Adeus? Eu nunca faço isso direito! Por que eu sempre estrago tudo? Eu pretendia dizer a ele porque eu não estava escolhendo ele. Eu queria que ele entendesse meu pensamento...ou pelo menos me escutasse. Honestamente, pensei que ele fosse ficar por perto e me convencer. Ele me diria que eu era uma idiota. Diria que eu estava apenas deixando meus medos mesquinhos me assustarem e me tirarem de algo maravilhoso, perfeito.
Pensei que seria mais fácil, mais pratico, se eu apenas escolhesse Kishan. Não. Prático é a palavra errada. Seguro. Essa era a palavra certa. Ren assumia riscos. Ren se cercava de belas garotas de biquíni. Ren se submeteu a Rendi. Eu sei porque ele fez isso, mas permanece o fato de que ele o fez. E se outra oportunidade de “me salvar” aparecesse, ele não hesitaria. Ele novamente se sacrificaria , e eu ficaria sozinha. Eu quase tive o homem dos meus sonhos. Mas quase não conta. Quase vencedores não são lembrados de qualquer forma. Ninguém se importa se você quase fez um touchdown. Se quase havia feito uma cesta de três pontos do garrafão. Se quase fez um ponto
triplo *. O que contava era o placar final. Eu era o técnico que tinha acabado de colocar para jogar um jogador novato. Tive minhas razões, mas os fãs não se importavam. Tudo que eles podiam ver era o jogador que fez eles pensarem que era uma decisão muito ruim.
Mas, para ser justa, você coloca o novato no jogo do campeonato, esperando que seu chamativo entusiasmo irá que garantir pontos? Ou você coloca um cara lento, mas estável? Os jogadores que já se provaram durante toda temporada. Eles podem não fazer cestas de três pontos, mas eles podem ir longe. Puxa. Eu estava mesmo pensando em analogia com esportes? Eu devo estar mesmo desesperada. Além do mais, quem cuidou de mim quando Ren nobremente se deixou ser sequestrado? Kishan. Quem permite que eu use o cabelo do jeito que eu quero? Kishan. Quem diz que estaria disposto a me deixar com outro se eu realmente quisesse? Kishan. Quem nunca discute comigo? Kishan. Quem deixa suas mãos para si quando pedi para fazê-lo? Kishan. Me distrai por um momento pensando que brigar com Ren resultava em ele colocando suas mãos em mim e eu acabava gostando, então tirei esse pensamento da mente. No que eu estava pensando mesmo? Ah sim. Kishan.
Kishan era uma aposta segura. Amar Ren era um risco.
Hmm... talvez eu devesse me alistar a um grupo anônimo. Eu poderia já ate imaginar.
Olá.Meu nome é Kelsey, e eu sou uma viciada.
Oi Kelsey.
Já se passaram cerca de dois minutos desde que deixei Ren ir, e eu acho que vou sair dos trilhos.
Não! Fique firme garota! Estamos aqui para suportar você.
Certo. Mas vocês não entendem. Eu não posso viver sem ele.
Claro que você pode. Você apenas deve viver um dia de cada vez.
Você diz que terei que viver um dia inteiro sem vê-lo
Meus companheiros viciados iriam rir. Tente uma vida inteira garota.
Você tem que dar uma de sangue frio. Expurga-lo completamente de sua vida. Recordações irão te tentar. Você é uma viciada, e você está em negação. Agora vamos repetir uma prece de serenidade: Conceda-me a serenidade para altruisticamente renunciar minha relação para poder salvar a humanidade; Para aceitar que o homem que eu amo não pode e não irá mudar; A coragem para o deixar atingir seu potencial e cumprir seu destino; E a sabedoria para ficar mais longe o possível dele.
Suspirei e deslizei para dentro das cobertas azuis do palácio de gelo. Talvez eu precise de um padrinho. Eu realmente esperava que Ren ficasse rodeando e me observasse ficar com seu irmão? Seria crueldade, como ele disse. Eu não poderia fazer isso se a situação fosse invertida. Talvez Lokesh me matasse, e então todos ficariam melhor. Parece que meu desaparecimento iria resolver o problema de todos. Adormeci e sonhei com Lokesh me perseguindo na floresta, exatamente quando Lùsèlóng caçou os garotos, exceto que eu não tinha nenhuma garra para me proteger.
Acordei me sentindo deslocada antes de me lembrar que estava no palácio do dragão de gelo. Virei de lado e enterrei meu punho logo abaixo da minha bochecha. A cama rolou ligeiramente e brilhou suavemente, quando minúsculas criaturas surgiram a superfície, aquecendo e me massageando em todos os lugares onde meu corpo tocou o colchão. Meus pensamentos continuaram exatamente de onde pararam na noite seguinte. Eu não estava sentindo confiante de que havia tomado a decisão certa, mas eu estava determinada a seguir em frente de qualquer maneira.
Ligado ao estranho quarto, havia um banheiro privado. As torneiras claras do chuveiro se viraram com facilidade, a água azul caiu em cascata a partir de uma série de jatos. Era quente e úmida apesar da aparência cristalizada. Utilizei um gel de gelo da cor do céu em meu cabelo. Ele vibrava e cheirava a hortelã.
