Na tarde seguinte, dei uma longa caminhada sozinha,
em parte para clarear a minha cabeça e em parte para encontrar
Ren, que havia desaparecido depois do meu… noivado na praia. Eu
não tinha certeza do que diria se o encontrasse, mas de alguma
forma sabia que precisava fazê-lo.
A brisa conduzia as nuvens pelo céu, empurrando os fofos montes
cinza uns nos outros. Senti o cheiro de chuva no ar assim que saí
apressada pela porta.
Movendo-me pela selva, segui para o norte e caminhei por uma
trilha por mais ou menos quinze minutos. As árvores estremeciam e
de vez em quando um pingo de água fria atingia meus ombros nus. Então levei minhas mãos à boca num formato de copo e gritei.
“Ren?”
Eu esperei, procurando pela familiar forma do meu tigre branco, esperando vê-lo saltar por cima de um tronco caído para o meu lado. Afastando-me da trilha e indo em direção às árvores, deixei minha mochila cair aos meus pés.
“Ren?”Gritei para uma direção diferente.
Nada. Sentei em um tronco com meu queixo sobre meus punhos e pensei em minha situação. Sempre sonhei com um grande casamento. Em caminhar para o altar até o homem que eu amava, até o homem dos meus sonhos. E Kishan se encaixava mais do que adequadamente nesta descrição. Na verdade, tão próximo a um Príncipe Encantado quanto poderia, ele excede as expectativas de qualquer garota.
Amar Kishan não era o problema. Ele era um cara incrível. Melhor do que incrível. Ele era fantástico. Enumerei suas qualidades em minha cabeça. Kishan é gentil, bonito, corajoso, beija bem, é forte, faz ótimas massagens e me ama. O que mais uma garota poderia querer? Qual é o meu problema?
Enquanto me sentava lá preocupada, ouvi um barulho. Uma velha mulher enrugada mancava pela trilha, carregando uma grande bolsa. Profundos olhos castanhos me estudavam de um rosto que já havia visto muitos anos de sol. Ela sorriu e acenou com a cabeça, mas se atrapalhou com seus passos lentos e pesados. O cabelo branco estava parcialmente visível por baixo da brilhante dupatta amarela e sua saia esvoaçante possuía manchas devido à vegetação da selva.
Pouco antes de ela passar por mim, um de seus sapatos trançados escorregou e ela caiu com força no chão. Sua bolsa se abriu ao cair e frutas marrons do tamanho de batatas pequenas rolaram para todas as direções. Ela gemeu e eu imediatamente fui ajudá-la a se levantar.
Quando eu coloquei a fruta e o sapato perdido aos seus pés, a velha mulher sorriu e disse: “Obrigada. Eu Saachi. Descanso aqui alguns minutos. Está bem pra você?”
“Claro. Não é como se eu houvesse reservado o tronco para mim. Sou Kelsey. Prazer em conhecê-la.”
A mulher inspecionou sua bolsa de frutas à procura de danos e então retirou uma. “Pegue. Você deve provar. Chicle. Muitas crescem aqui. Gostosas.”
Entregando-me a fruta marrom, ela sorriu, revelando uma boca cheia de dentes surpreendentemente brancos e, em seguida, ela mesma comeu um pedaço, limpando com o seu lenço o suco que escorria. A polpa era amarelo escuro e a textura, similar à de uma pêra, mas o gosto era de malte com um toque de caramelo.
“É bom. Obrigada,” Murmurei enquanto girava a fruta para estudá-la.
“Os chineses a chamam de fruta do coração. Você vê?” Ela disse e levantou outra fruta para me mostrar a sua forma. “Parece coração. Todas cair no chão quando vir você. Significa coração partido, machucado. Má sorte passa por você. Por que seu coração partido? Você garota bonita. Boa postura. Qual problema? Não conseguiu nenhum homem?”
Ri secamente. “Não, tenho homens demais. É uma longa história.”
“O que você quer dizer com homens demais? Vejo problema. Conte a Saachi sobre os homens. Eles fortes? Bonitos?”
“Ele são fortes e ao mesmo tempo muito bonitos.”
“Ah!” Ela gritou. “Saachi gosta da história sobre homens bonitos.”
Não pude evitar sorrir. “Sim. Bem, eles são irmãos. O mais velho se chama Ren e o mais novo se chama Kishan.”
Ela assentiu com a cabeça. “Bons nomes.”
“Certo. De qualquer modo, o irmão mais novo, Kishan, me pediu em casamento.”
Mostrei o anel em meu dedo, ela o inspecionou de perto. “Querer você como esposa? Ele bom homem? Trabalha duro? Homem preguiçoso nada bom,” Saachi disse.
“Oh, ele não é preguiçoso. Ele é muito corajoso. Eu estava com seu irmão primeiro. Nós nos amamos e depois no separamos por um tempo. Durante este período, Kishan e eu nos aproximamos.”
“Ah,” ela disse em entendimento. “Acontecer com minha amiga. Seu homem viajar. Não voltar por longo tempo. Então ela se casar com outro. Mais tarde o primeiro homem volta para casa, mas já tarde demais. Ele ir embora de novo. Não voltar. Não tarde demais para você. Você não casar. Você volta primeiro homem. Ainda o ama?”
