Vozes. Sussurros me despertaram. Tanta sede. O sol batia em meu corpo. Dor. Latejante dor. Uma mão fria acariciou minha testa, eu gostaria que quem quer que fosse me desse água.Ouvi palavras desesperadas, “Você não é o único que a ama.” Mas eu não podia dizer quem havia dito. Meus lábios rachados se abriram, e um copo foi pressionado neles. Líquido fresco, gelado, deslizou pela minha boca. Foi delicioso e parecia espalhar o frescor através de meus membros.Não era o suficiente.Mais.Eu preciso de mais.
Mais uma vez um copo foi trazido aos meus lábios. Meras gotas, somente alguma colher de chá de um liquido calmante me foi dado. Lambi as gotas restantes em meus lábios, e minha cabeça pendeu para trás contra um corpo quente. Eu adormeci.
Acordei com sede de novo, mas o calor havia ido, e uma brisa fresca soprava sobre minha pele febril. Abri minha boca para pedir por água, mas apenas um gemido saiu.
“Ela está acordada. Kelsey?”
Escutei Kishan falar, mas eu não podia abrir meus olhos ou me mover.
“Kelsey? Você vai ficar bem. Você está se curando.”
Se curando? Como isso era possível? O tubarão mordeu através de minha panturrilha. A parte inferior da minha perna estava pendurada apenas por
alguns tendões. Eu não tinha intenção de olhar para ela depois de ficar no barco, mas não pude deixar de olhar.
“De alguma água a ela.” Ren sugeriu. Ren? Ele estava vivo. De alguma forma ele escapou do freenesi.
“Você precisa de um pouco também?”
“Ela primeiro. Irei sobreviver.”
Ele irá sobreviver? O que aconteceu com ele? Ao invés de perguntas, meu corpo apenas produziu gemidos.
Senti um leve toque em meu pescoço e ouvi Kishan dizer. “Colar de Perolas, precisamos de um pouco de água potável.”
Gentilmente, Kishan levantou meu troco de forma que minha cabeça descansasse sobre seu peito. Pisquei confusa, mas não consegui me concentrar até que vi um copo sendo levado aos meus lábios. Ele o segurou para mim enquanto eu engolia grata. “É uma boa coisa termos o Colar. O Fruto Dourado não pode fazer água.”
Quando acabou, eu sussurrei rouca. “Mais.”
Ele encheu a taça mais quatro vezes antes de concordar com a cabeça que estava satisfeita. Eu até tinha forças para segurar o seu braço quando levantei minha cabeça. Ele encheu um copo e entregou para Ren. Era noite, estávamos flutuando em um oceano banhado pelo luar. Pratiquei manter meus olhos abertos observando Ren enquanto ele bebia. Quando ele acabou, meus olhos haviam se ajustado, e os seis Rens se tornaram um.
“Você está ferido.” Disse.
A careta de Ren se tornou um sorriso apesar de que eu ainda podia ver a dor que ele tentava esconder. “Ficarei bem.”
Olhei pare seu peito. Uma estranha cicatriz arqueada se espalhava pela sua barriga. Meus olhos se arregalaram.
“O tubarão mordeu você? Essas são feridas de perfurações!” Comecei a sibilar, o que se tornou em uma tosse única.
Kishan me segurou enquanto meu corpo sofreu um espasmo doloroso. Ren esperou até minha tosse se acalmar para responder.
“Sim. Ele me mordeu quase pela metade. Quebrou todas minhas costelas do lado esquerdo, meu braço esquerdo, quebrou minha espinha, e acho que pode ter perfurado meu coração e rim.”
“Como... como você conseguiu voltar para o barco com todos os tubarões na água?”
“Depois que tubarão monstruoso morreu, graças a você e um tridente no cérebro, a maioria foi atrás dele. Alguns vieram atrás de mim e morderam minhas pernas, mas eles não estavam em modo de ataque. Um golpe rápido com o tridente e eles me deixaram sozinho. Kishan me viu e encarregou a Echarpe de fazer uma corda. Ele me puxou de volta para o barco antes que eles pudessem tirar qualquer um de meus membros.”
Estremeci e peguei sua mão. Ele entrelaçou os dedos com os meus, eu me afundei em Kishan, fraca como uma margarida depois da tempestade.
“Você disse que eu estava curando. Como? Eu deveria estar morta agora.”
Ren fez contato visual com Kishan e assentiu.
Kishan pigarreou e explicou. “Nós usamos o Néctar da Imortalidade, as gotas de líquidos coletados na fonte da sereia. Você estava morrendo. Sangrando até a morte e a Echarpe não conseguia estancar. Seu coração desacelerou e você perdeu a consciência. Sua vida foi escorregando e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir isso de acontecer. Então me lembrei das palavras da sereia. Ela disse que o Néctar era para ser usando quando estivesse mais desesperado. E eu não podia deixa-la morrer... por isso usei o kamandal.”
“No inicio não tive certeza de que estava funcionando. Não era sangue suficiente para o seu coração bombear. Eu podia ouvir que ele não estava enchendo entre os batimentos. Então sua frequência cardíaca aumentou. Você comeou a se curar. Suas pernas lentamente se repararam diante dos meus olhos. A cor retornou ao seu rosto e você caiu em um sono profundo.
Eu sabia que você iria sobreviver.” “Isso significa que sou imortal agora? Como vocês dois?”
Kishan olhou para Ren. “Nós não sabemos.” “Por que minha pele está tão quente?”
“Pode ser um efeito colateral.” Kishan sugeriu.
Ren contra atacou. “Ou ela pode ter uma queimadura solar.”
Eu gemi e cutuquei o braço. Ele se tornou branco e então rosa. “Voto em queimaduras solares. Onde estamos?”
“Não tenho ideia.” Ren grunhiu, mudou de posição e fechou os olhos.
“Tem alguma coisa para comer? Eu poderia tomar um pouco mais de água se tiver algum.”
Kishan usou o Fruto Dourado para fazer sopa de tomate, que era nutritiva mas não muito pesado para nossos corpos enfraquecidos manusearem. Em seguida ele instruiu a mim e a Ren para dormir, enquanto ele ficaria de vigia. Kishan me embalou em seus braços, enquanto esgotado, meu corpo obedeceu.
Era madrugada quando acordei. Estava deitada com meu lado da cabeça repousando a coxa de Kishan. Minha mão pressionada contra o chão, frio e liso do barco. Fibra de vidro? O colar tinha como produzir isso? Esfreguei minhas mãos para frente e para trás na superfície lisa, senti os lados da curvatura do barco. Cautelosamente eu movi minha perna e senti apenas uma pontada de dor.
“Como está se sentindo?” Ren perguntou suavemente.
“Me sinto...ok.Não serei capaz de correr maratonas hoje, mas irei sobreviver. Não consegue dormir?”
“Troquei meu turno com Kishan uma hora atrás.”
Corri minhas mãos sobre a borda externa da embarcação e encontrei cristas irregulares no exterior. O centro do barco era de um rosa quente que desvanecia a um rosa claro e então alabastro no lado de fora. Kishan estava dormindo com um dos braços cobrindo os olhos, ele descansava em cima de uma das cinco dobras verticais.
“É uma concha gigante.” Explicou Ren.
“É linda!”
Ele sorriu. “Só você poderia encontrar algo belo em nossa situação.”
“Não é verdade. Um poeta pode sempre encontrar algo de bom para escrever para escrever a respeito.”
“Um poeta não escreve só de beleza. Às vezes, ele escreve sobre a tristeza, sobre as coisas feias do mundo.”
“Sim, mas faz mesmo as coisas ruins parecerem encantadoras.”
Ren suspirou e passou a mão pelos cabelos. “Talvez não seja o momento.” Ele se sentou com uma expressão determinada. “Precisamos verificar sua perna Kells.”
Balancei a cabeça ligeiramente. “Não podemos esperar até voltarmos?” “Não sabemos como voltaremos, e nós precisamos ficar de olho para infecções.”
Comecei a hiperventilar. “Não posso.” Sua expressão se suavizou. “Você não tem de olhar. Por que não me conta uma história enquanto eu desembrulho os curativos?”
“Eu... não consigo pensar em nenhuma. Ren estou com medo. E se minha perna cair? Se isso é apenas um talo?”
