer. Ela encolheu e ficou dourada – se transformou em Fanindra. Ren se ajoelhou e estendeu a mão. A cobra se entrelaçou em seu braço e se endureceu em sua forma de jóia.
Depois ele encontrou um homem feito inteiramente de bronze e lutou com ele por alguns minutos sem fazer nenhum avanço. A espada ricocheteava em sua pele soltando uma chuva de faíscas, e o chakram também não conseguia penetrar o torso de bronze. Ele nele como uma faca pegada no lixo. As cordas da Echarpe não podiam segurá-lo. Fanindra voltou a vida e agarrou um galho de uma árvore baixa enquanto Ren lutava.
Ela se esticou e rastejou para baixo e furtivamente foi para uma posição atrás do homem de bronze. Então, quando a oportunidade apareceu, ela o mordeu logo atrás de seu joelho. O homem cambaleou, grunhiu, e caiu, morto. Quando Ren examinou o corpo, pude ver pelo espelho que Fanindra o tinha mordido num pequeno trecho de pele branca onde o homem tinha sido vulnerável. A recompensa de Ren foi comida. Ele deu as maçãs para o cavalo, acariciou sua cabeça, e comeu o pão. Depois de agradecer Fanindra e deslizá-la pelo seu braço, ele pulou no cavalo e cavalgou para fora do labirinto.
Kishan tinha alcançado os muros do castelo nesse meio tempo e, de sua perspectiva, eles se estendiam acima para sempre. Ele torceu o tridente e disparou uma série de lanças no muro. Os dardos dourados afundaram profundamente na pedra. Ele pisou em um testando sua força, e descobriu que podiam aguentar seu peso. Ele escalou uma dúzia de dardos, atirou mais na rocha e continuou escalando.
Ren correu em direção ao castelo mas ficou perdido na névoa feita pelo dragão. Felizmente, Fanindra voltou a vida outra vez e moveu sua cabeça na direção que ela queria que ele fosse. Quando ele seguiu para o lado longe do castelo, ele desmontou do cavalo e usou o chakram e a Echarpe. Ele criou uma corda resistente, a amarrou em volta do chakram, e deu alguns passos para trás. Ren girou num circulo e lançou o chakram com toda a força na direção do topo do castelo. Quando o chakram girou de volta para ele, ele agarrou a corda e, testando se era estável, amarrou a ponta numa árvore e começou a escalar o muro.
Ao mesmo tempo, Kishan chegou ao topo. Ele correu junto ao parapeito até que achou uma ponte. Pedi ao espelho para me mostrar o dragão. Lùsènlóng estava na mais alta torre da fortaleza. Colocando suas mãos na parede, ele se inclinou para ver o progresso dos irmãos embaixo. Ele sorriu como se antecipasse a batalha e correu um polegar pelo lábio inferior.
Estalando os dedos, ele desapareceu por alguns segundos e então reapareceu na forma de dragão. Enrolando seu corpo flexível ao redor de uma torre cilíndrica, ele esperava por Ren e Kishan. Kishan correu pela ponte de pedra e entrou na fortaleza. Quando ele cruzou a entrada, sua fantasia de príncipe desapareceu e ao invés ele vestia uma armadura preta. Ele também segurava um escudo dourado com um tigre negro estampado nele e carregava uma longa lança. Sem perder um passo ele, foi em frente.
Ren se abaixou usando a corda e caiu no pátio interno. Antes de entrar no castelo, ele tirou Fanindra de seu braço e disse, “Ache ela, Fanindra.” A cobra obedientemente voltou a vida e deslizou para a escuridão do castelo. Quando ele entrou no castelo, a mesma coisa aconteceu com ele: suas roupas brilharam e mudaram para uma armadura. Ele puxou uma pesada espada da bainha ao seu lado e pegou o escudo. Seu símbolo era o tigre branco num
fundo azul e sua armadura era prateada. Uma capa branca caia pelas suas costas.
