quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Capítulo 11:Festa na Praia

Postado por Estante de Livros às quarta-feira, outubro 23, 2013
11
festa na praia.
No momento que acordei na manha seguinte, o Deschen seguia seu caminho novamente. Encontrei a tarde com Wes, Kishan e um relutante Ren na sala de vídeos para um treinamento com tubarões. Assistimos DVDs sobre tubarões em seu ambiente natural. Wes não acreditava em ensinar sobre tubarões atacando. Ele sente que os vídeos somente criam pânico.
“Quanto menos em pânico você estiver, melhores são suas chances de sobrevivência.” Wes disse. “A primeira coisa que se deve aprender sobre tubarões é sobre como evitar chamar sua atenção. Tubarões gostam de passear por bancos de areia, declives acentuados e qualquer lugar onde a pesca seja boa. Se você ver muitos pássaros na área, isso significa almoço , e almoço significa tubarões. Não mergulhe durante os horários de alimentação – isso seria o amanhecer, entardecer e noite. Mas, se o lanche estiver bom, os tubarões irão comer a qualquer hora do dia. Não use roupas brilhantes ou espalhafatosas. Tons neutros são melhores, como seu traje de mergulho . Brilhos parecem escamas de peixes na água.”
Ren ergueu a cabeça para olhar para mim. “Bem, iremos comprar um traje de banho preto no próximo porto.”
“Acho que foi você que insistiu em comprar um traje colorido.”
“Estou feliz que você não estará usando aquele novamente de qualquer forma. É muito... atraente.”
Olhei para ele do outro lado da sala. “Você não tem mais direito de escolher o que eu faço da minha vida, se lembra? E se eu quiser algum traje atraente, irei comprar.”
Ren replicou com um tom perigoso. “Ótimo. Então atraia todos os tubarões no oceano. É isso que você esta tentando fazer?”
“Você provavelmente iria gostar disso. Certamente seria mais fácil se um gigante tubarão acabasse comigo. Isso certamente iria resolver todos os seus problemas, não iria?”
Kishan interrompeu depois de empurrar Ren pelo braço. “Ninguém quer que você seja comida por um tubarão gigante Kells. Nem mesmo Ren.”
Ren e eu ficamos nos encarando furiosamente pela sala até que Wes uivou gargalhando. “Uai! Vocês dois são mais quentes que um tornado circulando num vulcão do inferno. Parece que vão derreter todos os parafusos que estão segurando o navio.”
“Desculpe Wes, mas ele começou” Disse aborrecida.
“E eu estou mais do que feliz em terminar.”
“Gostaria de ver você tentar cabeça dura.”
Ren sorriu friamente e contra atacou, “Inflexível.”
“Teimoso.”
“Irracional.”
“Cabeça dura, estúpido, tigre burro.”
“Tigre burro?”Wes perguntou intrigado.
Kishan somente deu de ombros.
Continuei, estava a todo vapor. “Sangue-frio, insensível, inflexível...homem sem coração!”
Ren gritou, “Ótimo! Use o que quiser usar. Nade nua se quiser, eu não ligo! Qualquer tubarão que comer você provavelmente vai ter dor de estomago e cuspir você para fora de qualquer forma.”
“Há! Vocês dois teriam muito em comum, não teriam?”
Wes levantou os braços para o alto. “Tuuuudo bem então. Vamos dar um tempo e nos acalmar. Nilima nos deixou alguns drinks de fruta no bar, então porque vocês dois não vão lá pegar alguns, trabalhem nisso, e voltem em cinco minutos?”
Eu entrei tempestuosa pelo bar com Ren se arrastando em silencio atrás de mim. Quando cheguei na bandeja pensei seriamente em jogar um copo de
suco no rosto de Ren. Dei várias respirações profundas enquanto ele me encarava. Seu calor penetrava na minha pele, dando picadas em meus nervos. Ele passou em torno de mim, e deliberadamente tocando o meu braço enquanto tentava pegar seu drink.
“Por que você faz tudo mais difícil Kelsey?”
“Por que você faz?”
“Acredite ou não, eu estou tentando fazer as coisas serem mais fáceis.”
“Por que está aqui de qualquer forma? Pensei que estivesse me evitando”
“Estou. Mas preciso aprender sobre tubarões.”
Bebi meu suco e disse. “Um predador já não sabe tudo sobre os outros predadores e o que eles pensam? Talvez se eu prestar bastante atenção, eu finalmente entenda você.”
“Sou fácil de entender. Um tigre só precisa de três coisas para ficar confortável. Muita comida, dormir bastante, e... no momento, não, só essas duas coisas.”
Bufei. “De alguma forma eu não acho que Kishan se limitaria a apenas essas duas coisas.”
