quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Capítulo 5 : Preparação
“Dragões?” eu repeti.
Sr.Kadam riu com pena. “Eu acredito que os dragões serão úteis. Não acho que terão de lutar com eles.”
“Eu sinceramente espero que esteja certo sobre isso. Então, eu presumo que tenha pesquisado o que são algumas dessas coisas?”
“Você presumiu corretamente. Algumas eu conheço, e outras precisarei de um pouco mais de pesquisa. Gostaria de me ajudar?”
“Definitivamente. Será uma ótima distração para mim.”
“Excelente! Mas primeiro me diga o que Phet disse.”
Nós conversamos por algumas horas. Kishan apareceu, me viu, e saiu rapidamente outra vez.
Sr.Kadam finalmente notou a tensão óbvia. “Os garotos fizeram alguma coisa para magoar você?”
“Eles não fazem sempre?” eu perguntei secamente.
“O que aconteceu?”
Eu me movi nervosa na minha cadeira. “Eles não fizeram nada, realmente. É só que Ren e eu discutimos sobre a amnésia dele. Foi uma briga
realmente intensa, e Kishan ouviu pelo menos parte dela. Phet disse que eles eram ambos travesseiros, o que é verdade mais isso não torna as coisas mais fáceis.”
Sr.Kadam bateu os dedos em sua coxa. Ele deveria estar frustrado com a minha tagarelice inútil, mas ele entrou nos meus pensamentos incoerentes e perguntou, “O que Phet quis dizer? Como eles são ambos travesseiros?”
“Basicamente, ele disse que eles eram ambos travesseiros num mundo de rochas, o que eu acho que quer dizer que eles são bons garotos, e eu seria feliz não importava quem eu escolhesse.”
“Entendo. Tem sido óbvio que Kishan tem desenvolvido sentimentos por você. Era por isso que estava brigando com Ren?”
“Não. Kishan era só... um alvo conveniente. Eu estava brava com Ren por estar me bloqueando. Por me esquecer.”
“Nós ainda não sabemos por que isso aconteceu.”
“Eu sei.” Eu peguei a bainha da minha manga e suspirei. “Mas minhas velhas inseguranças voltaram, e eu simplesmente fiquei brava. Ele apertou os botões certos, o que ele tem um talento especial para fazer, com ou sem memória. Ele deixa tão zangada ás vezes que eu poderia sacudi-lo.”
“Se ele desperta tanta emoção em você, então deveria ser óbvio quem você deveria escolher.”
“Certo.” Eu suspirei. “Isso significa que eu deveria escolher Kishan. Eu teria uma vida muito mais pacífica com ele.”
Sr.Kadam se inclinou para frente. “Não foi o que eu quis dizer, mas essa decisão eu deixo inteiramente para você. Phet parece acreditar que você não pode fazer uma escolha errada?”
Eu assenti melancólica.
“Hmm. Isso é interessante. Uma visita certamente cheia de estresse. Se eu posso ser tão atrevido, eu encorajaria você a tentar colocar suas diferenças de lado e aprender a confiar em ambos. Será muito mais fácil se concentrar
na tarefa que temos pela frente se todos nós trabalharmos em harmonia. Nós já estamos a meio caminho de quebrar a maldição. Achar o terceiro presente de Durga será o nosso maior desafio até agora.”
Eu suspirei e coloquei a cabeça nas minhas mãos. “Você está certo. Eu irei pedir desculpas a eles pelo meu ataque, mas vou esperar até amanhã. Isso me dará tempo para esfriar a cabeça.”
“Ótimo. Agora o que você gostaria de jantar?”
“Como soa torta de porco-espinho humilde?”
Ele riu. “Não me diga. Eu não quero saber. Devemos checar os armários da cozinha por porco-espinho então, Srta. Kelsey?”
Eu ri. “Eu imagino quais temperos vão bem com sopa de espinho. Eu terei de moer dessa vez.”
“Está combinado.”
Não manhã seguinte, eu achei Kishan fazendo flexões de braços na barra fixa na academia, que era seu lugar favorito além da cozinha ou da minha varanda. Eu o olhei através do vidro, secretamente admirei seus músculos, e considerei o que Phet havia me dito.
Eu poderia realmente aprender a amar Kishan? Não seria muito difícil. O que seria difícil era esquecer Ren. Talvez eu nunca conseguisse. Meus pais namoraram apenas um ao outro. Você consegue algum dia esquecer seu primeiro amor? Como as pessoas fazem isso? Poderia eu olhar para Kishan do com a mesma afeição que eu sentia por Ren?
Eu acho que muitas pessoas conseguem. Pessoas no mundo todo conseguem seguir em frente de um amor para outro. Eu apenas nunca pensei que seria uma delas. Eu pensei que uma vez que encontrei Ren, eu nunca precisaria procurar por outro cara de novo. Phet parece sentir uma escolha iminente num futuro próximo. Eu mordi meu lábio. Ainda existe esperança de que Ren de algum modo se lembre de mim. Mas e se ele não se lembrar? E se ele nunca conseguir me tocar de novo sem dor? Eu devo apenas desistir e dizer, “Obrigada pelas lembranças”? Como eu posso ficar com o um quando o outro ainda está aqui?
