quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Epilogo

Postado por Estante de Livros às quarta-feira, outubro 23, 2013
Epilogo
Levada
Os dois homens correram pela Índia parando para descansar apenas quando necessário para reabastecer e comer. Eles dormiam só quando a fera se apoderava deles. Eles eram incessantes, ambos desesperados para salvar a mulher que amavam. Ambos sabendo que não era muito provável que conseguissem salvá-la a tempo. Ainda assim, precisavam continuar. Precisavam tentar.
Por decisão mútua, eles saíram da estrada e estacionaram as motocicletas num arbusto, longe o bastante que os passantes não podiam vê-las. Ren tirou pão de uma mochila, partiu em dois, e jogou a outra parte para seu irmão. Eles mastigaram em silêncio, e não demorou muito para que os dois pegassem seus celulares, procurando pelo ponto de GPS que era tudo o que restava de Kelsey.
“Ele está movendo ela de novo.” disse Kishan. “Ela está viajando rápido. Talvez de avião.”
Ren grunhiu de acordo. “Pode ver Kadam?”
“Não. Ainda nada dele.”
Com um suspiro Ren jogou seu telefone na mochila e tirou sua jaqueta de corrida. Seu irmão colocou seu capacete na moto e tirou suas botas
pesadas. Com suas roupas dobradas e colocadas dentro do banco de couro da moto, Ren finalmente permitiu que o tigre se apoderasse de seu corpo.
A queimação começou na boca do estômago e se espalhou para seus membros. Tremores paralisaram seus braços. Enquanto seu centro de gravidade mudava, seu tronco caiu pesadamente no chão. Ao mesmo tempo, seus dedos se encolhiam para dentro de suas palmas. Pelo cobria seu corpo, e seus bigodes emergiam. A sensação sempre o fazia ter vontade de espirrar.
Suas garras eram sempre a mudança mais difícil. Elas emergiam como adagas da sua pele entre os nós dos dedos – uma arma que sempre fazia parte dele, incorporada em sua carne. Apesar de ter treinado com armas durante toda a sua vida, Ren não apreciava a guerra ou lutar como Kishan. Ele preferia lutar a guerra verbalmente, ao redor de uma mesa de conselheiros. Ele gostava de jogos de estratégia e inteligentes táticas de batalha, mas em seu coração estava cravada a paz. Ele ansiava pela vida que seus pais tinham antes de Lokesh. Ele queria formar um lar com a mulher que amava e finalmente formar uma família.
Ren fez círculos no chão, ofegando, enquanto sua mente sem descanso se preocupava sobre sua mulher perdida. Para o tigre branco, era simples. Ela era sua companheira. Ela pertencia a ele, e ele não iria descansar enquanto não a encontrasse e destruísse a ameaça que a levou de perto dele. Para o homem, a situação era mais complicada. Apesar de ela ter admitido seu amor por ele, ela decidiu ficar com outro. Ele não conseguia desviar sua mente disso, e isso o cansava.
Com um suspiro ele se deixou cair no chão e descansou sua cabeça nas patas. Ele pensou no tempo que eles estavam juntos no Oregon. Parecia que foi a tanto tempo atrás. Ela o amava então sem reservas, sem complicações. Tanto já havia acontecido com eles desde então. Ren fechou seus olhos e deixou seus pensamentos vagaram até ela. Ele ainda podia senti-la apesar da distância. A ligação com o coração dela chamava por ele como sempre através dos longos e solitários quilômetros.
Se ele pudesse de alguma forma ultrapassar toda a distância e puxá-la para dentro da segurança de seus braços. Enquanto ele vagava para um sono
sem descanso, Ren pensou que cheirava o doce aroma dela ao redor dele e sentiu o fantasma do seu toque enquanto ela beijava seu nariz e se deitava em suas patas. Sua voz amada sussurrava suavemente pela brisa, “Mujhe tumse pyarhai, Ren.”
Ele pegou o rastro do pensamento, se agarrou a ele, e dormir finalmente.

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