quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Capítulo 19 : A busca do dragão verde

Postado por Estante de Livros às quarta-feira, outubro 23, 2013
Nós ancoramos perto de uma grande ilha. Praias quentes se estendiam até onda a vista ia, mas mais longe da costa, a ilha era coberta de árvores de todos os tipos. Pássaros coloridos voavam acima de nós. Era quente, muito mais quente do que a ilha cheia de névoa do dragão azul. Essa ilha era cheia de cor e som. Podíamos claramente ouvir o grito dos macacos e o canto dos pássaros.
Ren logo se juntou a nós e colocou as armas em cima da mesa. Ele se aproximou para ficar do meu lado.
Kishan disse, “Escute. Pode ouvi-los?”
“Ouvir o que?” eu perguntei.
Ren tocou meu braço. “Shh.” Ele levantou a cabeça e fechou os olhos.
Tentei escutar mas só conseguia ouvir os sons de vários animais.
Ren finalmente abriu os olhos. “Felinos. Panteras, você acha? Leopardos?”
Kishan balançou a cabeça. “Não. Leões?”
“Não acho.”
Eu não conseguia ouvir nada além de macacos. “Com o que se parece?” eu perguntei.
“É mais um grito que um rugido.” Ren explicou. “Eu já ouvi isso antes... no zoológico.” Ele fechou os olhos e escutou outra vez. “Jaguares. São jaguares.”
“Como eles são?” perguntou Kishan.
“Parecem leopardos pintados, mas são maiores, mais agressivos. São espertos. Calculadores. Têm uma mordida forte. Não atacam pela jugular, eles mordem pelo crânio.”
“Nunca ouvi um antes.” Kishan disse.
“Nem iria,” Ren continuou. “Não são nativos da Índia. Eles vêm da América do Sul.”
Nilima e Sr.Kadam se juntaram a nós quando começamos a pegar as armas.
Sr.Kadam perguntou, “Vocês estão pensando em entrar na floresta, certo?
“Sim.” Ren respondeu enquanto ele pegava minha aljava de flechas douradas.
“Vamos ir de navio e entrar na floresta por... ali.” Ele apontou para uma sessão de árvores que pareciam idênticas a todas as outras para mim mas ele insistiu que o terreno seria melhor naquele ponto.
Sr.Kadam nos seguiu enquanto íamos para o fundo do navio. “Se precisarem de ajuda, Srta.Kelsey pode mandar uma labareda de seu poder.”
“Certo.” Kishan concordou enquanto pulava no barco e estendia a mão para mim.
Sr.Kadam abriu a garagem molhada e baixou o barco para a água. Depois que já estava dentro, Ren empurrou o lado do navio e pulou agilmente para o meu lado. Kishan ligou o motor, pegou o volante, e nos girou para a praia. Eu quase caí quando a frente do barco levantou da água. Ren esticou uma mão para me apoiar, mas eu a empurrei e enrolei meu braço na cintura de Kishan. Quando olhei para trás, ele estava olhando para mim.
Ren pulou quando alcançamos a ilha e arrastou o barco para a praia. Assim que meu pé tocou a areia, eu ouvi uma voz. Era grossa, grave, e quando ela reverberou em minha mente as árvores sacudiram. Parecia um pequeno terremoto.
Quem põe o pé em minha ilha?
A barulhenta cacofonia da floresta logo parou. Nós viramos em círculos procurando a fonte da voz mas não conseguimos achar nada.
Quem são vocês? A voz exigiu.
Eu anunciei, “Somos viajantes procurando por sua ajuda. Precisamos achar seus irmãos e o Sétimo Pagode, grande dragão. Nós buscamos o Colar de Durga.”
O dragão gargalhou com o som de duas grandes pedras se esfregando, fazendo com que os pássaros voassem para o lado mais longe da ilha.
E o que faria para garantir minha ajuda, jovem mulher?
“O que você quer de nós?” eu me aventurei cuidadosamente.
Oh nada... de mais. Só peço por entretenimento. Veja, estou sempre muito solitário em minha ilha. Talvez vocês possam me dar alguma... diversão.
“Que tipo de diversão?”
Que tal... um jogo?
Kishan perguntou. “Onde você está, dragão?”
Não podem me ver? Estou bem perto.
“Não podemos.” Kishan respondeu.
O dragão bufou em zombaria. Então vocês não serão muito bons no meu jogo. Talvez eu não irei jogar com vocês.
“Ele está ali.” Ren falou baixo. “Em cima daquela árvore.” Ele apontou, meus olhos focaram no dossel acima. As folhas tremeram, quando eu olhei mais perto vi um olho dourado piscar.
Ah, bom. Vocês finalmente me acharam.
A árvore farfalhou audivelmente quando um grande galho se quebrou e caiu em nossa direção. O dragão estava perfeitamente camuflado. Sua cabeça era marrom e cheia de protuberâncias como um velho salgueiro, e seu focinho era longo como o de um crocodilo com dentes pontudos. Dois olhos dourados piscaram para mim enquanto se abaixava. Grandes chifres saiam por trás de sua cabeça. Musgo pendia dos chifres como se estivessem se descascando.