“Tenho certeza de que ele não iria.” Ren respondeu com firmeza. “Ele provavelmente adicionaria você a lista.”
“Agora porque ele precisaria de mim? Uma fêmea irracional e sem atrativos?”
“Eu nunca disse que você não era atraente. Eu disse que procuraria por alguém mais bonita. Eu não disse que encontraria alguém mais bonita, só que procuraria.” (SEX WITH KISHAN. RIGHT NOW!!! PRETTIER HÁÁÁÁÁ!)
“Então o que está te impedindo? Vá logo procurar e me deixe em paz.”
“Esse é o meu plano. Agora pare de me perturbar na sala para que eu possa aprender alguma coisa.”
Esbravejei enquanto ele saia. Quando entrei na sala, Ren estava tomando seu suco tão calmo como se nunca tivéssemos brigado. Kishan sinalizou para que eu sentasse do seu lado. Estava extremamente irritada e tive muita dificuldade em prestar atenção. Entreguei a Kishan um copo de suco enquanto encarava Wes, que já tinha voltado a ensinar, mas todos os
meus pensamentos estava focados em Ren, que absorvia cada palavra que Wes dizia. Finalmente ele disse algo que me chamou atenção.
“Tubarões conseguem sentir cheiro de sangue a um quilometro e meio, então não entre na água se você tem um machucado. Não fique rondando por ai. Se você está mergulhando e um tubarão se aproximar, desça no oceano e se esconda. Isso limita os ângulos que ele pode te alcançar. E não se finja de morto; isso realmente não funciona com tubarões. Na realidade, isso não funciona com a maior parte dos predadores. Eles vão te comer de qualquer maneira- ursos, lobos, tigres. Eles realmente não descriminam.”
“Exatamente.” Murmurei. “Eles vão pegar e mastigar qualquer garota indefesa que eles verem pela frente.”
Intrigado Wes olhou para mim. “Certo.”
Ren me ignorou e Kishan suspirou.
Wes continuou. “Agora vamos supor que você seja atacado por um tubarão. Soque ele nas brânquias ou nos olhos. Acerte-o. Agressivamente. Use qualquer arma a sua disposição para acabar com ele, como uma vovó bate no tapete. Tente subir na vertical porque é mais difícil para ele conseguir te morder. Se você for mordido, pare o sangramento, mesmo que esteja de baixo d’água. Não espere chegar em terra para fazer isso.”
Ele segurou um pequeno dispositivo e disse, “Isso é chamado de escudo de tubarões. É um dispositivo que tem se tornado comum entre surfistas e mergulhadores.”
“O que isso faz?” Perguntei.
“Tubarões tem sacos de gel em seus focinhos que eles usam como sensores quando eles estão procurando por lanches. O escudo envia uma corrente elétrica que faz cócegas em seus narizes. Eles não gostam muito e saem. Coloque um seu tornozelo e um em seu DFC. Existem alguns debates sobre sua efetividade, mas eu mergulhei com eles e nunca fui atacado.”
“Ok. O que mais?”
“Isso é tudo que vocês podem fazer. Se um tubarão for menor que você, ele provavelmente fugirá, mas você terá tanta chance de fugir de um tubarão grande quanto de um Tiranossauro Rex. Eles são rápidos e poderosos. Na maioria das vezes, a razão que os surfistas e mergulhadores escapam é porque eles não são apetitosos. Humanos são muito ossudos. Tubarões preferem gordura, focas gordurosas.”
“Veja, na forma que os tubarões caçam, eles vem ate você rápido e brutalmente, e te acertam antes que você possa perceber que eles estão lá. Eles circulam por baixo de você, pegam velocidade e te atiram para cima como um torpedo, te desabilitando com um só golpe, principalmente por bater em você com tanta força que seus ossos quebram. Os grande brancos podem circular ao redor de você por cerca de cinquenta quilômetros por hora em rajadas pequenas, mas eles geralmente não atacam humanos dessa forma. O verdadeiro ataque, é a maneira como eles caçam focas.”
“A maior parte do tempo quando um tubarão ataca um humano, ele apenas está querendo uma prova. Se você é apetitoso, eles fazem um esforço maior. Algumas vezes eles vão e te deixam sozinhos. Eles são curiosos. Seus dentes são como os bigodes de gato. É como eles experimentam o mundo.”
“Um surfista uma vez me contou que ele estava em sua prancha descansando quando um grande branco de 5 metros pulou fora d’água e começou a mordiscar a sua prancha, tão gentil quanto um rato. Parece que ele não gostou do gosto e voltou para a água de novo, como um submarino.”
Quando nossa aula acabou, Wes me convidou ir a pesca submarina com os meninos a tarde, mas eu recusei. Ele prometeu pescar alguns frutos do mar frescos para mim. Balancei fracamente, não tinha coração para dizer para ele que não comeria se ficasse pensando em como a comida foi morta.
