quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Capítulo 15 : A estrela do dragão vermelho

Postado por Estante de Livros às quarta-feira, outubro 23, 2013
“Estamos nos movendo? Como isso é possível?”
“Não estou certo.” Sr.Kadam rapidamente chegou os instrumentos do navio. “Tudo está desligado. Deveríamos estar ancorados.”
Peguei o quimono e o virei novamente. “Sr.Kadam olhe para isso.”
Um pequeno barco costurado pareceu na frente do quimono, e enquanto olhávamos, ele se arrastou um ponto. Voltado para o ponto vermelho.
Sr.Kadam rapidamente se virou. “Kishan ? Você se importaria de subir no topo da casa do leme e dar uma olhada ao redor? Tome notas da direção e localização da cidade.”
Kishan retornou alguns minutos depois, seu rosto estava incrédulo. “Baseado no sol estamos indo para Leste, mas não há cidade. Não tem litoral. Nada além de água ao redor de nós por quilômetros.”
Sr.Kadam balançou a cabeça como se esperasse isso. “Por favor localize Ren e Nilima para mim e peçam para que eles venham a casa do leme.”
Kishan fez contato visual comigo e sorriu brevemente, então se virou e saiu.
Sr.Kadam mexeu nos instrumentos por um longo momento, e então franziu o cenho.
“O que há de errado?” Perguntei.
“Nada está ligado. Não deveríamos estar nos movendo. As engrenagens são desligadas. A âncora ainda está abaixada de acordo com isso. Nada está funcionando – satélite, radio, tudo está desligado.”
Quando Kishan retornou com os outros, Nilima e Sr.Kadam começaram a traçar nosso progresso em um grande mapa da melhor maneira que podiam. Sr.Kadam enviou Ren e Kishan para checar a ancora. Ele me pediu para manter o olho na bússola e dizer as direções mas a bússola girava em círculos. Apontava Leste por alguns segundos e então girava para Sul, então Oeste, e voltava para o Leste novamente. Eventualmente Sr.Kadam pediu para olhar o horizonte ao invés. Não podíamos dirigir o navio, mas eu deveria observar para possíveis obstáculos enquanto ele e Nilima tentavam descobrir o que fazer.
Ren e Kishan retornaram e relataram que ancora realmente tinha ficado em nosso rastro, como uma jangada flutuando atrás do navio. Eles tiveram que puxa-la manualmente. Tentamos usar nossos celulares, mas não havia sinal. Nós cinco passamos uma tarde quieta na casa do leme, falando somente quando era necessário.
Sem falar nada, todos sabiam que havíamos entrado em um outro mundo - um mundo sem as regras e costumes que estávamos acostumados. Um mundo onde dragões dominavam o mar, e tudo que tínhamos para nos proteger eram nossas armas e a pesquisa de Sr.Kadam.
Eu podia sentir a diferença no ar. O calor do verão indiano havia sumido, e o ar estava pesado, molhado e gelado, mais como o ar próximo ao mar em Oregon. Kishan preparou nosso equipamento de mergulho para caso fosse necessário. A temperatura havia caído dos 32ºC para os 15ºC. Ren retirou nossas armas e um agasalho e a Fanindra para mim. Não coloquei o suéter, mas agradeci a ele e deslizei Fanindra pelo meu braço.
Era hora de todos nós nos prepararmos. Ren me ajudou a prender o arco e flecha de ouro sobre minhas costas com uma amarra de tecido feito pela Echarpe Divina. Me ajudou a praticar curvando-se algumas vezes. Ele pediu a Echarpe diminuir ao tamanho de uma fita de cabelo, depois de olhar direcionado ao meu cabelo cortado, ele amarrou seguramente ao redor de meu pulso. O Fruto Dourado estava colocado em um saco e colocado junto com a aljava junto com as flechas. Ren fez para si mesmo um cinto com a Echarpe, criando de tecido coldres para a gada e o tridente. Kishan retornou e Ren entregou um cinto similar com um laço para o chakram. Kishan pendurou o escudo Kamandal em seu pescoço. E parou quieto olhando a janela por um tempo – eu entre meus dois guerreiros. Estávamos prontos para batalha.
Sr.Kadam e Nilima nos chamaram por cima do quimono e nos disseram que estavam desistindo de tentar descobrir onde estávamos. Ren, Kishan e eu balançamos a cabeça em compreensão. Nós três sabíamos que uma vez que começada a caçada, não havia mapas, não havia caminho racional para seguir. Dependíamos da sorte e do destino para nos guiar e nos levar para onde precisávamos ir.