O corpo longo como o de uma serpente do dragão parecia com os de seus irmãos, mas ele tinha pés com garras douradas e escamas semelhantes a folhas em camadas. Uma barba e crina marrom caiam de sua cabeça, parecendo ricas ondas de palha de milho cor de cacau. O cabelo sedoso crescia em um trecho fino em suas costas como uma crina de cavalo e acabava em uma longa cauda peluda. Era menor que as de seus irmãos, mas como estava desenrolada da árvore seu corpo parecia crescer. Esticado, o dragão seria provavelmente duas vezes mais longo que o iate. A voz do dragão verde me espantou de minha inspeção visual.
Nós devíamos ser formalmente apresentados primeiro. Essa é a maneira apropriada de fazer as coisas. Sou Lüselóng. Dragão da Terra. Eu já sei que vocês conheceram dois dos meus irmãos, o Dragão das Estrelas e o Dragão das Ondas. Se eu decidir ajuda-los, irão conhecer meu outros dois irmão, mas eu lhes advirto agora eles não são tão fáceis de se conviver como eu, nem tão bonitos. Ele riu.
Curiosa, eu dei um passo a frente, “Pensei que vocês fossem os dragões dos cinco oceanos.”
Um olho dourado piscou para mim. “Quão refrescantemente ousados vocês são. Nós nascemos dos cinco oceanos. Eu nasci no quente Oceano Índico. Qinglóng nasceu no Oceano do Sul, Lóngjun no Pacífico. Você ainda vai conhecer Jinsèlong ou Yínbailóng. O primeiro nasceu no Atlântico, e o segundo nas águas geladas do Ártico. Apesar de ter nascido no oceano, eu reino sobre a terra, e eu vigio todas as coisas que acontecem em terra.
“Então quem foram os seus pais?”
O dragão soprou uma lufada de ar quente em mim. Talvez você esteja ficando muito ousada, meu bem. Agora vamos começar nosso jogo, ou estão tendo pensamentos de voltarem?
“Vamos jogar o seu jogo.” Disse Kishan.
O dragão estalou seus lábios. Excelente. Agora em todo jogo deve haver um prêmio para o vencedor.
Lüselóng levantou sua cabeça para olhar nos olhos de Kishan. Ele manteve seu olhar por um momento, e então foi para Ren e fez a mesma coisa.
“O que está fazendo?” eu perguntei.
Espiando as mentes deles. Não se preocupe, jovem moça, só estou lendo seus pensamentos. O dragão bufou e levantou sua cabeça no ar, nariz apontando para o céu, e riu ruidosamente. Esse será o melhor jogo que eu já criei em milênios! Um esporte mais magnifico! Ele continuou a rir.
“O que é tão engraçado?” Perguntei.
Eles dois buscam o mesmo prêmio, veja você.
“O mesmo prêmio?”
O dragão moveu seu corpo me separando de Ren e Kishan. Sim. Venha comigo, minha querida.
“O quê? Não!”
Ah, sim. Uma vez que o jogo tenha começado, ele precisa ser jogado até o final.
Ele estendeu uma garra e circundou minha cintura. Eu lutei quando ele me pegou e se preparou para pular no ar.
“Espere! O que está fazendo? Não pode fazer isso! Nós nem sabemos as regras do jogo!”
Kishan e Ren se moveram na minha direção até que o dragão verde soprou uma labareda de fogo pela areia, impedindo o progresso deles. Eu resistia contra sua pata, mas as garras afiadas cortavam na minha cintura.
Pare de me empurrar, moça. Nós não queremos que nosso prêmio seja danificado.
“Prêmio? O que quer dizer?”
O dragão suspirou e subiu pelo ar. Ele soprou mais fogo em Ren e Kishan, e eles ficaram totalmente cercados mas permaneciam sem queimaduras.
Kishan retirou seu chakram e gritou. “Coloque ela no chão, dragão, ou vamos te matar.”
Lúselong riu. Nós dragões não podemos ser mortos.
Ren tirou seu tridente e torceu o punho de um jeito que as pontas se alongaram para atirar dardos. “Nós não podemos ser mortos também, dragão. E vamos te caçar até que ela seja salva.”
O dragão inclinou sua cabeça na direção de Ren e sibilou. Estou contando exatamente com isso, tigre.
Kishan gritou enquanto o dragão circulava mais alto no ar, “Traga-a de volta. Agora!”
Ren pulou através do fogo, deixou de lado o tridente e mudou para sua forma de tigre. Ele escalou uma arvore alta em grandes saltos e correu por um galho estreito. Estava muito mais perto de nós agora. Ele rugiu e balançou uma pata para o dragão.
