quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Capítulo 18 : Se acertar é difícil de se fazer

Postado por Estante de Livros às quarta-feira, outubro 23, 2013
Kishan e eu olhamos o convés mas não víamos nada. A voz na noite se repetia. “Eu disse. Solta. Ela.” Uma sombra negra avançou para a luz e ficou de pé no convés acima de nós.
Eu ofeguei e sussurrei, “Ren?”
Kishan deu um passo para trás e me empurrou contra ele. Ren rosnou furiosamente e pulou da beira do convés acima para o ar. Ele desceu do alto vestido de branco, descalço, seus olhos azuis brilhando, e aterrissou de cócoras. Ele se levantou lentamente e avançou para cima de nós como um anjo sombrio cheio da fúria de Deus.
Frio, calculista, e impiedoso, ele disse. “Não... me faça repetir.”
Seus olhos nunca deixaram os de Kishan. Sua expressão severa era amedrontadora. Ele estava como tempestade violenta ganhando velocidade.
Pus minha mão no braço de Kishan, e os olhos enfurecidos de Ren se fixaram no meu toque. Seus olhos se levantaram para encontrar os de Kishan com a intensidade de uma explosão de raios.
Kishan disse. “Ren? O que há de errado? Se acalme. Você está fora de si.” Sem desviar o olhar, Kishan deu um passo para trás, se mexeu lentamente, e disse, “Kells? Vá para atrás de mim. Devagar.”
Eu engoli em seco e dei um passo para trás. Levantei minha mão do braço de Kishan. Ren nos olhava como um gato observava um rato encurralado. Ele piscou e inclinou a cabeça, estudando nossos movimentos calculadamente. Kishan começou a falar com ele em tons baixos enquanto nos movia gradualmente para trás. Kishan comandava silenciosamente. “Se Ren saltar, corra. Vou deixa-lo ocupado enquanto você chama Kadam.”
Eu assenti contra suas costas.
Ren deu um passo a frente. “Afaste-se dela, Kishan. Agora!”
Kishan balançou sua cabeça. “Não vou deixar que você a machuque.”
“Machucá-la? Não vou machuca-la. Você, em outro caso, eu vou destruir.”
Kishan estendeu uma mão. “Ren, não sei o que deu em você. Talvez seja veneno de kraken. Só acalme-se e afaste-se.”
“Vishshya!” Ren cuspiu.
Então ele começou a gritar com Kishan em hindi, falando tão rápido que eu não conseguia entender absolutamente nada. Eu não sei o que ele disse, mas Kishan se irritou e cerrou a mandíbula. Ouvi um ronco de aviso no peito de Kishan.
Por entre os dentes Kishan disse baixo, “Kelsey? É hora de ir. Corra.”
O que quer que estivesse acontecendo com Ren estava ficando pior. Kishan disse algumas coisas para ele que obviamente não estavam ajudando. Na verdade, elas pareciam estimular Ren, o tornando ainda mais bravo do que já estava.
Kishan estendeu a mão nas costas e pegou a minha. “Vá. Eu vou segura-lo.”
Eu tinha acabado de me virar para ir quando ouvi um terrível gemido de dor e o som de alguém caindo pesadamente no convés. Me virei rápido vi Kishan em pé ao lado de um Ren caído.
“O que você fez?”
“Nada. Ele segurou sua cabeça e caiu.”
Ren estava de joelhos, curvado fazendo com que sua cabeça tocasse o chão. Suas mãos estavam em seus cabelos, e ele os puxava enquanto gritava de agonia. De repente ele atirou a cabeça para trás e estendeu o peito. Com os punhos cerrados ao seu lado, ele gritou de dor – o tipo de grito mortal que reverbera em qualquer um que o escuta. Era um grito de completa agonia. Nele, eu podia ouvir os ecos do riso de Lokesh enquanto ele o feria, o sofrimento físico de meses de tortura, o turbilhão emocional de não ter nada pelo que viver.
Eu tinha de ir até ele. Ele precisava de mim. Sua dor entrou no meu corpo até que se tornou uma coisa viva. Eu tinha de derrota-la. Não podia deixa-lo sofrer assim, não permitiria que ele sentisse essa dor. Eu soube de algum jeito que eu podia destruir essa sombra, essa escuridão que cobria a sua mente, sua alma.
Foi quando eu senti. Debaixo das feridas, debaixo das camadas de tormentos, estava algo solido algo forte, algo indestrutível. Estava de volta. A ponte entre Ren e eu tinha sido reconstruída. Estava escondida debaixo de camadas de dor. Tinha sido inundada, mas estava ali, e era dura como pedra. Eu dei alguns passos em sua direção, mas Kishan me segurou.
Ren caiu para frente e abraçou a si mesmo com braços trêmulos, ofegando. Meu coração batia pesadamente como se estivesse no ritmo do dele. Podia sentir meus membros vacilarem, ecoando seus movimentos. Nós três ficamos parados naquela posição por alguns minutos. Kishan finalmente deu um passo a frente e estendeu sua mão. Ren respirou fundo mais algumas
vezes e agarrou a mão de seu irmão. Ele ficou de pé e levantou a cabeça, mas ele não olhava Kishan. Ele olhava para mim.
Eu congelei. Minha pele se arrepiou toda. Meu pulso martelava ferozmente em minha veias.
Kishan falou, “Você está... bem?”
Ren respondeu sem tirar seus olhos de mim. “Estou agora.”
“O que aconteceu com você?” Kishan continuou.
Ren suspirou profundamente e relutantemente olhou para seu irmão.
“O véu da ocultação foi levantado.”
“Um véu? Que véu?”
“O véu na minha mente. O que Durga pôs aqui.”
“Durga?”
“Sim,” ele respondeu silenciosamente. “Eu me lembro agora.” Seu olhar voltou para mim. “Eu me lembro... de tudo.”
Eu ofeguei suavemente. O ar da noite pairava denso a nossa volta, quente e abafado quando anteriormente era fresco e frio. Um zumbido vibrante em meu corpo aqueceu meus músculos, amaciando, derretendo todo o estresse de alguns momentos atrás, e eu fiquei ciente de só uma coisa: o homem me olhando ardentemente com palavras não ditas e brilhantes olhos azuis. Eu não sei quanto tempo ficamos presos daquele jeito. Eu não achava que nada pudesse quebrar a conexão visual, mas então Kishan entrou na minha frente e olhou para seu irmão. Eu pisquei algumas vezes antes que suas palavras fizessem sentido de novo.
“Fique aqui.” Ele disse a Ren. “Nós só vamos descer para trazer Kadam, e então vamos voltar. Você está me escutando? Ren?”
Ren falou sem tirar seus olhos de mim. “Sim. Eu vou ficar aqui e esperar.”
Kishan grunhiu. “Bom. Venha, Kells.” Ele pegou minha mão e começou a me levar embora. Eu o segui serenamente, deixando-o guiar meus passos enquanto minha mente processava o que tinha acontecido.