Ao invés de ir pescar, encontrei com o Sr.Kadam a tarde, e fizemos alguns treinos submarinos por conta própria. Ele queria que eu testasse o meu poder na água. Nós começamos na garagem molhada, na rampa aberta onde Ren e Kishan colocaram um grupo de boias. As boias eram pesadas o suficiente para descansar sob a agua, deixando somente um pedaço na superfície. Mirei na mais próxima e atirei. Quando tentei novamente, ela explodiu como uma mina subaquática.
“Bom Srta.Kelsey,” Sr.Kadam disse... “Você deve praticar seu alvo a cima d’água como abaixo dela. Com a refração da agua, seu objetivo estará diferente como está na terra.”
Quando terminei de explodir as boias, Sr.Kadam me levou a piscina onde haviam diversos outros alvos subaquáticos. Estava prestes a entrar na água quando ele me parou.
“Iremos tentar com um manequim primeiro. Se fossos bem sucedidos aqui, iremos pular para a água salgada. Agora, não atire com poder total. Vamos tentar isso passo a passo. Deixe o poder crescer gradativamente.”
“Isso não irá me eletrocutar ou explodir a piscina?” Questionei em duvida. “Como largar um secador de cabelo em uma banheira?”
“Acho que não. Primeiro de tudo, não acho que seu poder é elétrico. Minha teoria é que é calor – um fogo que queima tão quente que se torna branco. Mesmo que eu esteja errado e seja elétrico, água em sua forma pura não é um realmente um condutor. As impurezas da água como poeira, sal e traços de outros elementos são o que conduzem eletricidade.”
“Tive toda a água retirada da piscina enquanto vocês estavam nas docas. Os ladrilhos foram lavados e limpos, e eu a enchi com água de baixa condutividade. Foi caro, mas eu acho que valeu o custo. Agora vamos começar. Você deseja nomear nosso manequim de teste?”
Sorri maliciosamente. “Claro. Vamos chama-lo de Al, sim?”
Sr.Kadam balançou a cabeça e pegou “Al” pela cintura e o colocou na água. Nós dois ficamos ao lado da piscina enquanto eu mirava no meu primeiro alvo com meu poder no nível mínimo. Nada demais aconteceu. Aumentei o nível do meu poder até que eu queimei um buraco em um pedaço de madeira. Al flutuou na superfície sem danos e alheio.
“Bom. Agora aumente seu poder até que o lampejo se transforme em branco, mas tente não abrir um buraco na piscina, nossos quartos estão diretamente abaixo dela.”
Me foquei com muito cuidado e comecei, deixando o poder fluir através de mim até se tornar branco. A água começou a ferver onde o feixe penetrava, e o pedaço de madeira ficou preto. Parei bem antes de fazer um buraco. Nosso manequim ainda flutuava feliz na água fervendo.
Sr.Kadam e eu nos movemos para outro alvo para prática adicional. Depois que ele estava satisfeito com os testes inanimados, ele pegou uma gaiola e tirou um pequeno pato branco. O deixando nadir na superfície da piscina, ele me pediu para mirar na madeira novamente. Me desculpei brevemente com o pato e usei meu poder no alvo mais próximo. O pato se afastou da área mas continuou nadando na piscina sem desconforto. Após algumas tentativas, o Sr.Kadam decidiu que era hora de testar com um humano. Ele pulou para dentro da piscina.
“Não. Não quero arriscar com você. Farei eu mesma.”
“Já estou na piscina Srta.Kelsey. E não irei sair também, e não é muito inteligente arriscar nós dois. Você é muito mais importante para essa missão do que eu.”
“Isso é altamente discutível.”
“Mesmo assim. Aqui estou. Se Patolino esta bem, ficarei bem também.”
“Patolino?”
“Sim. Patolino, o pato. Sou um pouco afeiçoado a Looney Tunes.”
“Eu absolutamente não sabia isso sobre o senhor Sr.Kadam! Nunca imaginei. Meu pai amava o coiote e o papa-léguas. Ok, bem, espero que seja temporada de caça ao coelho e não de caça ao pato.”
Usei meu poder em seu nível mínimo e atirei novamente.
Sr.Kadam declarou que ele estava bem e se moveu para mais próximo do alvo.
“Interessante. A água está mais quente aqui. Acho que é tempo de você se unir a mim Srta.Kelsey. Vamos praticar alguns alvos debaixo d’água.
