“Se achei que subir no nas costas do dragão era ruim, descer era muito pior. despencou centenas de metros direto para baixo, e então girou e teceu o céu como uma grande cobra. Os braços de Kishan travaram ao meu redor me segurando firme. Caí nas costas de Ren e fechei os olhos enquanto tentava desesperadamente tentava não vomitar. Dei um suspiro de alívio quando finalmente chegamos na água.
Quando o dragão vermelho chegou ao mar, ele não submergiu mas deslizou a cima dele. O oceano ainda estava calmo, felizmente, e o dragão correu rapidamente pela água. Quando chegamos no barco, Lógjun elevou sua parte superior para o alto da casa do leme para nos deixar impacientemente, sacudindo sua cabeça para nos motivar a desembarcar o mais rápido possível.
Kishan e Ren desembarcaram rapidamente, mas eu não fui rápida o bastante, então o dragão deu uma sacudida final em seu corpo que me atirou no ar. Eu fui erguida, gritando em acompanhamento da risada tilintante. Somente comecei a cair ao lado da casa do leme, quando Ren e Kishan se inclinaram para pegar um braço. Eu fui sem a menor cerimônia puxada e lançada com um baque no deque entre os irmãos.
Depois de tomar fôlego novamente, disse. “Obrigado...eu acho.” E me virei para olhar ao longo da borda com os garotos. Eles estavam assistindo o dragão se retirar. Ele saltou do outro lado da água , retraiu seu corpo e se atirou no ar. Conforme ele subiu mais alto, nos três assistimos seu voo para as estrelas e desaparecer. Num piscar de olhos, ele havia ido.
Com um baque pesado, Ren pegou o sextante com Kishan e desapareceu ao lado da casa do leme , presumivelmente para conferir com o Sr.Kadam.
Kishan rolou para mim e tirou o cabelo de meu rosto. “Você está bem?” Ele perguntou. “Está machucada em algum lugar?”
Eu ri e então gemi. “Estou ferida em apenas todo lugar, e poderia dormir por cerca de uma semana.”
Kishan se levantou sobre um cotovelo. “Vamos lá então. Vamos te levar para a cama.”
Ele me ajudou a descer a escada da casa do leme e brevemente colocou sua cabeça para dentro. “Estou colocando Kelsey na cama.”
Sr.Kadam concordou e o dispensou com um aceno, já estando absorvido com seu novo brinquedo, mas Ren me olhou e me estudou brevemente antes de se inclinar para olhar algo que o Sr.Kadam estava mostrando para ele. Kishan andou comigo até meu quarto, tirou meus equipamentos e sapatos e perguntou, “Roupas ou pijamas?”
“Isso depende.”
“De que?”
“Se você está planejando ficar para ajudar.”
Ele riu e coçou o queixo. “Essa é uma pergunta intrigante. O que você gostaria que eu fizesse?”
O soquei em seu peito. “Porque você não espera aqui enquanto eu me troco no banheiro?”
Seu rosto pareceu desapontado, e eu não pude evitar de rir.
Troquei em meus pijamas com meus olhos fechados porque estava muito cansada, lavei meu rosto, escovei meus dentes e tateei meu caminho de volta para a cama. Minha mão bateu no peito largo de Kishan e fui rapidamente colocando meus pés entre os lençóis gelados. Kishan ascendeu a luz na configuração mais baixa e se ajoelhou ao lado da cama. Minha cabeça cansada imediatamente afundou no travesseiro. Eu me mexi um pouco e choraminguei.
“Onde dói Kells?”
“Meu cotovelo.”
Ele examinou meu cotovelo machucado e pressionou um beijo suave. “Mais algum lugar?”
“Meu joelho.”
Ele tirou o lençol e deslizou meu pijama de seda para acima do meu joelho. “Você o esfolou mas eu acho que irá se curar.” Seus lábios tocaram meu joelho enquanto ele beijou docemente . “Próximo?”
Sonolenta apontei para minha bochecha. Ele puxou meu cabelo para trás e me beijou uma dúzia de vezes em minha testa e bochechas. Seus lábios trilharam até minha orelha enquanto ele acariciava meus cabelos. Ele sussurrou. “Eu te amo Kelsey.”
Eu estava prestes a responder ele quando caí no sono.
Dormi por um longo, longo tempo. Kishan havia ido quando acordei. A água quente do chuveiro machucava quando batia e esbarrava em minha pele machucada. Eu brevemente me perguntei por que não estava curando tão rápido aqui como me curei nos outros reinos. Suspeitei que ligar a estrela
me drenara tão completamente que era difícil para meu corpo se recuperar. Fiz uma nota mental de perguntar ao Sr.Kadam sobre isso mais tarde.
Faminta, entrei na casa do leme, e pedi gentilmente a Nilima para preparar o café da manha, mesmo que já houvesse passado do horário de jantar. Bebi meu suco de maçã e carreguei meu prato até a mesa onde todos estavam trabalhando. Os garotos pareciam bem descansados, mas o Sr.Kadam não.
Pedi ao Fruto Dourado para fazer um copo chá de flor de laranjeira, o preferido favorito do Sr.Kadam , antes de me sentar em uma cadeira e comer minha rabanada recheada de creamcheese com morango. Ele piscou para mim grato antes de beber da xícara e esticar suas pernas.
Acusei. “Você tem trabalhado toda noite, ahm, dia, não tem?”
Sr.Kadam concordou e pegou seu chá.
“Você ao menos comeu?”
Ele deu de ombros, então pedi ao Fruto Dourado para fazer um quente bolinho de mirtilos manteiga e mel para acompanhar o chá. Ele sorriu para mim apreciando e tomou um assento ao meu lado. Ren e Kishan se moveram mais próximo para a cartilha que estavam examinando, unindo as cabeças e grunhindo entre si. Sorri e me virei para Sr.Kadam.
“Então o que descobriu? Estamos nos movimentando novamente, não estamos?”
“Sim.”
“Como isso é possível? Estamos nos movendo sob nosso próprio poder?”
“O satélite e alguns de nossos instrumentos ainda não estão funcionando, mas o motor voltou a funcionar, apesar de que isso não ajuda muito se não sabemos onde estamos. É ai que isso entra em cena.”
Ele estendeu a mão e me entregou um pequeno livro da mesa. Folheei as páginas e vi colunas de escritas chinesas. “O que é isso?”
“É, na falta de um termo melhor, um almanaque dragão.”
“Onde conseguiu?”
“Achei em um compartimento secreto abaixo do sextante. Estive traduzindo-o.”
Kishan moveu até ao timão e fez alguns ajustes.
“Agora nós sabemos a latitude e longitude do próximo dragão. É incomum sextante me permite traçar o nosso curso. Tudo que eu tenho que fazer é olhar através do ocular e achar a estrela para o próximo dragão. O nosso próximo amigo escamoso é o azul. Uma vez que a estrela esteja em vista, o sextante vibra e clica, quase como uma bússola. Ele se transforma e dá a latitude e longitude. E também diz quantas horas irá levar para chegarmos, dependendo de nossa velocidade.”
“E qual o uso almanaque?”
“O almanaque nos diz onde encontrar a estrela.”
“Entendo. Então quando você espera que cheguemos ao lar do dragão azul?”
“Na nossa atual velocidade e se o tempo permitir...por volta das 8:00.”
Sr.Kadam pegou um caderno e uma caneta, e nós passamos uma hora falando sobre o dragão vermelho e seu palácio de diamantes. Ele já havia pego os detalhes com Ren e Kishan, mas ele queria a minha versão também. Ele me perguntou uma dúzia de questões , incluindo uma pergunta estranha sobre a luz dourada que usei para reacender a estrela. Hesitei e disse. “Ren não lhe contou?”