Eu ouvi um grunhido de Kishan, e meus olhos voltaram para ele.
Qual é o meu problema? Pobre de mim. Tendo que escolher entre dois dos caras mais bonitos do planeta. Homens bons, doces, honestos que se importam verdadeiramente comigo. Ambos lindos príncipes. Kishan seria bom para mim, Me amaria. Uma garota podia escolher pior. Muito pior. Eu deveria me lembrar disso.
Eu abri a porta de vidro deslizante e sentei numa cadeira. Kishan soltou a barra fixa e caiu no chão. Estava maravilhada que ele pudesse aterrissar sem fazer nenhum ruído, grande como ele era.
“Oi.” eu disse desajeitada.
Ele colocou uma cadeira na minha frente e sentou, me avaliando com seus olhos dourados de pirata. “Oi, você.”
“Eu só queria dizer me desculpar por gritar com você mais cedo. Eu... bem, não tem desculpa, e eu peço perdão.”
“Você não precisa se desculpar. Estava só frustrada. É um sentimento que se tornou familiar para mim nas últimas semanas.”
“Eu quero que nós nos concentremos em quebrar a maldição. Se existirem problemas mal resolvidos, nós vamos ficar distraídos e alguém pode se machucar.”
“E, uh, como exatamente você planeja resolver esses problemas?”
“Essa é uma boa pergunta. Eu acho que o melhor a se fazer é deixar as coisas às claras.”
“Você tem certeza que é isso que você quer agora?”
“Sim. É provavelmente para o melhor.”
“Tudo bem. Então você começa.” Ele cruzou os braços no peito. “Como você se sente sobre mim?”
Eu tomei fôlego e murmurei, “Bom, porque nós não vamos em frente e mergulhamos nesse vespeiro? Ok. Aberta e honesta, certo?” eu coloquei meu cabelo atrás da orelha e me encostei na cadeira. “Lá vai. Eu confio em você. Gosto de ter você por perto. Eu sinto... mais por você do que deveria. Mais
por você do que eu quero, o que me faz sentir incrivelmente culpada. E Phet disse...”
“Continue.”
“Phet disse que eu seria feliz com qualquer um de vocês, e que eu terei de faz uma escolha em breve.”
Kishan grunhiu e me olhou. “Você acredita nele?”
Eu torci meus dedos e murmurei, “Sim.”
“Bom. Gosto de pensar que eu poderia fazê-la feliz. É minha vez agora?”
“Sim.”
“Ótimo. Indo direto ao ponto, Kells, eu quero você. Eu quero estar com você mais do que já quis alguma coisa. Mas eu vejo como você olha para o Ren, mesmo agora. Você ainda tem sentimentos por ele. Fortes. E eu não quero ser seu namorado de reserva. Se você escolher estar comigo, eu quero que seja porque você me ama. Não porque você não pode tê-lo.”
Ele me encarou com seus intensos olhos dourados, e eu baixei meus olhos sob seu exame minucioso.
“E se acabasse sendo os dois?” eu perguntei baixinho.
“Eu acho que eu conseguiria viver com isso desde que eu tivesse o seu coração no final. Outra coisa...” Ele pegou minha mão entre as dele e traçou linhas imaginárias nas costas dela. “Se você realmente escolher Ren, tudo bem. O mais importante é... eu quero que você seja feliz.”
“Você quer dizer sem mais brigas de gato?”
“Ren e eu passamos muito tempo juntos ultimamente,” Kishan deu de ombros. “Ele me perdoou por Yesubai e por todas as outras coisas que eu fiz. Se vocês dois acabarem juntos, eu terei apenas que viver com isso.”
“Ele está certo. Você mudou.”
“Gosto de pensar que eu só fiquei melhor com a idade.”
“Bom, você ficou.”
Quando eu me levantei para ir embora, Kishan pegou meu pulso e me puxou de novo. Ele traçou seus dedos pelo meu braço, provocando arrepios.
“Isso não significa que eu desisti de você, embora, eu ainda planejo ganhar você para mim, bilauta.”
Ele beijou as pontas dos meus dedos antes de me soltar. Eu tropecei para trás e me preparei para uma conversa com Ren.
O problema era que... eu não conseguia acha-lo. Procurei na piscina, no quintal, na cozinha, na sala de música, na sala de mídia e na biblioteca. Não tinha sinal dele. Eu bati na porta de seu quarto.
“Ren? Você está ai?” sem reposta.
Virando a maçaneta, eu descobri que a porta estava destrancada. Eu sentei na sua escrivaninha. Poemas estavam espalhados, alguns em inglês outros em hindi. Um livro de trechos de Shakespeare estava aberto e virado de cabeça para baixo. Eu sentei na sua cadeira de couro e peguei a folha em que ele estava trabalhando.
Lembrando
Onde está o X?