Logo depois que viramos o canto, ouvi a voz baixa de Ren, não mais que um sussurro na brisa suplicante da noite. “Não vá, iadala. Fique comigo.”
Tomei um fôlego e me virei para olhar, mas não conseguia mais vê-lo. Kishan apertou minha mão e me puxou junto com ele. Quando chegamos a porta do Sr.Kadam, Kishan bateu suavemente. A porta abriu uma fresta, e então toda, nos permitindo entrar.
Sr.Kadam vestia um robe de senhores, o tipo de pijama que homens a centenas de anos atrás usariam antes de se retirar para dormir. Kishan rapidamente explicou a situação. Ambos queriam que eu ficasse ali enquanto falavam com Ren. Eles foram firmes, e eu estava muito chocada para protestar, me sentei na poltrona do Sr.Kadam, levando um livro pesado para o meu colo.
Abri o livro, mas não conseguia ler. Meu cérebro estava desligado. Meu corpo estava inteiramente focada em sentir: e agora, a única coisa que eu podia sentir era a forte ligação no centro do meu corpo. O buraco, o elo perdido, o pedaço quebrado que faltava em mim, que tinha desaparecido desde Shangri-la, estava de volta, e eu podia sentir a outra ponta. Eu estava ligada a Ren outra vez. Eu havia estado sozinha. Nua. Exposta ao mundo cruel. E agora... eu não estava.
Mesmo estando sentada com deques de distância, eu podia sentir o calor de sua presença como se um cobertor macio tivesse sido enrolado em alma, em meu coração. Ele me segurava e me protegia. Ele me abrigava, e eu sabia que não estava mais sozinha. Eu havia sido como uma peneira, uma tigela que podia segurar a maior parte das coisas, mas as gotas do precioso liquido da ligação emocional eram constantemente drenados de mim.
Agora aqueles buracos tinham sido fechados, e eu estava enchendo. Explodindo com algo que me fez sentir chorosa e trêmula. Ele se lembrou. Eu repetia essas palavras de novo e de novo. Elas voavam pela minha mente
sem penetrarem, sem processarem. Me senti de cabeça leve como se estivesse sofrendo de insolação. Umedeci meus lábios mas estava fraca de mais para levantar e procurar água.
Kishan e Sr.Kadam voltaram. Kishan se ajoelhou ao meu lado e pegou minha mão. Ele acariciou as costas dela, mas eu não podia sentir o toque gentil.
Sr.Kadam disse baixinho. “Parece que Ren recobrou sua memória, Srta.Kelsey. Ele gostaria de ver você. Você se sente bem para isso, ou devo dizer a ele para esperar até amanhã?”
Eu hesitei e não respondi por uns segundos.
“Srta.Kelsey? Você está bem?”
Dei um soluço e murmurei. “Não sei o que fazer. O que devo fazer?”
Kishan sentou ao meu lado, cuidadoso e constante. “Vou apoiar o que quer que você decida, Kells.” ele disse.
“Ok.” Eu assenti debilmente. “Eu devo vê-lo, certo? Você acha que eu devo vê-lo, não acha?”
Me levantei, dei alguns passos e me virei. “Não. Espere. Não posso. O que eu digo para ele? Como vou explicar tudo?”
Kishan disse, “Ele sabe de tudo. Ele ainda se lembra de tudo desde que o resgatamos, mas agora suas outras lembranças apareceram. Se você não quiser falar com ele, você não precisa.”
Mordi meu lábio. “Não. Tudo bem. Vou vê-lo agora.”
Sr.Kadam assentiu. “Ele está esperando por você no salão de observação.”
Dei outro passo trêmulo e então parei. “Pode ir comigo, Kishan?”
Ele beijou minha testa. “Claro.”
Deixamos um preocupado Sr.Kadam, que nos disse que iria para a casa do leme como estávamos ocupados. Eu disse a Kishan que queria me trocar
primeiro. Lavei a maquiagem do meu rosto e tirei o vestido extravagante. Coloquei uma calça jeans, passei uma camiseta sobre minha cabeça, tirei a flor e penteei meu cabelo, depois calcei um par de tênis. Kishan esperava por mim do lado de fora, ainda com sua blusa de seda e gravata.
Peguei a mão dele, e silenciosamente fomos para o salão de observação. Paramos em frente aos sofás. A sala estava escura; só o luar entrava pela janela e iluminava nosso caminho. Vi uma figura sombria levantar. Sua forma era contornada pela lua. Eu parei.
Kishan me envolveu num abraço e sussurrou. “Vai ficar tudo bem. Você vai, e me chame se precisar.”
“Mas -”
“Vá em frente.”
A presença confortante de Kishan tinha ido embora antes que eu pudesse dar outro protesto. Me forcei a dar um passo a frente depois outro. Estava assustada, mas não sabia o que me deixava com medo. Finalmente alcancei Ren. Ele olhou cada movimento meu com um conhecimento que me deixava nervosa. Ele deve ter sentido meu medo, por que ele baixou seu olhar intenso e gesticulou que eu deveria me sentar. Me sentei nervosa na frente dele e entrelacei minha mãos no meu colo.
Depois de um momento longo e silencioso, eu disse, “Você... queria falar comigo?”
Ren encostou em sua poltrona, me estudando silenciosamente.
“O que você quer dizer?” eu gaguejei.
Ele inclinou sua cabeça. “Está assustada. Não precisa estar.” Ele disse suavemente.
Deixei meu olhar cair sobre as minhas mãos.
Ele continuou, “Você está agindo como na primeira vez que me mostrei a você na casa de Phet.”
“Parece que não consigo evitar.”
“Não quero nunca que fique com medo de mim, priya.”
Meus olhos encontraram os dele, e respirei fundo. “Você disse que se lembra. É verdade?”
“Sim. Eu fui... acionado.”
Chocada, eu perguntei. “O que era o gatilho? O que trouxe sua memoria de volta depois de todo esse tempo?”
Ele afastou o olhar. “Não é importante. O que importa é que acabou. Eu me lembro de você. Nós. Kishkindha. Oregon. Eu me lembro de ser levado, entregando você a Kishan, o baile dos namorados, lutando com Li, nosso primeiro beijo... tudo isso.”
Me levantei e andei para a janela. Pressionei minha mão no vidro e fiquei de costas para ele.
“Phet estava certo. Eu fiz isso a mim mesmo.”
Cerrei meu pulso e coloquei minha testa no vidro gelado. Minha respiração embaçou o vidro levemente e desapareceu entre as respirações. “Por que?” Minha voz quebrou. “Por que você fez isso?”
Ele se levantou e ficou atrás de mim – perto o bastante que sua proximidade me afetou. Era quente e calmante, e ao mesmo tempo, meus nervos se eriçaram, arrepiando minha pele até que eu estivesse ciente de tudo ao meu redor. Ele tocou uma mecha dos meus cabelos e seus dedos acariciaram meu pescoço. Eu pulei mas fiquei onde estava.