“Ele apenas me disse sobre puxar a estrela para mais próximo usando o tridente e a Echarpe. E disse que estava por sua conta me contar o resto.”
“Ah.”
Mordi meu lábio inferior e me virei para ver Ren havia levantado sua cabeça. Ele olhou para mim com uma expressão insondável, e então se curvou para olhar a cartilha novamente, mas eu podia dizer que ele ainda
estava escutando a conversa. Kishan terminou o que quer que ele estivesse fazendo no timão , furtivamente passou o braço por trás de meus ombros e beijou o topo de minha cabeça.
Limpei minha garganta. “Eu uhm.... devo ter batido num tubo profundo de lava ou algo assim. Não sei de onde veio a luz dourada. Talvez seja por estar nesse reino.” Menti.
Sr.Kadam balançou a cabeça e escreveu algumas notas no bloco. Kishan apertou meus ombros e começou a massagea-lo. Arrisquei uma espiada em Ren, mas ele silenciosamente desaparecera. Suspirei com culpa. Não tinha certeza de porque sentia que precisava deixar o que aconteceu com Ren e eu em segredo. Eu sabia que provavelmente iria machucar Kishan, mas essa não era razão pela qual eu não compartilhei. Eu só não pude contar. A experiência foi muito...intima entre nós dois, e parecia errado falar sobre isso.
Kishan, Sr.Kadam e eu passamos várias horas juntos na casa do leme enquanto uma Nilima cansada cochilava. Eles me mostraram o que descobriram enquanto eu dormia. Sr.Kadam começou me ensinando os instrumentos fundamentais do barco, mas podia ver que ele estava exausto. Kishan notou meu olhar de preocupação e disse ao Sr.Kadam que ele assumiria e terminaria de me instruir. Após algumas negações e protestos, nós finalmente convencemos ele a tirar uma longa soneca. Dissemos a ele que nós iríamos acorda-lo se algo desse errado.
Kishan passou as próximas horas me ensinando pacientemente como o navio funcionava. Ele não tinha tanta experiência quanto o Sr.Kadam ou Nilima, mas ele parecia que aprendera rápido. Para passar o tempo, nós jogamos alguns jogos como ludo e compartilhamos outra refeição. Enquanto ele brincava de capitão, eu escrevia em meu diário e li por um tempo.
Durante a pausa, me juntei a Kishan no timão. Ele estava quieto enquanto estudava as águas. Dei-lhe uma batidinha com o meu quadril. “Um centavo por seus pensamentos.”
Kishan se virou e sorriu, e então me colocou para que eu ficasse na frente dele. Ele passou seus braços ao redor da minha cintura e descansou
seu queixo no topo da minha cabeça. “Não estou pensando em nada demais, exceto de que estou contente. Pela primeira vez em...séculos, eu me sinto feliz.”
Eu ri. “Então você tem uma coisa por com lutas com demônios e monstros?”
“Não. Eu tenho uma coisa por você. Você me faz feliz.”
“Ah.” Eu girei em seus braços para olhar para ele. “Você me faz feliz também.”
Ele sorriu e trilhou seus dedos pela minha bochecha. Seus olhos se direcionaram para meus lábios e ele se aproximou. Eu achei que ele fosse beijar minha boca, mas ele pareceu mudar de ideia no último segundo e beijou minha bochecha no lugar. Ele trilhou beijos até minha orelha e sussurrou. “Logo.” Kishan me segurou perto e eu pressionei meu rosto contra seu peito e me perguntei porque ele havia parado.
Talvez tenha sido algo que eu tenha feito. Estava bem certa de que queria que ele me beijasse e não iria chorar naquela hora. Eu me preocupava com ele. Não...eu o amava. Queria o fazer feliz. Mordi meus lábios. Talvez ele saiba que eu mentira sobre Ren. Talvez ele tenha notado de que estávamos agindo estranho. Não. Ele teria dito alguma coisa, não teria?
Sufoquei com a culpa quando nos separamos e andei até o quimono para olha-lo. A primeira linha costurada da estrela, a primeira indo do Templo Shore até o Templo estelar estava completo. Virei o tecido para dar uma boa olhada no dragão azul. Pensei que tivesse ouvido um sino tilintante, e que o dragão vermelho havia piscado para mim. Franzi o cenho para ele e dobrei a manga para tira-lo de vista.
O dragão azul estava descansando em nuvens cinzentas e tinha vapor saindo de suas narinas. Tracejei uma nuvem e ouvi um ronco. Uma nuvem tênue rolou entre os meus dedos. Eu a soprei para longe e olhei para cima.
Estamos indo pelo Sul pela noite estrelada. O sol estaria aparecendo em breve. Adiante notei um nevoeiro rolando para fora d’água. As estrelas começaram a desaparecer, capturadas e apagadas pelas nuvens. Debrucei-me
pela porta aberta e senti o vento açoitar meu rosto. O navio bateu em uma onda. Olhei para meu relógio. Sete horas haviam passado.
“Kishan? Acho que é hora de acordar o Sr.Kadam.”
Ele saiu e retornou com um Sr.Kadam sonolento, que se juntou a mim na janela.
“Estou aqui .O que é isso Srta.Kelsey?”
“Acho que o dragão azul é fabricante de um nevoeiro. Podemos navegar através do nevoeiro?”
Sr.Kadam mandou Kishan acordar a Nilima, e então respondeu, “Devemos estar bastante seguros. Não há outros barcos por aqui para bater conosco, e a maioria dos nossos equipamentos parecem estar operando. Embora pela o RSS do nosso satélite não consiga informar, nosso equipamento de radar está funcionando, então se algo vir sobre de uma ilha, seremos alertados. A água é muito quente para icebergs, então não precisamos nos preocupar em acertar um deles. Se vai fazer você se sentir melhor, eu posso pedir a Ren ou Kishan para subir e vigiar. Eles têm uma excelente visão, mesmo na neblina.”
“Não.” Disse com um suspiro. “Não acho que será necessário.”
Sr.Kadam deve ter visto minha expressão de preocupação porque ele procurou me distrair. Conforme ele chegava os instrumentos ele perguntou. “Você sabia que os Vikings usavam uma pedra solar especial para navegar pela neblina, para que pudessem surpreender de melhor maneira seus inimigos?”
Funcionou. Meu lábio se torceu em um sorriso. “Não, eu não sabia disso.”
“O auge dos tempos dos Vikings foi no séc.VIII. Como você já deve saber, eles eram famosos por pilhagem, e a parte do mundo onde eles viviam, eles frequentemente encontravam névoa em seus ataques. Eles a bordo de seus navios, chamados drakkars, invadiam e saqueavam aldeias desde a
Islândia até a Groelândia, Europa até as Ilhas Britânicas e até América do Norte.”
“Como eles usavam a pedra solar?”
“Pedra solar tem uma propriedade incomum. Eles incorporaram pedras birrefringentes que podem polarizar e mostrar a posição do sol. Qualquer Viking que se preze pode navegar com o sol, e a pedras solar funcionaram bem para eles em tudo, menos nas piores tempestades. Pesquisadores acreditam que a pedra do sol era como um membro da família Feldspar, mas existe algum debate sobre isso. Temos outros modos agora de apurar nossa localização, mas ainda sim, acho que deveríamos diminuir nossa velocidade.”
Concordei. Enquanto Kishan e Nilima apareceram, Sr.Kadam enviou Kishan e eu para nossos quartos para dormir. Ele queria que tivéssemos algum descanso antes de encontrarmos nosso próximo dragão. Fui para o meu quarto e rapidamente caí no sono.
Acabou que nosso alívio foi breve. Eu estava dormindo a apenas algumas horas quando acordei sentando na cama. Acordei confusa como se estivesse tendo um pesadelo. Ren estava parado na minha porta, ele olhava para a cama com uma expressão atordoada. Ele rapidamente desviou o olhar e disse com firmeza, “Você é necessária na casa do leme.” Tendo dito isso, ele se virou e me partiu, fechando a porta suavemente atrás dele.