A tarde rapidamente se tornou noite. Estávamos a meio caminho do ponto vermelho novamente. Baseado na velocidade que estávamos nos movendo pelo quimono, Sr.Kadam imaginou que chegaríamos por volta da meia noite. Nós não sentíamos vontade de ir para o deque inferior então nós três – Kishan, Ren e eu- subimos até o topo da casa do leme. Usei a Echarpe para fazer almofadas. Apesar dos meus nervos, do desconforto de Fanindra no meu braço e do arco e flechas nas minhas costas, cai no sono recostada no peitoral de Kishan.
Horas depois Kishan gentilmente me apertou-me para me acordar. Eu pisquei abrindo meus olhos sonolentos para encarar sua longa perna usando jeans esticada em minha frente. Enquanto dormia, me movi usando sua coxa como travesseiro.
Grunhi e esfreguei minha nuca dolorida. “O que foi?”
A mão quente de Kishan começou a massagear meus músculos doloridos. “Não é nada, minha perna estava somente com câimbras.”
Ri e estremeci quando ele tocou em um ponto sensível. “Bem, é provavelmente seguro dizer que eu machuquei mais a mim mesma do que machuquei você.”
“Você provavelmente está certa.”
Olhei para cima e vi a forma silenciosa ficando o mais distante possível. Ele olhava o horizonte, sempre vigilante. “Ren? Por que você não da uma pausa e não deixa a mim ou a Kishan vigiar por um tempo?”
Ren virou sua cabeça para que eu pudesse ver seu perfil. “Estou bem. Vá dormir Kells.”
Quando ele se virou, olhei para ele confusa. “Ei, vocês já não são homens por mais de doze horas agora?”
Ren concordou brevemente e Kishan disse. “Para mim, foram quatorze horas. Estamos na zona não-precisamos-ser-um-tigre, pelo o que parece.”
Me sentei mais ereta. “Estou com fome. Que horas são?”
Ren respondeu, “cerca de 23:45. Eu poderia comer alguma coisa também.”
Kishan levantou e se espreguiçou. “Ficarei de vigia. Você come alguma coisa com Kelsey.”
Ren hesitou mas afastou-se e se sentou a cerca de um metro e meio longe de mim.
“O que gostaria?” Perguntei a ele gentilmente.
Ele deu de ombros. “Não faz diferença. Você escolhe.”
Desejei por um pouco de pipoca e garrafas geladas de cerveja. Dei uma tigela gigante a Kishan , que beijou o topo da minha cabeça e se virou para vigiar o negro oceano novamente. Depois disso, servi a mim mesma e comecei a comer o quente lanche amanteigado de minha tigela. Olhei para Ren, que estava encarando duramente sua pipoca. “Tem algo errado?” Perguntei.
“Não. Está gostoso. Só parece....diferente.”
“O que quer dizer? Você já havia comido pipoca antes.”
“É adocicado.”
“Ah. É pipoca doce. Você costumava comer o tempo todo em Oregon.”
Ele pegou uma pipoca estourada e a estudou. Ele murmurou baixinho para si. “Um vestido azul. Você derrubou a tigela.”
“O que você disse?” Perguntei.
“Ahm?” Ele olhou para cima subitamente. “Ah. Nada. Está gostoso.”
Comemos quietamente. Virei minha garrafa de cerveja e olhei para o céu. “Olhe para aquilo.” Apontei. “O céu está tão brilhante.”
Ren afastou sua tigela vazia e sua cerveja e deitou de costas nas almofadas com suas mãos atrás da cabeça. “Você está certa. Está muito brilhante. Mais do que o usual. Você vê essa constelação aqui?”
“Aquela a direita?”
“Não.”
Ele escorregou para mais próximo para que sua cabeça estivesse descansando próxima a da minha e gentilmente pegou meu pulso. Ele moveu meu braço até que o meu dedo estivesse apontando para uma brilhante estrela. Meu coração batia forte, e meu rosto corou. Um leve aroma de sândalo misturado com mar vinha de seu cabelo, que fazia cócegas em minha bochecha. Ele moveu meu braço para traçar um caminho de estrela a estrela. “Consegue ver agora?”
Tomei um ar. “Sim. É como uma serpente.”
Ele concordou e largou meu pulso. Se afastando, ele colocou seus braços atrás da cabeça novamente. “É chamada de Draco. De dragões.”
“Faz sentido.”
“Ele guarda as maçãs de ouro de Hera, dizem os gregos. Outros dizem que este é a serpente que tentou Eva.”
“Hmm. Isso é interessante. O que você acha....Ren! Você viu aquilo?”
“Viu o que?”