Pulei com a mascara e o snorkel e tentei novamente, dessa vez com a minha mão embaixo d’água. Assisti os pés de Patolino remarem enquanto colocava minha cabeça na água e me focava na tarefa. Sr.Kadam fazia sinal de positivo cada vez que eu acertava um alvo. Passamos o resto da tarde praticando debaixo d’água da piscina e fomos até o oceano para testar na água salgada. Passamos pelo mesmo processo cuidadoso no oceano como fizemos na piscina, primeiro Al, então Patolino, em seguida Sr.Kadam e por fim eu.
“Acredito definitivamente que o seu poder é mais de fogo do que te raios,” Sr.Kadam concluiu quando finalmente terminamos nossa seção. “Isso me lembra um maçarico. Você acha que gastou mais energia do que costuma gastar em terra?”
“Sim, no oceano em especial.”
“Imaginei que sim. O oceano tem uma temperatura mais baixa do que a da piscina. Isso toma mais energia para manter a chama mais quente no oceano do que na terra ou na piscina. Essa forma foi bastante produtiva Srta.Kelsey. Acredito que estaremos preparados para qualquer situação submarina. E agora, eu vou, como eles dizem, tomar uma ducha.”
Conforme Sr.Kadam andava carregando o Patolino, novamente confortável em sua gaiola, recostei num banco de areia e suspirei. Bem preparados? Não a longo prazo.
O jantar consistia em um Bass (peixe) que Wes e Kishan haviam pescado. Parecia apetitoso, mas não consegui toca-lo.Kishan segurou um garfo pedindo para ao menos provar, mas afastei seu braço. Me enchi de salada e pão no lugar, notando que Ren estava ausente na mesa.
Mudando o assunto Wes mencionou que estaríamos aportando em Trivandrum em dois dias. “Todo ano Trivandrum tem uma gigante festa na praia,” ele explicou. “Todos os surfistas, mergulhadores e cidadãos vão. É muito divertido. Tem música, comida, dança, garotas em biquínis...de fato, porque você não vem comigo? Vocês todos deveriam. Todos estão convidados.”
Sr.Kadam riu, “Acho que vou ficar no barco, mas vocês deveriam ir e aproveitarem.”
“Garotas em biquínis? Não me admira porque você quer ir.” O provoquei. “Mas não sei se sou o tipo de festas de biquínis pequenos.”
Wes me lançou um sorriso com covinhas. “Ah, agora, se eu tivesse uma bela e doce jovem como você em meus braços, eu não iria ao menos notar as outras garotas.”
“Tenho certeza” eu ri.
“Que tal Kelsey? Você irá a festa comigo?”
“Irei pensar sobre isso e te avisarei amanha.”
Wes pegou minha mão, como se pega uma rosa, e a beijou enquanto Kishan rosnava suavemente. “Não faça um cavalheiro esperar muito. Um cavalheiro esperando uma garota pode ficar mais ansioso que um cachorro de caça que encurrala seu esquilo em uma árvore.”
“Definitivamente irei manter isso em mente. Acho que irei andar pelo convés por um tempo. Boa noite Wes.”
“Noite.”
Kishan se levantou rapidamente atrás de mim, segurando minha mão. “Irei andar com você.”
De mãos dadas andamos até o outro lado do barco parando no parapeito. Apontei para alguns golfinhos que estavam nadando próximos ao
navio, como se estivessem competindo conosco. Ficamos olhando até que eles nadaram para longe.
Kishan se inclinou no parapeito e olhou para mim, então deu um profundo suspiro e olhou para a água novamente. “Estava me perguntando algo. Você está considerando seriamente sair com Wes para essa festa?”
“Porque diabos não?”
“Não confio nele.”
Eu ri. “Você não foi justamente pescar com ele? Ele poderia ter te feito espetinho, e ele não fez, então obviamente você confia nele.”
“Eu confio nele com mergulhos, só não com você. Ele é muito... escorregadio. Muito avançado com seus elogios. Muito irreverente. Esses tipos de homens tiram vantagem de mulheres vulneráveis. Ele não é para você.”
“E como você sabe que tipo de homem ele é, e ainda mais importante, o que te faz pensar que eu estou vulnerável?”
“Kelsey. Ren acabou de terminar com você, e você ainda sofre com isso. Você está vulnerável, acredite ou não.”
“Bem, vulnerável ou não, eu ainda posso fazer minhas próprias escolhas. Você tigres não podem planejar cada aspecto da minha vida. Se eu quiser ir com Wes, eu irei.”
“Sei disso. Eu...só não acho que você está pronta para seguir em frente ainda.”
“Aparentemente seguir em frente é o que eu preciso fazer.”
“Isso não significa que você esta pronta Kelsey.”
Suspirei. “Durga me disse para continuar pulando. Ela disse que o ponto da vida é cruzar o rio. Ela não me quer estagnada na lama. Então eu acho que devo seguir em frente.”