Eu estava apenas imaginando qual era o problema dele, quando senti uma mão esfregar minhas costas. Pulei para fora da cama como se ela estivesse pegando fogo. Um Kishan sem camisa se apoiou em um cotovelo. “Você está bem?”
“Estou...ótima.” gaguejei.
“Porque você pulou daquela maneira?”
“Eu estou...confusa. Normalmente eu só durmo próxima a um tigre.”
“Ah.”
“Hmm...você não está...quer dizer...você está...usando algo de baixo do lençol...certo?
Kishan sorriu e puxou as cobertas. Guinchei e em seguida respirei de alívio. “Você poderia apenas ter respondido a pergunta ao invés de ser dramático.”
“Não seria nem de perto tão divertido. Mas sim, estou vestido.”
“Ahm. Quase.”
Kishan usava um par de shorts. Ren deve ter pensado...realmente não importa o que Ren pensa agora, importa?
“Bem, vá se vestir. Ren disse-”
“Escutei o que Ren disse.” Kishan me abraçou brevemente e beijou minha testa. “Esperarei por você lá fora.”
Em pouco tempo estávamos na casa do leme. Pensei em sobre o que tinha acontecido aquela manha. Mesmo que apenas tecnicamente tenha sido uma soneca, e já havia dormido com ou próxima a Ren ou Kishan como tigres antes, me senti...desconfortável dormindo com Kishan como um homem. Ren nunca havia me pressionado nessa área, de fato, ele foi inflexível sobre nós não estarmos fisicamente.
Assumi que Kishan seria inflexível também, mas apesar das similaridades entre eles, eles eram homens diferentes, eu tinha que me lembrar disso. Eu precisaria falar com ele sobre isso em breve. Me sentiria da mesma maneira se tivesse sido Ren e não Kishan? Mandei meu pensamento para o canto e me recusei a considerar a resposta.
O Deschen estava ancorado em uma densa camada de nuvens. Sr.Kadam puxou para o lado quando entramos na casa do leme.
“A ilha surgiu de lugar nenhum.” Ele disse. “Suponho que o radar não esteja funcionando. A única razão pela qual foi possível parar no navio foi porque Ren estava de vigia.”
Kishan e eu olhamos, para fora da janela, para um gelado nada.
“Como vamos saber o que fazer agora?” Murmurei em voz alta. Ninguém me respondeu – não que eu esperasse que alguém fosse ter uma resposta.
Sr.Kadam parou próximo a nós. “De acordo com as minhas anotações, nós estamos no lugar certo.”
Ren olhou para o céu. “Então onde está o nosso amigo escamoso?”
Ele e Kishan começaram a debater a ideia de pegarem um barco pequeno e se aproximar da ilha quando tive uma ideia. Coloquei minha mão no braço de Sr.Kadam.
“O que foi Srta.Kelsey?”
“Vamos usar os ventos.”
“Os ventos?”
“Quero dizer, a Echarpe. A sacola de Fujin.”
Ele coçou sua barba curta. “Sim. Talvez funcione. Vamos tentar.” Ele abriu um armário e tirou a Echarpe. Ela de laranja para verde em sua mão, mas quando ele passou a Echarpe para mim, ela se tornou um sólido azul cobalto. Corei e escondi a Echarpe Divina em minhas costas, pedi para todos sumirmos no topo da casa do leme para fazer uma tentativa.
Após todos os outros subirem a escada, eu castiguei o a Echarpe. “Você não pode se transformar em vermelho, preto ou algo? Somente ignore meus pensamentos ok? Estou tentando me concentrar , mas é difícil.” A Echarpe mudou de cores, mas teimosamente permaneceu azul cobalto no centro.
Suspirei. “Isso terá que ser bom o suficiente.” Com uma ameaça final a peça de seda, subi a escadaria.
Quando todos se assentaram no topo, eu disse, “Sacola de Funjin, por favor.” A Echarpe mudou em minhas mãos e dobrou-se sobre si mesma, criando longas juntas firmemente unidas nas partes de baixo. “Agora, todos segurem.”
Todos nós pegamos uma seção da ampla abertura e eu gritei, “Echarpe Divina, aprisione os ventos.”
Imediatamente fui acertada no rosto com uma forte rajada de vento no rosto, que jogou meu cabelo para trás e batia tão ferozmente que ricocheteava na minha nuca. A sacola rapidamente encheu e se expandiu. Os ventos resistiam por dentro enquanto a sacola crescia como um balão de ar quente. Meus braços doíam. Até Ren e Kishan estavam fazendo esforço.
Finalmente eu segurei uma sacola muito cheia e não podia sentir nem mesmo o menor vestígio de brisa em nossos rostos.
“Se preparem.” Gritei. “Apontem para a ilha.”
Deixei Kishan e Ren assumirem a mira porque eles podiam ver a ilha e o resto de nós não.
Kishan gritou sobre o barulho da sacola. “Um! Dois! Três!”
Abrimos a sacola e seguramos pelas nossas preciosas vidas. Ela balançou e uivou enquanto o vento gritante passava pela a abertura como um ciclone. O nível do barulho era incrível. Era pior que paraquedismo, pior do que galopar nas costas de um dragão. Era concentrado, esmurrando cada terminação nervosa, e batendo em meus tímpanos. Ren e Kishan ficaram vesgos. Se o som era ruim meus ouvidos, imaginei que deveria ser bem pior para os tigres. Quando o nevoeiro ventou para longe de nós, nos viramos como uma unidade para conduzir as névoas e vapores para longe da ilha o máximo possível.
Quando a sacola havia se esvaziado completamente, o nevoeiro havia sido levado para longe o suficiente de forma que era apenas uma vaga neblina no horizonte. Passei meus dedos pelo cabelo e transformei a Echarpe em sua aparência normal. Kishan olhou por cima da minha cabeça , colocou as mãos em meus ombros e me virou para olhar a ilha. Na realidade era mais saliência rochosa do que uma ilha. Ela subia para cima para fora das águas e não havia praias. Aparentemente, o único modo de acessar o topo era escalando.
Mordi meus lábios imaginando escalar aquela face curva. Então escutei um ruído – uma lufada profunda rítmica. Dentro...fora. Dentro...fora. Eu sombreei meus olhos e pisquei várias vezes. “É....um-”
Kishan respondeu, “Sim. É um rabo.”
Nosso dragão azul estava enrolado em volta das ruínas do castelo no topo da ilha, roncando. Baforadas de névoa saíam de suas narinas enquanto ele dormia. Ficamos em silencio, encarando o dragão azul dorminhoco.
“O que supostamente devemos fazer?” Perguntei.
Kishan deu de ombros. “Não sei. Devemos acorda-lo?”
“Acho que temos. Caso o contrário, quem sabe por quanto tempo ele vai dormir.”
Gritei para a criatura. “Grande dragão! Por favor acorde!”
Nada aconteceu, Ren berrou. “Acorde dragão!”
Kishan juntou suas mãos e gritou, berrando em uma profunda voz. Ele mudou para um tigre e rosnou tão alto que pressionei minhas mãos em minhas orelhas. Tentamos gritar juntos, tentamos Ren e Kishan juntos rosnarem. Finalmente Sr.Kadam entrou e tocou a sirene de nevoeiro do navio. A explosão de barulho foi alto suficiente para que as rochas caíssem do topo da montanha.
Uma grande voz grave estrondosa ecoou como a sirene de nevoeiro reverberou em nossas cabeças
O que...vocês querem? Ele disse irritado. Não conseguem ver que estão interrompendo meu des-s-s-canso?