“Ali! Olhe a constelação de Draco. Algo está se movendo.”
Ele encarou o céu azul mas nada aconteceu por um momento. Eu estava prestes a sugerir que deveria ter sido minha imaginação quando vi muitas estrelas piscando e apagando. Elas começaram a mudar e se contorcer, se tornando maiores e distorcidas.
Ren se levantou. “Eu vi. Kishan? Proteja Kelsey. Voltarei já.”
Ren despareceu ao lado de baixo da casa do leme enquanto eu instruía a Echarpe Divina a limpar todas as almofadas e ao Fruto Dourado a limpar as tigelas e garrafas. Kishan e eu ficamos em posição de batalha que ele havia me ensinado. Estava pronta para usar meu poder do raio se precisasse. Kishan deixou livre o chakram.
Um vulto negro ondulante fez seu caminho até nós. Distorcia a noite como se o céu fosse lado de baixo de um cobertor e algo estava se movendo
na parte de cima do mesmo. As estrelas inchavam e tremiam quando movidas.
Senti uma mão tocar meu braço. Ren estava a postos de prontidão com o tridente em sua outra mão. Nos virávamos conforme o vulto circulava sobre nos, mantendo-o em nossa linha de visão. De repente o céu pareceu inchar e rasgar, e o vulto negro escorregou pelo rasgo.
Uma cabeça emergiu, seguido por um sinuoso e longo corpo. Ele mergulhou e girou no ar como uma asa-delta gira. Circulou o barco lentamente, vagaroso, se movendo cada vez mais baixo até que pudéssemos ver o que era- um dragão. Mas não era do tipo de dragão que eu já vira em filmes. Parecia como uma cobra. Não haviam asas, ao invés disso deslizava no ar, como uma cascavel na areia. Ele definitivamente não parecia com o dragão de São Jorge; parecia mais como os dragões chineses que o Sr.Kadam mostrou para nós.
Correntes de ar batiam contra nos, e um silencio espesso tomou conta ao nosso redor como se nossos ouvidos fossem tapados. O mar havia se calado, e sua escuridão refletia a luz das estrelas como se estivéssemos parados no meio do espaço. O dragão se aproximou. Sua barriga era preta , mas sua cabeça era listrada com vermelho, parecia que brilhar com uma luz vermelha que era refletida na água negra a baixo.
Sua cabeça era do tamanho de um fusca. Longos tentáculos vermelho e preto saiam de sua bochecha com barba preta. Enquanto se movia pelo céu, suas quatro patas curtas com garras vasculhavam o ar. Seu corpo se movia acima de nos, e as correntes de ar seguintes moviam o navio como ondas. O dragão voou em torno do navio novamente. Dessa vez foi próximo o suficiente para que todo o seu corpo envolvesse o navio. Escamas do tamanho de pratos de jantar percorriam todo o seu corpo e brilharam a luz das estrelas. Ele se aproximou e parou próximo de nós. Encaramos o dragão enquanto sua cabeça subia e descia no ar, como se flutuasse em uma corrente de ar.
Narinas enormes sopravam ar frio em nós, longos e espessos cílios piscaram e ele nos encarou. Uma íris vermelha com uma pupila preta,
considerando a nós pensativamente. Dei um passo para a frente e olhei dentro de seu olho brilhante. Ele brilhou no meio como se uma estrela tivesse sido capturada ali dentro.
“Um passo para trás Kelsey.” Kishan me alertou suavemente.
Me movi para trás enquanto os dois, Ren e Kishan, deram um passo para frente e posicionaram seu corpo levemente virados para mim, prontos para me defenderem em um ataque. O dragão sacudiu sua cabeça e sua poderosa barba preta balançou e ondulou. Sua grande mandíbula, uma longa língua vermelha rolou para fora enquanto testava o ar e então a enrolou de volta em seu lugar, sua boca cheia de dentes.
O barco subitamente balançou de um lado para o outro. Kishan e Ren se firmaram no chão e me seguraram quando o barco se assentou. Me virei brevemente e vi que o dragão havia descansado seu corpo longo ao redor do iate. Ren e Kishan nunca tiravam seus olhos do dragão. A criatura tremeu delicadamente, e apontou suas longas orelhas pretas para as estrelas e escutou uma mensagem que somente ele podia escutar. Sua mandíbula abriu um pouco quase como se ele estivesse sorrindo para mim, e eu escutei uma voz em minha cabeça ecoando como sinos titilantes “”
Pisquei e olhei para Ren, que sussurrou. “Ele disse, ‘ tigres ferozes, o meu nome é ,o Dragão do Oeste.”