Não haviam toalhas, mas quando desliguei o chuveiro uma série ventiladores se ligaram. Fiquei ali chocada, sentindo-me como um carro velho em um lava jatos do posto de gasolina. O ar quente soprou em meu corpo de cada ângulo, uma vez que superei a surpresa, eu realmente consegui aproveitar. Ahm. Agora eu entendo porque cachorros enfiam suas cabeças para fora das janelas do carro.
Totalmente seca, saí, e com consternação, tentei passar os dedos pelo meu cabelo. Eu tinha o cabelo em uma gigante bola de algodão. Levaria uma eternidade para pentear, então saí e pedi a Echarpe outras roupas. E então procurei outros seres humanos. Bem.. a coisa mais próxima de seres humanos de qualquer maneira. Encontrei meus tigres tomando café com o dragão.
“Hm...cheira bem.”
“Não irá se juntar a nós minha querida?” O dragão perguntou polidamente. Então olhou para cima. “Oh, você parece...fofa.”
Gemi e puxei uma mecha do meu cabelo fofo sobre meu ombro para olhar para ele. Kishan olhou para cima e começou a rir. Estreitei meus olhos. “Não é assim tão engraçado. Você não teria uma escova ou um pente, teria?”
Kishan riu. “Nops. Desculpe Kells.”
“Yínbáilóng?”
“Nós dragões não precisamos de tais acessórios.”
Suspirei e me sentei.
“Eu tenho um.” Ren disse baixo do outro lado da mesa. Estive evitando contato visual com ele. Tentando ignorar sua presença não havia funcionado realmente, eu estava ultra ciente de sua presença, mas fiz um bom esforço. Resignada, olhei para cima, mas ele já tinha virado de lado.
Ele colocou a mão na mochila do tesouro e tirou de lá um pente de ouro. Levantando-se de sua cadeira ele andou até meu lado e colocou gentilmente ao lado do meu prato, e então ele deixou a sala abruptamente. Peguei o delicado tesouro e me perguntei como poderia usar algo tão
inestimável para domar meu ninho indisciplinado. Era estreito, do tamanho de minha mão, com longos dentes. O topo foi esculpido com uma pérola mor e mostrava um cavaleiro em seu cavalo , matando algum tipo de fera.
Kishan espetou uma fatia de melão e disse com um sorriso. “Eu meio que gosto do jeito que ele está agora.”
Depois do café, segui Kishan e o dragão para nos sentarmos na sala. Ren já estava esperando por nós. Pegando o pente, comecei a trabalhar no meu cabelo conforme Yínbáilóng nos falava sobre cavernas de gelo e a chave escondida que precisaríamos obter para acessar ao Sétimo Pagode. Ele disse que a chave só poderia ser acessada por aquele com sangue dos deuses correndo em suas veias.
Escutei prestando apenas metade da atenção. Minha mente estava distraída, o que não era bom considerando que precisaria de nós três para recuperar o Colar de Durga e sairmos vivos. Felizmente, Kishan parecia estar prestando atenção. Sorri e sonhei acordada um pouco enquanto eu metodicamente penteava meu cabelo afofado.
Minha mente viajou para outro tempo, uma noite agradável na índia onde Ren havia penteado meu cabelo cuidadosamente. Meu coro cabeludo de repente, começou a formigar, e eu tremi um pouco lembrando de seu toque doce e hesitante. Olhei para cima e encontrei Ren me observando intensamente. Corei, me perguntando se ele estava pensando a mesma coisa. Ele rapidamente desviou seus olhos para longe e se voltou para o dragão escutando-o. Quando finalmente dominei me cabelo e o trancei, os três já haviam bolado um plano. Era hora de ir.
Pegando minha mochila e deslizando Fanindra pelo meu braço, segui Kishan, Ren e o dragão branco até a porta de gelo. Nós entramos em uma enorme sala sem moveis. Gelo claro nos cercava por todos os lado, e o oceano escuro era iluminado do lado de fora. Estranhas criaturas de todos os tipos nadavam preguiçosamente ao redor de nós.
“Eu chamo isso de quarto do aquário.” Anunciou o dragão branco.
Bufei. “Só que somos os peixes.”
Andei para mais perto de uma parede, com Kishan me seguindo. Um pepino do mar em forma diáfana de salsicha se movia ao logo do vidro, deixando um rastro. Caracóis e estrelas do mar também estavam presas a parede translucida. Olhei para além da estrela do mar e pulei para trás, vedo um peixe machadinha, do tamanho de um pufe, com brilhantes e gigantes olhos e uma boca escancarada.