“Durga me ofereceu ajuda para bloquear você e até plantou uma aversão subliminar em estar perto de você. A ideia era que se de algum jeito eu fosse resgatado, mesmo assim eu ficasse o mais longe possível de você.”
“Isso incluía você não sendo capaz de me tocar? A ardência que você sentia?”
“Sim. Desse jeito eu iria evitar você, e Lokesh não poderia me usar para acha-la. Ele estava me fazendo dizer coisas que não queria que ele soubesse. Ele me fez alucinar com um tipo de poder. Estava obcecado em encontrar
você. Esquecer de você era o único jeito que eu podia realmente te proteger. O único jeito de te salvar.”
Uma lágrima caiu na minha bochecha. Outras a seguiram, e eu solucei suavemente.
Ele deu um passo mais perto e pôs uma mão no vidro perto da minha. Ele se inclinou e disse baixinho. “Eu sinto muito, iadala. Sinto muito por não ter estado lá quando você precisou de mim. Sinto muito pelas coisas que eu disse. Sinto muito pelo seu aniversário, e o pior de tudo sinto muito por ter feito você sentir que eu não queria você. Esse nunca foi o caso. Nunca. Mesmo quando eu não me lembrava de você.”
Eu ri por entre as lágrimas. “Mesmo quando Randi estava aqui?”
“Eu detestava Randi.”
“Você com certeza conseguiu me enganar.”
“’Se você tenta falhar, e tem sucesso, o que você faria?’ Eu afastei você de propósito. Quando Kishan fez RCP em você, e eu não consegui, eu soube que você precisava de alguém para cuidar de você e com quem você possa contar. Eu não podia ser o que você precisava.
“Kelsey, eu me lembro de cada momento que passei com você. Me lembro da primeira vez me tocou quando era um tigre. Me lembro de brigar com você em Kishkindha. Me lembro do medo que sente depois que o Kappa te mordeu. Me lembro da luz das velas brilhando nos seus olhos no nosso jantar do dia dos namorados. Me lembro da primeira vez que disse que me amava antes de deixar a Índia, e eu me lembro de entregar você para Kishan no Oregon e deixar você ir. Achei que era a experiência mais difícil que já tinha passado, mas então Durga me ofereceu a chance de te salvar. Eu quase não fiz isso.
“Tinha um vazio no meu coração depois que ela tirou minhas memorias. Eu as senti sendo drenadas de mim, e não havia nada que eu pudesse fazer para segurá-las. Eu desesperadamente me agarrei a cada uma enquanto elas desapareciam, desvaneciam da minha mente. A ultima coisa que eu esqueci foi o seu rosto. Aquela ultima imagem de você era tão real, eu
tentei segurar seu rosto em minhas mãos e não soltar. Me recusei a deixar você ir, mas aquela imagem de você sumiu também até que eu não tinha nada. Meu coração estava partido, e eu não conseguia me lembrar por que. Viver assim era terrível, eu queria que Lokesh me matasse. Eu realmente comecei a ansiar pela tortura. Era uma distração para minha mente.”
Ele encostou sua cabeça e seu ombro no vidro para que pudesse ver meu rosto.
“Então um dia, vocês três vieram e me salvaram. Eu não sabia quem você era. Eu sentia que devia conhecer você, mas não podia ficar perto de você como homem sem grande dor. Entretanto, estar perto de você preenchia o vazio. Valia a dor física. Não acho que Durga esperava isso. Que nossa ligação emocional ultrapassasse o desconforto físico de estar perto. Então nós ficamos juntos de novo. Mas dessa vez eu estava limitado, bloqueado. Como tigre, eu podia ficar perto, ser seu companheiro, sentir você perto, e eu me apaixonei por você de novo.
“Por que uma parte de mim sentia que nós pertencíamos um ao outro. Eu estava em paz. Ficaria contente em ser seu cãozinho de colo pelo resto da minha vida. Você me perguntou no Festival da Estrela se eu iria querer mais que aquilo. A resposta era não. Não havia lugar nenhum, ninguém que me fizesse sentir do jeito que você fazia.
“Então eu terminei com você. Tentei te provar e a mim mesmo que eu não precisava de você. Evitei você. Machuquei você. Eu desfilei outras mulheres na sua frente, para que você acreditasse que eu não te queria. Mas era mentira. Eu tinha dez mulheres ao meu redor e só conseguia pensar naquele caubói colocando as mão em você. Tudo que eu podia ver era o estrago que fiz em você. Convenci a mim mesmo que estava fazendo para o seu bem. Que você seria mais feliz e teria uma vida normal sem mim. Eu egoísta empurrei você para Kishan sabendo que se você ficasse com ele, pelo menos eu poderia ficar perto de você de vez em quando.”
“E você sabia que ele me protegeria.”
“Sim.”
Me virei para encará-lo. “E agora?”
“E agora?” Ele riu tristemente e correu sua mão pelos cabelos. “Agora estou pior do que estava antes. Pelo menos antes, eu não tinha a lembrança de beijar você na cozinha entre tabuleiros de cookies de chocolate e manteiga de amendoim. Não me lembrava de como era dançar com você no Oregon. Não me lembrava como você ficou no seu vestido sharara azul. Não tinha a lembrança de lutar por você ou lutar com você. De ter encontros com você ou te ver pela primeira vez em meses no dia de Natal e como eu finalmente me senti... inteiro de novo.”
Ele suspirou. “Eu sei que te causei dor. Eu sei que te machuquei. Sei que quebrei sua confiança, sua fé em mim. Só... me diga o que fazer. Me diga como consertar isso. Como fazer o certo. Como ganhar você de volta. Se eu pudesse ficar toda a dor que lhe causei dentro de mim, eu faria. Você é mais importante para mim que todo o mundo, e eu sacrificaria tudo no mundo para te fazer feliz, te manter segura. Por favor acredite em mim quando digo isso.”
Solucei e fui para a frente dele. Envolvi meus braços em sua cintura e o abracei forte. “Eu acredito nisso.”
Ele me abraçou apertado em seu peito e acariciou meu cabelo silenciosamente. Nós ficamos daquele jeito por um longo tempo. Ele parecia contente em apenas me abraçar forte. Finalmente, esgotada emocionalmente, eu me endureci e me afastei.
Acariciei seu braço e disse, “Nós podemos falar mais sobre isso amanhã, Ren. Já passou da meia noite agora, e estou exausta. Boa noite.”
“Boa noite?” ele perguntou, confuso.
“Sim. Boa noite.” Dei dois passos para longe dele e senti sua mão no meu braço.
“Espere. Vou andar com você.”
Eu rapidamente desviei o olhar de seu rosto confuso e hesitei brevemente antes de falar. “Ummm... é melhor não. Kishan está... esperando por mim.”
Seu rosto escureceu. “Você... ainda vai com ele?”
Suspirei. “Sim.”