Ao invés de ir em frente como Kishan, ele seguiu atrás de Fanindra. Encorajando ela a continuar, ele seguiu a cobra por muitas portas e corredores até que ele chegou num lance de escadas. Ouvi ele chamar.
“Kelsey? Você está aí em cima?”
Eu ofeguei. O chamado não tinha vindo no espelho mas do lado de fora do meu quarto. “Ren? Ren!” Corri para a porta e bati.
“Estou aqui! Aqui em cima!”
“Estou indo!”
Ele começou a subir as escadas, e ouvi uma voz na minha cabeça. Tch,tch,tch. Agora o que falei sobre roubar? Hmm? Esqueceu que deveria matar o dragão antes de resgatar a princesa? Só por isso, vai perder a vez.
Ren gritou, “Kel - ” então o som de sua voz foi subitamente interrompido. Eu corri de volta para o espelho para ver o que aconteceu. Fanindra deslizou debaixo da minha porta e se enrolou numa posição de repouso. Eu a peguei e coloquei em cima da cômoda. Ren tinha desaparecido das escadas e agora estava preso com correntes a uma coluna perto do dragão. Kishan correu para o telhado e parou, chocado ao ver Ren ali. Ele começou a ir na sua direção mas foi interrompido por um labareda de fogo. Aqui em cima, cavaleiro negro. Seu irmão irá se juntar a nós daqui a pouco.
Kishan se virou, deu um grito de guerra, e se lançou na direção do dragão com a lança levantada.
O dragão o derrubou com um golpe de cauda e riu. É o melhor que pode fazer?
Kishan sussurrou algumas palavras e de repente a torre estava coberta de óleo quente. O dragão deslizou para fora desajeitado e bateu a cabeça nos parapeitos, fazendo com que a torre tremesse. Um bloco enorme de pedra quebrou e caiu centenas de metros para baixo.
Kishan não esperou. Ele levantou sua lança e a laçou poderosamente na direção do dragão verde. Ela raspou num lado escamoso, mas não sem deixar uma ferida sangrenta para trás. O dragão rosnou e lanço em Kishan uma brilhante labareda vermelho alaranjada que correu atrás dele em uma nuvem de calor.
Kishan levantou seu escudo na hora certa para protegê-lo, mas as beiradas ficaram moles e começaram a derreter. O fogo pulou para o óleo empoçado, e a torre explodiu em chamas. Ren correu ultrapassando Kishan e se jogou em cima do dragão. Eu não tinha certeza de como ele tinha se libertado. Imaginei que ele tivesse usado o chakram contra as correntes que o prendiam, ou o dragão o libertou da caixa de penalidade *.
O dragão empinou e se ergueu tentando se livrar de Ren, mas ele de agarrou fortemente, distraindo Lùsèlóng o bastante para Kishan conseguir recuperar sua lança e lança-la no dragão. Ao mesmo tempo, Ren levantou sua espada acima da sua cabeça e a enterrou nas costas do dragão. Lùsèlóng gritou, perfurando o ar com o som de 20 pterodátilos irritados e lançou os dois contra o parapeito. Outro pedaço da parede de pedra se quebrou perto de Kishan, que caiu para o lado. Ele gritou e agarrou a beirada que se ruía com apenas as pontas dos dedos.
Ren se curvou e agarrou a mão de Kishan, mas antes que ele pudesse puxá-lo, o dragão virou a cabeça e se aproximou do agora vulnerável Ren. Ele pegou Ren com a boca e levantou ele e Kishan no ar.
Lùsèlóng sacudiu Ren e mordeu sua armadura com sua mandíbula poderosa. Enquanto Ren grunhia de dor, ele soltou Kishan que caiu a salvo em cima da torre. Depois de triturar terrivelmente a armadura de Ren, o dragão abriu a boca e jogou Ren no telhado de pedra da construção vizinha. Ren caiu e ficou imóvel, parecendo uma grande lata de atum atropelado por uma caminhonete.
