sábado, 2 de novembro de 2013

Capítulo 10: O nascimento de Durga

Postado por Estante de Livros às sábado, novembro 02, 2013
Era um costume híndi chorar por treze dias, mas nós
decidimos chorar por três dias e depois seguir a tradição de manter
uma lâmpada acesa por outros dez.
Sr.Kadam havia dito para procurar pela criação de Durga e eu,
obediente, mergulhei no estudo que me levou a uma interessante
teoria. As histórias de Durga falavam sobre muitas armas, as quais
Kishan e Ren pesquisaram ao meu lado, nós reunimos uma lista
rápida para manter controle sobre todas as armas.
Armas
Disco (Chakram)
Concha (Poder de cura do Kamandal)
Projétil (Dardos do Tridente?)
Flechas (Arco e flechas douradas)
Poder do trovão (Poder de luz?)
Sino (Necessário para acordar Durga)
Hates (Tridente/Trishula)
Machado (Lamina do Chakram?)
Armadura (Nova arma)
Clava (Gada)
Pote de água (Outro nome para o Kamandal acho)
Bastão (Outro nome para Gada)
Espada (Na verdade duas espadas)
Cobra (Fanindra)
Corda (Corda de fogo?)
Joias (Colar de Perolas)
Nova vestimenta (Echarpe Divina)
Guirlanda de Lótus Imortal (Dado para a sereia Kaeliora- Durga disse que não possuía poder)
Laço (Corda de fogo?)
“Parece que há muitas versões diferentes de como Durga nasceu.” Expliquei enquanto lia. “Esse próximo texto diz que Durga era uma deusa que nasceu das chamas. Mas outros livros afirmam que ela emergiu de um rio, aparecendo de um redemoinho, veio de uma grande luz, e saída de uma caverna em uma grande montanha. Há também uma história sobre Durga ter sido criada para lutar com um demônio chamado Mahishasur.”
“Ok, então as histórias variam.” Disse Kishan.
“Sim, mas qual o denominador comum?”
Fiz uma pausa, mas não disse nada, esperando preencher o vazio em minha mente. “O amuleto!” Exclamei.
“Não compreendi.” Disse Ren esfregando sua mandíbula.
“Nós sabemos que a peça do amuleto que eu uso tem as propriedades do fogo, e o Sr.Kadam disse que sua peça o atirou para o espaço. E se cada amuleto representa um dos elementos – fogo, ar, água, terra, e espaço - e cada lugar de seu ‘nascimento’ representa um elemento diferente?” Eu propus e entreguei minhas anotações sobre os amuletos. (agora que ela pensou nisso? ¬¬)
Possíveis poderes
O rugido do tigre de Durga abalou o mundo (Terremoto? O amuleto da terra)
Oceanos ferveram e inundaram a terra (Amuleto da água ou Colar de Perolas)
Montanhas se desintegraram em milhares de deslizamentos de terra (Amuleto de terra)
Usou seu sopro divino para reabastecer seus exércitos (Alimento/água/roupas? Usando os presentes)
Grandes chamas foram emitidas em todas as direções (Amuleto do fogo/ Corda de fogo)
Moveu montanhas (Amuleto da terra)
Cercou o exército de Mahishasur em uma tempestade de areia (Amuleto do ar)
“Ok, então quais das histórias é a correta?” Kishan perguntou.
“Talvez todas sejam.” Sugeri.
“Hm... aqui tem algo.” Ren adicionou. “Esse livro fala sobre uma ilha vulcânica que soa um bocado como a que Kadam disse para irmos. É o chamado Poço do Inferno.”
“Sério?” Eu tossi um pedaço de muffin. “Isso é maravilhoso.”
“Isso não é o pior.”
“Ótimo.” Murmurei sarcasticamente. “Não queria que fosse fácil demais. Então... Uma ilha vulcânica e uma batalha com Durga e Mahishasur? Acho que provavelmente Durga possuía o amuleto inteiro quando ela o derrotou, levando em conta é claro, que aceitamos a história literalmente.”
“É uma boa teoria.” Kishan disse. “Não há menção de qualquer lugar ou data.”
“Não, não há. Também não há menção de ninguém aparecendo ou desaparecendo.”
“Conte-me a história da batalha, para que eu possa imaginá-la em minha mente.” Kishan pediu.