Lúselóng indulgente baixou sua cabeça perto o bastante para encarar o tigre branco, mas continuava longe o bastante para que ele não tivesse seu nariz golpeado por uma pata. Ren mudou de volta para homem e agarrou-se no galho. Ele olhou para mim. Eu podia sentir o seu desespero. Eu estava além do seu alcance, e Não havia nada que ele pudesse fazer para me salvar.
A expressão dele tornou-se sombria, perigosa, enquanto ele encarava o Dragão da Terra. “Se ela de alguma forma for ferida, eu lhe prometo que irei encontrar um jeito de matar você. Tome bastante cuidado, dragão.”
O dragão estreitou seus olhos e sorriu maldosamente. Sim, esse jogo será muito divertido. Porque vocês insistem em saber as regras antes do tempo, eu lhes direi isso... o jogo é vocês. Eu vou em um safari, veja bem. Tomarei a forma de um homem e caçarei vocês. Os dois. Vocês assumirão suas formas de tigre. Haverão armadilhas e outras criaturas esperando por vocês também. E se não conseguirem chegar até a colina do castelo antes de eu atirar ou capturar vocês, serão capazes de continuarem a segunda rodada. Se não, eu terei dois lindos tapetes de pele de tigre para colocar na frente da minha lareira.
“E se passarmos para a segunda rodada?”
Se conseguirem me superar, o que é altamente improvável, então o jogo vai mudar. Vocês terão de achar seu caminho para o castelo por um labirinto. Abaixe seu disco voador, ou vou estripar a garota.
Eu ofeguei e olhei para baixo na base das árvores onde Kishan estava, com o chakram levantado. Ele abaixou o braço, e o dragão fez um circulo como um cata-vento. Eu vacilei tonta com o movimento. Ele colocou seus olhos nos dois homens enquanto continuava, Suas armas serão devolvidas a vocês antes de entrarem no labirinto. Essa parte do jogo é mais velha que o mundo. Os
jogadores serão um cavaleiro branco, um cavaleiro negro, um dragão e uma princesa. Vocês devem seguir pelo labirinto e escalar as paredes do castelo. Então vou encontrar o dragão pra destruir, interpretado por mim. O vencedor fica com a garota.
“Pensei que você fosse imortal.” disse Ren.
Ah, eu sou, mas se vocês derem o que seria normalmente um golpe mortal para um dragão sem serem queimados até as cinzas, vocês ganham.
“E se você ganhar?”
Bom, é claro, se eu ganhar, ficarei com a garota. O dragão sorriu diabolicamente e me apertou levemente.
Ofeguei de dor e ouvi rugidos ameaçadores de Ren e Kishan.
Ren falou lentamente, promessa tocando em sua voz. “Nós vamos jogar o seu jogo, dragão, mas lembre-se disso, para cada machucado que fizer a ela, por menor que for, vou fazer essa ferida em você cem vezes pior.”
O dragão balançou no ar, olhando Ren, o avaliando. Tem muito tempo desde que eu tive oponentes tão corajosos. Lhes desejo sorte. Que o jogo comece!
Uma rajada de bento soprou sobre nós, e todas as armas brilharam e sumiram. Ambos os homens foram forçados a mudarem para suas formas de tigre. O tigre negro olhou para mim, rugiu, e foi em direção a selva. O tigre branco permaneceu na árvore me olhando até que não podíamos mais nos ver.
O dragão subiu mais alto e entrou na floresta. Ele ondulou entre as árvores altas numa velocidade assustadora. Ocasionalmente, ele esticava uma garra e se empurrava de uma árvore que estava muito longe, deixando marcas profundas e irregulares no tronco. Eu tremi. Isso vai separar Ren e Kishan. Isso vai rasga-los por dentro como manteiga.
“Estava falando comigo?”
Para o castelo, é claro.
O dragão verde disparou mais alto no ar, e eu mal pude me conter de vomitar na subida rápida, muito menos fazer mais perguntas a ele. A ilha era
bem maior que eu imaginei. Seu diâmetro era talvez de oito quilometros. Logo nós deixamos as árvores, passamos pela praia, e estávamos acima do oceano. Outra ilha menor apareceu a vista. Era cercada de árvores, e se levantando no meio dela estava um alto castelo construído com pedra cinza cor de alga.
Um labirinto imenso de sebes escuras com pelo menos seis metros de altura cercava o exterior. O castelo crescia bem acima do labirinto, mas era cercado de névoa. Com desânimo, vi que não havia degraus, nem portas, nenhum jeito que ter acesso ao castelo a não ser pelo topo. Os tigres teriam de escalar o exterior, enquanto eu estaria presa como a Rapunzel, sem o cabelo.
Uma torre isolada ficava no topo, e era para essa que o dragão estava indo. Ele pousou com o arranhar das garras no chão plano antes de finalmente me soltar. O ar parecia mudar ao seu redor. Ele brilhou e estourou, e de repente, na minha frente havia a versão humana de Lùselóng. De pele branca e cabelo castanho, ele era bonito, mas de um jeito perigoso. Seus olhos pareciam mais avelã que amarelos. Ele estava vestido com roupas antigas de caça cáquis, botas altas e pretas que brilhavam com o polimento, e tinha até um capacete debaixo do seu braço.