Kishan deu um passo para frente e falou diversas palavras em mandarim. Ren traduziu suavemente, “Ele perguntou se o grande dragão também falava em Inglês.”
Ouvi a voz titilante em minha cabeça novamente, e o dragão abriu sua boca e balançou sua cabeça para cima e para baixo como se ele estivesse rindo.
Sim. Posso falar em sua língua também, embora não seja tão bonita como meu idioma.
O olhou piscou e a agitação em seus cílios fascinada.
Você veio para me pedir um favor. Não foi?
“Sim. Viemos.” Anunciei tremula.
Fale seu favor e eu direi meu preço.
Nos movemos desconfortáveis, Ren perguntou, “Se o preço for alto demais, poderemos negociar?”
Sim. A língua bifurcada rolou para fora para testar o ar próximo de Ren. Ren permaneceu parado no chão e a língua se traiu.
“Ótimo,” Kishan disse. “Nós procuramos pelo colar de pérolas negras de Durga.”
Ah, então vocês precisam visitar meus irmãos. Eu posso mostrar o caminho, em troca - “Em troca de que?” Perguntei hesitante.
O dragão moveu seu corpo enquanto pensava, e o navio balançou para um lado. Caí pesadamente contra Ren, mas ele facilmente me pegou e me endireitou.
O item que vocês precisam encontrar para meus irmãos, está no meu palácio dos céus. Um de vocês deverá me acompanhar até lá e recupera-lo.
Kishan respondeu. “Está bem. Eu irei.”
Mas espere, o dragão disse. Se desejar leva-lo com vocês, vocês terão que me dar algo em troca. Um momento enquanto eu considero... Ah sim. Uma de minhas estrelas tem esmaecido. Vocês devem repara-la.
“Você quer reparemos uma estrela? Como faremos isso?” Perguntei.
Como é algo que vocês deverão decidir.
“Ok. Então como chegaremos lá em cima?”
Dessa vez a cabeça se virou, sua língua desenrolou para testar o ar próximo a mim.
Você é corajosa jovem?
Ren murmurou baixo. “Ela é a mulher mais corajosa que conheço.”
Virei-me para encara-lo, mas ele ainda estava olhando para o dragão. A grande besta fez um som em nossas mentes, o equivalente a um grunhido de dragão, eu supunha.
Se vocês três tiverem coragem, vocês poderão montar ate as estrelas em minhas costas.
Balancei a cabeça e dei vários passos antes que os dois, Ren e Kishan, colocaram seus braços para me parar. Kishan disse “Nós iremos, Kelsey. Você fica aqui.”
“Vocês sabem que irão precisar de mim. Terei vocês dois comigo. Ficará tudo bem.”
Me aproximei do olho do dragão e curvei minha cabeça com respeito. “ podemos subir em suas costas?”
O dragão abriu sua boca e sua risada soou titilando. Tão educada. Sim, minha querida. Você e seus tigres podem subir em minhas costas. Mas devo avisa-la agora. Se você cair, não irei pega-la. Esteja certa de que está segura. Você talvez queira segurar nos pontos atrás de minha cabeça se desejar.
Quando o dragão vermelho abaixou sua cabeça, dei um passo para frente e toquei no pico preto-avermelhado que estava escondido nos grossos cachos cabeludos, saídos da cabeça e das bochechas do dragão. O pico parecia mais com um chifre. Havia dois deles salientes na parte de trás da sua cabeça. Eles eram macios e arredondados nas pontas e cobertos com uma preta aveludado que me lembrava nos novos chifres que crescem em um cervo jovem.
Ren deu um passo a frente e subiu nas costas do dragão. Kishan se sentou atrás, mas deixando espaço o suficiente para colocar-me entre os dois.
Ren examinou os chifres até achar um bom lugar para segurar. Com um movimento brusco, o dragão levantou sua cabeça e corpo do navio. Nós subimos por centenas de quilômetros em poucos segundos e então caímos em direção ao oceano tão rápido quanto subimos. Olhei para meus braços tão apertados o quanto possível na cintura de Ren com minhas bochechas
apertadas em suas costas, mas ainda sentia meu peso levantando no ar enquanto caíamos.
Tive uma epifania durante nossa queda e mentalmente pedi para a Echarpe Divina amarrar nossos corpos no dragão. Não conseguia escutar os sussurros do tecido sobre os ruídos do vento, mas senti o tecido circular minha cintura e me pressionar para baixo pelas minhas coxas, me amarrando no dragão. Foi bem a tempo, porque depois que o dragão libertou seu corpo do navio, ele mergulhou e rodou no ar numa velocidade assustadora.