“Tudo bem. Começarei quando Durga encontra Mahishasur.” Folheei as páginas até encontrar o que eu estava procurando.
“Quando a deusa entrou no campo de batalha montada em seu tigre, todos os olhos se voltaram para ela. O tigre caminhou lentamente, e os homens cheios de temor se ajoelharam enquanto os demônios ofegaram suavemente ao ver a bela deusa. Ela estava calma, destemida. Embora ela caminhasse por esquadrões de demônios arqueiros, milhares de cavaleiros, centenas de elefantes de batalha, nenhum se moveu para prejudicá-la - cada criatura se tornou totalmente temerosa ao seu poder.”
“Quando finalmente ela alcançou o rei demônio, ela foi cercada por uns homens com machados de ferro brilhantes e negras alabardas – espere, o que são alabardas*?”
“É como uma longa lança com um machado no final.” Ren respondeu.*http://www.aceros-de-hispania.com/imagen/mar/alabarda-14e.jpg
“Entendi – A batalha foi um rio de sangue, mas até mesmo o rio vermelho não podia desviar a atenção do vermelho de seus lábios ou da exuberância de seu cabelo, mostrando a quão imensamente bela ela era. O rei demônio quando a viu se apaixonou e anunciou que iria tê-la como esposa. Ele instruiu que os homens
capturassem a deusa, mas nenhum deles estava ciente que por trás daquela grande beleza, havia uma criatura de grande força.”
“Como um furacão, ela e seu tigre se levantaram e mataram cada uma das coortes do rei demônio. Ela jogou sua corda em volta do pescoço de Mahishasur, e enquanto seu tigre se jogava contra seu corpo com suas mandíbulas, ela levantou a espada e cortou o demônio no meio.”
Kishan assobiou. “Ela certamente soa como meu tipo de mulher.”
Dei-lhe uma cotovelada nas costelas e Ren revirou os olhos, mas Kishan nos ignorou.
“Eu adoraria vê-la em batalha.” Ele continuou.
“Acho que você está perdendo o ponto Casa Nova”
Kishan sorriu, segurou minha mão e a beijou. “Eu me pergunto o que seria necessário para te fazer ciúmes. Aliás, eu não sou como Casa Nova. Sou estritamente um homem de uma mulher só.” Disse ele.
Olhei para cima e cruzei o olhar brevemente com Ren antes que ele enterrasse o nariz no livro de novo.
“O ponto é,” eu continuei sem comentar sua frase anterior, “Acho que precisamos nos preparar para lutar com Lokesh da mesma forma que Durga lutou com Malishasur.”
Kishan piscou, e a compreensão iluminou seus olhos. Sobriamente, ele se inclinou e pegou minha lista das mãos de Ren. “Acho que você está certa Kelsey. Lokesh te deseja da mesma forma que o rei demônio desejava Durga. É melhor você me deixar ver esses livros.”
Entreguei uma pilha de livros enquanto ele chegava mais perto e colocava o braço em volta de mim. Ren saiu, depois de uma hora de estudo meus olhos pareciam pesados. Eu me aninhei contra o ombro forte de Kishan e adormeci, escutei ele sussurrar, “Não deixarei que ele te tenha Kelsey. Você pertence a mim.”
Meu subconsciente registrou suas palavras repetidamente até que eu imaginei uma voz diferente dizendo a mesma coisa. Só então eu pude deixar minha mente vagar, finalmente confortável.
No quarto dia começamos nossa busca final para encontrar a Cidade da Luz através da ilha do vulcão chamada Poço do Inferno. Esperava que o lugar não fosse tão ameaçador quanto parecia. Nilima nos levou até Visakhapatnam, e em seguida para o Golfode Bengala, então finalmente o Port Blair. Um carro estava esperando por nós quando pousamos.
Conforme dirigíamos pela cidade de Port Blair, Nilima dividiu conosco uma fascinante história sobre o Sr. Kadam, que havia sido capturado por um nativo - e canibal - Andamanese. O Sr. Kadam teve a astúcia para negociar sua vida, tornando-se membro honorário da tribo.
Sacudi minha cabeça e sorri, me perguntando quantas outras histórias incríveis eu nunca teria a chance de escutar.