“Mas nada do que eu disse fez diferença para você? Kelsey -”Ele agarrou minha mão e a segurou nas suas. “Eu posso estar com você de novo. Posso te tocar.” Ele levou minha mão para seu rosto e a pressionou ali. “Posso te abraçar. Posso ficar perto de você.” Ele baixou minha mão para seus lábios e fechou seus olhos enquanto a beijava.
Ele os abriu lentamente, e eu engoli em seco. “Eu sei, Ren, mas... não importa. Eu... eu estou com Kishan agora.”
Ele deixou cair minha mão enquanto seus olhos ficavam gelados. “O que você quer dizer que está com Kishan agora?”
“Kishan e eu estamos namorando. Você se lembra disso, não? Olha, nós vamos conversar mais sobre isso amanhã, ok?” Eu me virei.
Ele deu a volta e parou na minha frente e com uma voz duramente controlada disse, “Eu não quero falar sobre isso amanhã, Kells. Quero falar sobre isso agora.”
“Ren, eu não tenho a energia para brigar sobre isso agora. Preciso de algum tempo para processar tudo isso. Eu vou para cama. Vejo você de manhã, ok?”
Ele agarrou minha mão e me puxou levemente em sua direção. Ele me puxou para perto e mais perto até que meu nariz estivesse a um centímetro do dele e minhas costas estivessem arqueadas para trás enquanto eu tentava manter alguma distância dele. Ele se inclinou sobre mim e não pude evitar olhar para sua boca. Entrei em pânico pensando que ele iria me beijar, mas ao invés disse ele pressionou seus lábios em minha bochecha e disse, “Ótimo. Vá dormir agora, mas entenda uma coisa. Eu não vou perder você de novo, meri aadoo.”
“O que isso quer dizer?”
Ele sorriu e sussurrou, “Significa... meu pêssego.”
Ele se endireitou e me soltou. Me virei e fui rapidamente para a porta. Kishan me esperava perto dos equipamentos de exercício e quando me aproximei, ele estendeu a mão. Eu sorri e a peguei enquanto ele olhava por trás da minha cabeça. Me virei e vi que Ren estava casualmente encostado na porta. Ele assistiu quando Kishan me levava embora.
Quando entramos no elevador, Ren ficou parado no mesmo lugar, nos assistindo pensativamente enquanto descíamos para a escuridão.
Quando chegamos ao meu quarto, fui para o banheiro colocar meus pijamas. Kishan estava sentado numa poltrona esperando por mim quando saí. Me sentei na cama e cruzei as pernas em baixo de mim.
“Você está bem?” ele perguntou.
“Sim. Estou bem. Gostaria de dormir agora e falar sobre isso mais tarde, se você não se importa.”
“Ok. Vou ajudar o Sr.Kadam essa noite. Vejo você de manhã.” Ele se levantou e colocou as cobertas sobre mim, me aconchegou, deu um beijo na minha testa, e gentilmente fechou a porta atrás de si.
Apaguei a luz e virei e me contorci até que tirei as cobertas pesados e coloquei meu cobertor sobre mim. Eu de repente me dei conta de que Ren sabia como me aconchegar e Kishan não. Com raiva, eu atirei o cobertor da vovó na poltrona e puxei as cobertas pesadas até o meu queixo, teimosamente determinada a dormir do jeito que Kishan havia me ajeitado. Caí no sono um longo tempo depois mas me mexi sem parar a noite toda.
Quando acordei, descobri que meus pés estavam na cabeceira da cama e meu braço estava pendurado ao lado. Arrastei meu corpo cansado para o chuveiro e encarei meu olhos caídos e inchados no espelho.
O que eu vou fazer? Ren quer apenas começar de onde nós paramos. Eu posso fazer isso? Posso machucar Kishan desse jeito? Sou esse tipo de pessoa? O que sinto por Kishan? Mas que amizade, com certeza. Ele é estável, confiável, confortável. AHHH! Parece que estou descrevendo um carro velho. O que isso significa? Ele é o Pinto para o Corvette do Ren? Não. Isso também não é verdade. Eu acho que a verdadeira questão é o que eu sinto por Ren?
Meu coração bateu pesadamente em resposta enquanto eu permitia a mim mesma imaginar seu rosto. O jeito que eu me senti quando ele me abraçou. O jeito que meu coração pulou quando ele tocou meu pulso. O jeito que tremi quando ele me olhou. Fechei meus olhos tentando me centrar. Separar minha mente dos meus sentimentos e analisar a situação logicamente.
Não. Eu não sou o tipo de pessoa que faria isso com Kishan. Eu disse a ele que não o deixaria sozinho outra vez. Ren sabia que estava fazendo mesmo que ele não se lembrasse. Ele teve sua chance e desistiu de mim. Kishan merece ter sua chance também. Tomei minha decisão. Escolho ficar com Kishan.
Com minha decisão tomada, virei a chave do meu coração. Tranquei meus sentimentos por Ren bem dentro de mim e deixei aberta só a parte do meu coração que pertencia a Kishan. Me senti limitada e desconfortável, como se estivesse tentando respirar em apenas um pulmão, mas eu tinha coração o suficiente para funcionar. Mais que uma lasca de qualquer jeito. E daí que a outra parte do meu coração estivesse batendo como se eu tivesse amarrado um torniquete nela? E daí que ela estivesse pronta para explodir e me destruir completamente? E daí que eu me sentia limitada, sufocada? Eu podia me acostumar com isso como as meninas chinesas que aprendiam a andar com os pés enfaixados. Claro, seria doloroso no início, mas aos poucos eu iria me acostumar.
Com cordas totalmente amarradas no coração, contendo minhas emoções no lugar, me apertando como os cordões de um espartilho, eu vesti algumas roupas e relutantemente fui para a casa do leme. Parei na porta de Kishan e abri um pouquinho. Ele estava dormindo, os lençóis embolados na cintura. Fui para perto da cama e alisei seus cabelos para longe do seu rosto. Ele sorriu no sono e se virou. Eu o deixei e fui para o elevador.
Quando a porta de vidro, achei uma rosa azul de seda com um bilhete colado nela. Tirei o envelope e abri o bilhete. Dentro havia um par de brincos de pérolas e um poema.
Saber que você, por acaso, como aquele pobre infeliz disforme –
A Ostra – gemas seu cálice raso de luar?
Onde a concha o incomoda, ou os trastes da areia do mar,
Ele derrama esse brilho encantador em sua dor.
- Sir Edwin Arnold
Deixe-me guardar minha pérola.
- Ren
Eu amassei o bilhete e o enfiei no bolso junto com os brincos. Eu entrei no elevador e fui para cima na casa do leme onde encontrei o Sr.Kadam trabalhando furiosamente em algumas anotações.
“O que está fazendo?” eu perguntei.
“Kishan e eu achamos a resposta para essas marcas no disco do céu.”
“Ah? O que elas são?”