Kishan gritou e atacou o dragão com desejo de vingança usando cada arma a sua disposição. Ele lançou um ataque multiangular usando a Echarpe, o Fruto, o chakram, e a espada caída de Ren.
O dragão o lutou com ele usando garras, cauda, dentes, e fogo até que ele estivesse espancado, machucado, e sem fôlego. Eu sabia que ele não iria durar muito mais tempo. Ren ainda estava fora de combate, e Kishan machucado. Mesmo ele não conseguia se curar tão rápido. Kishan arrancou seu capacete. Sangue escorria pelo seu rosto suado, e ele mancava terrivelmente. Ele enxugou a boca com as costas das mãos e se curvou, ofegando.
O dragão sorriu. É só uma questão de tempo, sabe. Eu derrotei seu irmão, e agora vou derrotar você. Você não pode possivelmente me superar. Consegue mal ficar de pé.
“Só estou tomando meu segundo fôlego. Podemos continuar?”
Você poderia só admitir a derrota agora. Eu posso até permitir que você viva na outra ilha. Iria caçá-lo, é claro, mas pelo menos estaria vivo.
“Não estou interessado em ser seu tigre de estimação.”
Muito bem.
O dragão respirou fundo e cuspiu fogo sobre a torre. Kishan cambaleou e correu, mas o fogo o seguiu. Ele pulou e escalou uma parede, de armadura e tudo, usando apenas a força de seus braços. Ele subiu de lado chegando num nível acima do dragão e ali ficou ofegante.
Tirando suas luvas queimadas, ele esticou o braço para pegar uma arma mas descobriu que todas elas estavam no nível abaixo. O dragão riu e se enroscou em volta torre.
Você tem alguma ultima palavra antes de eu comer você?
“Claro.” Kishan circundou a torre para ficar fora do alcance do dragão. “Espero que você engasgue”
Ele pulou da torre para a rocha embaixo, e o dragão berrou e seguiu atrás dele, de boca aberta. Kishan bateu no telhado e rolou, mas bateu a cabeça numa pedra quebrada. Eu ouvi um rugido de triunfo de Lùsèlóng enquanto ele descia preparado para abocanhar Kishan. De repente, ele gritou, parou no meio do ar, e caiu com um ruído ensurdecedor ao lado de
Kishan. Nada se moveu por um momento, e eu sentei na cama com a mão sobre a boca. Então alguma coisa se agitou perto da torre.
Uma figura cambaleou para longe do corpo do dragão e foi em direção a Kishan. Era Ren. Sua armadura peitoral e capacete tinham desaparecido. Um corte longo e sangrento em seu peito tinha acabado de começar a se curar. Pedi ao espelho para que me mostrasse o outro lado do dragão. Ren tinha transpassado o dragão com uma lança no coração. Nem eu havia visto Ren pular de volta para a torre, rastejar, e se esconder nas sombras da torre. Ignorá-lo havia sido o maior erro do dragão.
Ren tirou o resto de sua armadura, e depois ajoelhou para levantar Kishan. Kishan estava vivo. Ele gemeu e abriu os olhos.
“Acabou.” Disse Ren. “O dragão foi derrotado.”
O corpo do dragão brilhou e desapareceu.
“Vamos, eu sei onde ela está.”
Ele ajudou Kishan a ficar de pé, e então os dois irmãos, se apoiando totalmente um no outro, tomaram seu caminho descendo a torre e através da fortaleza até que Ren encontrou as escadas que levavam até minha torre solitária no outro lado do castelo. Eles começaram a subir, mas Kishan não conseguiu levantar seu pé depois do primeiro degrau.
Eu ouvi a voz do dragão. Só o vencedor pode requerer o prêmio.