Um tesouro de pirata permanece escondido
Mas o mapa está debotado
As beiradas queimadas pretas e ilegíveis
O baú está enterrado e trancado
E a chave está sumida
O navio vai sozinho
A ilha se foi
Como ele o encontraria?
Desenterrar os preciosos encantos?
As joias beijadas pelo sol Lábios de rubi brilhante
Cachos marrom dourados de cabelo
Tanto que poderiam escorrer pelas suas mãos
Tecidos de seda para amarrar em volta de sua pele perolada
Um corar de donzela vermelho mandarim
Olhos de topázio brilhantes que queimam e
Furam como ardentes diamantes
Um perfume – súbito e limpo e sedutor
Um homem realmente rico
Se ele pudesse apenas achar
O X
Eu tinha acabado de ler o poema uma segunda vez quando ele foi arrancado da minha mão.
“Eu pensei que você odiava os meus poemas. Enfim, quem te convidou aqui?” Ren disse acidamente, mas levantou uma sobrancelha e sorriu calculando como se ele estivesse esperando por outra briga verbal.
Eu respondi. “A porta estava destrancada. Eu estava procurando por você.”
“Bom, você me achou. O que você quer? Mais poemas para queimar?”
“Não. Eu te disse que não queimaria mais os seus poemas.”
“Que bom.” Ren olhou o poema em sua mão e relaxou.
“Porque esse é o primeiro que eu consegui escrever desde a minha libertação.”
“Sério? Talvez seja porque Phet se livrou do SPT.” eu arrisquei.
Ren colocou o poema dentro de um caderno de couro e se encostou na cabeceira da cama. “Talvez, mas eu acho que não.”
“Bem, então o que fez você voltar a escrever?”
“Aparentemente, eu tenho uma musa. Agora porque você está no meu quarto?”
“Eu queria falar com você. Esclarecer as coisas.”
“Entendo.” Ele se sentou na cama encostando na cabeceira, batendo no espaço ao seu lado. “Então sente que aqui e diga.”
“Uh, eu não acho que deveríamos estar tão próximos.”
“Nós vamos matar dois coelhos com uma cajadada só. Eu preciso testar minha resistência.”
Ren bateu na cama outra vez. “Mais perto, minha subhagajadugarni.”
Cruzei meus braços. “Eu não sou especialmente fã desse apelido.”
“Então me diga do que mais eu costumava te chamar.”
“Você me chamava de priya, rajkumari, iadala, priatama, kamana, sundari, e recententemente, hridaya patni.”
Ren me encarou com uma expressão indecifrável. “Eu... te chamei de todos esse nomes?”
“Sim, e provavelmente outras mais que eu não consigo me lembrar.”
Ele me olhou pensativo. Então numa voz baixa disse, “Venha aqui. Por favor.”
Eu obedientemente cheguei mais perto dele. Ele colocou as mãos ao redor da minha cintura, tomando cuidado para não tocar minha pele, e me levantou me passou sobre o seu corpo para o outro lado da cama.
“Talvez eu devesse inventar outro apelido.” Ren sugeriu.
“Como o que? E nada tipo apelido de sereia ou feiticeira.”
Ele riu. “O que acha de strimani? Isso significa ‘a melhor das mulheres’ ou ‘uma joia de mulher’. Está bom para você?”
“Como você imaginou esse?”
“Eu fui recentemente inspirado. Então do que você queria falar?”
“Eu queria deixar as coisas às claras, para que nós possamos ficar mais confortáveis um com os outros. Desse jeito nós podemos trabalhar juntos, e as coisas irão ser mais fáceis.”
“Você quer deixar as coisas às claras? Que tipo de coisas?” Ren me estudou intensamente com seus lindos olhos azuis. Involuntariamente, eu me inclinei para ele mas me reprimi e me afastei, batendo com a cabeça levemente na cabeceira da cama.
“Hmm... talvez isso não seja uma boa ideia. Funcionou com Kishan, mas algo me diz que não vai funcionar tão bem com você.”
Sua expressão divertida rapidamente se desvaneceu, ele cerrou a mandíbula. “O que funcionou com Kishan?”
“Nós... conversamos sobre os nossos sentimentos.”
“E? O que ele disse?”
“Eu não tenho certeza se devo compartilhar isso com você.”
Ele grunhiu suavemente e murmurou alguma coisa em hindi. “Ok, Kelsey, você queria conversar, então converse.”
Eu suspirei e me deitei na cama, ajeitando um travesseiro debaixo da minha cabeça. Cheirava como ele: cachoeiras e sândalo. Eu inalei profundamente, dei um sorriso involuntário e depois corei quando percebi que ele estava me olhando curiosamente.
“O que você está fazendo?”
Eu gaguejei, constrangida. “Se você quer saber, o travesseiro cheira como você. E acontece que eu gosto do seu cheiro.”
“Sério?” ele sorriu.
“Sim. Vê? Tudo às claras.”
“As coisas ainda não estão às claras. Eu vou te propor um combinado. Me diga o que Kishan disse, e você pode lhe contar tudo que nós conversamos. Sem segredos.”
Eu pensei sobre a reação de Kishan. Ele provavelmente concordaria com Ren.