“Mas não é justo,”eu o acusei. “a floresta e o castelo não estão nem mesmo na mesma ilha. Como eles supostamente vão saber?”
“Eles vão descobrir. Eventualmente.” Ele pegou meu cotovelo. Com um sotaque sedoso, ele disse, “Venha, querida. Permita-me mostrar suas acomodações.”
“Porque você soa russo?”
Ele riu. “Você não sabia que os melhores caçadores do mundo são eslavos? Nós dragões podemos assumir qualquer forma que desejarmos, e eu escolho caçar da maneira mais esportiva. Vou imitar o estilo dos grandes caçadores que iam num safári, quando caçar era um esporte. Aqueles muito poucos e corajosos homens que ousavam colocar a si mesmos em tanto perigo quanto sua presa, que confiavam mais em habilidade e inteligência do
que em armas são agora coisa do passado. Hoje irei lhes prestar uma homenagem.”
Obviamente arrogância era uma fraqueza nesse dragão. Talvez eu possa usá-la contra ele. Modestamente, eu disse, “Isso é um grande risco para você. É uma coisa corajosa a se fazer, realmente.”
Confuso, ele disse. “O que quer dizer?”
“Bom, se você irá realmente imitar os grandes caçadores, você caçaria como um humano. Quero dizer, você não estava planejando usar seus sentidos de dragão, estava? Sua incrível velocidade, visão, e audição te dariam uma grande vantagem.”
“Oh... sim. Suponho que eu possa limitar minhas habilidades em caçar como um homem comum.” Ele continuou a me guiar pelo castelo e a descer uma escadaria circular.
“Isso faria o jogo tão mais interessante, não acha?” perguntei inocentemente.
“Sim. Sim” Faria. Farei isso. Eu vou caçar como um homem normal.”
Coloquei minha mão no seu braço e tentei soar preocupada. “Mas então você ficaria em perigo. Os tigre são muito engenhosos.”
“Há! Não há perigo para mim. Vou ganhar na primeira hora.”
“Ainda assim, seria muito tentador usar suas habilidades especiais. Não culpo você, afinal. Tudo que seria necessário é um tigre saltando em sua garganta, e você ficaria tentado a dar um tiro nele. Eu entendo, claro. É muito difícil não usar poder quando se tem.”
“Eu não preciso dos meus poderes. Minha mente e minha habilidades são o suficiente para vencer o jogo.”
“Bom, você pode sempre recorrer a isso, então sua segurança estará garantida.”
“Não estou preocupado com segurança! Ótimo. Para provar a você, vamos adicionar uma nova regra!”
“E qual regra seria?”
“A regra é que se eu usar qualquer uma de minhas habilidades na caçada que um homem normal não possuiria, os tigres vencem.”
“Ah! Que corajoso da sua parte! É uma pena que eu estarei presa aqui e incapaz de ver você em ação.”
“É sim,” ele disse pensativamente. “Ah, então como uma cortesia especial a você, terá permissão para assistir a caçada.”
“Que dizer que vai me levar com você?”
“E arriscar que eles roubem você de volta antes de terminarmos o jogo? Não, deti dama, você irá permanecer aqui na torre. Vou permitir que meu espelho especial lhe mostre a caçada. Quando quiser assistir, apenas se aproxime do espelho, e lhe diga o que deseja ver. Fique à vontade, querida. Comida e bebida serão deixadas para você no peitoril da janela todos os dias, mas ficará aqui até que o jogo termine.”
Ele foi para as escadas com um floreio, assim que a pesada porta de madeira fechou atrás dele e se trancou. Esperei até que não podia mais ouvi-lo e estendi minha mão da direção da porta. Nada aconteceu. Fui para a janela para atirar uma labareda. De novo, meu poder de raio era inútil. Me joguei na pequena cama com um cobertor de tecido áspero. Não havia nada mais que eu pudesse fazer.
“Espelho? Me mostre a caçada.”
O espelho ficou negro antes de criar uma vista panorâmica da ilha. Um vulto verde delineava o dragão enquanto ele voava sobre a água, pousou na praia, e se transformou em homem. Entrando na selva, ele carregava um antigo rifle de caça de cano longo e uma bolsa com provisões – ele tinha até uma lancheira. Eu realmente espero que ele cumpra o acordo e cace como um mortal.
Mesmo se ele o fizesse, havia uma boa chance de ele pegar um dos dois tigres, se não os dois. Kishan estava acostumado a vida na selva, mas já havia muito tempo desde que Ren cuidara de si mesmo. Mordi meu lábio quando considerei que seu pelo branco o tornaria uma presa fácil. Se eles
conseguissem se esconder bem durante o dia, os tigres poderiam ter uma boa chance de caçar o dragão a noite quando sua visão humana estaria mais limitada.