Kishan encostou suas costas na parede e ofegou pesadamente. Ele assentiu, indicando que Ren podia ir em frente. Ren se virou e subiu correndo a escada circular. Ele girou a maçaneta mais a porta não abriu.
“Kells? Estou aqui. Está trancada. Não consigo abrir.”
“Afaste-se.”
Ele deu uns passos e forçou a porta. Ela não se mexeu. De novo e de novo ele se jogou contra ela, mas ainda assim ela não abriu.
O dragão gargalhou. Não é coisa minha, tigre. Ela é quem está mantendo você do lado de fora.
“O que quer dizer?” eu gritei.
Você não está deixando ele entrar.
“É claro que estou!”
Não está. O herói ganha o prêmio, e você é um prêmio que não quer ser ganho, deti dama. Se quer que ele te salve, abra a porta.
“Não consigo!”
Não falo sobre a porta do quarto, o dragão disse em minha mente, eu digo a porta do seu coração.
“Do que está falando? Por que está fazendo isso?” eu solucei.
Ouvi a voz preocupada de Ren através da porta. “Kelsey? Você está bem?”
A voz do dragão penetrou dentro de mim. Deixe...ele...entrar.
Eu de repente entendi. Sabia o que ele quis dizer, e o conhecimento me fez tremer. Ele queria que eu sentisse todas as coisas que estava ignorando. Ele queria que eu liberasse todas as emoções e sofrimentos reprimidos. Eu bati um punho de leve na porta de madeira, chorei, e supliquei baixinho com o dragão. “Não me faça fazer isso. Por favor deixe as coisas como estão.”
É assim que o jogo é jogado.
Não posso me permitir sentir essas coisas. Elas doem. Eu respondi mentalmente.
Dor faz parte da vida. Agora siga em frente.
Limpei minhas lágrimas e coloquei as mãos na porta. Descansando minha testa da madeira, fechei meus olhos. O dragão riu, e eu senti seu prazer no meu desespero. Eu havia fechado de propósito a ligação poderosa que sentia com Ren. Desligando, como uma válvula. Dei meu melhor para bloquear meus sentimentos por ele. A torneira estava vazando, mas eu tapei os buracos o melhor que pude e tentei desviar meus sentimentos, redirecionando o fluxo para outros lugares.
Enquanto estava ali tremendo, eu percebi que bloquear meus sentimentos era meu modus operandi. Eu fiz isso quando meus pais morreram. Eu fiz isso quando deixei Ren. Fiz isso quando ele foi sequestrado. Não posso arriscar dragão. Ele vai me deixar de novo.
Lùsèlóng respondeu. Sem risco, não há recompensa. Você prefere ficar aqui comigo por toda a eternidade?
Não. Naquele momento, percebi que eu era uma covarde. E eu sabia que não tinha nenhuma escolha a não ser seguir em frente. Como eu começo?
Viaje pela sua ligação com o coração dele.
O dragão verde me instruiu. Minha mente invocou uma visão. Eu estava parada numa névoa branca. Perdida, eu andava em círculos, buscando alguma coisa. O dragão me chamou, e eu andei cegamente em frente, seguindo sua voz. A névoa girava em torno dos meus pés, e o chão parecia instável. Então alguma coisa dourada apareceu na névoa, uma corda brilhante que estalava com energia.
Agora ponha suas mãos na corda, e a siga até a outra ponta.
Obedeci o dragão, agarrei a corda dourada, e andei junto a ela. Uma vez ali, eu hesitei e quase voltei. Ouvi uma voz morna falar em minha mente.
Por favor, não solte. Eu não posso perdê-la de novo.
A súplica na voz me comoveu, e eu apertei a corda enquanto andava. Sentimentos esquecidos e lembranças passaram pela minha visão. A névoa começou a se dissipar ao mesmo tempo que a minha mente recordava momentos de ternura entre Ren e eu – nosso primeiro beijo, dançar no Dia dos Namorados, como ele me abraçou depois de um pesadelo. Quanto mais eu andava, mas meu coração se abria. Mas deixar entrar aquelas lembranças felizes também traziam a triste duplicada de dor e sofrimento.