“Tudo bem.”
Eu comecei hesitante, esquentando o assunto devagar. Eu contei a Ren tudo sobre minha discussão com Kishan e não omiti nada. Era bom falar com ele desse jeito de novo. Eu sempre pude lhe contar qualquer coisa, e ele ainda escutava tão atentamente quanto antes. Eu até lhe falei sobre coisas que ele havia perdido enquanto era prisioneiro, então esperei e assisti enquanto ele processava a informação.
Eu acabei dizendo, “E para terminar, eu só queria me desculpar por gritar com você na floresta. Eu sei que eu tenho sido difícil de ficar perto, e eu me desculpo. Eu estava brava e machucada, e eu culpei você.”
“Talvez eu tenha merecido a culpa.” Ren levantou uma sobrancelha e então sua expressão mudou para um sorriso largo. “Então você está aqui para beijar e se desculpar?” (makeup é o original, mas ele tá usando como trocadilho para amassos... sabe como é... rs)
“Uh, tente se desculpar.”
“Ok, deixe-me ver se entendi. Kishan prometeu não te beijar até que ele tenha certeza que nós acabamos.”
“Sim.”
“Você fez alguma promessa para mim quando nós estávamos namorando? Como, por exemplo, não beijar outros homens?”
“Eu nunca prometi nada sobre beijos, especificamente. Mas depois que nós ficamos juntos nunca houve ninguém mais que eu quisesse beijar. Se eu
estou sendo completamente honesta, nunca houve alguém antes de você que eu quisesse beijar.”
“Certo. Eu já te prometi alguma coisa?”
“Sim, mas não importa agora, porque você não mais a mesma pessoa.”
“Sem essa. Eu quero saber exatamente o que eu fiz para te machucar, além da óbvia amnésia.”
“Ok.” Eu soltei o ar. “Você se lembra da minha festa de aniversário?”
“Sim.”
“Você me deu meias.”
“Meias?”
“No Dia dos Namorados você me deu os brincos da sua mãe. Eu disse a você que poderia ter me dado meias. Você disse, e eu repito, ‘Meias dificilmente são um presente romântico, Kells.’ No meu aniversário você disse que não ligava para sorvete de pêssego e creme, mas em Tillamook você escolheu pêssego e creme porque disse que cheirava como eu. Você também disse que gostava mais do perfume de Nilima que do meu perfume natural.”
“Tem mais?”
“Sim. Você me disse que nunca dançaria com Nilima de novo e quando você fala dela me deixa com ciúmes. E, falando de ciúmes, você não fica mais com ciúmes. Você costumava sempre ficar com ciúmes e agora você não se importa – nem mesmo com os flertes de Kishan. Kishan esteve tentando me fazer ficar interessada desde Shangri-la. Normalmente você ficaria extremamente zangado com isso. Tudo isso tem me incomodado desde que nós voltamos.”
“Eu lhe disse uma vez que eu escolhi você – não Kishan. Mas agora Phet diz que eu seria feliz com ele também e que eu terei de fazer uma escolha em breve. De certo modo, é bom saber isso porque se eu não puder ficar com você e não conseguir te fazer feliz, ao menos eu poderia
potencialmente fazê-lo feliz, apesar de que eu não conseguir me ver sendo feliz sem você.”
Minha voz falhou. “E como nós estamos confessando tudo... eu amo seus poemas. Eles são mais preciosos para mim do que qualquer outra coisa que eu tenha. E... eu sinto sua falta. É difícil e estranho e emocional estar perto de você e não estar com você. Ah, e outra coisa: aquela música – a que você não consegue lembrar – é a que você escreveu para mim. E eu prometi... eu prometi nunca deixar você outra vez.”
Eu baixei meu olhar e parei de falar. Quando eu finalmente ousei olha-lo por entre os meus cílios, eu vi os olhos azuis de Ren me estudando intensamente.
Depois de um momento de considerar profundamente, ele disse, “Bom, isso realmente foi uma confissão, eu acho que é hora de eu falar.” Ele deu uma pausa breve. “Eu só sinto quando você está perto.”
“O que você quer dizer?”
“Eu quero dizer, na maior parte do tempo eu me sinto paralisado. Eu só volto a vida quando você está perto de mim. Não consigo tocar música, ler, estudar, ou escrever a não ser que você esteja em algum lugar perto. Você é a minha musa, strimani. Parece que eu não tenho muito de uma vida sem você. E porque você está se abrindo, vou dizer que eu tenho muita certeza de que estou me apaixonando por você de novo. E quanto ao ciúme, eu digo que esse sentimento está realmente voltando. Me desculpe pelas meias. Ninguém me contou que estaríamos celebrando até o ultimo minuto, e Kishan me deu um presente, o que agora eu acho ele pode ter feito de propósito.
“Eu gosto do seu cheiro. Agora que você mencionou, pêssegos e creme é uma boa descrição. Desculpe pelo sorvete, mas eu gosto mais de manteiga de amendoim – chocolate. Eu prometo não dançar com Nilima. Eu acho você linda, e se não acredita em mim pode ler meu poema outra vez. Era você que eu estava descrevendo. Eu te acho interessante, doce, esperta, e compassiva. Eu até gosto do seu temperamento. Acho bonitinho. E se isso não me fizesse ficar tão mal, eu estaria beijando você agora mesmo.”