A montanha vibrou causando uma ondulação na água abaixo.
Ren gritou, “Seu irmão, Lógjun, nos enviou. Ele disse que deveríamos procurar pela sua ajuda para recuperarmos o Colar de Durga.
Eu não ligo pelo o que buscam. Estou cansado. Vão embora, e não me incomodem mais.
Kishan deu um passo a frente. “Não podemos voltar. Precisamos de sua ajuda dragão.”
Sim. Vocês precisam. Mas eu não preciso de vocês. Deixem-me agora ou sofram a ira de Qinglóng.
Respondi. “Então vamos arriscar a ter sua ira Qinglóng, não podemos sair. Mas talvez, tenha algo que possamos fazer para você, algo que nos fará valer seu tempo.”
E o que você pode fazer por mim, pequena garota?
A montanha retumbou quando o dragão azul desenrolou metade de seu corpo da torre e caiu perto de nós.
Apesar da similaridade em tamanho com seu irmão, o dragão azul parecia diferente. Sua cabeça era maior, suas narinas mais afiladas. No lugar de uma barba preta, suas bochechas e testa eram cobertas por penas que eram varridas de seu rosto e brilhavam como peixe escamosos em brilhantes azuis e roxos.
Penas similares fluíam por sua coluna e se espalhavam pela sua calda e membros como um cabelo ao redor do casco de um cavalo Claydesdale. Garras douradas agarravam o ar, abrindo e fechando enquanto balançava para frente e para trás sobre nós, como calda de um papagaio preso em uma arvore. Sua pele escamosa era de um brilhante azul, e como ele sibilou vaiando, as penas de suas costas e do topo de sua cabeça se eriçaram como a crista de uma cacatua.
Olhos amarelos me olhavam e uma língua roxa pressionou seus longos dentes brancos enquanto uma voz falava novamente em minha mente.
Então? Você somente vai ficar parada aí como um peixe, com sua boca abrindo e fechando ou vai me responder?
De repente ele chegou mais perto e provou o ar próximo a nós. Sua mandíbula aberta como uma armadilha de urso e escutei sua risada.
Foi o que pensei. Você é muito fraca para fazer qualquer coisa por mim.
Ren e Kishan imediatamente responderam se postando a minha frente e se transformando em tigres. Ambos rugiram e golpearam suas garras nervosamente próximo as narinas do dragão.
Não era o suficiente para amedrontar o dragão, mas foi o suficiente para captar seu interesse. Ele se aproximou e baforou névoa em nós. Condensação quente caiu sobre mim e eu tremi. Ren e Kishan voltaram a serem homens, mas continuaram a minha frente. Andei para ficar entre eles.
“Nos de uma tarefa para provarmos.” Sugeri bravamente.
O dragão estalou sua língua e torceu sua cabeça. O que você poderia fazer, minha jovem?
“Você ficaria surpreso.”
O dragão grunhiu e bocejou. Muito bem. Seu desafio será fazer uma jornada até o templo de minha montanha. Se puderem fazer isso, irei ajudar. Se não puderem...bem...vamos apenas dizer que vocês não ficarão mais preocupados com o Colar.
Ele subiu no ar e começou a serpentear a redor do templo novamente.
“Espere!” Gritei. “Como chegamos até ai?”
Existe um túnel subaquático com degraus até a cima, mas primeiro, vocês deverão passar pelo meu guardião, e ele não é tão...acolhedor como eu.
Desesperada, questionei. “Quem o guarda?”
“Yao guài yóu yú.”
Sussurrei para Ren, “O que isso significa?”
“Ahm.. algo como uma lula diabólica.”
Qinglóng bufou. Arg! É chamado de kraken. Agora vocês deem o fora.
O dragão riu suavemente e logo voltou a roncar. Olhei por um momento a névoa derivada de suas narinas se dissipar no céu azul.
Ren e Kishan começaram a descer a escadaria.
Me inclinei pela lateral e perguntei. “Onde vocês dois estão indo?”
Kishan olhou para cima. “Vamos nos trocar. Parece que vamos mergulhar.”
“Ah...não...vocês...não vão! Você não escutou o que o dragão acabou de dizer?”
“Sim.”
“Não acho que tenham escutado. O dragão disse que tem um kraken lá em baixo.”
Kishan deu de ombros. “E?”
“E...o kraken é enorme! Não tem jeito de lutarmos com ele!”
“Kelsey, se acalme. Apenas venha aqui para baixo e iremos conversar sobre isso. Não precisa ficar histérica.”
“Histérica? Isso não é nem próximo de ficar histérica. Você nunca viu filmes de krakens? Não, você não viu, mas eu vi. Eles destroem navios! Uma dupla de tigres não será páreo! Insisto que planejemos com o Sr.Kadam antes de vocês dois entrarmos na água.”
Ren estava parado no deque e Kishan caiu ao lado dele com uma batida suave. Ambos olharam para baixo e gesticularam para que eu descesse.
“Prometam que vocês sabem o que estão fazendo.”
Kishan disse, “O que estamos fazendo é conseguindo o colar Kells. Agora desça para que possamos falar com Kadam.”
“Não sei se poderei assisti-la Srta.Kelsey.” Sr.Kadam disse esfregando sua têmpora em dúvida.
“O que! O que você quer dizer que não sabe? Você sabe tudo!”
“Tudo que sei sobre kraken é o que eu vi em filmes e as pequenas coisas que já lhe contei. Nada pode mata-lo. É imortal. Foi originado de um mítico nórdico, descrevendo um gigante tentáculo da besta que ataca navios. É
provavelmente baseado em uma lula gigante. Foi considerado fantasia até que nos últimos anos, algumas delas foram arrastada até as praias.”
“É isso? Nada mais? Como lutamos com ele?”
Sr.Kadam suspirou, “Eu apenas sei de alguns fatos medíocres. No mito, quando o kraken abre sua boca, a água ferve. Quando ele levanta sua cabeça sobre a água, o cheiro é mais terrível do que qualquer um que uma criatura viva possa suportar. Seus olhos tem um grande poder de iluminação; quando eles brilham parece que se está olhando para o sol. A única que ouvi dizer que ele tem medo são os kilbits.”
“O que são os kilbits?”
“Criaturas mitológicas semelhante a gigante vermes agarram nas brânquias de grandes peixes, similares a sanguessugas marinhas, apesar de sanguessugas marinhas são tão pequenas que é improvável que vão amedrontar o kraken.”
“É isso? Você quer que lutemos com um kraken com vermes?”
“Desculpe, Srta.Kelsey. Aqui tem um poema sobre a criatura marinha chamada Leviatã que é também chamada de kraken...”
Sr.Kadam pegou um livro, virou uma pagina e começou a ler:
Do CASAMENTO DO CÉU E DO INFERNO
Por Willian Blake
Mas então, do meio da aranha preta e da branca, uma nuvem e fogo estouraram e rolaram na profundeza, pretejando tudo o que estava embaixo;
assim, aquela profundeza ficou negra como um mar e girou com um terrível estrondo; sob nós, nada se podia ver além de uma tempestade negra e, olhando para leste, entre as nuvens e as ondas, víamos uma catarata de sangue misturada com fogo, e poucas das pedras que atiramos apareceram e afundaram de novo; o flanco escamoso de uma monstruosa serpente; por fim, a leste, a cerca de três graus de distância, apareceu uma crista de fogo sobre as ondas; devagar ela se ergueu como uma cadeia de rochas douradas, até descobrirmos dois globos de fogo carmesim, dos quais o mar se evaporava em nuvens de fumaça. E agora víamos que era a cabeça de Leviatã; sua testa era dividida em listras verdes e roxas como a testa de um tigre; logo vimos sua boca e guelras vermelhas penduradas logo acima da espuma furiosa que tingia a profundeza negra com pontos de sangue, avançando em nossa direção com toda a fúria de uma existência espiritual.