Lùsèlóng começou cuidadosamente a escolher seu caminho pela floresta, procurando por sinais dos tigres. Pedi o espelho que me mostrasse Ren e Kishan. O espelho saiu da visão do dragão e se aproximou de um pedaço de floresta no outro lado da ilha. Eu não conseguia ver nada a principio, e então eu tive um vislumbre branco atrás de um arbusto. Ele desapareceu, mas logo, o movimento de uma cauda de tigre apareceu atrás de uma pedra. Pedi ao espelho se ele podia aproximar mais um pouco. Ele mostrava Ren ao lado de uma placa com espinhos, tentando pular a armadilha golpeando-a levemente com uma pata.
Kishan ficou a vista com algo na boca – um macaco morto. Na verdade, em uma inspeção mais detalhada, a área estava cheia de corpos de macacos. Kishan jogou o corpo na armadilha, e a ponta afiada se abriu na altura dos tigres e caiu fora.Eu assisti seu pregresso lento enquanto os tigres se moviam cuidadosamente para dentro da floresta.
Uma hora depois, Kishan pisou em uma armadilha de fechamento lateral, e duas ripas de madeira cravadas de espinhos bateram juntas em sua perna. Ele violentamente tirou a perna, apesar de os espinhos terem rasgado sua carne. Ele mancou por uns vinte minutos até que sarou.
Outras armadilhas esperavam por eles. Eles por um triz evitaram de serem atingidos com uma lança que foi atirada da folhagem quando um deles tropeçou num fio. Ren pisou em uma pedra que acionou outra armadilha. Uma vara de bambu dobrado passou por Kishan, que deu um jeito de sair do caminho, mas atingiu o lado de Ren. A vara que o atingiu era cheia de pregos de cinco centímetros que agora estavam entranhados profundamente no pelo de Ren. Kishan pegou a vara com a boca e a segurou enquanto Ren afastava seu corpo dolorosamente. Sangue pingava no chão. Eles continuaram, lentamente.
Viajaram nos topos das árvores por um tempo pulando de galho em galho, mas logo descobriram que muitos galhos haviam sido serrados e não
aguentavam seu peso. Eles voltaram para o chão, e foi quando encontraram o pior das armadilhas: a armadilha de urso. Eu soube o que era por ter estudado vários tipos de guerra com o Sr.Kadam.
Uma pedra gigante rolou no caminho deles, fazendo com que os dois tigres se movessem rápido para trás. As pernas traseiras de Ren caíram num poço retangular que estava camuflado com folhas. Longos espinhos de metal sobrepunham uns aos outros em ambos os lado do poço. Eles apontavam para baixo, o que raspou as pernas dele quando ele caiu. Eram tão diabolicamente posicionadas que se ele mesmo tentasse se empurrar para cima, elas iriam rasgar seu corpo como aros de uma roda de bicicleta ao contrario. Uma vez pego pela armadilha de urso era quase impossível tirar a vitima sem mata-la.
Kishan andou ao redor do poço procurando um jeito de libertar Ren. Ele tentou empurrar os espinhos para baixo com uma pata, mas ele escorregou na sua superfície lisa e quase se juntou a Ren na armadilha. Depois de dez minutos dos esforços infrutíferos de Kishan, Ren rugiu suavemente e começou a se arrastar para fora. Os espinhos afundaram profundamente nos seus quadris e pernas. Ele entranhou suas garras na terra, e puxou a sim mesmo em frente centímetro por doloroso centímetro. Kishan se sentou e observou seu progresso.
Finalmente, Ren se deitou na terra. Toda a parte de trás do seu corpo estava uma confusão. Longos sulcos irregulares corriam pelas suas costas e em por todo caminho até suas pernas. Os tigres descansaram por uma hora, o que permitiu a Ren se curar ao menos parcialmente, e então começou a se mover de novo. Ao pôr do sol, eles acharam um lugar para descansar, deitando um ao lado do outro. Um deles sempre ficava acordado. Eu podia ver seus olhos sonolentos piscando.
Não havia nenhuma vela ou luminária no meu quarto, mas comida apareceu de algum jeito no parapeito da janela. Parti um pedaço de pão e bebi da jarra de água. Guardando a maçã para depois, comi o queijo e voltei para a cama para ver meus tigres. Depois de checar o paradeiro do dragão e acha-lo ainda os procurando do outro lado da ilha , eu relaxei e eventualmente adormeci de exaustão.
Acordei com o som de um tiro, arquejos e movimentos nas árvores. Me sentei assustada e estava confusa por um momento antes de me lembrar onde estava.
“Espelho, afaste-se. Ache o dragão.’