“Estaria?”
“Sim. Estaria. Será que isso explica tudo?”
“Sim.” eu sussurrei baixinho.
“Você tem certeza que não há nada mais que eu prometi a você? Tem mas alguma coisa que tenha te deixado com raiva?”
Eu hesitei. “Sim. Tem outra coisa. Você me prometeu uma vez que nunca iria me deixar.”
“Eu não tive escolha. Eu fui levado. Se lembra?”
“Você escolheu ficar para trás.”
“Para salvar a sua vida.”
“Na próxima vez, não faça isso. Eu quero ficar e lutar com você.”
“Eu acho que não posso prometer isso. Sua vida é mais importando do que meu desejo de ter você por perto. Mas vou ficar com você o máximo que puder. Isso não está bom o bastante?
“Isso parece Mary Poppins. Você só vai ficar até o vento mudar de direção. Mas eu acho que vai ser o melhor que vou conseguir.”
Ren se virou para me encarar. “Tem mais uma coisa que eu quero deixar às claras.”
“O que?”
“Você ainda... me ama?”
Eu olhei para o seu rosto bonito e fiquei sobrecarregada de emoção. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu parei por apenas uma batida do coração antes de assentir uma vez. “Sim, eu ainda amo você.”
“Então que se danem as consequências.” Ele segurou meu queixo suavemente com uma mão trêmula e tocou meus lábios com os dele. Passou um braço ao meu redor e me puxou mais para perto de um jeito que fiquei quase em cima dele. Ele murmurou nos meus lábios enquanto me beijava,
pressionando suas mãos nas minhas costas. “Se eu... não tocar a sua pele... não é tão ruim.” Traçou beijos leves da minha boca até minha orelha.
Eu tentativamente acariciei seu cabelo. “Dói se eu tocar seu cabelo?”
“Não.” Ele sorriu e beijou o meu ombro vestido.
“É pior se eu beijar você?”
Eu o beijei na linha do cabelo e movi meus lábios para sua testa e dei beijos leves ali.
“Quando você beija meu cabelo não dói, mas quando seus lábios tocam a minha pele, queimam. Quase de um jeito bom.”
Ele sorriu torto. Abaixei meu olhar para os seus lábios, e ele me esmagou contra o seu peito e me beijou de novo. Era apaixonado e doce, e eu correspondi ao seu ardor. Muito cedo, porém, o corpo dele começou a tremer. Ele tirou os lábios dos meus, ofegando de dor.
Ren arquejou. “Me desculpe, Kelsey. Eu não consigo. Ficar perto de você agora.”
Eu sai de cima dele e me afastei para a cabeceira. Ren foi para a porta da varando onde ele respirou fundo várias vezes. Ele sorriu para mim fracamente, seu rosto pálido, e seus braços tremendo.
Você vai ficar bem?”
Ele assentiu e disse. “Me desculpe. Eu não posso ficar perto de você agora.” Depois ele desapareceu.
Eu sentei na cama por um tempo e cheirei o perfume de seu travesseiro. Eu não vi Ren pelo resto do dia mas achei um bilhete na minha cama. Estava escrito, “Quem pode evitar ter um coração para amar, e nesse coração coragem para tornar o amor conhecido?”
Realmente quem?
Sr.Kadam, determinado a descobrir qual era o gatilho da memória de Ren, passava muitas horas com ele tentando encontra-lo. Ren se dedicou a aquele esforço com uma vontade que ele não possuía antes. Kishan sempre usava essas oportunidades para me atrair para longe. Nós tanto assistíamos filmes quanto caminhávamos ou nadávamos.
Quando eu passava tempo com Ren, nós só conversávamos ou líamos. Ele me olhava com frequência, e seu rosto se iluminava com um sorriso sempre que eu o olhava para ver o que ele estava fazendo. Ele sempre se transformava em tigre e sentava comigo, cochilando à tarde. Eu era capaz de abraça-lo assim. Ele descansava a cabeça no meu colo enquanto eu acariciava o seu pelo, mas ele não tentou me beijar outra vez. Deve ter sido uma experiência dolorosa o suficiente para que ele não quisesse repetir por enquanto. Eu teimosamente ignorei a voz na minha cabeça que imaginava o que eu faria se a sua dor nunca fosse embora.
Ajudei o Sr.Kadam pesquisar a terceira profecia pelas semanas seguintes. Era óbvio que nós iriamos a um templo de Durga outra vez e receberíamos mais duas armas – desta vez um tridente e um kamandal. Sr.Kadam e eu lemos algumas partes em voz alta, e eu tomei notas dos fatos importantes. Durante uma reunião, eu descobri algo interessante.