Meu estomago embrulhou conforme subíamos para o céu, então fomos virados de cabeça para baixo e permanecemos assim por vários momentos antes de voltarmos a giramos em uma espiral em queda-livre. Era como andar em uma assustadora montanha-russa, e a única coisa me mantendo segura da morte era o aperto forte dos homens me segurando e os fios da Echarpe Divina.
O ar se tornou gélido conforme mais alto íamos, e logo não pude dizer onde estávamos. Minha respiração congelava e pairava no ar. Me pressionei em Ren para ficar mais próxima, grata pelo calor de ambos os tigres. O oceano estava são preto e limpo que se parecia com o céu. Estávamos andando nos ventos do universo, de volta a dragões, rodeados de estelas brilhantes.
Subimos mais alto, as manobras giratórias do dragão se abrandaram, e ele virado para cima enquanto ia para frente e para trás através do espaço. Parecia como uma gigante anaconda traçando seu caminho preguiçoso através de um rio preto. Comecei a tremer e minha respiração se tornou mais rasa. Kishan chegou mais perto e pressionou sua bochecha quente na minha. Porque estávamos nos movendo mais lentamente agora, ele se soltou e fez movimentos para cima e para abaixo com suas mãos em meus braços nus.
“Gostaria que eu tivesse trago aquele suéter.”
Uma risada titilante percorreu minha mente.
As estrelas são brilhantes, mas frias. Enquanto eu estiver com você, você não irá congelar. Olhe ali. Este é o meu palácio, a voz soou orgulhosa.
Olhei para cima e vi o que o dragão vermelho estava caminhando para um aglomerado de estrelas brilhantes. Ele avançou rapidamente, aumentando a velocidade e Kishan se inclinou novamente, agarrando a cintura de Ren e me esmagando contra eles. A cabeça do dragão inclinou para cima, e eu escorreguei de volta para o peito de Kishan quando o dragão voou em linha reta no ar. A Echarpe Divina apertava contra nós ameaçando se rasgar. Os braços de Ren ficaram tensos enquanto ele segurava o peso de nós três, senti as pernas de Kishan apertarem o dragão entre suas coxas. Não podia fazer mais nada a não ser me recostar no peito de Kishan e esperar que os dois tivessem força o suficiente para nos impedir de cair. Ren se inclinou para a frente pesadamente, ofegante. Ele provavelmente estava se sentindo mal por causa de minha proximidade. Ele olhou rapidamente para mim por cima de seu ombro. Seu rosto estava pálido e gelado. Seus braços escorregadios com suor, se sacudia com tremores.
Senti uma espécie de ausência de peso. Deve ser assim a gravidade zero, pensei. Meu cabelo começou a subir, e meus braços estavam leves, como se a flutuabilidade do oceano estivesse segurando meu corpo de afundar. Fiquei muito atenta aos movimentos do dragão, podia sentir seus músculos lisos rolarem abaixo de nós. Sua cauda parecia estar impulsionando para frente agora. Ele ia para frente e para trás como um tubarão e balançava o corpo de seu corpo de um lado para o outro.
O aglomerado de estrelas estava muito mais próximo e brilhante agora, mais brilhante que qualquer coisa que eu já havia visto. Irradiava energia e pulsava suavemente como um farol. Quando nos aproximamos minha boca se abriu de admiração. O palácio do dragão parecia como uma mansão de diamantes pendurada no céu. Ele reluzia e refletia a luz de várias facetas. Quando o dragão se aproximou, a porta abriu para um grande um cômodo grande o suficiente para caber dois aviões. O dragão deslizou através do claro piso de diamante a baixo de sua barriga, circulando de volta para que seu corpo sinuoso se dobrasse no meio e veio a parar.
Atendendo ao pedido sussurrado de Kishan, a Echarpe Divina desfez nossas amarras e nós pulamos da fera. Escorreguei para os braços de Kishan, e então ele se virou para Ren, que cambaleou para fora do dragão e se
curvou, segurando o braço de Kishan como suporte. Me movi diversos passos para longe, e depois de um momento, Ren assentiu para Kishan e se levantou.
O dragão estremeceu, e seu corpo começou a ter convulsões. Ele começou a encolher, sua forma diminuir e se retorcer. Então com um piscar de olhos, ele desapareceu, e homem apareceu em seu lugar. Ele era negro e bonito com olhos e robes vermelhos. Seus dentes brancos eram brilhantes em contraste com sua pele. Ele se curvou brevemente.
“Sejam bem vindos ao meu palácio celestial. Talvez você estejam interessados em alguns jogos? Refrescos?”