“Você consegue mover os dedos dos pés?”
“Sim. Pelo menos parece que posso, mas poderia ser um fantasma de pé me enganando. Eu não quero perde-lo.”
“Se isso acontecer, nós vamos lidar com isso depois. O importante é que você está viva.”
“Mas eu nunca andaria normalmente de novo. Como eu conseguiria ter uma vida normal? Eu ficaria aleijada para sempre.”
“Não importa.”
“O que quer dizer com não importa? Como eu conseguiria ajudar vocês a terminarem as tarefas? Como eu conseguiria -” minhas palavras foram cortadas abruptamente.
Ele fez uma pausa. “Como poderia o que?”
Corei. “Como conseguiria casar e ter filhos? Eu não seria capaz de perseguir meus filhos ao redor da casa. Meu marido teria vergonha. Isso é se eu conseguisse convencer alguém a casar comigo.”
Ren me olhou com uma expressão indiscernível. “Você terminou? Há mais algum medo não compartilhado?”
“Acho que é só.”
“Então você esta com medo de não ser normal, você não ser atraente e não ser capaz de cumprir corretamente suas responsabilidades.”
Balancei a cabeça.
“Posso me identificar com não ser normal, mas se as décadas de circo me ensinaram alguma coisa, é que a normalidade é uma ilusão. Cada pessoa é absolutamente única. Um padrão de normalidade é algo que a maioria das pessoas do mundo simplesmente nunca terá acesso. Um marido envergonhado de sua esposa não a merece, e eu pessoalmente posso te certificar que tal homem você nunca conheceu.”
“Sobre você ser atraente ou atingir o interesse de um homem. Posso te garantir que, mesmo se ambas as pernas fossem removidas, eu ainda te acharia bonita e te desejaria.”
Ren sorriu enquanto eu me contorcia. “E crianças são responsabilidades de ambos os pais. Você e seu marido iriam equilibrar o trabalho entre si de modo que ficasse confortável para ambos.” “Mas eu seria um fardo para ele;”
“Você não seria. Você aliviaria fardo dele porque o amaria.”
“Ele teria que me acompanhar por aí como uma avó.”
“Ele a levaria para cama todas as noites.”
“Você não vai me deixar chafurdar você vai?”
“Não. Agora posso checar sua perna?”
“Tudo bem.”
Ele sorriu. “Ótimo. Agora continue assim.”
Ele sussurrou um comando para a Echarpe Divina, pediu para que gentilmente removesse os curativos com sangue em crostas de minha perna e fazer panos macios. Ele pediu para o Colar de Pérolas criar uma bacia com água morna. Meus dedos apareceram primeiro e fiquei aliviada de vê-los saudáveis e rosa. Mas quando os fios despareceram ao redor de minha perna, eu fechei os olhos e me virei. Ren não disse nada, mas passou um pano embebido em água e começou a limpar minha perna. Senti como se toda minha perna estivesse lá, mas não quis arriscar uma olhada.
“Você pode falar comigo? Me distraia para que eu não pense nisso.”
Ele empurrou minha saia, uma vez bela, mas agora incrustada de sal, até o joelho e gentilmente enxugou sob e envolta do meu joelho.
“Tudo bem. Escrevi um poema novo recentemente. Seria o suficiente?”
Concordei em dizer nada e gemi quando Ren encostou em um ponto frágil.
“É chamado ‘ O Coração enjaulado. ’”
O Coração Enjaulado.
O coração enjaulado diminuiu?
Não! Ele bate mais ferozmente
Ele regula sua velocidade
Limita não por bloqueios e barras de ferro
Mas por sua própria Mao
Ele esmaga o coração pesado
Ele o segura
O molda para que ele fique de forma ordenada
Usa sua enorme grade para contê-lo
E ele ainda se esforça contra sua aderência.
Feroz e selvagem
Ele só pode encontrar descanso
Na floresta
Um lugar onde é livre
Um lugar onde é bem vindo.
Lá ele encontra paz
Como se fosse abraçado
Por braços folhosos.
Mas o caminho para a selva está perdido.
Assim ele se move
Circulando sua gaiola ansiosamente.
Ele observa
Esperando o momento
Quando seu coração com fome será libertado.
Ren terminou e apertou a tolha. “Você pode olhar se quiser. Sua perna vai ficar bem.”
Abri os olhos e olhei para a longa perna branca. Uma cicatriz fina rosa descia do topo da minha perna até meu tornozelo. Ren a tocou suavemente, traçando o início do meu pé. Estremeci.
Ele entendeu mal minha reação. “Não está assim tão ruim. Dói?”
Assenti levemente e segurou a parte de trás da minha perna, apertando levemente. “Na verdade parece bem. Uma massagem vai ajudar depois que me curar um pouco mais.”
“A disposição.”
Coloquei minha mão em seu braço. “Obrigado. Eu... o seu poema... era encantador.”
“De nada,” ele sorriu calorosamente, “e obrigado você, dil ke dadkan.”
Entristecida, me movi para mais perto e descansei a palma de minha mão sobre seu coração. “O seu poema ‘Coração enjaulado’ não era sobre Lokesh, o circo ou esquecer, é?”
“Não.” Ele colocou a mão sobre a minha e a segurou contra a dele. “E antes que você pergunte isso significa, ‘meu coração’.”
Uma lagrima saltou de meu rosto. “Ren... Eu-”
Kishan grunhiu quando o sol surgiu no horizonte e o acertou em seu rosto. Sentando-se, ele esfregou os olhos sonolento e se aproximou de nós.Então passou os braços sobre minha cintura e me deslizou de volta para seu peito.
“Cuidado com ela.” Ren sibilou.
“Certo, desculpe. Te machuquei?”
“Não. Ren limpou minha perna. Olhe. Está muito melhor.”
Ele inspecionou minha perna de perto. “Parece que você está fora do perigo.” Ele cheirou meu pescoço, apesar do rosnado suave vindo do outro lado de nosso barco concha. “Bom dia bilauta. O que eu perdi?”
“Apenas um poema.”
“Fico feliz que tenha dormido durante ele.” Ele riu.
Dei uma cotovelada nele levemente. “Seja civilizado.”
“Sim meu doce.”
“Assim é melhor. Que tal café da manha?”
Comemos vorazmente após Ren e Kishan concordarem que todos nós estávamos quase de volta ao estado normal de saúde. Quando terminamos, eu me reposicionei rigidamente no assento natural curva da concha.
“Ok. Agora o que iremos fazer?” Perguntei.
“Talvez possamos chamar um dragão para nos socorrer.” Kishan sugeriu.
Ren respondeu: “Tenho a impressão que eles não irão ajudar mais. Além disso, não queremos que Lúsèlóng venha e nos ofereça mais um desafio não é?”
“Não!” Estremeci lembrando como os dois quase foram enegrecidos a ração de dragão. “Uma coisa é certa. Preciso ficar longe do sol hoje.” Coloquei um dedo na lateral da concha onde um pequeno buraco havia sido escavado, e uma ideia começou a surgir.
“Ren? Pode usar o tridente para fazer mais três buracos como este? Os quero espaçados uniformemente como uma caixa.”
Ele se ajoelhou ao meu lado e enfiou o dedo no buraco.
“Você quer que eles sejam do mesmo tamanho?”
“Sim. Precisamos deles grandes o suficiente para uma grossa corda passar através deles.”
Ele resmungou e começou.
Kishan se deslocou para o meu lado. “Qual é seu plano?”
“Eu acho que deveríamos tentar usar o vento para nos levar de volta ao navio.”
“Boa ideia. É melhor do que ficar apenas flutuando aqui na cidade dos tubarões.”
“Cidade dos tubarões? Eu espero que esteja apenas exagerando.”
“Exagerando?” Kishan uniu as sobrancelhas quando viu o medo em meu rosto. “Certo.Exagerando.” “Não, você não estava. Eles estão todos ao nosso redor , não estão?”
Ele fez uma careta. “Sim. Ainda há um monte de carne de tubarão na água. Os escutei esguichar a noite inteira.”
Fiz um som involuntário e fechei os olhos, rezando para que minha pequena experiência não nos virasse para as águas cheias de tubarões. Pedi a Echarpe para criar um kit de paraquedas de kite e anexar cordas em todos os furos feitos por Ren.Então pedi a Echarpe para reunir os ventos suavemente no paraquedas e nos soprar de volta para o Deschen.