Lùsèlóng havia achado o rastro de sangue a noite e estava bem no lugar onde Ren e Kishan estiveram dormindo. Se virando, ele tocou uma folha quebrada. Ele deu alguns passos e agachou-se para tocar a depressão da pegada de tigre. Depois ele pegou um pouco de terra e a cheirou, espanou seus dedos, sorriu, e entrou dentre as árvores. Ele parou para tocar uma samambaia. Havia sangue fresco ali.
Em pânico, eu gritei, “Espelho, me mostre meus tigres.”
A imagem se retraiu e correu um quilometro e se aproximou de Ren e Kishan. Tinha um corte sangrento no lado de Kishan onde a bala havia raspado. Eles correram por meia hora, colocando uma grande distância entre eles e o caçador. Diminuindo para uma caminhada, eles ofegaram e descansaram no chão.
Enquanto a manhã se transformava em tarde, eu torci as mãos e disse, “Por favor, estejam bem. Por favor sejam cuidadosos. Estou aqui atrás da água. Estou em outra ilha.”
Ren levantou a cabeça como se pudesse me ouvir e mexeu suas orelhas para frente e para trás. Me inclinei para mais perto e falei de novo, mas de repente ele se levantou em disparada e atacou alguma coisa que eu não pude ver. Ouvi um som de um guincho alarmado subitamente abafado, e ele logo emergiu do arbusto carregando um animal na boca. Ele deixou cair um pequeno javali adolescente no chão, e ele e Kishan começaram a comer.
Estimei que a refeição deles pesava mais ou menos uns 23 quilos – um mero lanche considerando a quantidade de energia que eles estavam usando. Eu estava certa de que eles ainda estavam famintos. Algumas horas depois, eu me provei certa. Eles acharam outra armadilha, essa com um grande pernil de veado pendurado acima dela.
Os dois tigres circundaram o poço obvio e olharam a carne, lambendo os beiços. Kishan pulou totalmente sobre o poço, golpeando a carne com a pata no caminho, o que a fez balançar com força pra trás e para frente. Ren, enquanto isso, começou a roer a corda onde ela estava amarrada na árvore. Ele usou as garras para tentar arrebentá-la. Kishan se juntou a ele e adicionou seus dentes e garras até que a corda se desgastou e o pesado pernil caiu no poço com um ruído.
Os tigres espiaram sobre a borda, e Kishan se agachou para abaixar uma pata experimentalmente no lado do poço, tentando pegar a carne. Ele se esticou um pouco mais longe e caiu no poço com a carne. Conseguindo um bom aperto com a boca, ele ficou sobre as patas traseiras e colocou seu pescoço para que Ren pudesse pegar a carne. Ren bateu com a pata até que suas garras agarraram a corda. Ele puxou até que pudesse pegar o pernil com os dentes. Deixando o prêmio no chão, ele se inclinou sobre a borda do poço para olhar Kishan.
Kishan se afastou o máximo que pode, depois correu, e pulou no lado do poço. Suas garras se entranharam na borda, mas ele escorregou para baixo de novo. Depois de mais três tentativas malsucedidas, Ren empurrou um galho próximo para o poço com a cabeça, e Kishan cuidadosamente fez seu caminho para cima. No topo sua perna escorregou, e ele quase caiu de novo, mas Ren se esticou e mordeu o pescoço de Kishan para segurá-lo até que ele estivesse salvo do lado de fora.
Depois de comerem, eles continuaram andando até que estivesse escuro de novo. Eles logo alcançaram a praia no lado oeste da ilha e correram pela areia molhada por um tempo. Freneticamente eles procuraram a divisão, mas eu sabia que eles não a achariam. Quando eles se deitaram para noite, Ren ficou de guarda primeiro. Eu fiz o espelho aproximar de seu rosto. Seus olhos azuis olhavam bem a frente como se ele estivesse me olhando. Ele suspirou pesadamente, e seu nariz rosa se contorceu. Eu o olhei até não conseguir mais manter meus olhos abertos.
A madrugada do terceiro dia me trouxe outra fatia quente de pão preto e um pequeno caldeirão cheio de sopa. O sol ainda nem tinha nascido, e enquanto eu comia, eu me sentei em frente ao espelho para ver o progresso
da caçada. Os tigres estavam correndo pela praia, tirando vantagem da escuridão para se moverem livremente em campo aberto. Eu procurei pelo caçador e o achei acabando de acordar perto de uma fogueira apagada. Ele segurou uma caneca de liquido em suas mãos e olhou para um lado, e para o outro, e secretamente soprou fogo na caneca para aquecer seu conteúdo.
“Isso é trapaça.” Eu gritei para o espelho, “Você quebrou uma regra!”
O dragão olhou para cima e sorriu. Eu ouvi um riso e a voz dele na minha cabeça. É só uma bebida quente, querida. E a regra claramente afirma que não vou usar meus poderes na caçada. Eu não estou caçando ainda nessa manhã, então não conta.