Sentei em minha cadeira e procurei pela mão do Sr.Kadam. “Bem isso é apenas ótimo. Monstruosamente vago. Terrivelmente amorfo.”
Quando Sr.Kadam começou a descrever as teorias e comparações entre as teorias e comparações entre a criatura conhecida como Leviatã e o monstro chamado kraken, notei que Ren correndo seus dedos por outro livro que ele havia discretamente colocado no chão.
Me virei para ele e perguntei. “O que isso Ren? Se você achou alguma coisa, você talvez gostaria de compartilhar conosco.”
“Não é nada. É apenas um poema que encontrei.”
Apesar de meu amor por ouvir sua voz lendo, a passagem me deu arrepios. O kraken Por Lorde Tennyson Alfred. Sob os trovões da superfície, nas profundezas do mar abissal, o kraken dorme sempiterno e sossegado sono sem sonhos. Pálidos reflexos se agitam ao redor de sua forma obscura; vastas esponjas de milenar crescimento e alturas e inflam sobre ele, e no fundo da luz enfermiça polvos inumeráveis e enormes agitam com braços gigantescos a verdosa imobilidade de secretas celas e grutas maravilhosas. Jaz ali por séculos e ali continuará adormecido, cevando-se de imensos vermes marinhos, até que o fogo do Juízo Final aqueça o abismo.
Então para ser visto por homens e por anjos, rugindo surgirá e morrerá na superfície.
Sr.Kadam pressionou seus dedos juntos e bateu em sua boca em profunda reflexão. “Essa parte final se refere ao fim do mundo. Supostamente o kraken, ou o Leviatã, irá se levantar das profundezas nos dias finais. Então eles finalmente serão destruídos e o mundo ficará para sempre em descanso. Existem referências bíblicas de modo que o Leviatã fosse a boca do inferno ou até mesmo Sat.”
“Tudo bem. Pare por ai. É o suficiente para mim pensar em lutar com demônio sem arrastar o dia.. para isso. Prefiro ser surpreendida. Quanto mais aprendo, mais assustada eu fico, então vamos apenas acabar com isso.” Peguei o Fruto Dourado, minhas armas, e a Echarpe Divina e corri as escadas a baixo com todos me perseguindo.
“Kelsey! Espere!”
Kishan rapidamente me alcançou e Ren estava em seu rabo. Sr.Kadam desceu a escada atrás de nós, mas rapidamente os ultrapassamos. Pisei na garagem molhada como um furacão e peguei meu traje de mergulho. Ren e Kishan haviam se resignado com minhas ações naquele ponto, e pegaram seus trajes de mergulhos sem protestar e adentraram no trocador. Quando saí eles estavam prontos. Kishan havia amarrado o chakran em sua cintura e o kamandal preso em seu pescoço.
Ren deixou a gada, mas levou o tridente. Decidi deixar meu arco e fecha para trás porque eles não funcionam debaixo d’água de qualquer maneira, me senti bastante nua sem arma nenhuma exceto meu poder do raio. Kishan apertou o botão que abria a porta da garagem do navio. O nevoeiro apareceu novamente. Aparentemente, o ronco de nosso dragão resistente estava criando a miasma que parecia penetrar em meus ossos. A normalmente água quente azul-esverdeada agora parecia cinza e gelada. Bolhas sibilaram e emergiram na superfície, e deixei minha mente criar um monstro terrível abaixo.
Imaginei o kraken apenas esperando abaixo d’água, boquiaberto, com sua boca cheio de dentes, pacientemente esperando para que eu saísse do barco e fosse até sua terrível boca. Estremeci. Só então Sr.Kadam correu para entregar Fanindra para mim. Deslizei ela pelo meu braço e me senti melhor sabendo que ela estaria comigo. Ren se aproximou e amarrou a faca de mergulho em minha perna enquanto Kishan me entregava minha mascara e snorkel.
“Você acha que ela vai poder respirar debaixo d’água?” Perguntei ao Sr.Kadam.
“Ela estava toda torcida para cima, pronta para ir quando fui busca-la. Estou certo de que ela ficará bem.”
Ren e Kishan não queriam ser prejudicados pelos tanques ainda. Seria um mergulho exploratório. Estaríamos apenas indo pelo espaço fora da ilha e olharíamos a abertura subaquática. Se precisássemos do tanque, iríamos voltar. Sentei na borda da abertura olhando para a protuberante ilha rochosa, e coloquei meus pés de pato. Ren foi primeiro, seguido por Kishan. Eles olharam em volta e me deram um sinal de positivo. Me lancei para fora com minhas mãos , e escorreguei para fora, na água gelada e cinza.
Depois de limpar minha máscara, nadei em direção da ilha seguindo Ren. Kishan ficou atrás de mim. A água estava calma, se não clara. A ilha parecia como uma coluna montanhosa gigantesca apenas sentada no meio do oceano. Não havia faixas de areia, nem inclinações suaves de terra. Ela apenas continuava abaixo d’água até onde eu podia ver. Não era muito grande também, talvez do tamanho de um campo de futebol. Levou apenas uma hora ou mais para nadar todo o caminho em torno do exterior.
Estudamos a superfície tanto quanto, e foi quando estávamos prontos para voltar ao navio que encontramos a entrada subaquática. Depois que Ren fez uma rápida exploração, ele confirmou que precisaríamos do equipamento de mergulho. A única noticia boa era que não havia sinal da criatura ainda.
Eu havia saído do navio em uma pressa arrogante irresponsável, mas agora que havia estado na água por um tempo, senti minha arrogância
diminuir, lavada para longe pelas águas lapidadas do oceano. Aceitei o fato de que estava com medo. Mortalmente com medo. Nervosa gaguejei em uma tentativa de humor.
“Ele está apenas esperando por nos três. Ele prefere conseguir um combo especial. Um frango, queijo e um bife de enchilada. Eu sou o frango por sinal.”
Kishan riu. “Eu definitivamente sou o bife, o que quer dizer que Ren é o queijo.”
Ren sorriu maliciosamente para Kishan e o socou no braço. Kishan sorriu de bom humor. “Isso me lembra de que eu estou com fome. Vamos voltar.”
Depois do almoço, onde enchiladas foram o prato principal, nós amarramos nossos tanques e nadamos direto para a caverna. Dessa vez eu fui devagar, cautelosa, e deixei Ren e Kishan fazerem as regras. Ouvi o silvar de minhas bolhas quando desci. Quando estávamos próximos da caverna, senti algo torcendo meu braço. Fanindra se tornou viva e se desenrolou, se movendo de meu braço. Seu corpo dourado brilhou, irradiando na água. Sua boca abriu e fechou várias vezes e ela se contorceu como se estivesse com dor.
Sua capela colapsou contra seu corpo enquanto sua cabeça se alongava. Seu rabo se alongaram e achataram em uma fina pá, seu corpo se tornou mais fino na lateral, comprimindo como se alguém a estivesse esmagando-a entre as mãos. Seus olhos de joias foram reduzidos a pequenos botões redondos, mas mantiveram seu brilho de esmeralda e suas narinas se moveram para ficarem mais próximas.
Sua língua bifurcada disparou para fora, e Fanindra nadou ao redor de meu corpo. Seu rabo em forma de pá balançou para frente e para trás, impulsionando-a para frente rapidamente. Quando parei, ela flutuou preguiçosamente nas proximidades. Seus movimentos sinuosos me
lembraram os dragões. Ela se tornou algo novo. Ela era uma serpente marinha.