Meus pés se arrastavam como se eu estivesse presa em areia movediça. Quando hesitei e dei um passo para trás, a névoa subiu e me deixou entorpecida novamente. Seria tão fácil me virar, bloquear meus sentimentos, mas eu sabia que devia marchar em frente, apesar do fato de cada passo me
trazer mais agonia. Cada movimento em frente aumentava a facada dolorosa da traição, da perda, do delicado primeiro amor desprezado, de ser deixada sozinha.
Garras negras de ciúme, amargura, e confusão me agarraram e tentaram me afastar da corda, mas eu me segurei nela. Podia sentir o pulso correr através dela. Era poderoso, bom, e... agradável . Algo mudou para mim naquela jornada. Eu percebi que não estava sozinha. Eu não podia ver quem estava a frente, mas alguém estava chamando por mim. De vez em quando uma brisa morna acariciava minha pele, e uma voz macia me encorajava a continuar. Eu sabia que quem quer que estivesse ali me amava.
Onde estou?
Uma voz falou atrás de mim. “Está aqui comigo.”
Me virei e encontrei um Ren sorridente. Ele estendeu seus braços e, com um soluço, eu me derreti neles e encostei minha bochecha em seu peito. Ele me abraçou tão forte que me senti como se fizesse parte dele.
“Porque foi tão difícil me achar, iadala?”
“Você me deixou. Eu tinha que deixar você ir.”
“Eu nunca deixei você. Tenho um lugar em meu coração para você sempre.”
Ren levantou meu queixo com sue dedo. “Mas e você? Se sente diferente agora? Quer que eu deixe você ir?”
Eu hesitei por um breve segundo. Meus olhos de encheram de lágrimas, e eu o abracei forte. “Não. Não quero que me deixe. Nem agora. Nem nunca.”
Ele me abraçou e murmurou palavras em sua língua nativa, me acalmando. Eu me sentia segura ali. Protegida e amada. Eu liguei a válvula, e já era tarde para voltar atrás. As gotas de dor, traição, angústia, e amor, correram pelas minhas mãos, escorreram pelos meus dedos. Meu coração sangrou.
Desesperadamente, tentei conter a maré, manter o controle, mas parei já que agora não havia mais jeito. Eu chorei, e uma vez que as lágrimas começaram, eu não podia impedi-las. Comecei a falar, lhe contando meus medos mais profundos, mais obscuros. Descrevi como me senti sem ele. Como doeu vê-lo com outra. Ren acariciou minhas costas e escutou pacientemente e sem restrições. Eu solucei enquanto continuava minha confissão.
“Doeu quando me esqueceu e quando me afastou de você. Não suportava ver você ir. Você me deixou, como meus pais. Eu tive que desligar parte de mim para sobreviver. Sem você, eu murchei e me tornei só uma sombra de mim mesma. Me senti... confusa, como palavras quebradas numa folha. Um poemas rasgado em pedaços. Nada fazia sentido. Como você pode fazer isso comigo? Com a gente?” Eu acusei.
“Não sabe que eu faria qualquer coisa para mantê-la a salvo? Ren discutiu. “Tive que amar você, para deixa-la ir. Foi a coisa mais difícil que já tive de fazer, e eu pretendo nunca fazer outra vez. Mesmo assim, meu coração sempre pertenceu a você. Claro que ainda sente isso.”
“Sim, mas eu enterrei meus sentimentos por você tão profundamente que nem sei se posso revivê-los de novo.” Eu admiti. “Minha força vem deles; eu posso pelo menos admitir isso. É obvio que preciso de você. Que eu quero você. Meu corpo queima com uma chama dourada quando você me toca. Mas não posso confiar mais em você. Não quero te afastar, mas tenho medo. Eu amo te amo tanto, que tenho medo que vá me destruir.”