Kishan balançou a cabeça. “Gostaríamos de conseguir pelo o que viemos.”
“Ah sim. Perdoem me. Faz tanto tempo que eu não tenho visitantes.” O homem dragão sorriu mostrando os dentes. “Vamos. Irei mostrar o item que vocês irão precisar.”
Ele nos guiou pela sua mansão de diamantes. Tudo brilhava e refletia a nossas imagens. Senti como se estivesse em uma sala de espelhos. Eu rapidamente teria ficado perdida se não fosse nosso guia. Ele nos guiou até um pedestal, e no topo dela descansava um objeto de diamante. Olhei para luz, tentando reconhecer a forma.
Kishan ergue-o em suas mãos e disse, “Um sextante.”
Me aproximando para inspecionar o pesado aparato, eu vi um brilhante telescópio montado em uma moldura torta em cunha de diamante. Números foram gravados ao longo da borda do arco. As partes que normalmente seriam feitas de vidro e metal eram feitas de pedra preciosa polidas de valor inestimável, no lugar.
“Sim, um sextante.” Disse o dragão vermelho. “Irá guia-lo até meu irmão. Agora, o preço que concordamos.”
Ele nos guiou para uma porta aberta até um balcão- e além disso, o espaço. Ele apontou para um par de estrelas. Uma está fosca e a outra brilhante. “Vocês concordaram em consertar minha estrela.”
Nós quatro encaramos a estrela por um tempo, e o dragão foi para dentro enquanto nós quietamente atormentávamos nossos cérebros pensando em como consertar uma estrela. Tentei usar meu poder de raio, mas ele não cruzava a distancia. Kishan queria jogar o chakram, mas eu estava horrorizada em perdê-lo no espaço. Não tendo outras ideias, Kishan despareceu para dentro para conversar com o dragão sobre outras opções e rapidamente retornou.
“ concordou em jogar um jogo de xadrez com um de nós no lugar. Se ganharmos, levamos o sextante. Se perdemos , um de nós deverá ficar para trás.”
“Isso não é bom.” Disse. “Eu sou terrível no xadrez.”
Ren e Kishan se encararam mutuamente por um segundo, e então Ren disse, “Você é o melhor jogador. Kadam só ganha de você algumas vezes.”
Kishan concordou e desapareceu lá para dentro. Ren e eu o seguimos e assistimos ao jogo. O dragão pegou as peças de diamante pretos enquanto Kishan ficou com as claras. Kishan começou. Depois de diversos movimentos, eu comecei a temer que Kishan fosse perder. O dragão se sentou sorrindo e esperou pacientemente para o próximo passo de Kishan. Entrei em pânico e dei uma cotovelada em Ren.
Ele me seguiu ara fora, e eu disse a ele que gostaria de tentar mais uma coisa. Pedi por seu tridente, ele me entregou e pedi para a Echarpe Divina fazer centenas de metros de corda dura e que amarrasse o final no balcão. E também pedi para tecer a extremidade firmemente ao redor do tridente. Em seguida entreguei o tridente a Ren.
Ele olhou para mim confuso. “O que você quer que eu faça com isso?”
“Você acha que isso irá tão longe?”
“Esperava que a dinâmica do espaço pudesse ajudar a carrega-lo. A Echarpe pode criar mais corda enquanto o tridente viaja e se ele se perder, podemos puxar de volta. Eu faria eu mesma, mas você tem mais poder no seu braço.
Ren concordou e deu um passo para trás. Mirando cuidadosamente, ele atirou o tridente no espaço como uma gigante flecha. Rapidamente se tornou óbvio de que ele havia errado.
Pedi a Echarpe Divina para puxar o tridente e a corda de volta, ele logo estava pronto para tentar novamente. Ouvi o dragão gritar “Xeque” animado do outro cômodo e sabíamos que estávamos ficando sem tempo.
“Mire mais alto dessa vez. A luz da estrela está refletindo do lado de fora do palácio. Talvez esteja jogando fora sua mira.”
Dessa vez sua mira foi boa, e quando o tridente foi atirado com um ressonar, ele continuou em direção reta à estrela. Foi acertada com um distante boom. Agora vinha a parte difícil. Peguei a corda de seda da Echarpe Divina e pedi para retroceder enquanto Ren e eu puxávamos. Ficamos tensos por um minuto, e então gratos por sentir a corda retornar.
Puxamos até que a estrela se soltou e rapidamente começou a gravitar até o palácio. Quando estava próxima, Ren subiu no balcão e se apoiou contra a parede para pegá-la.