“Kishan acha que são obstáculos ficam entre nós e os outros pagodes. E que o caminho mostrado é um jeito de navegar entre eles em segurança.”
“Obstáculos, huh? Eu imagino o que o fez pensar nisso.” Eu disse secamente.
Sr.Kadam ignorou meu comentário. “Estamos testando essa teoria agora. Vamos nos aproximar do primeiro marco em uma hora mais ou menos. É por isso que mandei Kishan descansar.”
“Entendo.” Fiz uns waffles para mim com o Fruto Dourado e me sentei ao lado do Sr.Kadam enquanto ele trabalhava.
“Está se sentindo melhor, Srta.Kelsey?”
“Eu... não dormi direito. Ren e eu conversamos e ele parece se lembrar de tudo agora. Mas isso só torna as coisas mais complicadas.”
“Sim. Eu falei com ele por muito tempo hoje mais cedo.”
Eu foquei toda a atenção ao meu prato, agitando os pedaços cuidadosamente cortados de waffle na calda. “Eu... realmente não quero falar sobre isso agora, se estiver tudo bem para você.”
“Claro que está. Você pode falar comigo sempre que desejar ou não falar. Estou sempre a sua disposição.”
“Obrigada por entender.”
“Claro.”
Uma hora depois, Kishan apareceu com meu casaco sobre seu braço. Ele o colocou em meus ombros e se virou para olhar os gráficos em que o Sr.Kadam estava trabalhando. Algo estalou no bolso da minha jaqueta. Eu coloquei minha mão dentro e tirei um papel. Era um soneto. Na verdade, era o soneto 116, que era um dos meus favoritos.
"De almas sinceras a união sincera Nada há que impeça: amor não é amor Se quando encontra obstáculos se altera, Ou se vacila ao mínimo temor. Amor é um marco eterno, dominante, Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante, Cujo valor se ignora, lá na altura. Amor não teme o tempo, muito embora, Seu alfange não poupe a mocidade; Amor não se transforma de hora em hora, Antes se afirma para a eternidade. Se isso é falso, e que é falso alguém provou, Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou"
- William Shakespeare.
“O que há de errado?” perguntou Kishan.
Eu coloquei o bilhete de volta no meu bolso e corei furiosamente.
“Nada. Eu, umm... já volto. Ok?”
“Ok. Se apresse, estamos quase chegando.”
“Eu vou.”
Corri pelos degraus e entrei no quarto de Ren enquanto ele punha a camisa sobre a cabeça. “O que exatamente você pensa que está fazendo?” eu gritei.
Ele congelou e então deu um sorriso desarmante para mim e baixou a camisa sobre seu peito maravilhoso. “Me vestindo. E bom dia para você também. Agora porque toda a gritaria?”
“Eu não sei como você enfiou isso no meu casaco, mas você tem que parar.”
“O que exatamente eu enfiei no seu casaco?”
Eu coloquei o papel amassado na mão dele. “Isso!”
Ele se sentou na cama e abriu o papel lentamente, o alisando em sua coxa. Eu involuntariamente guinchei quando percebi que estava hipnotizada pelos seus movimentos.
“Parece um poema de Shakespeare, Kells. Você gosta de Sheakespeare então qual é o problema?”
“O problema é que eu não me divirto mais com poemas vindos de você.”
Ele se inclinou para trás e me avaliou ousadamente, sorriu, e disse, “Uma mulher nesse humor faria ? Uma mulher nesse humor ganharia?”
“Dê um descanso, Shakespeare. Não sou uma megera para ser domada. Como te disse noite passada, estou namorando Kishan agora.”
“Sério?” Ele se levantou e andou em minha direção.
De repente eu não podia respirar. Continuei chegando para trás até que encostei na parede. Ele colocou suas mãos na parede dos dois lados da minha cabeça e se inclinou para perto de mim. Eu teimosamente levantei meu queixo, me recusando a ser intimidada por ele.
“Sim eu estou. É uma coisa boa eu ter vindo aqui falar sobre isso de qualquer jeito. Eu não quero você... me perseguindo ou tornando as coisas,” Eu engoli em seco, “difíceis.”
Ren riu pela garganta e se inclinou para roçar o nariz na minha orelha. “Você gosta que eu seja... difícil.”
“Não.” Eu gemi quando ele mordeu o lóbulo da minha orelha. “Quero que minha vida seja simples e confortável. E com Kishan, ela será.”
“Você não quer realmente uma coisa simples, quer Kelsey?”
Seus lábios pressionaram contra a pele lisa atrás da minha orelha, e eu tremi. “Complicações,” ele começou traçando lentos e provocantes beijos pelo meu pescoço, “são o que fazem a vida,” ele segurou atrás do meu pescoço e escorregou sua mão pelos meus cabelos, “excitante.”
Virei meu rosto, mas ele só se aproveitou da oportunidade de explorar mais do meu pescoço exposto.
“Amor é complicado, iadala. Mmm, você é deliciosa. Sabe como é bom tocar você sem sentir dor? Beijar você?” Ele deu beijos leves em toda a extensão da minha mandíbula, e sussurrou, “Quero me afogar no prazer de estar perto de você.”
Eu gemi e agarrei seus braços. Falando em me afogar, eu estava afundando, e rápido. Piscando os olhos, eu agarrei seus ombros, o encarei, e usei toda a minha força para empurrá-lo, mas ele foi apenas alguns centímetros para trás.
“Chega, Ren. Falo sério. Leia... meus... lábios. Eu quero Kishan. Não você.
Os olhos dele se estreitaram, mas depois brilharam com uma centelha maldosa. “Pensei que nunca você pedir.” De repente, ele me puxou para os seus braços. Uma de suas mãos se espalmou nas minhas costas, e a outra escorregou para o meu cabelo. Ele inclinou minha cabeça e esmagou sua boca contra a minha. Nossos corpos se encostaram como dois imãs. Uma onda de calou passou sobre mim. Podia jurar que estava me afogando, e ele era meu colete salva-vidas. Eu estava tão desesperada para me unir a ele, para me tornar parte dele. Seu toque era familiar e ainda assim novo. Ele era como o oceano, tão vasto, tão cheio de vida, tão essencial para o mundo. Tão essencial para o meu mundo.
Meus braços deslizaram para o seu pescoço e o envolveram, enquanto ele escorregava suas mãos para baixo e para cima nas minhas costas, me puxando para mais perto. Um braço se prendeu ao redor da minha cintura e o outro pressionou o meio das minhas costas. Ele me beijava selvagemente, me devastando como uma onda gigante correndo para a costa. Eu logo estava perdida no turbulento aperto do seu abraço e ainda assim... eu sabia
que estava segura. O beijo dele me levou, me empurrou, me fez perguntas que eu não estava querendo considerar.