Eu bufei e o olhei acabar sua bebida e pegar sua arma. Ele rastreou os tigres o dia todo, e ele era bom. Ele nunca perdia uma planta quebrada ou uma depressão, mesmo obscura, no chão. Infelizmente, o oceano não lavou os rastros dos tigres perto da praia, então eles foram fáceis de seguir. Quando o dragão mergulhou na floresta ele parou subitamente, e nós dois ouvimos múltiplos rugidos de briga de grandes felinos. Ele acelerou o passo. Pedi ao espelho para me mostrar os tigres rápido.
A principio eu não sabia o que estava vendo. Era um close-up de criaturas peludas rolando, garras cortando. Quando eu finalmente fiz o espelho se afastar, eu ofeguei enquanto um tremor corria pela minha espinha. Ren e Kishan estavam numa batalha sangrenta com um grande grupo de jaguares. Ren me disse que grandes felinos não costumam caçar juntos, com exceção dos leões, então eu estava surpresa com o grade grupo trabalhando junto. Um dos jaguares estava deitado de lado no chão, morto. Ren e Kishan ficaram de costas um pro outro e rosnavam para o bando que os circulava.
Eu contei mais seis jaguares no chão, mas poderia ser mais. Era difícil de dizer porque eles estavam em constante movimento. Era estranho o jeito que eles andavam. Eles deram passos para frente e para trás como um, circundando os tigres. Seus olhos nunca deixaram a presa. Um pulou e cortou o rosto de Kishan. Ele foi para trás, mas errou enquanto o felino mais leve, mais ágil pulou fora do caminho. Dois pularam em Ren, um de cada
lado. Ele mordeu a perna de um, e este saiu mancando, mas o outro aterrissou me suas costas, garras estendidas. Ele mordeu o pescoço de Ren e o segurou. Kishan se virou e derrubou o jaguar, mas outros dois pularam nele.
Ren mordeu um na garganta e sacudiu o felino violentamente. O pescoço estalou e ele jogou o corpo para o lado. Eles morderam e arranharam ate que os felinos pintados fugiram para se reagruparem. Ren e Kishan tentaram fugir, mas os jaguares rapidamente os impediram.
Eles devem estar muito famintos. Pensei. Eles pareciam agrupar os felinos listrados na direção de um denso arbusto.
Eles começaram a andar, circundando os tigres de novo. Um gato rosnou e disparou mas fugiu antes que os tigres pudessem pegá-lo. Outro fez a mesma coisa. Eles pareciam estar brincando com os tigres. Um momento depois, dois gatos pularam de cima nas costas de Ren e Kishan. Eles morderam e seguraram. Ren estava sangrando no peito e se sacudia muito para tirar o jaguar de suas costas. Ele não iria ceder.
O outro jaguar pulou na briga e começou a morder. Um mordeu a bochecha de Kishan, e outro sua perna traseira. Ren não estava se saindo melhor. Os tigres estavam ofegantes pelo esforço, e mesmo com sua habilidade de cura, eu me preocupei. Os jaguares podem tirar pedaços deles. Como eles se curariam disso? Ren rosnou, se levantou nas patas traseiras, e bateu as costas numa árvore. O jaguar atordoado soltou seu aperto e caiu. Ren estava atacando o gato nas costas de Kishan quando um tiro soou pela floresta.
O dragão tinha os alcançado. Um jaguar caiu morto perto da pata dianteira de Kishan. Os jaguares desapareceram como sombras de volta para a selva verdejante, enquanto Ren e Kishan reuniram forças para correr. Tiros ecoavam de novo e de novo enquanto o caçador perseguia os tigres. Uma bala raspou no topo da cabeça de Ren, e eu pude ouvir seu ganido de dor. Ele sacudiu o sangue dos olhos e continuou correndo. Outro atingiu o ombro de Kishan. Ele rugiu com raiva e cambaleou, mas continuou mancando.
Então eles decidiram continuar com a ofensiva. Ren pulou numa grande rocha e numa alta árvore. Kishan exagerou em seu mancar para deixar Lùsèlóng alcançá-los. O caçador seguiu os rastros de Kishan mas parou quando Ren de repente desapareceu. Ele caminhou para trás e para frente, olhou para os rastros de Kishan e então voltou para onde Ren tinha sido visto pela ultima vez. Ele parou e cuidadosamente estudou os arbustos a sua volta. Uma gota caiu em sua bochecha. Ele a tocou e olhou seu dedo. Era sangue.
Seus olhos se alargaram, e ele olhou para cima, mas já era tarde. O tigre branco com mais de duzentos e trinta quilos pulou da árvore, de boca aberta e garras estendidas na direção da garganta do dragão. Atrás dele o tigre negro tinha pulado no ar também. O caçador ofegou e tudo congelou. Ele se afastou delicadamente dos dois tigres, que estavam suspensos no ar, a menos de um pé de mutilar o caçador.
Eu gritei, “Isso é trapaça! Eles tinham você!”
Lùsèlóng me ignorou e andou ao redor dos tigres curiosamente. “Eu parabenizo vocês. Ninguém nunca conseguiu pular em mim antes.”