Uma brisa foi aprisionada e Kishan e Ren empinaram paraquedas como uma pipa ao vento. O pano forte disparou para fora e nos puxou para frente. Saltamos sobre a água, me o vento chicoteou ao nosso redor, mas Ren rapidamente mudou para manter o nosso barco em concha equilibrado. Considerando todas as coisas, foi um passeio bonito e confortável. Ren chegou a fazer um guarda sol usando uma tela de paus de hortelã como cortesia da Echarpe e formas de queijo que o Fruto Dourado forneceu.
Beliscamos as fatias de queijo com biscoito salgado Romano e falamos sobre manter nossos olhos abertos para o iate. Relaxei sabendo que agora estávamos a metros do bufê de tubarão e até mesmo passei meus dedos sobre a água que espirrava. Cochilei e acordei algumas vezes.
A manhã havia passado para o inicio da tarde, e ainda não havia nenhum sinal do Deschen. Nuvens rolavam e logo estávamos cercados por uma névoa espessa o suficiente para bloquear o sol.
“Talvez estejamos perto da ilha do dragão azul.” Disse.
Decidimos que deveríamos enviar uma chama a cada quinze minutos ou menos, e assim após o quarto, Kishan disse que havia escutado alguma coisa. Eles puxaram uma das cordas para virarmos a direita e me disseram para enviar outra chama.Desta vez, vi um brilho fraco em resposta. O vento morreu de repente e nossa vela flutuava sobre a água.
Ren a puxou de volta para o barco quando outra chama apareceu diretamente acima sobre nossas cabeças. Quando as faíscas vermelhas desbotaram, nossa concha atingiu o lado liso de nosso iate. Kishan nos amarrou para sairmos e eu estava tão feliz que quase chorei.
“Olá?” Uma voz familiar chamou dentro do nevoeiro.
“Sr.Kadam? Sr.Kadam! Estamos aqui!”
Ele deu um enorme sorriso e ajudou a Kishan a puxar o nosso barco para mais perto.
“Em que mudo de artesanato vocês estavam?” Ele riu.
“É uma concha.” Expliquei. “Ela foi criada pelo Colar.”
“Bem, teremos que transporta-lo a bordo. Posso ajuda-la Srta. Kelsey?”
“Eu cuido disso.” Ren me pegou em seus braços, e de alguma forma conseguiu subir nós dois pela escadaria até a garagem molhada enquanto Sr.Kadam e Kishan manobravam o barco de concha para a rampa e o arrastaram para dentro.
“Srta.Kelsey, você está ferida novamente.”
Balancei a cabeça. “Acho que morri. Kishan me trouxe de volta. Temos tanta coisa para te contar.”
“Posso imaginar. Mas em primeiro lugar, permita-me enviar Nilima para te ajudar a ficar confortável. Ela pode andar Ren?”
“Ela não tentou desde a lesão.”
“Me coloque para baixo.Eu devo ser capaz de ficar em pé ao menos.”
Ele cuidadosamente me colocou de pé e me emprestou seu braço para me apoiar enquanto eu praticava minha caminhada. Eu mancava um pouco. Os músculos pareciam estar contraídos.
“Acho que ficarei bem, especialmente se puder receber uma massagem na panturrilha mais tarde.”
“Eu posso fazer isso.” Ambos os irmãos falaram ao mesmo tempo.
Eu ri. “Por sorte eu tenho duas pernas.” Inclinei-me para frente e tracei a cicatriz rosa, comparei minhas pernas. Suspirando, vi que agora tinha uma cicatriz em cada perna, uma do tubarão monstro e uma do kraken. “Eu acho que posso me arranjar com Nilima. Vocês dois podem tirar uma folga. Quero conversar com o Sr.Kadam.”
“Irei ficar com você.”Ren ofereceu.
“Não. Eu ficarei com ela.” Kishan desafiou.
“Ficarei bem. Não se preocupem comigo. Vejo vocês dois mais tarde.”
Relutantes, ambos me deixaram e eu me apoiei contra o ombro do Sr.Kadam. Ele colocou um braço ao meu redor e suspirou. “Você não contou para eles ainda.”
Eu sabia exatamente do que ele estava falando. Balancei minha cabeça. “Já havia tanto perigo; Não queria sobrecarrega-los. Sabendo que isso apenas os estimularia a confrontar Lokesh.”
Ele balançou a cabeça. “Eles precisam saber... em breve.”
“Eu sei. Eles apenas precisam de uma boa noite de descanso, ‘Uma batalha de cada vez’ é meu novo lema.”
“Você está cansada demais. Precisa descansar.”
Sr.Kadam insistiu que podíamos guardar as explicações para mais a noite mais tarde e me deixou sozinha em meu quarto. Liguei meu chuveiro e tirei minhas joias. Nilima apareceu e me ajudou com o fecho do Colar de Pérolas. Ela vez um som de admiração quando o segurou nas mãos.
“Ele é adorável Srta.Kelsey.”
“Sim. Faz água e convoca criaturas do oceano, mais ou menos. Precisamos descobrir o que mais ele faz.”
“Posso tentar?”
“Divirta-se.”
“Por favor, encha a banheira de água quente para a Srta.Kelsey.”
A banheira imediatamente foi preenchida, Nilima bateu palmas satisfeita.
Eu sorri. “Parece ótimo, mas eu gostaria de uma chuveirada para tirar todo o sal de mim primeiro.”
“Claro. Você pode mergulhar depois.”
Estremeci. O pensamento de imersão me deixou nervosa. Eu perguntei se algum dia seria capaz de mergulhar de novo. As imagens do tubarão gigante passaram pela minha mente, eu conseguia facilmente imaginar sua mandíbula estendida abrindo para uma mordida.
“Eu gostaria de mergulhar outra hora, se tudo bem. Acho que ficarei com o chuveiro agora.”
Ela deu de ombros e me ajudou a tirar meu vestido. Ela tagarelou sobre o material estragado e passou a mão sobre o trabalho em contas. “Deve ter sido tão bonito.”
“Era bonita.” Admiti. “Mas me deixou um pouco desconfortável.”
“Por que?”
“O top era muito curto.”
“Ah, o choli. Existem muitos estilos diferentes, alguns modernos, alguns antigos. Eles não são curtos para expor o corpo de uma mulher , mas para mantê-las confortável no calor.”
Levantei uma sobrancelha e Nilima riu.
“OK. Eu admito que as vezes é usado para capturar os olhares dos homens.”
“Então isso definitivamente funcionou. Funcionou muito bem.” Murmurei.
Ela tirou as joias do meu cabelo e ficou maravilhada com cada peça com apreciação. Vapor subiu do chuveiro. Depois de afrouxar meu choli, ela me deixou sozinha, e eu tomei um tempo para mim para ensaboar meu cabelo e esfregar minha pele. Quando me sentei na penteadeira em meu robe, ela retornou com uma braçada de roupas. Ela escovou meu cabelo longo e molhado enquanto eu passava hidratante em meus braços e pernas queimadas pelo sol.
“Nilima?”
“Sim?”
“Você cortaria meu cabelo mais curto? Por favor?” Eu me apressei quando ela balançou sua cabeça com apreensão. “Está muito curto. Ele está incontrolável. Você não tem que cortar tudo – apenas até a metade das costas ou menos.”
“Ele ficará furioso.”
“Não acho que isso importe mais.”
“Por que não?”
Suspirei. “Porque terminamos. Falei para ele que estou com Kishan.”
Ela parou, no meio da escovação, e então continuou lentamente. “Eu... entendo.”
“Kishan não liga para o que eu faço com meu cabelo ou até mesmo o tranço, é demais para eu manusear quando ele está tão longo.”
“Tudo bem Srta.Kelsey. Mas se ele perguntar, você cortou você mesma.”
“Temos um acordo.”
Ela cortou meu cabelo exatamente abaixo de minha omoplata e o trançou para mim. Coloquei uma camiseta e um par de jeans desgastados e parti descalço para encontrar todo mundo.