Mas estava acarinhada por esse Poseidon sombrio, e apesar de ele ter o poder de me esmagar completamente, de me afogar nas profundezas purpuras de seus domínios, ele me segurava no alto, separada. Seu beijo apaixonado mudou. Ele se suavizou e se acalmou e insistiu. Juntos fomos levados a um porto seguro. O deus do mar me deixou segura em uma praia e me estabilizou enquanto eu tremia.
Arrepios efervescentes dispararam pelos meus membros, me agradando com picos de sensações brilhantes como dedos cheios de areia levando cócegas de ondas espumosas. Finalmente, as ondas se afastaram, e eu senti meu Poseidon me olhando de uma distância. Nós nos olhamos, sabendo que estávamos para sempre mudados pela experiência. Nós sabíamos que eu sempre pertenceria ao mar e que nunca seria capaz de me separar dele e me sentir inteira de novo.
Ele acariciou minha bochecha com o polegar, me tocando suavemente, gentilmente. Uma parte de mim gritava que eu precisava dele, que eu pertencia a ele, que eu não podia negar isso. Mas outra parte se sentia culpada, se lembrava que havia outro que me amava, que se importava comigo, que ficaria machucado. E eu tinha lhe feito uma promessa. Eu me afastei e dei um passo para longe da presença consumidora de Ren para que pudesse espantar minha reação a ele. Não funcionou, mas eu tomei um fôlego determinada a seguir minha curso.
“Hmm.” ele traçou seu dedo da minha têmpora ate minha bochecha e até meus lábios e tocou meu lábio inferior suavemente. “Isso foi interessante.”
Suspirando, eu perguntei. “O que é interessante?”
“Apesar de seus protestos, eu diria que seus lábios definitivamente querem... a mim.”
Eu soltei um grito de frustração, mas pela minha própria traição do que por ele, o empurrei para o lado, e passei as costas das mãos nos meus lábios.
“Kelsey.”
“Não.” Eu levantei uma mão. “Só... só não faça, Ren. Eu não posso fazer isso. Não sou esse tipo de pessoa. Não posso ficar mais desse jeito com você.”
“Kelsey, por favor -”
“Não!” Eu corri para fora do seu quarto apesar de ele me chamar. Naquele momento, alguma coisa sacudiu o navio. Ren correu do seu quarto em minha direção, pegou minha mão e me puxou por todo o caminho até a casa do leme. Nós entramos ao mesmo tempo e ficamos presos na porta. Ren pensou que essa era uma oportunidade maravilhosa para colocar seus braços em volta de mim enquanto eu gritava com ele. Quando eu finalmente consegui passar e fui para Kishan, ele estava franzindo a testa, e Ren estava sorrindo. O navio cambaleou de novo e eu cai na estante e bati a cabeça.
“Você pode ao menos garantir que ela não se machuque?” Ren gritou.
“Ele me protege muito bem!” eu gritei de volta.
Kishan Me puxou para seus braços e acariciou o inchaço na minha cabeça. “Não deixe ele te provocar, Kells. Ele só está tentando te irritar.”
“Talvez vocês três possam continuar essa conversa quando o navio não estiver sobre ataque?” disse Sr.Kadam. “Nilima! Pegue o timão!”
Ren pegou seu tridente e correu para as escadas que levavam ao topo da casa do leme. Kishan pegou seu chakram e correu para o topo do navio. Eu fui para a popa.
Ren Gritou alto. “Posso vê-lo! É um peixe grande de algum tipo.”
Eu olhei para a agua e ofeguei quando vi uma calda enorme.
“Está indo na sua direção, Kishan!”
O corpo gigante atingiu o barco até que ele se inclinou perigosamente para um lado. Quando nós nos estabilizamos e o barco caiu com um splash, eu sai correndo para o lado de Kishan. Porque o chakram não podia cortar através d’água. Eu atingi a criatura com raio, e ela circulou e mergulhou.
Tudo estava silencioso por alguns minuto proibidos, e então uma forma gigante se levantou da água atrás de Ren.
Minha boca abriu de surpresa. Era um gigante monstro peixe. Sua mandíbula inferior era vários metros mais saliente que a superior. Sua boca se abriu. Enormes presas como de vampiros estavam presas a partir de grossos lábios cinza e gigantes olhos amarelos estavam fixados em Ren. Duas longas nadadeiras se agitavam no ar como um beija-flor e longas listras pretas corriam de sua cabeça a cauda. Sua mandíbula de repente se fechou com um torno.
“Ren! Atrás de você!”
Ele se virou e enterrou o tridente na barriga do peixe varias vezes. Sangue negro saia dos buracos circulares. O peixe curvou seu corpo, e caiu parcialmente no topo da torre. Ren caiu ao mar e deslizou para baixo do corpo liso do peixe para a agitada água abaixo.
“Ren! Kishan, ajude ele!”
Kishan na hora mergulhou na água atrás de Ren.
Eu gritei para os homens abaixo. “Como isso vai ajudar?” e corri para a casa do leme. O peixe estava circulando a área e tentando chegar aos dois irmãos flutuando ao lado do navio. Ren usou seu tridente, mas não estava fazendo muito avanço. Ajudou o fato que a mandíbula inferior do peixe parecia tão grande para chegar perto o bastante para uma mordida; ao invés disso ele passou a socar o barco. Eu peguei a Echarpe e corri de volta para a beira. Agora, o peixe já tinha desistido de morde-los e estava tentando amassa-los no navio.
Eu murmurei, “Tentando fazer panquecas de um par de príncipes indianos? Bom, não no meu turno.”
Eu atirei as maiores explosões de raios que pude pela minha mão, e atingi o peixe em vários lugares. Ele se contorceu bravo na água, tentando sair do meu alcance. Ao mesmo tempo, eu fiz a Echarpe fazer uma escada de corda que ia do parapeito até o lado do navio, para o mar, e gritei para os
irmão subirem nela. Mantive o peixe longe deles o suficiente para que eles pudesse subir.
Quando estavam abordo, encharcados e cansados, eu gritei para Nilima, “Tire a gente daqui!”
Continuei mandando raios para o peixe até que estivéssemos longe o bastante para que eu desistisse. Quando senti que estávamos finalmente fora de perigo, eu olhei os dois irmão, e então os ignorei e voltei pisando fundo para a casa do leme.
Abri a porta e disse, “Bom, a teoria dos obstáculos é de verdade. Eu sugiro que nós façamos um curso entre todos esses pontos. Quando os garotos aparecerem, digam a eles que eu disse que são idiotas, e são bem vindos a me deixarem sozinha por um tempo.”
Nilima e Sr.Kadam não disseram nada. Com isso, eu bufei saindo da casa do leme e fui para o meu quarto. Tranquei as duas portas e enchi a Jacuzzi para um bom banho. Enquanto estava no banho, eu pensei culpada sobre o beijo. Aparentemente, eu terei de fortalecer minha decisão se quiser ser leal a Kishan. Não posso deixar Ren me pegar sozinha. Não tenho a força de vontade para resistir a ele. Ele é muito... muito potente. Apesar do meu próprio castigo, eu acabei pensando nele o tempo todo. Senti um ronco. O barco estava se movendo então obviamente estávamos indo para a toca do dragão verde. Suspirei, abri meus olhos, e sai da banheira.