“Lùsèlóng! Você está quebrando as regras!”
O dragão riu e disse na minha mente. Isso não conta. Meu rifle estava abaixado.
Bati meu punho no espelho em frustração, mas o dragão deu mais alguns passos, armou seu rifle, e então estalou os dedos. Os tigres se bateram e rolaram na terra. Eles se levantaram, sacudiram a poeira do pelo, e o caçador atirou. O tiro atingiu a terra a centímetro da cabeça de Ren. Ren e Kishan rapidamente se separaram e escalaram as árvores.
Felizmente, eles não acharam nenhuma armadilha dessa vez . Logo os tiros e sons de perseguição não podiam mais ser ouvidos. Eles só descansaram poucas vezes e continuaram seu ritmo cansado por horas. Eles chegaram a praia no lado leste da ilha e procuraram por todo lado, o castelo ou o labirinto.
“Não. Não. Não está ai. Estou aqui do outro lado da água!” Eu gritei para o espelho, mas sabia que eles não podiam me ouvir. Quando a noite caiu de novo, eu me enrolei num cobertor e me sentei na frente do espelho. Lùsèlóng ainda estava procurando, mas meus tigres estavam salvos no momento. Os olhos de Kishan fecharam e logo, exausto de mais para continuar vigiando, os olhos de Ren se fecharam também. Eu olhei para eles cansada por um longo tempo, e então eu me aproximei do espelho e tracei o contorno da orelha branca e peluda de Ren.
“Vocês não vão conseguir. Ele vai esgotar vocês. O dragão trapaceia, e não há comida o suficiente para sustentar vocês dois. Está me escutando, Ren?” Eu bati no espelho ao lado de seu rosto. “Você vai morrer, e com quem eu vou brigar depois? Serei esposa de um dragão numa ilha que não existe e você vai virar croquete de dragão.”
Uma lágrima caiu na minha bochecha, e eu toquei o vidro com meus dedos como se estivesse alisando o pelo de sua testa. “Não deveria acabar desse jeito, você sabe. Não consegui me despedir de você. De nenhum de vocês. Tantas coisas que não foram ditas.”
Eu solucei e senti lágrimas rolarem pelo meu rosto. “Por favor vivam. Por favor me encontre. Estou bem aqui.”
Coloquei minha mão sobre meu coração e senti o batimento. Podia sentir minha ligação com ele, a corrente que ligava meu coração ao dele. Se eu fechasse meus olhos e me concentrasse, podia sentir a constante batida de seu coração enquanto ele descansava. Pressionei minhas duas palmas espelho de cada lado da cabeça dele e encostei minha testa no vidro enquanto chorava.
Meus olhos pareciam quentes e meu coração pesado. Então meu coração começou a queimar. Me enchia de calor. Limpei as lágrimas dos meus olhos e olhei para o espelho. Ren estava acordado. Ele tinha levantado a cabeça de suas patas, e estava olhando para mim como se pudesse me ver. Espantada, eu me afastei do espelho e ofeguei suavemente quando vi que minhas duas mãos estavam brilhando. Quando as tirei do vidro, a luz vermelha se desvaneceu.
Ren rosnou silenciosamente e acordou Kishan, então começou a se levantar. Ele andou para a praia na minha direção e deu alguns passos para a água. Ele encarou as ondas escuras. Havia névoa, e eu sabia que ele não podia ver a ilha no escuro. Ele levantou a cabeça como se estivesse cheirando o ar, então, com alguns passos ele pulou na água. Ele começou a nadar em frente. Kishan correu para trás e para frente na praia, sem ter certeza do que Ren estava fazendo, mas eventualmente, ele correu para a água também e começou a nadar ao lado de seu irmão.
Eles estavam vindo. Eu juntei minhas mãos na minha boca, solucei de alívio, e continuei falando com o espelho, encorajando eles a continuaram e não desistirem. Pressionei minhas mãos contra o vidro de novo, mas elas não brilharam como antes. Eu tentei atirar uma labareda como uma luz guia, mas meu poder ainda não tinha voltado. A única coisa que eu podia fazer era ficar acordada e assisti-los nadar na água escura, usando todo o poder da minha mente para mantê-los vindo.
Silenciosamente, eu rezei, pedindo que nenhum monstro do mar os achasse. Nenhuma terrível tempestade caia em cima deles. Eles nadaram e nadaram e uma hora depois, arrastaram seus pesados corpos para minha ilha e caíram na areis exaustos. Eles dormiram o resto da noite enquanto eu mantive minha silenciosa vigília sobre eles.
Eles ainda estavam dormindo quando a aurora chegou. Eu vi o dragão achar seu lugar de descanso na outra ilha e seguir seus rastros na praia. Ele olhou para o oceano por alguns minutos, então esfregou seu queixo e sorriu. Com um profundo respiro, ele explodiu em sua forma natural e subiu para o céu. O espelho ficou preto.

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