Nós começamos a nadar em direção a caverna. Ren chutava com seus pés de pato e entrou primeiro, desparecendo na escuridão a frente na abertura, e foi seguido por Kishan. Fanindra e eu ficamos na retaguarda. Os raios solares penetravam nas aberturas, lançando raios turquesas no piso de seixos. Minha mão raspou contra a parede de pedra irregular, estava coberta de algas verdes. Minúsculos peixes nadavam para dentro e para fora de buracos escuros. O chão da caverna estava coberto com rochas balsâmicas, a única cor na caverna era proveniente das plantas fosforescentes que cresciam entre os pedaços irregulares.
As bolhas sibilaram do regulador de Kishan, e sua barbatana acertou o fundo, levantando areia que momentaneamente obscureceu minha visão. Nadei com cuidado, tentando não perturbar a área. Precisávamos ver o tanto quanto fosse possível. Quando passamos uma gruta rochosa, um fio de algas tocou minha mão. Puxei para longe mas depois, vendo que não havia perigo, tentei forçar-me a relaxar. A gruta tornou-se mais escura. Preocupei-me que se estava escuro demais, não seriamos capaz de ver para onde estávamos indo. Viramos uma esquina em torno de um afloramento acidentado, e a luz foi cortada completamente.
O corpo de Fanindra começaram a brilhar, e ela se ascendeu toda a área ao redor de nós como um farol poderoso. Estalactites pálidas estavam penduradas no topo da caverna, prontas para nos empalar. Nadei para ficar mais próxima do fundo da caverna. Nos aproximamos de outra abertura. Essa muito menor. Ren parou e se virou para sinalizar para nós. Nos perguntando se deveríamos seguir em frente ou retornar. Kishan disse para ir em frente. Ren nadou primeiro enquanto esperávamos.
Ele retornou com os dedões para cima em sinal, e nos continuamos. Eu chutava rapidamente para acompanha-los. Se a abertura foi um abraço apertado para mim, deve ter sido claustrofóbico para eles. Viemos para uma área mais ampla e flutuamos, digitalizando a água ao nosso redor. Era negro como um blecaute. Fanindra nadou para fora do buraco e iluminou a área. Mais estalactites se penduravam do teto. O chão arenoso angulava para
baixo e desaparecia em uma água muito mais escura. Fanindra disparou a frente e nós a seguimos.
Tínhamos usado um quarto de nosso ar. Quando nos aproximamos da metade do caminho assinalado tivemos que dar a volta. A caverna era ampla o suficiente para que pudéssemos nadar lado a lado agora. Em fato, não podíamos fazer fora das laterais da caverna de jeito nenhum(?).Ren e Kishan recuaram para ficar em meus flancos, um em cada lado. Eu tive a arrepiante sensação de que estávamos sendo observados. Olhei para a água abaixo a espera de um tubarão atacar com mandíbulas abertas, mas também tive calafrios em todo o meu pescoço e me perguntei se o ataque poderia vir de cima.
Olhei para cima, mas a água estava tão escura que até Fanindra apenas podia iluminar a área diretamente ao nosso redor. Percebi que estávamos bem visíveis para qualquer criatura que pudesse estar olhando, quando de repente a caverna toda se iluminou. Paramos de nadar e pairamos. A sobrecarga da luz brilhante vinha de uma estalactite. Eu podia agora ver as laterais da gruta e o chão que caía em uma profunda fenda.
Podia também que estávamos a meio caminho de nosso destino. Na parede oposta, rochas se elevavam até o teto. Uma luz acendeu e outra apagou. Parecia haver duas luzes a cerca de 3 metros de distância , e elas estavam em movimento. Uma parecia estar escondida atrás de uma estalactite enquanto a outra brilhava sobre nós. Em seguida as luzes apagaram e ascenderam novamente. Senti a água me mover, empurrando-me contra Kishan. A caverna tremeu, as luzes piscaram novamente.
Elas piscaram....? Entrei em pânico. Aquilo na eram luzes .Eram olhos!
A estalactite começou a se mover em nossa direção.
Não! Não é uma estalactite. É um tentáculo!
Agarrei o braço de Kishan e apontei para cima. Ele rapidamente tirou o chakram. Bati nas costas de Ren, mas ele já havia visto. Um tentáculo marrom arroxeado que se dirigiu a nós era mais grosso do que um tronco de árvore.
Centenas de pálidas ventosas brancas , prontas para grudar em qualquer coisa que o tentáculo entrasse em contato. O tentáculo disparou entre Kishan e eu, e tive uma-visão-de-perto-e-pessoal-dos-ventosas. Os discos redondos eram alinhados em nítidas e irregulares linhas de quitina, e variavam entre o tamanho de uma xícara do chá até um prato. Em seu caminho de volta, o tentáculo tocou Kishan, sondando seu ombro como se estivesse sondando o quão fresco ele estava.
Os olhos piscaram e senti outra corrente de água conforme a criatura se aproximou. Ele disparou mais dois tentáculos, mas dessa vez ele bateram contra Ren. O braço carnudo bateu em no peito de Ren e ele o empurrou vários metros para trás. As ventosas de sucção prenderam em sua roupa de mergulho e puxaram-no para frete em uma velocidade impressionante, antes de Ren o empurrasse para fora, rasgando no processo a frente de sua roupa de mergulho. Ren se virou para me checar e vi três grandes feridas circulares com sangue vazando de seu peito para água.
Ele começou a se curar rapidamente, Kishan nadou para verificar o equipamento. Seu tanque e seu cinto ainda estavam seguros, ele tinha sorte. Outro tentáculo emergiu enquanto estávamos distraídos e se enrolou em minha perna. Mal impedi a mim mesma de gritar. Kishan nadou para perto rapidamente deferiu um corte limpo com o chakram contra o tentáculo, e gentilmente o removeu de minha perna. O braço decepado tremeu e pulsou como se ainda estivesse vivo. Nele escorria um sangue negro enquanto caía sem círculos para a fenda rochosa da caverna. Minha perna estava sangrando, mas não podia dizer o quanto estava ruim. Mentalmente pedi para a Echarpe Divina fazer uma bandagem para amarrar ao redor. Senti envolver firmemente e esperei que fosse o suficiente para parar o sangramento.
Outro braço disparou contra mim, e eu disparei fogo com meu poder de raio. Um buraco negro apareceu no tentáculo e todos nós escutamos um grito. Ele virou toda a água ao redor de nós. Os olhos gigantes se moveram rapidamente para nós, brilhando por vingança.
Numa enxurrada de tentáculos ondulantes marrons arroxeados, a criatura se aproximou. Quando seus braços longos se agarravam a
estalactites ele se movia como um macaco descendo de uma árvore. Ele fez uma pausa quando chegou ao fim e balançou na água preta a cima de nós. Nós finalmente pudemos der uma boa olhada contra o que estávamos lutando.
O kraken pendeu sobre um tentáculo, seu manto macio de bulbos estava pressionado contra as estalactites, mas lentamente deslizou através delas como um pedaço de gelatina, transformando a si mesmo para encaixar entre os pequenos espaços. Sua pele repuxava e seus olhos pareceram esticados. Ele escorreu até nós – escuro, pulsante, um monstro em carne e osso. Ele parece faminto.
Ele ficou preso brevemente, e escutamos um urro de frustração. Arrepios percorreram toda minha pele, e comecei a chutar para trás. O kraken me viu passar e de repente se empurrou em direção a nós violentamente, usando seus tentáculos para impulsionarem para mais perto. Ele rasgou sua pele em várias áreas nas pedras ásperas. Seu copo mudava, e eu olhei , fascinada em como sua boca adunca abria e fechava violentamente várias vezes, pronta para nos mutilar e drenar nossos sangues para dentro dela.