Kishan ficou quieto por vários segundos, e então disse, “Está certa que está pronta para dar esse salto?”
“Tão pronta como eu nunca estive.”
Ele voltou a olhar para mim e segurou minhas mãos. “Então... eu gostaria que considerasse em ir comigo no lugar.”
Eu me contorci por dentro. “Ir com você?”
Uma confusão de pensamentos correu pela minha mente. Ir com a festa com Wes é uma coisa. Eu poderia me divertir com Wes e me sentir confortável sabendo
que ele não esperaria nada de mim. Ir com Kishan tem um significado inteiramente diferente.Com ele seria como ter um encontro de verdade. Estava pronta para dar esse passo com Kishan? Não importam o quanto Ren ou Durga me pressionem, a resposta era... não. Ok, dê o fora suavemente.
“Eu não posso ir com você,” Disse sem rodeios. Não foi muito gentil Kells.
“Por que não?”
Por que não? “Porque… bem.. Wes me pediu primeiro. E seria rude aceitar seu pedido depois que ele me convidou.”
Kishan pensou sobre isso e balançou a cabeça em entendimento. Eu mentalmente suspirei de alivio.
Ele disse, “Mas estarei lá de qualquer maneira. Não irei interferir, mas me sentiria melhor se eu pudesse manter meus olhos em você. Como eu disse, Wes é escorregadio. Muitos homens são, e eu estou certo de que o lugar estará lotado de homens- e metade vai tentar colocar as mãos em você.”
“Acho que está exagerando.”
“Não se lembra do Festival da Estrela? Havia uma fila de homens por um quarteirão esperando para dançar com você.”
“Agora eu sei que você está exagerando. Você dançou comigo quatro vezes.”
“Furei a fila.”
Ele estava tão serio, eu ri. “Vamos Kishan. Você pode me acompanhar até o meu quarto.”
Na manha seguinte eu ouvi um movimento no quarto adjacente. Pensando que era Ren, bati brevemente e abri a porta para achar Kishan em frente a cômoda, vestindo jeans em busca de uma camisa.
“Kishan?”
“Bom dia Kells.”
Ele se virou e felizmente colocou uma camisa, para que eu pudesse parar de encarar seu peitoral bronzeado e musculoso.
“Está dormindo nesse quarto agora?” Perguntei.
Kishan encolheu os ombros. “Você precisa de um tigre por perto, Kelsey. Você está se sentindo bem? Parece um pouco corada. Dormiu bem?”
“Estou bem, só estou com um pouco de vergonha de pegar você meio vestido.” E aproveitando a vista.
Olhei ao redor do quarto. “Achei que Ren não queria você aqui.”
“Ele mudou de ideia.”
“É” disse tristemente, “ele faz isso com frequência.”
“Kelsey-”
Levantei minha mão. “Esqueça. Eu realmente não quero ir por ai.”
Deixando o assunto de lado inteiramente, Kishan e eu passamos o dia juntos, relaxado e jogando esportes aquáticos. Ele rapidamente se tornou adepto ao Jet Ski, e eu achei tão emocionante quanto andar de moto. Pelo menos achei emocionante enquanto estava inconsciente de meus braços ao redor de Kishan ou de minha bochecha pressionada contra suas costas aquecidas pelo sol. Agora eu sabia que era uma séria possibilidade de que nós terminássemos juntos, me sentia diferente sobre ele, era mais estranho.
Quando Durga falava sobre meu companheiro de vida, ela disse que eu o amaria com mais força do que jamais amei antes. Phet disse que qualquer um dos irmãos seria uma boa escolha, mas eu estava tão determinada em manter um relacionamento com Ren e tão resoluta em deixar Kishan a distancia que agora parece errado para mim considerar abertamente em cruzar essa linha. Nós nos divertimos e Kishan não me pressionou, então deixei por isso mesmo.
Quando aportamos em Trivandrum, Wes desembarcou mas disse que ele estaria de volta para me buscar a seis. Passei a maior parte da tarde com o Sr.Kadam pesquisando sobre nossas novas armas. Kishan parava de tempo em tempo para checar nosso progresso. Descobrimos que o tridente, também chamado de trishula ou trishul, é uma arma rica em símbolos. Sr.Kadam me mostrou uma foto.
“Olhe aqui Srta.Kelsey. Cada uma das três pontas representa uma variedade de ideias. Quando exercido por Shiva, ele reflete três papéis – o criador, preservador e o destruidor. Também simboliza os três shaktis, ou poderes – vontade, ação e sabedoria. Algumas vezes reflete o passado, o presente e o futuro.Com Durga representa os três estados do ser- inatividade, atividade e não atividade.”
“Qual a diferença entre inatividade e não atividade?”