Passamos por árvores densas em uma estrada privada. Conforme subíamos a colina, eu tive vislumbres do oceano e me maravilhei com as cores brilhantes. Finalmente, rompendo a linha das árvores, nos encontramos em uma bela casa de luxo na costa com vista para o Mar de Andaman.
O design do interior me lembrava ou mais o avião particular do Sr. Kadam do que a casa na Índia. A moradia era austera e decorada em negro e cromado com linhas. A lateral da casa dava de frente para o mar e foi feita inteiramente de vidro. Cada quarto possui uma varanda privada, e havia um grande terraço, uma jacuzzi, e uma sala de estar ao ar livre sombreado por palmeiras. A
magnífica vista panorâmica para o mar, a areia branca da praia, uma piscina infinita de quatro níveis foi difundida diante de mim. Era além do espetacular, e eu sabia que o Sr. Kadam não teria resolvido nada menos que isso – mesmo no meio do Oceano Índico.
Perto do pôr do sol, eu acendi uma lâmpada em honra ao Sr. Kadam, Kishan me beijou e disse que precisava ir à cidade. Nilima tinha preparativos para fazer antes de podermos continuar a nossa jornada. Depois de jantar sozinha, decidi procurar por Ren que havia desaparecido desde que havíamos chego.
Eu finalmente o encontrei sentado em sua varanda. Ele estava inclinado às costas com a parede com seus olhos fechados. Uma música suave tocava, e a brisa fria do oceano soprou meu cabelo conforme eu andava pela varanda e inalava o cheiro do mar.
“Posso me juntar a você?” Perguntei em voz baixa.
Ele não se incomodou em abrir os olhos. “Se desejar.”
A lua no céu escuro se parecia com o gigante prato branco mergulhando sua borda no oceano. Ficamos sentados quietos por um momento. Eu fechei meus olhos também e escutei ele cantarolar junto com a música.
“Você não toca seu violão há muito tempo. Sinto falta disso.” Eu disse quando a música acabou.
Ren se virou. “Temo que não tenha restado música em mim.” Eu o provoquei. “O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes é capaz de traições, de conjuras e de rapinas.” Abruptamente de pé, Ren atravessou a varanda, se posicionou no final do parapeito. Debruçou-se de lado, se apoiando em seus cotovelos. “Desculpe-me.” Eu disse me aproximando dele. Colocando minha mão em seu antebraço, tocando-o levemente. “Eu não percebi que você estava falando sério.” Ele apertou minha mão e brincou com meus dedos. “A música me faz lembrar muito que eu não posso ter, e ainda sim, não posso
deixar de escutá-la.” Ele riu ironicamente. “Eu nunca entendi a conexão até que você me deixou e voltou para o Oregon. Percebi então que a música era uma ligação com você, um caminho para nos manter próximos, assim como minha poesia.” Ren se virou para mim e pressionou minha mão contra seu coração. “Kelsey, meu sangue pulsa e meu coração dispara quando você está por perto. Eu tenho que fazer um esforço para me conscientizar e me conter para não tocar em você. De tomar você em meus braços. De te beijar. Eu quase prefiro Lokesh me torturando novamente a ser atormentando todos os dias ao te ver com Kishan.” Engoli em seco e desviei o olhar do belo homem. Ao invés disso, olhei para nossas mãos cobrindo seu coração. Senti a batida contra minha palma da mão e dedos. Tremendo, eu sussurrei. “Sinto muito Ren,” e deslizei minha mão para fora.
Eu podia sentir o fogo, calor e paixão circulando tangivelmente envolta de mim. O calor era esmagador e intenso, meus músculos pareciam tão substanciais quanto cera quente.
“Eu sinto muito,” eu repeti teimosamente. “Mas não posso deixar Kishan.”
Dei um passo para trás e Ren se inclinou para o parapeito novamente. Uma nova música começou. Silenciosamente Ren citava Noite de Reis e murmurava. “Se a música é o alimento do amor, toquem-na; afoguem-me nela, para que o apetite decresça, e assim morra.” Silenciosamente, eu voltei para casa, mas me virei para olhar para ele mais uma vez. Em pé sob o luar, Ren realmente parecia como uma parte de do melancólico Duque Orsino ansiando por sua Lady Olivia de Shakespeare. Algo arrancou meu coração, eu abafei um conforme me afastava.

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