Nilima ficou na casa do leme para vigiar enquanto Sr.Kadam se juntou a nós no deque. Nós comemos e nos revezamos para atualizarmos ele sobre o que aconteceu. Ele tomou abundantes notas e frequentemente nos pedia para repetir as instruções dos dragões tão precisamente quanto pudermos. O mostrei o Colar de Pérolas, o qual ele virou em suas mãos e fez um esboço de semelhança muito precisa em seu caderno.Ele documentou as diferentes maneiras que cada um usamos o Colar e queria começar uma bateria de testes o mais rápido possível.
“Acho interessante que você não se curou da mordida de tubarão neste reino, apesar de você ter se curado rapidamente em Shangri-la do ataque do urso.” Kishan comentou.
“Lembre-se, eu não me curei em Kishkindha também quando o Kappa me mordeu.”
“Mas você se curou da mordida do kraken, embora mais lentamente. Algumas possíveis explicações passaram pela minha mente. Um: Pode ser que houvesse algo especial em Shangri-la. Dois: Talvez somente os atuais guardiões dos objetos possam causar danos mortais. Três: A cura talvez só ocorresse quando a ferida não era mortal. Qualquer que seja a explicação, eu acredito que você deve ser muito cuidadosa Srta.Kelsey.”
“Mesmo nos reinos dos outros mundos, você pode ser morta. Fomos sortudos que Kishan foi abençoado com o kamandal. Sinto que nós não podemos mais nos dar ao luxo de acreditar que o seu amuleto a protege de lesões ou que estar em reino mágico vai te ajudar a se curar.” Ele estendeu sua mão e bateu no meu joelho. “É inconcebível perder você minha querida.”
Sr.Kadam ampliou seu olhar para incluir todos nós. “Teremos que ser mais vigilantes em relação a saúde da Srta.Kelsey.”
Os irmãos balançaram a cabeça em concordância.
Quando terminamos de dar nossos relatórios, Sr.Kadam se sentou e pressionou suas mãos juntas. Ele bateu em seu lábio em seu estilo costumeiro e disse, “Acredito que isso é quase tudo. Exceto que sinto que deveria compartilhar com vocês que os cinco dragões desapareceram no projeto da Senhora Bicho da Seda. Nilima e eu pudemos ver os dragões se moverem a medida que entraram em seus reinos, então sabíamos quando vocês deixaram as águas em seu domínio. Há dois dias, todos os cinco desapareceram.”
Pisquei. “Isso foi por volta de quando entramos no Sétimo Pagode.”
Ele concordou. “Nós ainda temos o sextante e o disco, mas acredito que eles irão desaparecer quando nos reinserirmos em nosso mundo. Nilima e eu especulamos se existe uma passagem semelhante a estátua de Ugra e o Portal dos Espíritos, que trará nosso barco de volta ao tempo normal.
“Amanha iremos para o local onde nós encontramos o dragão vermelho pela primeira vez e espero que isso nos leve de volta ao Templo Shore. No entanto, antes de prosseguirmos, eu gostaria que ficássemos ancorados essa noite e permitir que todos possam ter uma boa noite de descanso. Tenho razões para acreditar que outra batalha paira em nosso futuro, e quero que estejamos prontos. Srta.Kelsey? Talvez tenha chegado o momento de compartilhar o que aconteceu na visão.”
Engoli em seco e me virei para encarar Ren e Kishan.
“Quando vocês me perguntaram antes o que Lokesh havia dito, eu minimizei a situação.”
“O que você quer dizer?” Kishan perguntou.
“Eu... eu menti.”
Ren se inclinou para frente. “O que realmente aconteceu?”
“Primeiro de tudo, o capitão Dixon está morto.”
Sr.Kadam esperou um momento para que eles pudessem absorver a noticia, e em seguida explicou. “Lokesh causou a morte de meu amigo.Nós assistimos isso acontecer, e eu sinto uma grande tristeza pela sua perda. Minha primeira reação é que devemos buscar o resto da tripulação e nos certificarmos de que todos estão seguros, mas não podemos arriscar voltar para Mahabalipuram, sabendo que Lokesh estava, e possivelmente ainda está lá. É muito provável que ele já tenha assassinado toda nossa tripulação. Só posso ter esperanças de que algum deles tenha sobrevivido,mas em meu coração, não acredito nisso. Ainda sim, quando estivermos a uma distancia segura, irei enviar agentes para procurar por eles.”
“O que mais?” Ren disse.
“Hmm... parece que ele quer mais do que apenas nossos amuletos.” Eu gaguejei e engasguei.
Sr.Kadam sorriu em simpatia e assumiu. “Ele fez propostas a Srta.Kelsey.Ele...a deseja.”
Ren se levantou repentinamente e Kishan apertou os punhos.
“Irei mata-lo” Ren jurou. “Ele nunca irá toca-la.”
“Não acredito que seja meramente o desejo por uma mulher que está o motivando, apesar de certamente ser uma parte disto. Ele vê poder em Srta.Kelsey, e ele deseja...gerar um filho com ela.”
As reações dos dois homens eram muito diferentes. Ren estava fervendo. Suas mãos crisparam e seus dedos curvaram como se eles ainda tivessem garras e quisesse rasgar algo em pedaços. Em contraste, Kishan se desesperava em silencio. Ele abaixou o rosto. “Isso é minha culpa.” Disse ele.
Toquei seu braço. “Por que diz isso?”
“Eu o incitei, empurrei-o quando lutamos na terra dos Baiga. Ele me viu empunhar o chakram quando estava disfarçado de você.”
“Não acredito que essa seja toda a razão.” Sr.Kadam assegurou. “Mas talvez, isso tenha adicionado algo em sua percepção. Se posso ser ousado em
uma hipótese, acredito que ele sempre viu a família Rajaram como poderosa, e ele deseja absorver esse poder. Ele nunca derrotou vocês. Vocês escaparam deles muitas vezes, e ele não gosta de perder. Ter um filho é algo que ele deseja por um longo tempo, até mesmo por séculos.De volta ao nossos dias, ele tinha o mesmo desejo, mas com uma mulher diferente.”
“Mamãe.” Ren sufocou levemente.
“Sim. Ele teria tomado Deschen se não tivéssemos escapados, e agora ele procura por tomar a Srta.Kelsey.Ele está em um barco, e eu suspeito que ele está prestando atenção em nosso retorno.”
“Ele não vai encostar um dedo nela.” Kishan prometeu.
Ren acrescentou. “Nós precisamos escondê-la.”
“Espere um segundo.” Interrompi. “Vocês precisam de mim. Eu tenho poder e existem dezenas de Lokeshs piratas para enfrentar, nós o vimos.”
Kishan deu um tapinha no lábio. “Concordo com a Srta.Kelsey. Creio que se quisermos ganhar uma luta sem perdas, teremos que acerta-los de uma forma forte e rápida. Eu não acredito que eles vão tentar nos matar. Muito provavelmente, eles irão usar armas paralisantes novamente. Usaremos a estrutura do barco como um escudo e usaremos seu poder a partir de certa distancia. Combate corporal será um último recurso, e Srta.Kelsey é uma boa arma a distancia. Irei chegar a um plano específico de ataque enquanto vocês três vão dormir. Descansem o máximo que puderem. Vamos ter esperanças de escapar sem que nos percebam mas estaremos preparados para guerra. Amanha precisaremos de estar prontos para batalha.”
Ren se virou para a janela escura e perguntou. “Por que você manteve isso escondido de nós Kelsey?”
Esfreguei as palmas das mãos suadas contra meus jeans, e respondi. “Eu não queria distraí-los. Se não conseguíssemos atingir a superfície, não teria importado. Esperava que houvesse tempo o suficiente para lhes contar mais tarde.”
Ele se virou para me olhar. “Da próxima vez, me diga. Posso lidar com notícias perturbadoras de uma melhor maneira quando tudo estiver as claras, e quando você sendo honesta comigo.” “Tudo bem.” Concordei mas desviei o contato visual desconfortável.
Com o encontro adiado, voltei para meu quarto com Kishan em meu cotovelo e Ren nos seguindo atrás a uma distancia discreta.
“Temos o Colar. Vocês dois podem ser homem por dezoito horas agora. Somente mais uma tarefa para cumprir.”
Kishan assentiu distraidamente, beijou minha testa e parou a porta. “Dezoito horas hein? Isso soa como uma vida inteira.” Ele sorriu. “Ren e eu precisamos conversar.” Ele passou um dedo pela minha bochecha. “Te vejo pela manha ok?”