Eu sabia que tudo que acabou de acontecer era fisicamente impossível. Primeiro de tudo, estrelas não se move, e mesmo que fizessem, elas teriam queimado tudo que chegasse perto. Decidi que seria melhor se não tentasse encontrar sentido no que acabara de acontecer.
Ren arrancou o tridente da estrela mandou a Echarpe Divina retrair toda a corda, e então se virou para mim. “E agora?”
“Agora usamos fogo.”
Levantei minha mão em direção a estrela enquanto uma sensação familiar de larva derretida queimava em meu interior e disparou em meu braço. Minha mão brilhou e minha luz branca atirou na estrela. Bombeei
toda minha energia nisso e embora a estrela tenha ficado brilhante, ela logo esmaeceu novamente.
Ren deu um passo para frente. “O que há de errado?”
“Eu não sei.”
“Tente novamente.”
Levantei minha mão e uma luz branca explodiu de minha mão outra vez, fazendo a estrela brilhar. Fiquei lá por muitos minutos mas rapidamente me senti exausta. Minha energia abrandava. Ren colocou sua mão para me parar, e durante esse breve toque, uma luz feroz , quente e dourada foi atirada de minha mão. A estrela brilhou triplamente. Parei e olhei para Ren.
“Fique atrás de mim e toque meus braços.”
Ele me olhou por um breve momento, mas eu abaixei meu olhar e me foquei a frente. Estava ciente de como ele lentamente se moveu para trás de mim. Levantei minha mão e atirei novamente. A luz branca surgiu novamente. Ren pressionou sua bochecha contra a minha e deslizou suas mãos pelo meu braço. Queimava. Ele entrelaçou meus dedos com os seus e a luz se tornou ouro e então branca novamente. Ardia com uma intensidade de dez vezes mais feroz que havia sido antes. A estrela pulsou, e então expandiu e brilhou com seu núcleo em ouro que se tornou um branco quente.
Mantive o fogo por vários minutos. Ren começou a tremer com o esforço. Seus dedos estavam apertados e seus braços tremiam. Senti que estava queimando junto com ele. Meus membros tremiam e era tudo que eu podia fazer para permanecer em pé. Escutei ele grunhir de dor. O calor que vinha de nossos membros entrelaçados era terrível e brilhante.
Logo eu ao conseguia ficar de pé mais. Cai sobre o peito de Ren e o fogo morreu. Meu sangue pulsava em meu corpo ao mesmo tempo que a estrela pulsava, acelerado em meus braços onde a pele de Ren havia tocado a minha. Apesar da agonia que tinha certeza que ele estava sentindo, ele me segurou gentilmente e então me levou ate uma parede. Nós descansamos contra ela por alguns momentos.
Ren se moveu muitos metros e se curvou, segurando o estomago e sentindo dor. A pele de sua bochecha onde ele havia pressionando na minha e o interior de seus braços estava brilhando com a mesma cor de ouro da estrela. Surpresa, olhei para meus próprios braços e os encontrei brilhando da mesma forma. Levantei um braço cansado e observei o brilho desaparecer lentamente e então sumir totalmente.
Levantando minha cabeça da parede, olhei Ren, apesar de mal conseguir manter meus olhos abertos. Ele subiu no parapeito do balcão, preparou seus pés e pressionou suas palmas contra a estrela pulsante.Com uma força de Hércules, ele lançou a estrela de volta ao espaço. Eventualmente ela se reposicionou sozinha em seu lugar.
Ren desceu e caiu em uma posição sentada contra a amurada. Ele inclinou sua cabeça para trás e fechou seus olhos. Fechei os meus também, e nós dois ficamos sentados lá por vários minutos, exaustos. Uma voz sussurrou meu nome. Eu conhecia aquela voz. Tinha escutado-a em meus sonhos. Mantive meus olhos bem fechados. Se os abrisse, ele teria ido.
“Kelsey.”
Eu balancei minha cabeça em negação silenciosa e gemi suavemente.
“Kelsey.”
Me contorci inconfortável e percebi que estava sentada. Porque eu dormiria sentada? Ele me chamou novamente.
“Kelsey.”
Pisquei , abri meus olhos e encarei o palácio de diamantes confusa. “Onde você está?”
“Por aqui.”
Vi Ren ainda sentado no mesmo lugar, sua cabeça contra a amurada e suas longas pernas estendidas a sua frente, seus pés cruzando os tornozelos.
Seus olhos olharam para mim e eu corei, relembrando de seus dedos cruzados com o meu. Seu olhar era quente, abafado e tangível.
“Você está bem?” ele perguntou.