“Sr.Kadam, esse livro diz que um kamandal é um recipiente tipicamente usado para carregar água, mas nos mitos, dizem que carrega o elixir da vida, ou água sagrada, e é também um símbolo de fertilidade. Dizem que o sagrado Ganges originou o kamandal. Hmm. Você tem alguma água do Ganges? Diz aqui a maioria das famílias indianas guardam um frasco na sua casa, e eles a consideram sagrada.”
Sr.Kadam se encostou na sua cadeira. “Não, eu não tenho, mas minha mulher tinha. O Ganges é muito importante para o povo da Índia. É importante para os hindus como o Rio Jordão é para os cristãos. É economicamente importante como o Mississippi é para a América ou como o Nilo é para o Egito. Pessoas acreditam que o Ganges tem propriedades curativas, e as cinzas dos mortos são jogadas nas suas correntes. Quando minha esposa morreu, as cinzas dela foram espalhadas no Ganges, e eu
sempre pensei que as minhas também seriam, mas isso foi a muito tempo atrás.”
“Os pais de Ren foram cremados?”
Sr.Kadam se encostou na cadeira esfregou as mãos em círculos. “Eles não foram. Quando Rajaram morrei, Deschen começou a sofrer. Eu tinha planejado cremar o corpo dele e levar as cinzas para o Ganges, mas ela não deixou. Ela não podia suportar ficar tão longe dele. Veja bem, os hindus acreditam que a alma deixa o morto imediatamente. Eles queimam o corpo o mais rápido possível para que a alma não fique tentada a permanecer entre os vivos.
“Mas Deschen era budista, e na cultura dela, o corpo é deixado em repouso por três dias na esperança de que o espírito vagante possa mudar de ideia e decida seu reunir com o seu corpo. Juntos nós oramos e rezamos para Rajaram, e quando três dias se passaram, eu cavei um túmulo e o enterrei perto do jardim.”
“Ela passava todo o tempo no jardim trabalhando e falando com Rajaram como se ele pudesse ouvi-la. Quando Kishan não estava caçando, ele descansava perto de sua mãe e vigiava-a. Ela logo ficou doente e como eu a queria bem, esculpi uma lápide de madeira para o marido dela. Pelo tempo que eu acabei a lápide, eu soube que em breve teria de criar outra.
“Eu os enterrei lado a lado perto de nossa pequena casa. Não é muito longe da cachoeira que Ren levou você. Logo depois disso, eu parti em busca de Ren. A floresta deles é um lugar pacífico. Eu já voltei lá muitas vezes para colocar flores nos seus túmulos, e substituí as lápides de madeira por permanentes de pedra. Embora o funeral de Rajaram não tenha correspondido às suas crenças, eu seu que ele teria dado qualquer coisa, feito qualquer coisa, para fazer sua esposa feliz. Eu suspeito, que se ele pudesse, teria me pedido para fazer exatamente o que eu fiz para dar a ela uma sensação de paz.”
Ele piscou lágrimas contidas de seus olhos e moveu um livro em cima da mesa, “Ah, me desculpe, eu não tinha a intenção de ficar tão emocionado.”
“Você os amava.”
“Sim. Eu frequentemente penso que gostaria de ser enterrado perto deles quando eu morrer.
Eu não ousaria, é claro, mas é... um lugar especial para mim. Eu sempre me ajoelho em seus túmulos e falo sobre seus filhos. Não é algo comum na cultura hindu, mas eu acho que isso... me conforta.”
Sr.Kadam deixou o clima melancólico. “Então agora, nós estávamos falando sobre o Ganges. De qualquer jeito, a profecia menciona especificamente mergulhar, e por causa disso eu arranjei aulas de mergulho.”
“O senhor tem certeza de que isso não quer dizer outra coisa? Como o negócio do Mestre do Oceano?”
“Não, eu estou muito certe de que estaremos no oceano dessa vez. As outras duas profecias eram baseadas nos elementos da terra e do ar, e eu acredito que essa profecia tem o tema de água – e possivelmente um tema debaixo d’água.”
Eu gemi. “Isso não soa bom, especialmente a parte sobre criaturas que mordem e ferroam. Posso pensar em muitas coisas no oceano que eu preferiria não encontrar. Além de que o poder de tigre é praticamente inexistente no oceano, e eu não estou certa de que meu poder de raios funciona debaixo d’água.”
“Sim, eu devo admitir, que eu mesmo pensei sobre isso. As boas notícias são que eu acredito que sei o que estamos procurando dessa vez.”
“Sério?”
Sr.Kadam folheou um livro e achou o que estava procurando. “Isso é o que nós buscamos.” Ele disse com um floreio. “Olhe o pescoço dela.”
Eu olhei para o livro. Sr.Kadam apontava para linda adoração artística de Durga. A deusa estava usando um estonteante colar de diamantes e pérolas negras.
“O colar? Você acha que estamos procurando por isso? E está escondido em algum lugar no oceano? Sem problemas.” Eu disse incrédula.
“Sim. Bem, pelo menos sabemos o que estamos procurando dessa vez. Dizem que o colar dela foi roubado séculos atrás por um deus ciumento – o que, a propósito, me leva à minha segunda descoberta.”
“E o que é?”