E em seguida ele estava livre das estalactites e sua cabeça enorme inchou até sua forma normal. Ele piscou e se pendurou novamente livre na água por um momento. Provavelmente calculando qual de nós terá um sabor melhor. Ele era enorme. O manto oval alongado era maior do que um ônibus e seus tentáculos eram facilmente duas vezes seu comprimento. Ele dirigiu sua atenção a mim e meu coração parou de bater.
A criatura mudou, inclinando sua cabeça para baixo como se estivesse deitando, e começou a atirar seus braços em direção a mim. Então subitamente ela parou. Ren havia levantado seu tridente e estava tentando conseguir a atenção do monstro. Os orbes pretos colossais se viraram para ele. Seus olhos possuíam um irradiante brilho que somente animais que vivem no escuro possuem. Quando o kraken se virou, pude ver que o a luz brilhante não parecia vir de seus olhos, mas de seu mais longo tentáculo de remar.
Quando o tentáculo se moveu pela sua cabeça, eu vi a superfície posterior mudar de cor. A pele marrom arroxeada se tornou pálida com pontos pretos. Vi a chaminé acima de seus olhos eliminar uma aglomeração de bolhas quando ele se moveu novamente, disparando seus tentáculos poderosos. A água cresceu em torno de nós.
Ren torceu o equipamento de seu tridente e disparou três lanças em rápidas sucessões em direção a besta. Um passou de raspão em um membro em movimento, uma espetou um tentáculo em uma estalactite e o terceiro esbarrou no manto. Sangue preto obscureceu a área de onde a criatura estava presa.Com um rápido movimento, ele arrancou seu tentáculo preso da estalactite. Outros tentáculos atiraram de todas as direções. Detonei um que havia se enrolado em volta da garganta de Kishan, mas ele se prendeu por teimosia. Ele começou a corta-lo e foi bem sucedido em tira-lo para fora dele, mas o tentáculo arrancou seu tubo de respiração. Kishan procurou pelo seu tanque reserva e me deu sinal de positivo.
Ren e eu golpeamos o monstro com o poder do raio e lanças. O manto se expandiu, e em flash de luz e em jato de água, a criatura havia ido. Nadei em círculos tentando ver onde a criatura havia ido, mas com as luzes apagadas, ela poderia estar em qualquer lugar. Nadei e me aproximei de Ren, imaginando se iria ajudar se lutássemos de costas um para o outro. Kishan apenas havia começado a se aproximar de nós quando as luzes acenderam novamente. O kraken estava bem atrás de Kishan.
Dois membros carnudos se enrolaram ao redor de seu corpo e o sacudiu na água. Uma de suas barbatanas se soltou e caiu lentamente pela fenda abaixo de nós. Ren nadou poderosamente para frente e enfiou o tridente no tentáculo mais largo. A criatura guinchou mas se manteve firme. Kishan cortou com o chakram e, ao mesmo tempo, levantei minha mão para explodi-la. Foi quando senti um puxão. A besta havia enrolado seu membro ao redor de minha cintura e me içado para cima em uma velocidade amedrontadora. Atacar Kishan havia sido uma diversão. A criatura me puxou de lado e apagou as luzes.
Fanindra disparou para longe de mim como uma flecha e desapareceu. De repente, estava longe de Ren e Kishan que provavelmente nem haviam
notado que eu havia sido pega. Ventosas de sucção me agarram me com força cravando pequenas pinças em minha pele, como agulhas de acupuntura. Detonei o poder de fogo no membro, mas o único resultado foi que a pressão aumentou. O tentáculo estava ao redor das costelas, e quando me apertou, achei que meus pulmões fossem entrar em colapso. A turbulência da água me levou para mais perto do que já estava da criatura. Kishan e Ren ligaram as lanternas. Eu podia vê-los mas eles não podiam me ver, mas eu sabia que eles nunca chegariam até a mim em tempo. O monstro enrolou seu braço e minha perspectiva mudou. Agora eu estava encarando a boca do inferno.
Uma parte de meu cérebro desligou, eu estava apta para analisar a criatura do que parecia uma distancia segura. Eu podia calcular friamente a maneira pela qual eu encontraria meu fim. A boca estalou abrindo e fechando. Ela abria e fechava similar a boca de um peixe. A similaridade acabava aí. O orifício pelo qual eu estava rapidamente me aproximando me lembrou o poço de Sarlacc em Star Wars, um buraco negro rodeado por múltiplas fileiras de dentes afiados. Três longos tubos saíram de sua boca aberta e começaram lambuzar meu rosto e meu traje com uma substancia oleosa, que eu podia presumir que me ajudaria a descer por sua garganta com mais facilidade.
Usei meu poder para detonar a boca do kraken. A besta sacudiu-me furiosamente em resposta estalou seu bico em navalha várias vezes. Os tubos longos verdes se enrolaram ao redor de garganta, cintura e braços, prendendo-os em minha lateral e me levando mais para perto. Estava presa, não poderia usar mais meu poder de raio. Eu estava para ser comida por um kraken. Os tentáculos apertaram por mais um tempo, me sacudiram e me deixaram ir, confiantes de que e havia sido suficientemente incapacitada pelas verdes línguas.
Me contorcia para frente e para trás , desesperadamente tentando libertar minha mão, mas eu havia sido derrotada. Não podia me mover. Tentei me virar para ver se Ren ou Kishan estavam por perto, mas não conseguia me mover o suficiente. Minha mascara foi arrancada quando a criatura me movimentou. Aparentemente iria comer meu pé primeiro.
Apertei meus olhos nas águas turvas tentando ver sem minha máscara. Pensei ter visto um borrão dourado próximo a mim, mas não tinha certeza se era o tridente ou Fanindra.
Algo roçou meu braço, uma forma sinuosa. Provavelmente outro tentáculo para me dar o amaciamento final. Meus pés estavam na boca aberta. Chutei com uma perna, mas ela bateu em uma fileira de dentes. Ela queimou. Tive a bandagem da Echarpe amarrada em torno desse novo ferimento, que provavelmente, era irrelevante se o kraken iria me comer a qualquer segundo. Esperei pelos ossos de minhas pernas quebrarem, mas a criatura não mordeu. Talvez ela vá apenas me engolir toda? .Uma ideia surgiu e eu pedi a Echarpe para amarrar apertado as duas extremidades de seu bico. Fios correram para cima, se enrolando em torno do corpo da criatura de cima a baixo, e, em seguida amarrou diversas vezes a parte superior e inferior do bico para mantê-lo aberto.
O kraken se debateu e se moveu, sacudindo-se violentamente como um tubarão tentando rasgar a carne de uma baleia. Quando seu bico cortante começou a arruinar as amarras, pedi para a Echarpe se reforçar, mas eu sabia que era apenas uma questão de tempo. O kraken eventualmente iria ficar furioso o suficiente para morder todo o caminho dos fios e corta-me ao meio.
Meu corpo foi lançado para frente e para trás na água. Brevemente me perguntei o que meus pais teriam pensado sobre a maneira que eu estaria morrendo. Pensei sobre a pós vida e imaginei se as pessoas compartilhavam suas historias de morte. Se faziam, eu teria a história mais legal de todas. Você morreu dormindo? Motorista bêbado? Câncer hein? Segunda Guerra Mundial? Bem...sim, essas mortes são ótimas e tudo mais, mas esperem até que eu conte o que aconteceu comigo. Sim....é isso mesmo... eu disse kraken.
Eu deveria ter entrado em pânico. Eu deveria ter me afogado. Mas eu apenas fiquei a deriva com o movimento de seus membros e calmamente esperei que ele me engolisse. Por que está demorando tanto? Puxa. Vá logo em frente com isso.
O corpo do kraken exalou uma luz brilhante como se pequenas luzes estivessem piscando debaixo de sua pele. Eu podia ver seu formato preto na água, dificilmente.