Confusa, concordei e fui para a cama.
Kishan nunca voltou ao meu quarto, e foi bom porque acordei várias vezes com pesadelos.Acabei ligando uma luz suave para que pudesse parar de imaginar que estava debaixo d’água no escuro de novo. Quando abri a porta que ligava nossos quartos, achei Kishan deitado de bruços, dormindo profundamente.
Suavemente, eu fechei a porta e fui tomar café da manhã. Sr.Kadam e Nilima já haviam comido e me disseram para fazer um prato para mim. Sentei-me na frente deles na mesa assim que um Ren acabado de sair do banho virou o corredor. Ele montou um prato alto de panquecas, com manteiga de amendoim espalhada por cima, descascou uma banana, e espalhou xarope de bordo no prato inteiro. Escondi um sorriso bebendo leite. Ele se sentou ao meu lado, e nós batemos os ombros.
“Dormiu bem?”
“Sim. Você?”
“Já dormi melhor.” Ele disse e sorriu como se lembrasse de um incidente especifico. “Mas foi bom o bastante. Onde está Kishan?”
“Ainda dormindo. Não quis acordá-lo.”
Ele franziu a testa. “Ele deveria estar mais vigilante em onde você está. Ele devia ter acordado quando você entrou.”
Eu dei de ombros. “Não foi como se eu estivesse em perigo, e não acho que ele estava dormindo profundamente. É como ele dorme na forma de tigre também. Além disso, é possível que ele não tenha me ouvido.”
“Porque ele não te ouviria?”
“Ele dormiu no quarto dele ontem à noite.”
Ren sorriu. “Vocês brigaram?”
“Não. E onde ele dorme na é da sua conta.”
“É sim, se ele não tomar conta de você.”
Eu suspirei e peguei meu prato. “Sabe se nós já estamos no caminho, Sr.Kadam?”
“Sim. Nós devemos chegar nas coordenadas marcadas em algumas horas. Relaxe. Vou alertá-la antes de chegarmos lá.”
Ren devorou a última mordida das suas panquecas e perguntou, “Gostaria de jogar um jogo de Ludo enquanto espera...” ele franziu a testa, “enquanto espera?”
“Parece bom. Mas não Ludo. Preciso te ensinar a jogar dominó primeiro. (os americanos usam as peças de dominó como vagões de trem com os pontinhos). Nós temos um desse, não temos Sr.Kadam?”
“Sim, e os outros que você recomendou também.”
Eu enrolei meu braço no de Ren. “Vamos. Vou deixar você ser azul.”
Uma hora depois, Ren analisou o tabuleiro, tirou um curinga, e colocou seu ultimo trem. “Ganhei.” Ele anunciou.
“Não tão rápido. Nós precisamos contar os pontos.”
“Eu acho que devia ser obvio sem contagem que eu ganhei.”
“Não necessariamente. Eu tenho as conexões mais fortes e os maiores trechos. Não está com medo de usar suas habilidades em matemática, está?”
“Está dizendo que eu não sei somar?”
“Não. Mas já faz muito tempo desde a alfabetização. Sinta-se livre para bater sua mão na mesa como um cavalo se quiser.” Sorri maldosamente.
“Aparentemente, você precisa de uma aula sobre respeito.”
“Você vai escrever uma lei contra provocar o Sumo Príncipe e Protetor do Reino Mujulaain?”
“É Príncipe e Sumo Protetor do Império Mujulaain e sim, talvez eu devesse escrever uma lei”
“E o que você faria se eu quebrasse essa lei? Cortaria minha cabeça?”
Ele sorriu, “Eu estava pensando mais pelas linhas da elaboração um jeito de impedir você de falar, mas você pode gostar muito do castigo.” Ele esfregou o queixo. “Poderia jogá-la na piscina, suponho.”
Ele sorriu, mas então sua expressão mudou quando o sangue se esvaiu do meu rosto. “O que há de errado, Kells?” Rapidamente, ele afastou o tabuleiro da sua frente e pegou minha mão. Os pequenos vagões de trem correram para vários lugares bagunçando nossos pontos. “O que foi? Ele perguntou suavemente e acariciou minha bochecha.
“Eu não sei se algum dia vou conseguir entrar de novo na água. Não consegui nem entrar na Jacuzzi noite passada. Tudo o que vejo são dentes gigantes vindo atrás de mim. Tive pesadelos a noite inteira.”
“Me desculpe, minha anmol moti. Tem algo que eu possa fazer para ajudar?”
“Não. Não realmente.” Eu suspirei. “Vou superar isso eventualmente, espero. Eu gostava de mergulhar antes de isso acontecer.”
Ele assentiu e se levantou, depois estendeu a mão. Sorrindo maliciosamente, ele disse. “Então talvez seu castigo seja guardar o jogo enquanto eu assisto.”
“Isso é um castigo terrível. Uma clara brincadeira de dissuasão.”
Comecei a guardar os trens dentro de seus saquinhos, e apesar de seu edito, ele ajudou. Minha trança caia sobre meu ombro quando eu me curvei para pegar a tampa da caixa, e ele a puxou.
“Achou que eu não notaria?”
“Sabia que você provavelmente notaria. Estou surpresa que não disse nada sobre isso noite passada.”
“Eu notei mas... me desculpe Kelsey. Não devia ter sido tão inflexível sobre isso antes.” Ele torceu minha fita em seus dedos pensativamente. “Quando cortou seu cabelo logo que terminamos, senti como se estivesse cortando todas suas ligações comigo. Quando você e Nilima se prepararam para cortá-lo de novo, eu entrei em pânico. Foi muito difícil para mim. Eu sei que é coisa da minha cabeça, mas sinto como se a sua versão de cabelos longos pertencesse a mim e a versão de cabelos curtos pertencesse a Kishan.”
Ele suspirou, “Mas seu cabelo é atraente não importa de que jeito o use, apesar de eu sempre ter sido fã das sãs tranças.” Ele soltou a trança grossa e traçou os dedos da curva do meu maxilar até o lado do meu pescoço e depois deu um passo mais perto. Eu parei de respirar, paralisada pelo homem maravilhoso que pretendia me beijar.
“Kelsey? Kelsey. Onde você está?” Kishan gritou enquanto ele descia as escadas e ia para nosso convés.
“Aqui!” Eu gritei de volta com um agudo de pânico na minha voz enquanto dava um passo para longe de Ren.
Ele correu para o meu lado, inconsciente da tensão que eu senti com seu irmão, e me acariciou na bochecha. “Nós estamos quase lá. Sr.Kadam nos quer na casa do leme.”
Kishan pegou minha mão para me levar para fora da sala. Ren seguiu atrás de nós. Senti ele me observando e arrepios dispararam pelos meus braços. Ouvi seus passos e ele nos ultrapassou na escada larga.
Enquanto andávamos no exterior do convés a caminho da casa do leme, Ren perguntou, “Kishan, você vai dormir no quarto da Kelsey essa noite?”
Eu olhei para Ren que parecia ter acabado de engolir algo azedo.
Kishan ficou abertamente boquiaberto com o irmão, depois cruzou seus braços no peito em suspeita. “Por quê?”
Ren rapidamente explicou, “Ela está tendo pesadelos. Ela dorme melhor com um tigre por perto.”
Franzi o cenho. “Ren, você não precisa arranjar -”
“Deixe-me ajudá-la com isso, Kells.”
“Ótimo. Que seja. Vocês dois discutam seus planos.” Subi as escadas e ouvi Ren e Kishan sussurrando lá em baixo.
Rolando os olhos, entrei na casa do leme e me joguei numa poltrona confortável. “Então o que está acontecendo?” perguntei.
“Estamos nos aprontando para entrar nas águas do dragão vermelho.”
“Ok.”
Meia hora depois, os irmãos e eu observamos o Sr.Kadam e Nilima habilmente guiarem o navio num círculo nas águas do dragão vermelho. Nada aconteceu. Nós não podíamos ver uma passagem ou um marcador indicando o que deveríamos fazer. Lóngjün também não apareceu. Lá pelo meio da tarde, eu estava inquieta e pensei que ficaria louca se continuasse a encarar o oceano por mais tempo. Meus dedos encostaram em algo macio quando me virei saindo da janela. Era o quimono da Senhora Bicho da Seda.