Depois de me vestir, voltei para a casa do leme. Tudo estava quieto. O sol tinha se posto, e nem Ren nem Kishan estavam por perto. Achei Nilima sozinha dirigindo o barco cuidadosamente seguindo as instruções do Sr.Kadam. Pegando um cobertor, eu me fiz confortável em uma poltrona próxima. Ela olhou para mim de vez em quando, mas eu estava totalmente absorta meus próprios pensamentos.
“Você está pensando no que vai fazer agora, não é?”
Suspirei, “Sim. Estou pensando em como fazer Ren entender que não podemos ficar juntos agora.”
“Oh?” ela se virou e olhou para mim. “É isso que você estava pensando? Eu achei que você estaria imaginando qual deles a fará feliz.”
“Não. Isso com certeza não é o que estou imaginando.”
“Entendo. Então está determinada a ficar com Kishan então?”
“Eu fiz uma promessa a ele. Um compromisso.”
“Você não fez o mesmo com Ren?”
Eu estremeci. “Sim. Mas foi a muito tempo.”
“Talvez não a tanto tempo para ele.” Nilima olhou em frente para a escuridão.
“Talvez não.” Estudei minha mãos em meu colo. “O que você acha que eu deveria fazer?” perguntei.
Ela se espreguiçou lindamente e então voltou para sua posição anterior. “Você gosta de escrever em seu diário, certo?”
“Sim.”
“Então sugiro que escreve sobre os dois. Escreva sobre suas forças e suas fraquezas. Recorde o que você ama sobre eles. Coloque o que você gostaria que fosse diferente. Isso pode te ajudar a ver seus pensamentos no papel.”
“É uma boa ideia. Obrigada, Nilima.”
Passei os dias seguintes recordando meus pensamentos sobre os dois irmãos mas descobri que tinha muitas coisas boas e ruins para dizer sobre Ren, e apesar de minha lista sobre Kishan estivesse boa, era também muito curta. Não achei que estava fazendo um bom trabalho me focando nele, então me organizei para passar algum tempo com ele. Lhe fiz milhões de perguntas que teimosamente escrevia em meu diário.
O beijei diversas vezes de uma maneira clinica, tentando medir minhas reações a ele. Ele parecia alheio aos meus “testes” e gostava dos beijos pelo que eram. Nem uma vez beijá-lo causava a mesma reação que acontecia quando eu beijava Ren. Apesar de meus melhores esforços, descobri que
também não pude duplicar o sentimento da primeira noite, aquele primeiro beijo com Kishan, aquele quando Ren recobrou sua memoria. Comecei a suspeitar que minha reação não havia acontecia de jeito nenhum por causa de Kishan.
Uma noite, estava passeando no convés com Kishan e tive uma ideia para outro teste. “Kishan? Gostaria de tentar uma coisa. Se importa de me ajudar?”
“Claro. O que é?”
“Fique bem aqui. Não, atrás de mim. Bom. Agora fique aqui por um segundo.”
Eu disparei meu poder de fogo para a água. Luz branca saiu da minha palma e atingiu o oceano. Uma nuvem de vapor se levantou. “Ok, agora venha atrás de mim e me puxe de volta para o seu peito.”
“Assim?”
“Sim. Bom. Agora incline sua cabeça em meu ombro e toque meus braços. Coloque os seus em cima dos meus.”
Ele correu suas mãos para baixo e para cima nos meus braços. Eu me concentrei e coloquei toda minha energia, mas a luz não mudou. Não havia nenhuma intensa explosão dourada de poder. Não era arrebatador com um sentimento de ligação. Meu poder diminuiu e acabou. Eu encarei duramente a água.
“O que foi?” Kishan perguntou. “Há algo errado?”
Colando um sorriso no meu rosto, eu me virei para ele. Depois de lhe dar um selinho, eu disse, “Não. Não há nada de errado. Só uma ideia idiota. Nada de mais.”
Ouvi um barulho acima de nós e vi Ren inclinado contra um poste. Ele estava sorrindo para mim com ar conhecedor. Eu olhei para ele e beijei Kishan com força. Kishan envolveu um braço na minha cintura e me beijou de volta, profundamente. Quando olhei de volts, Ren estava franzindo o cenho.
Mais tarde naquela noite, eu estava deitada numa poltrona no convés olhando as estrelas enquanto Kishan estava malhando. Senti uma coisa quente, um aperto familiar no coração e soube que ele estava perto.
Uma voz hipnótica e profunda perguntou, “Posso me sentar?”
“Não.”
“Eu queria falar com você.”
“Fala o que quiser por que eu estou indo embora. Acho que temos muito sol.”
“O sol não está no céu. Sente e fique aí.”
Ren arrastou uma cadeira do salão para ao lado da minha se sentou com as mãos atrás da cabeça.
“Por quanto tempo você vai deixar que isso continue, Kelsey?”
“Não sei do que está falando.”
“Não sabe? Eu v você testando Kishan hoje mais cedo. Você não sente por ele o que sente por mim. Não sente com ele como sente comigo.”
“Você está errado. Estar com Kishan é... é como o paraíso.”
“O amor do céu faz um celestial.”
“Exatamente, nosso amor é celestial.”
“Não foi o que eu quis dizer.”
“Diz o que eu interpretar que diga.”
“Ótimo. Então não vai ter nenhum problema em interpretar essa aqui. ‘A senhora protesta em demasia, me parece.’ ou que tal ‘Oh, como essa fonte de amor parece a incerta gloria de um dia de Abril; que agora mostra toda a beleza do sol, e aos poucos uma nuvem leva.’”
“Uma nuvem não levou nosso amor embora, você levou. Eu te avisei quais seriam as consequências, e você disse, e eu repito: ‘Eu não precisarei de
outra chance. Não vou correr atrás de você de novo.’ Não foram essas suas palavras exatas, Ren?”
Ele vacilou. “Elas eram. Mas -”
“Não. Não tem ‘mas’. Não há volta nessa aqui. Ren”
“Mas, Kelsey. Eu fiz isso por você. Não porque eu quisesse, mas porque eu queria te salvar.”
“Entendo isso, mas o que está feito está feito. Não ferir Kishan porque você mudou de ideia. Você vai ter de conviver com as consequências das suas escolhas assim como eu.”
Ele se levantou e ajoelhou ao lado da minha poltrona. Pegando minha mão, ele entrelaçou seus dedos com os meus. “Está se esquecendo de uma coisa, iadala. Amor não é uma consequência. Amor não é uma escolha. Amor é uma sede – uma necessidade tão vital para a alma quanto água é para o corpo. Amor é um gole precioso que não só alivia a garganta seca, mas também vitaliza um homem. O fortifica o suficiente que ele está disposto a matar dragões pela mulher que o oferecer. Tire esse gole de mim, e eu me reduzirei a pó. Tirar isso de um homem quase morrendo de sede e dá-lo a outro enquanto ele assiste é de uma crueldade que nunca imaginei que você fosse capaz.”