Senti como se alguém tivesse me jogado dentro de uma gigante maquina de lavar. Podia sentir a carne macia de seus tentáculos, a borracha de seus discos de sucção, e o formato afiado de seus dentes enquanto ele me passava na lavagem. Ouvi os guinchos e senti uma água agitada surgir , e as línguas de prova continuaram derramando polpa, me lambuzando em óleo. Estava pendurada como um peixe preso em uma linha de pesca, esperando o bobinar – mas algo estava distraindo o pescador. Abri os olhos e vi negros tentáculos rodopiando em sangue.
Formas se contorcendo atiraram passando por mim, uma dourada. Fanindra. Ela iluminou a área, embora eu tenha decido que preferia ficar no escuro. O monstro pairava sobre mim com uma nuvem de cama roxa na água, pronto para me destruir com a violência de um furacão. Eu a vi nadar até um tentáculo e morder. A criatura estremeceu.
Mais formas longas nadaram até a mim – listradas amarelas e pretas, listradas preto e branco, cinza, verde, longos, finos, grossos – cobras marinhas. A caverna estava cheia delas. Elas atacaram a besta, fervilhando sobre ele como agulhas em uma almofada de alfinetes. Na verdade, vi várias cobras seguirem o exemplo de Fanindra. Algumas delas morderam ferozmente na carne roxa e se contorcer para dentro. Elas se moveram de baixo da pele da lula como vermes, mordendo e rasgando por onde passavam.
A criatura urrou e encheu seu manto. A tinta preta jorrou para fora da abertura e revestiu-me em ondas quentes. Meus olhos doeram. Fechei meus olhos e quase vomitei quando a abertura lançou água para fora novamente. De repente o kraken se moveu dezenas de metros de distância de onde ele estava, arrastando-me violentamente com ele.
Na confusão, o kraken afrouxou seu aperto em mim. Eu tinha me deslocado para fora de sua boca, mas ele ainda tinha-me paralisadas no aperto de suas línguas. Foi bem a tempo, porque o monstro se moveu
cortando através das amarras. Terá que me cortar ao meio. Ponderei sobre meu estado de sorte quando vi que as cobras ainda estavam presas em sua pele. Vi Fanindra morder a pele ao lado do olho gigante negro, e a besta se sacudiu. Tentáculos se debateram para frente a para trás na água desesperadamente tentando desalojar as cobras.
Algo me tocou, e eu estremeci, mas depois senti uma mão apertar meu braço. Ren pegou uma das línguas verdes e removeu do meu pescoço. O músculo poderoso começou a se enrolar em torno de seu braço, mas Ren puxou com força e se livrou. Kishan nadou até nós e cerrou os tubos verdes. Uma mancha oleosa de liquido jorrou sobre nós quando ele cortou as línguas a partir do corpo da criatura. Ele libertou minhas pernas enquanto Ren libertava meus braços. Kishan passou um braço ao meu redor me pressionando aflito e começou a nadar para longe.
Coberto de violência, Ren nadou até a besta. Ele empurrou o tridente profundamente na garganta da criatura repetidamente. Sangue preto saiu em uma nuvem e eu logo não podia vê-lo mais. Kishan me direcionou para perto das rochas. Quando chegamos lá, nos viramos e assistimos a criatura jorrar tinta escura novamente. A ultima coisa que vimos foram as luzes brilhantes nos tentáculos em forma de pá cair no escuro abismo abaixo. Esperamos ansiosamente alguns momentos até que vimos primeiro o brilho do tridente, e em seguida, Ren trilhando seu caminho até nós a partir da água escura.
Centenas de serpentes marinhas dispararam para fora do abismo e pairaram em uma nuvem se contorcendo nas proximidades, Fanindra no topo. Uma pequena luz alta acima de nós indicava a saída. Nós nadamos até lá. Kishan me levou consigo segurando minha mão. Ele quebrou a superfície de uma piscina de azulejos brancos e estendeu a mão para me puxar para cima. Ren subiu logo ao meu lado e em seguida removeu seu aparelho de respiração. Todos nós respirávamos profundamente. Kishan me puxou para o lado da piscina. Ele cuidadosamente removeu meu tanque e minhas nadadeiras e começou a me checar.
“Você está bem?”
A pergunta me fez rir histericamente até que finalmente sacudi minha cabeça. “Não.”
“Onde está machucada?”
“Em todos os lugares. Minha perna especialmente. Mas irei sobreviver.”
Ele pegou a faca de mergulho e cortou a perna do meu traje de mergulho para inspecionar o dano causado. Eu havia usado a Echarpe para fazer uma bandagem. Wes havia nos ensinado a manter as bandagens e colocar mais e mais bandagens até que o sangue parasse. Não estava sangrando através da Echarpe, então tive esperanças que não havia sido mais severo do que uma lesão. Tirei a outra camada envoltória da Echarpe e Kishan apertou meu braço. “O quão ruim está?”
“Poderia ser pior. Mas acho que vai ficar bem.”
Ele concordou e parou, olhando ao redor.
Estávamos em uma sala subterrânea, completamente fechada exceto por um conjunto de escadas. Grunhi de dor, e em seguida coloquei meus pés descalços na escada, mancando e olhei para cima. As escadas eram pequenas demais para um dragão. Ele dever ser capaz de mudar de forma como Lóngjun. Motivada para me apressar enquanto o kraken estava lambendo suas feridas, comecei devagar, dando preferência a minha perna forte e os irmãos me seguiram.
No inicio me apoiei pesadamente em Kishan e mordi meu lábio tentando controlar a dor. Depois escorregão, ele rosnou e me pegou, me carregando para cima no resto do caminho. Subimos. Dez andares. Vinte degraus por andar, mas Kishan nem mesmo estava respirando com dificuldade. Quando finalmente alcançamos o fim das escadas, nós saímos para o telhado de um castelo em ruínas. Kishan cuidadosamente me colocou para baixo em um banco rochoso, e ele e Ren se aproximaram da cabeça do dragão azul adormecido.
“Acorde!” Ren rugiu.
O dragão se moveu e roncou. Uma nuvem de neblina desceu sobre os irmãos.
Kishan berrou. “Levante-se. Agora!”
O dragão bufou e levantou um olho, preguiçoso. O que vocês querem?
Ren travou a sua mandíbula com raiva. “Você vai acordar e falar conosco, ou eu irei golpear este tridente em sua garganta carnuda!”
Isso chamou a atenção do dragão. O nevoeiro se tornou preto, e chicoteou sua cabeça para os lados e provou o ar. Ele estreitou os olhos.
Você não deve falar comigo dessa maneira.
Ren ameaçou. “Eu irei falar com você da maneira que eu quiser. Você quase a matou.”
Matei? Quem? Ah. A garotinha? Eu nunca a toquei.
“Sua besta imunda fez. Se ela tivesse morrido, eu teria vindo até aqui em cima e matado você.”
Ela obviamente não morreu, então você deve estar feliz. Eu avisei que essa tarefa seria difícil.
Kishan deu um passo para frente. “Nos dê o que prometeu.”
O dragão moveu um membro pesado e mostrou seu pescoço. Leve-o então.
Um disco grande se pendurava do pescoço do dragão preso por uma corda grossa de couro. Kishan se adiantou e, usando o chakram, libertou o disco. Os irmãos se viraram e se voltaram para mim.
O volume do dragão azul mudou ruidosamente. Não recebo nenhum agradecimento de vocês? Qinglóng disse. Afinal, o disco do céu não é qualquer coisa.
Ren me pegou no colo e virou a cabeça ligeiramente em direção ao dragão. “E nem ela.”
Olhei para os olhos azuis de Ren. Sua expressão lívida se acalmou um pouco, e ele pressionou a testa contra a minha por um breve momento.
Então me passou para Kishan e dizendo. “Ajude-a.” Pegando o disco, começou a descer as escadas.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
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