“Neste caso, acredito que inatividade significa ‘não fazer nada, descansando ou talvez estagnação’”
“Hm...” Tremi pensando nos encorajamentos de Durga para dar um salto para frente.
“A palavra tamas é usado para o terceiro ponto, o mesmo ponto que é o a não atividade. Tamas também significa ‘escuridão, ignorância ou pecado.’ Talvez nesse caso não atividade é pior que inatividade.”
“Talvez essa seja a diferença entre fazer o bem, fazer o mal e não fazer nada.”
“Hm... Eu certamente posso ver esse pensamento sendo aplicado. Outro livro que eu li indica que os três pontos representam os três tipos de sofrimento humano – físico, metal e espiritual. A trishula é para nos lembrar que Durga pode nos ajudar a parar com o sofrimento.”
Tomei notas cuidadosas enquanto Sr.Kadam enfiou sua cabeça atrás do livro.
Mais tarde me arrumando para a festa, pensei nos símbolos do tridente. Algumas pessoas acreditam que cometer um erro e melhor do que não fazer nada. Talvez Durga estivesse tentando me dizer que se eu fizer alguma coisa então minha dor iria diminuir. Eu só podia ter esperanças.
A ideia de viver sem Ren era como grossas bandagens apertando minha garganta. Eu sentia como se estivesse sendo arrastada para uma montanha russa emocional contra a minha vontade, e eu não podia fazer nada a não ser passar por isso com a minha cabeça entre os joelhos e tentar não vomitar. Gritar “Eu quero sair” não faia bem algum. Não havia saída nesse ponto. Eu teria que ver o final e torcer para que o cinto de segurança fosse seguro o suficiente.
Supostamente eu deveria encontrar Wes nas docas, então corri para me arrumar. Nilima fez a Echarpe Divina fazer um traje como uma roupa que ela havia visto em uma revista. Estava terminando de alisar o meu cabelo quando ela entrou no quarto. Ela estava toda arrumada.
“Você vai para a festa também Nilima?”
Ela afagou os cabelos. “Oh, eu pensei em dar uma passadinha. Te vejo por lá.”
Quando ela saiu eu peguei o cabide. O vestido champanhe e preto sem mangas era bonito. A cintura império era plissada e tinha uma simples camada externa decorada com belas esferas pretas. Examinando as contas mais de perto, descobri que não eram esferas de todo, mas algum tipo de segmento de tecido brilhantes que pareciam pérolas. Ren estava certo sobre a Echarpe fazer as substituições.
Escorreguei para dentro do vestido e amarrei um par de sandálias pretas que descobri no meu closet. Wes estava me esperando nas docas. Ele assobiou em apreciação e fez barulho sobre o quão linda eu estava. Me senti de fora por causa de sua vestimenta, ele usava um par causal de calças e uma camisa branca desabotoada que mostrava seu belo peitoral bronzeado.
“Ah. Estou superproduzida.” Murmurei sem jeito. “Ren e Kishan estão sempre no topo das roupas extravagantes e não percebi que isso poderia ser menos formal. Espere somente um segundo e eu vou me trocar.” Me virei para voltar ao barco.
Wes correu alguns passos e bloqueou meu caminho. “Não mesmo querida. Meu plano é te exibir.”
Eu ri e começamos a andar. “Não é como se eu estivesse vestindo um biquíni francês. Duvido que alguém irá prestar atenção.”
“Existe uma grande diferença entre vulgaridade e ter classe meu doce. E você tem cem por cento de classe. Qualquer cavalheiro com bom senso verá que eu tenho uma joia em meus braços.”
“Você é um doce para um cowboy texano.”
“E você está pegando um bom bronzeado para uma garota de Oregon.”
Wes me divertia com loucas historias sobre sua família, cada uma mais inacreditável do que a outra. Andamos até o palpitar pulsante da alta música da festa.
A praia estava cheia de pessoas. Deveria haver pelo menos mil frequentadores de festa. Wes pagou a taxa de entrada para nós dois e nos dirigimos até a gigante fogueira onde as pessoas estavam dançando. O tempo estava mais frio agora porque estávamos no meio das monções, e a fogueira era bem vinda conforme a temperatura da noite caía.
Wes gritou, seu corpo já se movendo na batida. “Quer comer ou dançar primeiro?”
“Dançar primeiro.”
Ele sorriu e puxou até acharmos um lugar na multidão de corpos dançantes. A pulsação do ritmo indiano ao vivo era impossível de resistir. Ninguém ligava se eram bons dançarinos ou não. Todos somente se moviam felizes, pulavam, balançavam a cabeça, agitavam seus braços e batiam palmas. Era uma experiência comunitária, diferente de dançar na América. A multidão era jubilosa e se movia junta como uma.