Eu bufei e ele suspirou.
“’ Apesar de arte ser para mim um delicioso tormento.’ Kelsey.”
“Quem disse isso?”
“A primeira parte? Eu. A ultima parte, Emerson.”
“Entendo. Continue. Estava falando sobre suas partes ficando vitalizadas?”
Ele estreitou os olhos. “Você está zombando de mim.”
“Bom, você não acha que está sendo muito dramático,” Levantei meus dedos juntos, “só um pouquinho?”
“Talvez. Quem sabe eu seja um covarde. Shakespeare escreveu. ‘Covardes morrem muitas vezes antes de suas mortes, com a justificativa de nunca experimentar a morte mais que uma vez.’”
“Como isso faz de você um covarde?”
“Porque eu morri muitas morte, a maioria por sua causa, e ainda estou vivo. Tentar ter um relacionamento com você é como tentar resgatar alguém do inferno. Só um tolo continuaria voltando para ficar com uma mulher que luta com ele em todos os passos do caminho.”
“Ah, mas isso torna você um tolo, não um covarde.”
Ele franziu a testa e disse. “Talvez eu seja ambos.” Ele estudou meu rosto e perguntou baixinho. “Era muito pedir que você esperasse por mim? Que acreditasse em mim? Você não sabe o quanto eu te amo?”
Me contorci sob seu olhar.
Ren continuou. “Eu morro uma pequena morte toda vez que estamos separados, Kelsey.”
Eu engoli a culpa e deixei o orgulho me assumir. “Que bom para você, que gatos tem nove vidas. Eu só tenho uma vida e um coração, e ele já foi tão jogado por aí que ainda me surpreendo que ainda esteja batendo.”
“Ajudaria se você parasse de oferecer seu coração a todo homem que encontra.” Ele sugeriu secamente.
“Eu não me apaixono por todo homem que encontro ao contrario do que você pensa, Sr. Exagerado.” Eu cutuquei ele no peito. “Pelo menos eu não desfilei pretendentes seminuas com peitos artificiais por aí. Além disso, você me afastou, não o contrário. É sua própria culpa.”
“Bom, eu não esperava que você se estabelecesse imediatamente com outra pessoa agora, esperava? É um navio pequeno, eu pensei. Mas não, deixe Kelsey sozinha por cinco minutos, e ela de repente tem uma fila de namorados. Todo homem a bordo imediatamente chega em você, não é?”
Eu olhei para ele. “Você disse Kishan e eu deveria –“
Ele com raiva passou uma mão por seu cabelo. “Eu sei o que eu disse. Fazia sentido na época. Mas mesmo lá, uma parte de mim acreditava que você nunca faria isso. Eu não achava que pudesse realmente convencer você de eu não te amava mais. Foi uma péssima decisão com consequências negativas. Eu errei. Errei feio. Mas agora estamos quites. Você me deixou, e eu te deixei. Acabamos com isso. Podemos colocar de lado e esquecer.”
“Não, não podemos. Nós não somos os únicos envolvidos dessa vez.”
“Sempre tem outro alguém envolvido. Eu tenho que repetidamente trazer nossa relação, nos trazer, de volta do zero, e francamente, estou virando um especialista em impedir você de seguir em frente com outros homens. Quantos são agora? Dez? Vinte?”
“Está exagerando de novo.”
Ren estava ficando irritado. “Talvez eu esteja. Mas quer saber? Tá ok. Tá ótimo. É isso ai, Ó-T-I-M-O, ótimo. Você vá em frente e continue alinhando o seu fã-clube porque eu sempre estarei lá para derrubar um por um.”
Uma lágrima caiu pelo meu rosto, e depois de um momento silencioso, eu disse, “Ren, você desistiu de mim. Você me jogou nos braços de outro homem. Você realmente acha que poderia simplesmente estalar os dedos que eu voltaria correndo para você? Que eu poderia partir seu coração e não ferir o meu no processo?”
“Eu sei que o que eu fiz feriu você, nos feriu, e eu sei também que feriu Kishan. Se eu fosse um homem mais corajoso, eu deixaria as coisas do jeito que estão, mas não posso. Você me perguntou por que eu era um covarde. Sou um covarde porque me recuso ficar sem você. Não consigo imaginar uma existência feliz se você não estiver nela. Eu não vou nem considerar isso. Então é melhor se acostumar, porque não vou parar de tentar te ganhar. Se isso é uma batalha pelo seu coração, iadala, então estou pronto. Mesmo se a pessoa que eu que com quem eu tenha de lutar acabe sendo você.”
“Sério, Ren. Você não pode simplesmente aceitar minha decisão?”
“Não! Você está tão apaixonada por mim quanto eu estou por você, e se eu tiver que enfiar isso nessa sua cabeça dura então que seja.”
“É muito para a poesia, hein?”
Ele suspirou, segurou meu queixo com sua mão, e depois virou meu rosto para ele. “Não preciso de poesia, prema. Só preciso chegar perto o bastante para tocar você.” Ele traçou um dedo suavemente pelo meu pescoço e sobre meu ombro.
Meu pulso martelava e meu lábio tremeu quando eu tomei fôlego.
“Seu coração sabe. Sua alma se lembra.” Ele se inclinou e começou a beijar meu pescoço, mal tocando a pele sensível com seus lábios. “Isso é algo que você não pode negar. Você foi feita para mim. Você é minha.” Ele sussurrou suavemente contra minha garganta, “’Fui feito para domar você Kate, e mudar você de uma Kate selvagem para uma Kate confortável como outras Kates domesticas -’”
Eu congelei e o empurrei. “Não. Ren, para! Não ouse acabar essas falas!”
“Kelsey.”
“Não.” Me levantei e saí rapidamente, deixando meu livro no convés aos pés dele.
Ouvi ele ameaçar enquanto eu saía, “As linhas de frente da batalha estão traçadas, priyatama. Quanto mais formidável o oponente, mais doce a vitória.”
Por sobre o ombro, eu disse, “Pegue sua vitória e enfie no seu focinho, nariz de tigre!” Fui para o meu quarto ouvindo o som da sua risada abafada.
Na manhã seguinte, Kishan bateu na minha porta. Eu estava sonhado com Ren como um tigre branco, me caçando. Me sentei ereta na cama enquanto Kishan abria a porta, e então eu gritei, “Eu não sou uma gazela!”
Kishan riu, “Eu sei que você não é uma gazela. Apesar de suas pernas serem tão longas quanto as de uma. Hmm. Seria bom correr atrás de você e olhar para essas pernas.”
Joguei um travesseiro na cabeça dele. “Porque me acordou?”
“Um – já são nove horas. Dois – estamos na ilha do dragão verde. Então levante e se vista, Kells.”

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