“O lugar que começaremos nossa jornada. Nós vamos a Cidade dos Sete Pagodes.” *
“O que é isso?”
“Ah, eu vou revelar tudo essa noite.” concluiu Sr.Kadam misteriosamente. “Eu lhe contarei toda a história depois do jantar.”
Apesar dos meus pedidos para saber o nosso destino imediatamente, Sr.Kadam insistiu em continuar nossa pesquisa sobre a profecia. Passamos o resto da tarde em profundo estudo. O Sr.Kadam se focou na cidade enquanto eu tentava aprender mais sobre dragões.
Depois de engolir o jantar mais rápido da historia, nós nos reunimos na sala do pavão. Kishan se sentou do meu lado. Ele colocou seu braço atrás de mim e descaradamente o deixou escorregar para os meus ombros quando Ren se sentou numa cadeira na nossa frente. Finalmente, Sr.Kadam entrou, se estabilizou, e começou a contar a história de Durga.
“Durga é conhecida por muitos nomes.” ele começou. “Um deles é Parvati. O marido de Parvati, Shiva, ficou zangado porque ela não lhe deu a atenção que ele achava que merecia. Shiva a enviou para o mundo inferior para viver como mortal numa obscura vila pescadora. O povo, mesmo pobre, era fiel e havia construído muitos templos.”
“Mesmo que Parvati vivesse como humana, ela manteve sua beleza celestial, e muitos pediram a sua mão. Shiva logo sentiu falta dela e ficou com ciúmes das atenções que outros homens davam à ela. Ele mandou seu criado Nandi para a vila pescadora.
“Nadi secretamente roubou o colar e disse aos moradores que o lindo Colar de Pérolas Negras da donzela tinha sido escondido abaixo das ondas e que estava protegido por um feroz tubarão. O homem que matasse o tubarão e achasse o colar poderia ganha-la como esposa.
“O que os homens não sabiam era que Nandi tomou a forma de tubarão. Ele estava impiedosamente protegendo o colar para seu mestre Shiva, que tinha planos para aparecer e salvar as pérolas e deixar os outros homens morrerem tentando. Ele esperava que esse gesto seria o suficiente para ganhar de volta a afeição de sua esposa.
“Muitos homens tentaram e falharam. Alguns tentavam procurar o colar trapaceando. Eles tentavam atrair o tubarão para longe com carcaças sangrentas e então procurar as pérolas, mas Nandi não era um tubarão comum. Ele era esperto e se escondia. Esperava para os homens mergulharem e então atacava. Logo todos os homens solteiros tinham sido mortos e comidos pelo tubarão ou eram muito medrosos para tentar,
“Parvati se desesperou com a perda sem sentido de vidas. Nandi, o tubarão, patrulhava as aguas, causando medo e destruição enquanto ele cruelmente rasgava redes de pesca e virou-se para qualquer um que ousasse colocar os pés na água. A vila sofredora logo ficou desesperada.
“Mas havia outro, um deus inferior que amava a cidade. Muitos de seus templos haviam sido construídos em sua honra. Ele era o deus do raio, trovão, chuva e guerra, e, na verdade, tinha dado a Parvati o poder de raio que ela possuía. Seu nome era Indra. Ele havia ouvido sobre a terrível praga que tinha caído sobre seu povo e decidiu investigar.
“Indra olhou a linda mulher e não reconheceu a deusa por quem ela era. Indra sempre tivera uma reputação de ser amoroso, e ele imediatamente se apaixonou pela deusa. Ele decidiu ganhar sua mão se disfarçando de mortal e matando ele mesmo o tubarão. Essa era a mesma coisa que Shiva pensou em fazer, e ele não ficou feliz em ter outro homem, nada menos que um deus, se apresentar.
“Os dois deuses, se disfarçaram de homens, começaram seu desafio, ambos tentando matar o tubarão e achar o tesouro escondido. Indra usou o
poder do clima e causou grandes tempestades e ondas que confundiram Nandi, o tubarão. Enquanto Indra deixava o tubarão ocupado, Shiva procurou no oceano pelo colar e logo o achou. Ele voltou à terra na hora em que Indra jogou a carcaça do monstro morto na praia e afirmou que a deusa era dele já que ele havia matado o grande peixe.
“Shiva revelou quem ele era e disse a Indra que o peixe não estava realmente morto pois ele era seu criado Nandi. O cadáver do tubarão mudou para o corpo vivo de Nandi. Então Shiva passou o colar pela cabeça de Parvati. Quando o Colar foi colocado, Parvati lembrou quem ela era e abraçou seu marido, Indra estava indignado e pediu aos moradores para julgarem a respeito de quem o vencedor seria.
“Colocados numa posição desconfortável, o povo escolheu Shiva como vencedor. Eles estavam agradecidos a Indra por ter matado o tubarão, mas o amor entre Shiva e Parvati era óbvio para todos. Shiva teria matado Indra ali, mas Parvati parou sua mão. Ela implorou por sua vida, dizendo que já houve mortes suficientes por causa dela. Shiva concordou e a levou de volta para seu reino. O povo se alegrou e começou a prosperar mais uma vez agora que o terror do mar havia ido embora.