Tracei a estrela na frente que agora estava completa. Virando-o, vi que todos os cinco dragões tinham realmente desaparecido da parte de trás, mas seus elementos ainda estavam lá. Corri minhas mãos pelas nuvens, tracei os raios do dragão verde, e então virei o quimono outra vez e desenhei uma linhas para o Templo da Costa com meu dedo. “Leve-nos para casa.” sussurrei.
Ouvi o barulho das linhas de seda e senti o navio balançar.
“O que aconteceu?” Sr.Kadam gritou.
“Eu toquei o quimono e disse ‘Leve-nos para casa.’”
Nilima e Sr.Kadam se voltaram para os controles que agora piscavam loucamente. Ren e Kishan repentinamente se transformaram em tigres e sentaram sobre meus pés, um de cada lado. O movimento das linhas contra meus dedos chamou minha atenção, e eu mostrei ao Sr.Kadam um pequeno barco em um pontinho percorrendo a linha pontilhada que terminava no Templo Shore.
“Me parece que estamos nos movendo em tempo normal novamente. Apesar de nenhum de nossos instrumentos estarem funcionando.” Ele disse. “Acredito que a Senhora Bicho de Seda está nos levando para casa.”
Sentei abruptamente e suspirei. “Isso significa que temos tempo antes de voltarmos?”
“Acredito que sim. Demorou aproximadamente doze horas para viajarmos entre os mundos antes.”
“Então chegaremos amanha cedo.”
“Parece que sim.”
“Considerando o que está esperando por nós, isso é provavelmente alo bom. Ren e Kishan precisam ser tigres por seis horas.” Dei um tapinha na cabeça de Ren e cocei atrás da orelha de Kishan, adicionando rapidamente. “Não que eles não sejam igualmente formidáveis em batalha quando estão em sua forma felina.” Eu sorri e gentilmente torci a orelha de Ren. Me inclinando disse, “Você não pode me pode me punir por te provocar agora, pode gatinho?”
Ren grunhiu para mim de uma maneira que me fez perceber que ele iria se lembrar de minha brincadeira e me faria pagar por isso mais tarde. Eu ri.
Sr;Kadam se virou distraidamente de volta para seus mapas enquanto eu alisava o quimono em meu colo. Quando eu o virei para o outro lado, eu
vi que os cinco dragões estavam de volta. O azul roncava suavemente, o branco balançou a cabeça e sorriu calorosamente, o vermelho sorriu o verde piscou,e o dourado entrou e pânico e escondeu sua cabeça em uma pilha de pedras preciosas.
“Bom ver todos vocês também.” Eu ri.
Eu partilhei meu jantar com meus tigres e ri quando ambos preferiram que eu os alimentasse na boca. Eu sentia falta dessa versão deles, e os provoquei sobre eles serem gigantes gatinhos mimados enquanto eles lambiam o suco dos pedaços de carne que eu estava dando a eles.
Mais tarde, li para eles Os Contos dos Irmãos Grimm enquanto descansava minha cabeça sobre as costas de Ren. Kishan deitou ao longo de minha lateral com sua cabeça descansando em minha perna. Não demorou muito até que me movi desconfortável e pedi a ele para colocar a sua cabeça no chão.
“Desculpe, mas minha perna ainda dói um pouco.”
Ren ronronou suavemente em resposta.
“E você fique quieto.” Bati no ombro do tigre branco brincando. “Ele não sabia , agora sabe.”
Ambos sossegaram e eu passei outra hora lendo em voz alta histórias do Príncipe Sapo, Polegarzinho, e A Dama e o Leão, que era minha versão favorita do conto de fadas A Bela e a Fera . Depois disso e tropecei em meu caminho sonolenta até meu quarto seguida pelos dois tigres.
Kishan pulou na cama e Ren deitou no chão. Coloquei meus pijamas no banheiro e deslizei para dentro dos lençóis. Kishan já estava dormindo, mas Ren levantou sua cabeça branca de suas patas para que eu pudesse cocar suas orelhas.
“Boa noite.” Sussurrei e cai em um sono sem sonhos e restaurador.
Logo após o crepúsculo, o navio deu uma guinada tão repentinamente e violentamente que eu caí da cama e aterrissei no topo da cabeça de Ren. Ele se transformou em um homem e me puxou rapidamente do caminho onde uma prateleira de livros caiu pesadamente exatamente onde estávamos a um momento atrás.
Kishan saltou no chão como um tigre onde imediatamente mudou para um homem. “Me encontre na casa do leme!” Ele gritou enquanto escancarava a porta.
Ren reuniu nossas armas ao mesmo tempo em que eu trocava de roupa. Saí da minha cabine-closet com um galo. Outra onda havia atingido o navio e eu acertei minha cabeça em um gancho de roupas.
“Isso é estranho.” Percorri meu caminho até ele enquanto o navio se endireitava. “ Parece que ondas são cronometradas no lugar de aleatórias. Não se parece com uma tempestade.”
“Você está certa.Não é natural.” Ren deslizou Fanindra pelo meu braço, amarrou o Colar de Pérolas, prendeu a Echarpe em minha cintura, escorregou o Fruto pela parte de cima de minha aldrava de flecha que estavam em minhas costas, e me entregou meu arco. O tridente pendia em um laço em sua cintura e ele carregava a gada.
“Está com tudo que você precisa?” Perguntei enquanto me preparava na porta.
Ele sorriu e tocou minha bochecha suavemente. “Sim. Tudo que eu preciso está bem aqui.”
Dei a mão na dele, e ele a levou nos lábios. Me inclinei em sua direção quando outra onda me jogou em seus braços. “Precisamos ir.” Disse.
“Sim.” Ele não fez nenhum movimento para sair.
Eu lhe dei um beijinho na bochecha. “ Vamos tigre . Conversaremos...mais tarde.”
Ele sorriu e me puxou para fora do quarto.Corremos o mais rápido que pudemos, subindo as escadas e cambaleando para a casa do leme.
“Estamos sob ataque?” Perguntei. “Outro monstro marinho?”
Antes que Ren pudesse responder, nós chegamos ao deque e eu congelei por um momento em choque. “O Templo Shore! Estamos em casa!”
A cidade de Mahabalipuram se estendia diante de nós pela costa. Em poucos momentos, nós passamos pela cidade voando, e continuamos a seguir a costa. Independentemente de onde iríamos, nós iríamos chegar lá rapidamente.
“Kelsey! Vamos!”
Alcancei Ren e agarrei sua mão estendida exatamente quando outra onda atingia o navio. Perdi meu ponto de apoio quando o navio inclinou perigosamente para o lado. Ren se segurou no grade e me puxou até que ele pudesse envolver seus braços ao redor da minha cintura.
“Obrigado.” Murmurei contra seu peito quando meus pés encontraram o chão novamente.
“Sempre que precisar.” Ele sorriu e apertou minha cintura.
Nós invadimos a casa do leme onde um Sr.Kadam desesperado explicou. “Fomos descobertos. Não tinha ideia de que ele possuía esse tipo de poder.”
Ondas gigantes nos atingiam uma após a outra, ameaçando nos afundar. Nuvens negras se moviam de lugar nenhum e escureciam o brilhante céu indiano. O vento açoitava o navio com tanta força que as janelas.
“É o Lokesh?” Gritei sobre o barulho.
Sr.Kadam concordou. “Meus cálculos estavam errados! Chegamos no Templo Shore no anoitecer – mais cedo do que o esperado. Eu decidi dar a cidade um amplo espaço – somente se necessário. Mas ele estava esperando
no templo e lançou ataque! Nós precisamos tentar incapacitar o navio dele antes que ele nos destrua!”
Ele havia nos encontrado.
Subi até o telhado da casa do leme com Ren. Kishan nos alcançou. A primeira coisa que fiz foi me certificar que nós três estivéssemos amarrados na grade usando a Echarpe. Então falei para Ren usar a Echarpe e Kishan o Fruto , eu usaria o meu poder de fogo se o navio de Lokesh viesse dentro do alcance e tentaria alguma coisa com o Colar.