“Claro que o amo, eu nunca deixei de amá-lo, mas não posso voltar atrás. Ele... não é seguro estar com ele.”
“O que você quer dizer? Ele machucar você? Ele bater em você? Por que não o escolhe?”
“Não.” Em uma voz bem baixa, sussurrei, “Não é por isso que tenho medo.”
Ela estalou seus lábios e mudou-se para uma posição mais confortável no tronco. “Você garota maluca. Ter medo de homem bonito que ama você.”
Eu gemi, levantei-me e comecei a andar. “O problema é que ele tem complexo de super-herói. Gosta de sair correndo para salvar o dia.”
“É bom. Homem corajoso,” Ela estalou sua língua.
“Não. É ruim. Heróis são mortos. Toda vez que ele tenta me salvar, arrisca sua vida. Ele se coloca em perigo constantemente.”
“Bah. Não haver problema. Único problema em sua cabeça.”
“Não!” Eu me virei. “Você não entende? O Sr. Kadam está morto! Meus pais estão mortos! Se Ren morrer, acabou para mim. Não haveria mais nada. As pessoas que eu amo morrem. Tenho medo que se eu me permitisse amá-lo, realmente amá-lo... esteja dando sua sentença de morte.”
Deixei-me cair pesadamente no tronco outra vez. “Quando os vilões vieram para me pegar, ele ficou para trás e se deixou ser capturado. Quando não conseguiu fazer o CPR em mim, terminou comigo e me jogou para cima de Kishan. Quando o cara do mal chegou perto demais de me encontrar, ele sacrificou todas as suas memórias de mim. Toda vez que algo me ameaça, ele se apressa para enfrentar sem pensar no que aconteceria comigo se ele morresse. Era para ele ter sido rei. Talvez seja de onde vem seu sentimento de dever.”
“Então escolha fácil. Você escolhe outro irmão,” A velha mulher concluiu.
“Quero ser uma boa esposa para Kishan. Eu o amarei e construiremos uma família juntos. E espero que isso signifique que Ren parará de se empurrar para os braços da morte.”
Ela estalou sua língua. “Bom, mas qual dos homens fazer você feliz? Fazer você sentir algo mais?”
“Eu me sinto assim com ambos.”
“Huh,” ela resmungou. “Você mais feliz com quem?” Ela insistiu enquanto me avaliava com astúcia.
Contorci-me desconfortavelmente e disse baixinho, “Ren.” Suas sobrancelhas grossas elevaram-se e ela colou uma expressão de “Ah-há”. Rapidamente expliquei, “Mas não importa. Estou escolhendo Kishan. Eu prometi a Kishan que nunca o deixaria sozinho de novo. E ele me fará, quero dizer, ele me faz muito feliz. Amo Kishan.”
“Mas seu coração está dividido.”
“Sim. A verdade é que... a maior parte do meu coração pertence à Ren. Nunca deixei de amá-lo. Quando estávamos separados, nada importava. Eu estava perdida. A única coisa que me fazia seguir em frente era a esperança de que ficaríamos juntos algum dia de novo. Isso e... Kishan precisa de mim. Ren pensa que enquanto eu estiver viva, tudo ficará bem. Mas ele está errado. Se ele for morto e eu tiver que colocá-lo em um túmulo ao lado do Sr. Kadam, não irei me recuperar.”
Sorri fracamente enquanto virava-me para a selva tranquila. “Você vê? Não posso viver sem ele. Para mantê-lo seguro, para manter meu coração seguro, nós não podemos estar juntos. Você entende?”
Uma voz familiar respondeu, “Acredito que sim.”
A respiração congelou em meu corpo. A voz de Saachi mudou para uma voz suave e sedosa, como caramelo e mel. Era uma voz com a qual eu já estava muito familiarizada. Fechando meus olhos, me virei para encarar o homem parado atrás de mim.
Respirei fundo. Lentamente abri meus olhos e meu coração disparou angustiado quando viu sua expressão.
“A Echarpe...” Eu disse, percebendo como ele havia me enganado para que eu admitisse a verdade.
“Sim,” Ele disse, sua voz carregada de emoção. Ele ergueu sua mão para tirar o cabelo do rosto e sua respiração saiu trêmula.
Dei um passo em sua direção. “Por favor, tente entender que nada disso importa. Não irá mudar nada. Já decidi o que fazer e pretendo seguir em frente com isso.”
“Eu queria saber. Eu precisava saber. Você escondeu seus verdadeiros sentimentos de nós dois. Kelsey, por que não compartilhou essas preocupações? Esses medos?”
“Mudaria alguma coisa? Faria realmente diferença?”
“Não sei. Talvez sim. Talvez não. Pelo menos todas as cartas estão na mesa agora.”
Mordi meu lábio. “Você irá contar a ele?”
“Não acha que ele deve saber?”
“Não vejo como poderia ajudar.”
Ele permaneceu em silêncio enquanto me avaliava e então suspirou. “Suponho que podemos deixar isso entre nós por enquanto.”
“Obrigada.”
Sentindo-me estranha, recolhi minha bolsa e girei em meus calcanhares para voltar à cidade. Minha pele se arrepiou com a consciência do homem que me seguia silenciosamente atrás de mim.
sábado, 2 de novembro de 2013
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