“Mas Indra não esqueceu sua vergonha e os truques que haviam sido pregados nele. Uma noite ele entrou sorrateiramente na casa de Shiva e Parvati e roubou o colar. Ele usou seu poder para convocar as ondas e os ventos para inundar a vila que o traiu, afundando todos os templos debaixo d’água exceto um que era dedicado à Shiva e Parvati. Ele o deixou lá como um monumento vazio, um lembrete de que agora não havia mais ninguém para adorá-los. Então ele escondeu o Colar outra vez e ele mesmo tomou a forma de um tubarão para que ele pudesse sempre vigiar seu prêmio roubado e imaginar a raiva de Shiva toda vez que ele olhasse a garganta nua de sua esposa.”
“Uau.” eu disse. “Essa história é apavorante em tantos níveis diferentes. Uma coisa que é mistificadora na mitologia indiana é o quão frequentemente os nomes mudam. A cor da pele muda – ela é dourada, é preta, é rosa. Seu nome muda – ela é Durga, Kali, Parvati. Sua personalidade muda – ela é uma mãe amorosa, é uma guerreira feroz, é terrível na sua ira, é
amante, é vingativa, é fraca e mortal, e então é poderosa e não pode ser derrotada. Depois há o seu status matrimonial – ela é as vezes solteira, ás vezes casada. É difícil manter todas as historias diretas.”
Ren riu. “parece um mulher normal para mim.”
Eu olhei para ele enquanto Kishan riu de acordo.
“E tubarões? Por favor, por favor me diga que não há nenhum tubarão guardando o colar.”
“Eu não tenho certeza do que vai ser. Eu sinceramente espero que não seja um.” Ele respondeu.
“Você está com medo, Kelsey? Não precisa estar. Nós dois estaremos com você dessa vez.” disse Ren.
“Deixe-me resumir para você com um trecho de Shakespeare. ‘Peixes vivem no mar, como homens fazem na terra; os grandes comem os pequenos.’ E eu sou um pequeno. Tigre não podem lutar com tubarões. Tendo dito isso, é melhor eu praticar poder de raio debaixo d’água.” Mordi meu lábio. “E se eu simplesmente acabar me eletrocutando?”
“Hmm. Eu vou pensar nisso.” Disse o Sr.Kadam.
Eu agarrei a mão de Kishan com força. Enquanto ele apertava de volta, eu continuei. “Se eu tiver que escolher, eu prefiro os cinco dragões.”
Sr.Kadam assentiu solenemente. Ren e Kishan estavam quietos, então Sr.Kadam continuou. “Vocês querem saber onde nós vamos?”
“Sim.” Disseram os irmãos em harmonia.
“Nós vamos para a cidade de Indra. Se chama a Cidade dos Sete Pagodes. Essa cidade era famosa por ter sete pagodes ou templos, cada um com cúpulas de ouro. Era uma antiga cidade portuária construída no século dezessete. É perto de Mahabalipuram na costa leste da Índia. A propósito, muitos estudantes nem mesmo acreditavam que ela existia até um terremoto ter varrido o Oceano Índico em 2004. Ele causou um tsunami que descobriu depósitos de areia e revelou uma elaborada cidade debaixo d’água.
“Antes do tsunami atingir a costa, a água recuou e pessoas a cima do nível do mar reportaram terem visto restos de construções e grandes rochas, mas a água voltou e cobriu tudo de novo. Os muros da cidade já foram descobertos a cerca de meia milha da costa.
“Estátuas de elefantes, cavalos, leões e divindades foram achadas. A única construção deixada acima do mar foi o Templo da Costa. Pescadores têm transmitido histórias da cidade por séculos e contam contos de verem a cidade afundada brilhando entre as ondas, de peixe gigante nadando entre as ruínas, de joias brilhantes deixadas intocadas porque qualquer um que tentar mergulhar lá seria amaldiçoado e nunca voltariam de novo.”
“Parece um lugar fabuloso.” Eu disse azeda.
“Ela causou tal rebuliço que vários livros foram escritos sobre ela, muito arqueólogos a estudaram. Em um livro, eu li que Marco Polo deu nota da cidade na sua visita lá em 1275 e disse que os domos de cobre dos templo eram um ponto de referencia para os navegadores. Muitos dispensaram suas alegações ou pensaram que ele estava falando de outra cidade. Eu sinto que esse é o lugar que nós precisamos procurar o Colar de Pérolas Negras.”
Eu soltei o fôlego e me levantei, “Ok. Mande as aulas de mergulho.”
“Primeiro, eu acho que devemos nos mudar.”
“Mudar para onde?” eu perguntei, confusa.
Sr.Kadam apertou as mãos juntas e responde casualmente, “Mudar para o iate, é claro.”
(templo com torres aparentemente sobrepostas com múltiplas beiradas, comuns na China, no Japão, nas Coreias, no Nepal, e em outras partes da Ásia)”
Assinar:
Postar comentários (Atom)


0 comentários:
Postar um comentário