A musica quase me fez sentir como se eu fosse uma deusa indiana movendo meus muitos braços sinuosamente ou uma cigana usado um traje que tilintante. Eu não me movia com a musica, a musica me movia até que me senti parte dela. Estava vibrando, pulsando e viva. Wes parecia estar aproveitando também. Não comparei com a minha experiência de dança no Dia dos Namorados com Ren... Bem eu quase não a fiz. Tirei minhas sandálias e deixei meus dedos afundavam na areia enquanto Wes passou um braço pela minha cintura, me girando vertiginosamente ao redor e efetivamente mandando para longe qualquer pensamento negativo.
Depois de diversas musicas, Wes disse que estava com sede e com fome, então fomos as mesas do bufê sob um dossel de lanternas de papel amarradas. Pegamos nossos pratos e avaliamos nossas escolhas. Wes me prometeu que iria me orientar para ficar livre de curry.
Eles ofereceram torradas, milho na espiga amanteigado, coco fresco, frutas tropicais cortadas, espetinho de cordeiro, idli, que eram saborosos bolos cozidos mergulhados em chutney, dosas recheadas de queijo – similar a um crepe, torrada daigi – um tipo de asinhas picantes e quentes, e pão dabeli, que parecia com miniaturas de hambúrgueres, mas a o pão de manteiga torrada estava recheado com batatas, cebolas, temperos e era servido com chutney de tamarindo. Não exatamente um x-búrguer mas era gostoso.
Wes pegou para nós altos copos cheios de suco de fruta. Era extremamente refrescante, esvaziei um rapidamente e retornei para pegar outro. O DJ assumiu quando a banda acabou. Ele incitou a multidão a dançar mais freneticamente e Wes logo estava se coçando para voltar para lá. Passamos por um vendedor que oferecia amendoins torrados e outro que vendia sorvete.
“Venha cá. Quero te mostrar uma coisa.”
Wes disse alguma coisa em híndi e o vendedor abriu seu carrinho para que pudéssemos ver dentro. Seu pequeno freezer estava cheio de longos cilindros de sorvete pré cortado deitados, como rocamboles. Cada cilindro tinha um sabor diferente: tropical, tuti-fruti, chá, pistache, figo, manga, coco, gengibre, açafrão, laranja, cardamomo, jasmim e rosa.
“Sem chocolate?” Perguntei a Wes.
Ele riu e disse ao senhor que voltaríamos mais tarde, e me puxou para a pista de dança. Conforme nos movemos pela multidão, algo atraiu minha atenção, e eu olhei para cima para encontrar Kishan de pé ao lado. Ele sorriu brevemente antes de voltar sua atenção para a comida. Me senti bem ao saber que ele estava ali. Pude relaxar. Não que estivesse em perigo com Wes, mas havia algo reconfortante em ter um dos meus tigres por perto. Sabia que estava absolutamente segura, como se o meu próprio super-herói estivesse me vigiando. A presença de Kishan me estabilizou e me acalmou de uma maneira que me incomodou em pensar, então parei de pensar e voltei minha atenção para Wes.
Durante a noite eu apenas havia visto Kishan uma vez, mas senti seus olhos em mim muitas vezes. Foi dançando com Wes perto da fogueira que eu vi Ren.
Congelei e não escutei o que Wes estava me dizendo. Ren estava rodeado de belas e sorridentes mulheres. A maioria vestia pouquíssima roupa e flertava com ele escandalosamente. Ele vestia calças pretas e uma camisa verde mar com seus botões superiores abertos, que de alguma maneira era mais atraente que todos os peitorais bronzeados dos homens ao redor. Seu cabelo sedoso caiu sobre um olho e ele tirou enquanto dançava. Ele prestava atenção em uma garota e se curvou para sussurrar algo para ela. Então, quando outra garota fez beicinho e tocou seu braço, ele deu atenção e ela e tocou seu rosto com o dedo.
Havia uma loira, uma morena e uma ruiva. Garotas altas, garotas mignon, com cabelos curtos, com cabelos longos. Eu não conseguia parar de olhar para as garotas que giravam em torno dele, disputando conseguir sua atenção, extinguindo a competição. A alta, loira bronzeada se aproximou para dizer algo para ele, ele passou seu braço em sua cintura e riu, seu sorriso branco cintilando. Ela estendeu a mão para tirar o cabelo de seus olhos, e meu pulso bateu. Sangue bombeou através de mim. O ar se tornou espesso.
Não conseguia respirar. Respirei profundamente tentando prevenir a mim mesma de vomitar.
Wes estava assistindo a cena também. “Vamos Kelsey. Vamos lá. Você não precisa assistir isso.”