Ren pressionou seu rosto no meu e disse, “Para muitos amor é uma faca de dois gumes. Pode fortalecer ou sufocar, engrandecer ou enfraquecer, enriquecer ou empobrecer. Quando o amor é correspondido, nós flutuamos. Somos levados a alturas nunca vistas, onde ele deleita, revigora e embeleza. Quando o amor é rejeitado, nos sentimos aleijados, desconsolados e abandonados. Eu sempre amei e sempre amarei você, Kelsey. Nada na Terra ou no céu pode mudar esse fato. Pule (verbo imperativo de polir) a espada, e verá apenas amor correspondido nos dois lados. Eu fui destinado a amar você, e pertencerei a você para sempre.”
Dei um passo para trás e olhei para ele. Meu príncipe de olhos azuis acariciou minha bochecha e enxugou uma lágrima com o dedo.
“Como pode estar certo de tudo isso? De mim?” perguntei. “Nós sofremos tanto tentando ficar juntos. Talvez o destino que nos separar. Talvez assim fosse mais fácil.”
Ren sorriu e segurou meu rosto entre suas mãos. Suspirando, ele traçou meu lábio inferior com o polegar. “Se, no final disso, eu conseguir ficar com você, tudo terá valido a pena. ‘Só um homem que já sentiu o maior desespero é capaz de sentir a maior alegria.’”
Eu solucei e sorri. “Quem disse isso?”
“Alexandre Dumas, que escreveu o Conde de Monte Cristo. Nós íamos lê-lo juntos, lembra?”
“Estivemos um pouco ocupados.”
“Sim, estivemos, rajkumari. Ele suspirou e pressionou os lábios na minha palma. “Meu maior desespero era ficar sem você. Ainda estou sem você? Ou você pertence a mim como eu pertenço a você? Ainda me ama, priyatama?” Meu Ren dos sonhos traçou seus dedos pelo meu cabelo e puxou meu queixo para que eu olhasse seu belo rosto.
Porque eu estava muito certa de que isso era um sonho. Me senti confortável admitindo coisas que tinha mantido afastadas do Ren real. Fechei meus olhos e assenti. “Eu sempre fui sua, nunca parei de te amar.”
Ren acariciou minha bochecha até que abri meus olhos. Ele sorriu e disse. “Então ei nunca deixarei você ir.” E capturou meus lábios com os seus. Ele me abraçou carinhosamente, e eu senti a barreira de proteção em meu coração se dissolver completamente. Agora eu estava desprotegida. Meu coração estava completamente exposto e vulnerável – um bom órgão de carne pronto para ser esmagado, cortado, ou para o simples e velho consumo.
Ouvi o click de uma fechadura e senti a leve brisa de uma porta fechando e abrindo, mas parecia longe e sem importância. Rendi meu novo
coração aberto ao meu príncipe e me senti envolvida, quente, e acarinhada. Ren me amava. Aqui era o meu lugar. Se pudesse ficaria para sempre naquele mundo dourado e esqueceria sobre tudo além dele, eu teria, mas não consegui meu desejo.
A neblina se levantou e nos envolveu. A visão desapareceu, mas a sensibilização não. Senti braços reais me abraçando, me embalando e lábios reais se moldando aos meus. Envolvida no calor terno de Ren, eu o beijei interminavelmente. E sussurrei o quanto o amava e senti sua falta. Nós estávamos presos num brilho dourado enquanto falávamos suavemente, e tocávamos, e beijávamos. Abracei ele carinhosamente e encostei as mãos nos meus lábios. Ele murmurou palavras carinhosas que eu senti mais que entendidas.
Então eu fui arrancada da minha névoa romântica quando ouvi a porta bater aberta. Eu pisquei e me achei olhando dentro de um par de olhos dourados queimando de ciúme.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
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