Minha garganta se fechou, minha língua pareceu espessa. Umedeci meus lábios para que eu pudesse falar e vi seus olhos se apertaram. Puxei um ar e simplesmente balancei a cabeça.
“Bom.” Ele sorriu, e então fechou os olhos, e nesse momento escutei ,gritar “Xeque-mate!”
Um Kishan cabisbaixo apareceu na varanda, seguido de um dragão radiante. juntou suas mãos e disse, “Agora. Qual de vocês gostaria de ficar em minha compania aqui entre as estrelas.”
Kishan imediatamente se ajoelhou ao meu lado e tirou uma mecha de cabelo de meu rosto. “Você está bem? O que aconteceu?”
Balancei fracamente a cabeça e apontei para Ren que estava sentado no chão, sua cabeça apoiada nas mãos.Kishan conversou baixo com Ren e retornou a mim.Ele sentou ao meu lado e puxou meu corpo para seus braços. Me aconcheguei em seu peito, mas quando abri meus olhos, os olhos azuis de Ren capturaram os meus novamente. Senti como se estivesse encarando um reflexo brilhante de uma piscina.Na superfície a água era calma, mas senti que se pudesse olhar as águas mais profundas, eu iria encontrar a agitação da água, turva, cheia de pensamentos e memórias que eu não conseguia acessar. Eu não podia ver através da superfície de seus olhos. Não podia puxar o homem que eu conhecia das profundezas de sua mente. Ele estava escondido de mim.
O dragão riu. “Nenhum de vocês irá escolher?Otimo.Irei escolher eu mesmo.”
Olhei para cima. “Você não pode escolher.Nós consertamos a sua estrela.”
“Zemme?” o dragão perguntou incredulamete.
“Olhe você mesmo.”
Ele andou até a balcada e olhou para o céu. “Como vocês fizeram isso?”
“Como você apontou mais cedo, nosso trabalho era descobrir como, não explicar a você.”
O dragão franziu o cenho e esfregou o rosto. “Ainda sim.. um jogo foi perdido. Eu devo ter algum tipo de compensação como vencedor.
Grunhi e me levantei.Kishan se levantou rapidamente para me ajudar. “Você ficaria satisfeito com isso?”
Coloquei minhas mãos nos ombros do dragão e beijei rapidamente sua bochecha. Parecia muito quente e couriácea.Ele pressionou sua mão contra a bochecha chocado. “O que é isso?”
“Um beijo.”Ren disse enquanto se levantada silenciosamente ao nosso lado. “Homens são conhecidos por brigarem por isso.”
Baixei meus olhos e senti Kishan pegar minha mão e aperta-la. Os olhos do dragão brilharam. “Um beijo.Sim.Estou satisfeito.Vocês podem pegar o sextante e partir.”
Ele se virou para sair e eu disse. “?Você poderia considerar nos dar uma carona de volta para nosso barco?”
O dragão parou para pensar em sua resposta. “Sim.Se você me der outro...beijo. Mas dessa vez em minha verdadeira forma.”
Concordei e seguimos o dragão de volta a sua casa de diamantes.Kishan pegou o sextante e nós pedimos a Echarpe Divina para fazer uma bolsa para carregá-lo.
Quando o amarrou em suas costas, o advertiu. “Você só poderá usa-lo enquanto estiver em meu reino, e somente para achar meu irmão. Uma vez que deixar nossos oceanos, irá retornar para mim.”
Kishan ajustou o peso e se curvou brevemente. “Nosso obrigado, grande dragão.”
Seu corpo tremeu e irrompeu em uma explosão de carne escamosa que rapidamente encheu a sala. Conforme Ren se aproximou do dragão,
coloquei minhas mãos em seu braço e rapidamente as deixei cair. Ele se virou para mim.
“Você ficará bem?” Perguntei. “Precisa descansar mais?”
Ele respirou profundamente e exalou lentamente. “Estarei bem. Só se certifique que as cordas estejam apertadas.”
Concordei, Ren e Kishan subiram nas costas do dragão enquanto eu me aproximei de sua cabeça avermelhada e pressionei um beijo quente em sua bochecha barbuda.
Enquanto o dragão sacudia sua poderosa cabeça, ouvi uma tilintar risada em minha mente.
Que presente agradável. Suba rapidamente, minha querida. As estrelas estão diminuindo.
Kishan me puxou e no instante em que ordenamos que a Echarpe Divina criasse cordas para amarrar ao redor de nossas pernas e nos segurar, o dragão gentilmente deixou o chão de seu palácio celestial e se derramou no espaço como uma azarada pedra em uma cachoeira.

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