Me foquei no navio preto que estava se aproximando rapidamente de nós. Ainda estava muito longe para meu poder de fogo e então eu sussurrei para o Colar, pedindo para esmurrar o navio com chuva e o capturar em um redemoinho. Em seguida, pedi para qualquer criatura do oceano atender ao chamado do Colar e vir para nos auxiliar. Ren criou uma lona gigante que caiu por cima e ao longo de todo o navio de Lokesh, Kishan cobriu os deques com óleo e encheu todos os espaço disponíveis com cream cheese.
Eu sorri e imaginei o pânico que havíamos causado, mas franzi a testa quando o vento soprou para fora a lona e gritei quando vi grandes barbatanas correrem em nossa direção. Ren tocou minha mão que tremia.
“O que foi?”
Com uma voz inaudível sussurrei, “Tubarões.”
Sua mão apertou a minha. “Não olhe para eles.”
Mas eu não conseguia evitar. Encarei-os circulando o barco e congelei. Escutei Ren falando com Kishan mas não pude processar suas palavras;
Então Kishan respondeu de volta. “Despejei, quatrocentos quilos de carne de primeira nas proximidades, eles não irão atacar.”
Carne? Oh. Ele estava tentando distrair os tubarões. É claro que não funcionaria. Eles não ligam para comida. Eles querem a nós. Gotas de chuva pesadas caíram em minha bochecha e na cabeça. Ondas pararam mas Lokesh açoitava uma terrível tempestade. Fui tira de minha terrível fixação com tubarões e direcionei a chuva de volta para o outro navio. Foi quando senti o poder de Lokesh me atingir. Chuva encontrou com chuva. Seu poder foi de encontro ao meu, e eu empurrei de volta. Parecia... intimo. Invasivo.
Empurrei com mais força, e assim ele o fez. A chuva acariciou minha bochecha de leve como se ele estivesse fisicamente me tocando, eu podia quase escutar o som de sua risada ecoar no deque.
Ele empurrava com força demais, eu gemi, mas Ren colocou o braço
em torno de mim, e eu senti uma força renovada. Joguei o poder de Lokesh para longe usando minha energia mental e o senti romper, apesar de uma parte de mim saber que ele estava encantado com minha exibição de bravura e que ele havia nos deixado vencer. De repente, a chuva parou e as nuvens foram interrompidas. O sol brilhou a cima de nós, e eu levantei minha cabeça, permitindo que o calor me aquecesse durante nosso breve alívio. O navio irrompeu do redemoinho e nos perseguiu novamente.
Meus pensamentos corriam descontroladamente enquanto eu tentava encontrar um novo curso de ação. Tentei afunda-los com inundações em seus deques, mas ele as desviou e as enviou de volta para o oceano, juntamente com alguns de seus homens. Ele ganhou de nós, disparando para frente em uma velocidade impossível. Como poderíamos vencê-lo?
Kishan verificou com o Sr.Kadam e retornou carrancudo.
Toquei seu braço. “O que foi”
“Estamos quase sem combustível. Não seremos capaz de supera-los.”
“Quanto tempo temos?” Perguntei
“Meia hora. Talvez uma hora na melhor das hipóteses.”
Nós três nos juntamos e discutimos outras opções.
Kishan queria aterrar o navio e lutar com eles em terra.
Ren queria virar e enfiar o iate no navio de Lokesh. Pensei que a opção de lutar em terra poderia ser melhor, porque pelo menos nos livraríamos dos tubarões. Nosso planejamento baixo foi interrompido pelo som de muitos gêiseres em erupção. Espiráculos de baleias!
Fiz sombra em meus olhos e vi pelo menos uma dúzia de baleias cinzentas forçar o navio negro. Elas o cercaram e bateram com seus corpos pesados, efetivamente retardando o progresso do navio.
“Vamos correr com isso.” Disse. “As baleias irão atrasa-los. Iremos tão longe o quanto o nosso tanque de combustível nos levar, e então apanharemos o barco a jato em terra e desapareceremos na floresta.”
Eles concordaram, e Ren correu para dizer ao Sr.Kadam quando algo me chamou atenção.
“Os tubarões! Kishan onde eles estão?”
“Lá.” Ele apontou para o oceano e eu vi grandes barbatanas se voltarem para o navio negro. “Eles estão tentando atacar as baleias.”
“Não!” A água rapidamente ficou vermelha quando um bebe separado de sua mãe foi morto. “Parem com isso!” Gritei. Toquei o Colar de Pérolas em minha garganta e enviei as gentis criaturas de volta para as profundezes do oceano. Não demorou muito para os tubarões voltarem a nadar na lateral do iate. Ren retornou e eu disse para ele desanimada, “As baleias se foram. Eu não podia permitir que elas fossem mortas.”
“Entendo.” Ren gentilmente apertou meu braço. “Vamos lutar com ele em um combate físico. Parece que é o que ele quer.”
Concordei. “Ele me quer viva.”
“Ele nunca vai ter você.”
Olhamos nos olhos um do outro por um breve momento, e balancei a cabeça, rezando para que sua determinação fosse o suficiente.
“Eles estão vindo rápido!” Kishan gritou. “Preparem-se!”
O navio de Lokesh estava rápido o suficiente para que pudéssemos ver as figuras no deque. Não era grande como o nosso, mas ainda era um navio de poder, e era rápido. Um grande arpão foi equipado no deque superior. Homens se moviam sobre aparelhos, ao redor do convés e se abaixaram atrás de caixas para se proteger. Somente Lokesh ficava no alto e sem medo. Quando ele me viu, sua imagem desfocou para mostrar um homem jovem novamente. Ousado e corajoso, ele sorriu para mim e estendeu a mão acenando para que eu viesse até a ele.
Fiquei entre Ren e Kishan e balancei minha cabeça. Lokesh franziu o cenho e emitiu um comando. Os meninos estavam prontos. Kishan jogou o chakram, Ren usou a Echarpe para amarrar e balançar os homens ao longo das lateais do navio ao alcance dos mastigadores tubarões. Infelizmente, os tubarões estavam mais concentrados em nós. O chakram cortou o braço de um inimigo e abriu seu peito antes de retornar para nós.
Ren só tinha olhos para Lokesh, que sorriu e o convidou para bordo com um floreio. Eu posicionei e disparei uma série de flechas, uma saturada no meu poder de raio. Acertei dois homens e causei uma pequena explosão na parte de trás do navio, mas estivera mirando Lokesh. Ele parecia ter usado o vento para desviar o curso de nossas armas.
Lokesh moveu o braço, e seu navio avançou. O iate balançou violentamente quando o navio negro bateu em nossa traseira em uma explosão de madeira e metal estridente. Uma rampa foi rapidamente ligada ao nosso navio e um grito de guerra subiu ao ar quando os homens passavam para o nosso convés.
Ren saltou da casa do leme e caiu agachado seis metros a baixo no convés inferior. Kishan o seguiu logo depois, e outro grito de batalha subiu no ar – o grito de batalha da casa de Rajaram. Desci as escadas e corri atrás deles. Kishan usou o chakram e garras, a mudança de tigre para homem era apenas em tempo de pegar e jogar o chakram entre os ataques. Como um tigre, suas orelhas se deitaram e os dentes apareceram quando ele rugiu. Vendo o veloz tigre preto, alguns homens tropeçaram em um impasse, decidindo confrontar Ren no lugar e se movendo para desafia-lo, mas ele era igualmente perigoso.
Ren separou o tridente em facas samurai e pulou para a briga, cortando corpos como se fosse um touro em um galinheiro. Suas facas giraram tão rápido que parecia um liquidificador do tamanho de um homem, fatiando qualquer coisa que chegasse perto. Me escondi e eliminei homens com flechas ou raios. Lokesh estava ausente. Procurei por ele, mas ele estava Escondido em algum lugar. Havíamos derrubado dúzias de homens e ainda mais emergiam a partir do navio. Ele não estavam armados com armas tranquilizantes dessa vez, o que me confundiu. Lokesh sabia que Ren e Kishan não poderiam ser mortos. Apesar de serem piratas modernos, eles lutaram com facas, machetes, e outros tipos mais antigos de armas. Não vi arma em lugar algum. Não era uma batalha mais do que uma carnificina. O grande número de piratas era a única razão que não havíamos vencido ainda.
Sr.Kadam e Nilima se juntaram a mim no convés. Ela estava armada com uma faca e ele com uma espada samurai.