Deixei Wes me puxar e o mal estar se tornou em uma raiva latente e profunda. Eu tremia com ela. Queria erguer a minha mão e explodir a cabeça de cada menina que tocou ele. Queria surra-lo com choques elétricos. Melhor ainda, queria me eletrocutar até a morte, para que eu parasse de sentir essa terrível e vibrante raiva, essa dor amarga. Me senti como se cada bondade e felicidade tivesse sido drenada de mim e tivesse sido substituído com lava fervente. Não estaria surpresa se vapor estivesse saindo de meus ouvidos.
Espiei Kishan borda da multidão, o que me acalmou. Minha mãe teria dito, “Kells, agora este é um jovem homem a quem você pode confiar.” E ela estaria certa. Ele tem sido constante comigo desde Oregon. Nunca pressionando, nunca pedindo por mais do que eu estava disposta a dar. Ele era bom para mim. Kishan e eu nos entreolhamos por um breve momento. Naquele olhar eu sabia que ele estava perguntando se eu precisava dele. Balancei minha cabeça um pouco e fechei os olhos. Quando os abri, ele havia ido. A lava resfriou e rachou. Minhas entranhas viraram preto e foram reduzidas a pó. Nenhuma quantia de água poderia lavar a grossa poeira sufocante. Meus membros estavam pesados. Me rendi a pressão e senti como se estivesse desmoronando no chão.
Wes tocou minha mão e eu puxei para longe.
“Desculpe Wes. Estou só...”
“Você está em choque. Eu entendo. Ele não deveria sair e desfilar por ai desse jeito.”
Afirmei estupidamente. “Ele pode fazer o que ele quiser. Isso não importa mais.”
“Deixe-me buscar um suco de frutas para você. Algum açúcar te fará bem.”
Wes me trouxe algo encorpado, vermelho e delicioso. Tomei lentamente para agrada-lo. Senti o drink doce descer minha garganta até descer em um poço sem fim em meu meio. Imaginei que atingiu a cratera dentro de mim, fez barulho e desapareceu junto com tudo mais.
Wes queria dançar mais, e eu disse para ele que eu ficaria, mas somente por algumas musicas. Nos afastamos de onde vimos Ren. Dancei, mas meu coração não estava mais ali. Eu só queria ir para o navio. Wes concordou em me levar de volta, em algum lugar em minha mente, me senti mal por estar arrumando a grande festa pela qual ele esperou o ano inteiro, mas o arrependimento foi rapidamente superado com a minha lista pessoal de “me sentir mal por.”
Começamos a voltar pela praia e a musica havia mudado para uma lenta. Espiei um clarão verde pelo canto do meu olho e não pude evitar. Me virei para olhar.
Ren estava dançando com uma bela garota indiana em um sári amarelo. Seu longo cabelo preto alcançava quase metade da cintura. A mão dele espalmava a pele nua de suas costas. Rindo, ele se abaixou para ouvir o que ela estava dizendo. Quando ele levantou sua cabeça e girou a mulher para a minha direção, eu engasguei. A bela mulher era a Nilima.
Tirei meus olhos do casal e olhei para frente. Wes estava falando sobre algo, mas suas palavras não penetravam no nevoeiro que havia em meu cérebro. Eventualmente ele parou de falar e somente segurou minhas mãos enquanto voltávamos para o navio. Ele me deixou em minha porta, beijou minha bochecha com simpatia e então eu estava sozinha.
Rasguei meu vestido e me joguei em minha cama olhando para o teto com os olhos arregalados. Escutei o inconfundível som de fogos de artifício e uma multidão animada na praia. Algo queimou dentro de mim, uma parede ou um escudo, talvez. Ele rachou e quebrou, lagrimas silenciosas desceram por minha bochecha. Uma vez que elas começaram eu não conseguia para-las. Era a primeira vez que eu chorava desde que Ren terminara comigo, limpei minhas lagrimas e jurei que elas seriam as ultimas. (one last cry! *-*)
Tive pesadelos, mas alguém entrou em meu quarto, um homem. Ele tocou o topo da minha cabeça enquanto dormia. Estava ciente disso mas estava exausta demais para abrir os olhos. Ele sussurrou palavras confortadoras em sua língua nativa, e eu meu tumulto interior se acalmou, e cai em um sono restaurador. Talvez fosse real; talvez fosse um sonho. De qualquer maneira eu sabia que tinha amado.
Na manha seguinte, me levantei, lavei meu rosto , me vesti e me dirigi a academia .Encontrei Kishan se preparando para a malhação do dia.
“Ei Kells.Quer malhar comigo?”
“Talvez mais tarde. Vim aqui para te perguntar algo.”
Ele se sentou em uma toalha e olhou para mim. “Ok, vá em frente.”
Torci minhas mãos e olhei para o chão enquanto murmurava, “Você quer sair para jantar comigo?”

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