“Quem está dirigindo o barco?” sussurrei enquanto soltava uma flecha e sorria para o grito de dor do pirata que estava prestes a esfaquear as costas de Kishan.
Sr.Kadam respondeu. “Não há necessidade. Estamos quase sem combustível de qualquer jeito. Nós baixamos a ancora e decidimos ajudar a livrar o barco desses bandidos.”
“Mas Nilima -”
“É altamente treinada em artes marciais e armas. Ela se sairá bem. E já está na hora de um velho parar de ficar sentado nos bastidores e deixar os jovens terem toda a diversão.” Sorriu o Sr.Kadam.
Nós três entramos na luta. Nilima era letal. Homens na realidade paravam quando ela se aproximava e sorriam para a bela mulher. Ela derrubou homem atrás de homem enquanto eles caiam mortos nos seus pés adoráveis.
Eu bufei. “Pelo menos eles morreram com um sorriso no rosto.”
Sr.Kadam lutou como um mestre espadachim. Ele era honrado e gracioso enquanto ele se esquivava de seus agressores antes que eles pudessem tocá-los. Ele não perdia muito tempo numa luta. Ele simplesmente desarmava um homem o mais rápido possível e continuava com o próximo, sua espada brilhando no sol.
Enquanto despachávamos os piratas, eu me achei costa a costa com Ren. Novamente, eu confundi Lokesh e seu plano. Havia alguma coisa que
eu não estava vendo. Os piratas obviamente tinham sido instruídos a não me machucarem, apesar e alguns deles tentarem sem sucesso me levar dali. Corpos estavam empilhados aos nossos pés. Porque não estão usando tranquilizantes? Essa batalha é quase brincadeira de criança.
Ren derrotou um oponente gigante e sibilou, “Não quero você aqui em cima. Estamos indo bem. Volte para onde você estava. Estava fora do alcance visual.”
“Você precisa de mim.”
“Vou sempre precisar de você. Por isso te quero segura. Por favor volte para lá.” Ele virou as costas para os homens que o atacavam e me implorou com os olhos. Eu suspirei e ataquei o homem que corria atrás dele e então balancei a cabeça. A luta logo estaria acabada de qualquer jeito. Com Nilima e Sr.Kadam envolvidos, havia pouco para eu fazer.
“Tudo bem, mas guarde alguns para mim.”
Ren sorriu. “Sem problemas. E, Kelsey?”
“O que foi agora?” eu disse exasperada enquanto ele deu uma cotovelada na cara de um cara sem nem olhar para ele.
“Eu te amo.”
Meus lábios se torceram num sorriso torto. “Eu também te amo.”
Ren se virou com um grito para a luta. Coloquei meu arco no ombro e corri de volta para meu pequeno esconderijo então tirei outra flecha e busquei por outro alvo. Eu me releguei a ser o apoio, atirando em homens que chegavam perto de mais ou estavam perto de alguém. Eu ainda me sentia envolvida na batalha apesar de estar de fora. Minhas flechas douradas voavam certeiras, e meu poder de raio sempre estava nelas.
Fechando um olho, eu avistei o topo do navio negro e ofeguei. Eu gritei, mas foi tarde de mais. O homem que eu estivera observando tinha atirado um arpão. O dardo gigante ia na direção de Nilima. Iria mata-la.
Sr.Kadam viu também. Ele gritou, “Nilima!” e foi diretamente para a frente dela, a abraçando em seu peito.
Eu gritei, “Cuidado!” e deixei meu arco cair, alertando sobre meu esconderijo.
Eles tinham desaparecido! Eu procurei no deque por corpos empalados, mas eles não estavam ali. O arpão se fincou no chão e afundou profundamente na madeira estilhaçada, mas Sr.kadam e Nilima haviam desaparecido.
Uma voz atrás de mim disse, “Aqui está ela!” Três alfinetadas me atingiram. Uma no ombro, uma na coxa, e uma no meu braço.
“Não!” eu cambaleei até a parede e pressionei um mão trêmula contra ela para me equilibrar.
Enraivecida, eu tirei os dardos do meu corpo. Braços pesados me pegaram e me jogaram por sobre um ombro musculoso. Tentei gritar, mas minha voz era um mero sussurro no barulho tempestuoso da batalha.
Três piratas furtivos me levaram para o outro lado do barco. O homem grande escalou, comigo sobre seu ombro, precariamente para baixo da escada improvisada que eles usavam para embarcar. Tentei queimá-lo, mas meu poder já tinha se esvaído. Eu falhei, mas ele apenas ria dos meus fracos esforços.
Lokesh não estava com eles, o que era um alívio, mas eu sabia que meu alívio não duraria muito tempo. Eu o veria em breve. Agora eu sabia porque ele havia desaparecido e o porque da batalha, apesar de sangrenta, ser um pouco desequilibrada. Era uma armadilha. Ele não ligava que todos aqueles homens tinham morrido. Meu corpo parecia pesado, e meus olhos começaram a fechar. O tempo estava acabando.
Depois de me atirar tranquilizantes, os homens foram convencidos o suficiente não para me amarrarem; ao invés, eles se ocuparam dando partida no barbo e batendo em tubarões com remos. Aparentemente, os tubarões seriam meus escoltas pessoais. Tremendo, eu lentamente levei minha mão ao pescoço e, quando o barco pulou uma pequena onda, arranquei o amuleto. Eu gemi e virei de lado como se estivesse adormecendo e sussurrei instruções para a cobra dourada no meu braço.
Lentamente, cuidadosamente, deslizei Fanindra para fora do meu braço e enrolei a corrente do amuleto ao redor do seu pescoço várias vezes. Meu braço estava pesado e levantá-la para a beirada do barco parecia impossível. Tentei e falhei, meu braço amortecido caiu.
“Ei você1 O que está fazendo?” Um pirata se virou para investigar, pegou meu cotovelo e o apertou dolorosamente. Seus olhos se iluminaram quando viu o brilho do ouro. Ele inclinou para mais perto, e Fanindra voltou a vida, abriu seu capuz e sibilou.
“Cobra!” ele berrou e correu para o lado mais longe do barco. Ganhando vantagem com a sua distancia, foquei meus olhos em Fanindra e engoli em seco, tentando limpar as ondas de escuridão que invadiam minha consciência. Com um esforço monumental, eu empurrei seu corpo dourado pra a borda do navio e sorri quando ouvi o splash que ela fez quando atingiu a água.
“O chefe não vai gostar disso.” Um homem disse.
“Então não vamos falar para ele, vamos? Não tenho vontade de virar isca de tubarão.”
“Concordo. Vamos guardar isso entre nós.” O homem se inclinou e uma nuvem de seu hálito nojento passou pelo meu rosto. “Sem mais truques, mocinha. O chefe nos contou tudo sobre você.”
Não pude responder apesar de que pensei em algumas palavras para compartilhar. Nós pulamos uma onda, e meu corpo paralisado bateu pesadamente contra o chão do navio, ainda assim parecia um dos travesseiros mais macios para mim. Não consegui nem começar a entender o que havia acontecido com Sr.Kadam e Nilima; então ao invés, meus últimos pensamentos foram para Ren e Kishan.
Eu sabia que eles sobreviveram á batalha, e eles provavelmente foram astutos para fugirem. Ao menos eu ajudei a devolvê-los dezoito horas. Uma lágrima se derramou dos meus olhos fechados e caiu na minha bochecha. Outra caiu no outro lado. Pensei que seria certo que eu derramasse uma lágrima para cada um dos meus tigres, pois eu amava os dois.
Phet disse que eu teria de escolher. Algo que me agonizou por meses. Mas eu não entendia na época. Agora eu sabia o que ele quisera dizer. Não precisada escolher entre eles. Podia simplesmente escolher salvá-los. Os dois. Eles iriam viver se eu me oferecesse a Lokesh. Não que eu não daria meu máximo para escapar, mas se escapar não fosse uma opção, seria o último presente que eu poderia dar aos meus tigres.
Durga havia dito, “Arrependimentos não sentidos apenas por aqueles que não entendem o propósito da vida.”
Eu sei meu propósito agora, e eu não tenho arrependimentos. Se eles viverem meu sacrifício terá valido a pena. De algum jeito meus lábios se torceram num sorriso, e eu cedi, afundando no esquecimento.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
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