Outros tipos fizeram eu me contorcer. Enguias Gulper com enormes cabeças e mandíbulas grandes o suficiente para engolir grandes peixes, maiores que elas mesmas, diabos marinhos com grandes dentes e um farol balançando, peixes lanternas com uma fileira de luzes caleidoscópicas minúsculas correndo ao fundo de seus corpos nadando, pronto para agarrar nossos dedos. Serpentes marinhas com dentes curvos tão grandes que o peixe não conseguia fechar a boca; lagostas e caranguejos albinos, águas-vivas coloridas, e o que o Yínbáilóng chamou de lula vampiro também se aproximou para dar uma olhada mais atenta.
Uma forma enorme e escura deslizava na caixa de gelo e vociferou. “O que foi isso?” Perguntei abalada. “Por favor me diga que não é um tubarão gigante.” Yínbáilóng riu. “Uma baleia cachalote. Elas são as únicas criaturas grandes que podem vir até essa profundidade. Elas gostam de dar uma passadinha para visita algumas vezes.”
“Ah.” Disse um pouco aliviada. “Ahm, exatamente quão profundamente estamos?”
“Bem, vamos apenas dizer que, normalmente, vocês não seriam capaz de sobreviver aqui. A pressão iria mata-los. Felizmente, vocês são protegidos enquanto permanecem em meu reino. Dragões podem resistir a qualquer pressão. Eu até poderia sobreviver nas Fossas das Marianas, a mais profunda trincheira do oceano, embora não seja um lugar muito agradável para se estar. Prefiro a metade inferior da zona batipelágica.”
“O que é isso?” Kishan perguntou.
“Os oceanos são divididos em quatro zonas de acordo com a profundidade. Jïsèlóng vive na zona eufótica, a qual compreende os
primeiros cento e cinquenta e dois metros do oceano. As plantas crescem lá e está cheio de uma variedade de vida marinha. Ele a deixa, porém, para procurar tesouro em todas as outras zonas. A zona mesopelágica é a próxima. Não tem tantas plantas vivas, mas numerosos animais ainda buscam sustentação nessas profundezas. É onde você acha a maioria das espécies de dragões.” O dragão branco sorriu brevemente e continuou.
“Estamos entre novecentos a três mil pés, a zona batipelágico, onde somente tem animais grandes, como mencionei, a baleia cachalote. A comida é escassa, mas eu providencio para aquelas que escolhem partilhar meu reino. Abaixo desse nível é a zona abissal, que continua mais para o fundo do oceano. Não tem muita coisa acontecendo por lá. Mas o Sétimo Pagode está localizado na parte superior da zona abissal. Não é realmente muito mais fundo do que vocês estão agora, e uma vez que vocês alcancem o Oceano de Leite, vocês irão ter uma suave navegação – se me perdoam o trocadilho.”
Dei uma cotovelada em Kishan. “Oceano de Leite? Nós já falamos sobre isso?”
Kishan se inclinou e sussurrou. “Vou te atualizar no assunto.”
“Obrigado.”
O dragão perguntou: “Gostariam de alimentar os peixes antes de irem?”
“Se você não se importa dragão, gostaríamos de pegar o nosso curso,” Ren disse me olhando inquieto.
“Muito bem. Certifique-se de se manter aquecida minha querida,”
“Hmm...Ok.” Nota para mim mesma: próxima vez que eu sair com um dragão branco no fundo do oceano, prestar atenção
Kishan utilizou a Echarpe para me fazer uma parca e equipamentos de neve. Ele deslizou a jaqueta pelos meus braços e ombros e me entregou um par de luvas tão espessas que tornaram minhas mãos inúteis. Ele enrolou um cachecol ao redor de meu pescoço e concluiu o vestuário com , não um, mas dois gorros.
“Não acha que foi um pouco exagerado? Me sinto como a mulher das neves.”
“É gelado para onde estamos indo.” Kishan explicou.
“E....Para trás.” O dragão interrompeu. “Preciso assumir minha forma natural para abrir as portas.”
Não havia visto portas, exceto a porta dos fundos pela qual viemos, mas Kishan me pressionou contra a parede enquanto eu fingi não observar o peixe faminto com dentes gigantes bater inutilmente contra o gelo tentando dar uma mordida. Yínbáilóng rachou e estilhaçou em mil fragmentos brilhantes e desapareceu, e um corpo branco cintilante enchia o chão de vidro. As garras do dragão eram azuis, assim como seus olhos. Sua barriga brilhava como a aurora boreal. As escamas em sua volta pareciam diamantes brancos e brilhavam conforme ele se movia.
O rosto cumprido do dragão branco se virou em minha direção com um sorriso, a sua língua bifurcada azul desenrolou para fora enquanto o escutava rir em minha mente. Os dois chifres na parte de trás de sua cabeça pareciam pingentes de gelos longos, e havia mais nas extremidades de sua cauda.Seus pelos brancos se estendiam ao logo do topo de sua cabeça nobre e por todo o caminho de suas costas.
Tirei uma luva e acariciei o nariz do dragão, encontrando-o suave e quente, e não de todo gelado. “Você é lindo.”
Obrigado minha querida. Gosto de pensar assim. Agora fique atrás de mim para que eu possa abrir as portas.
Yínbáilóng inclinou sua cabeça para espiar a parede. Sua boca se escancarou para revelar longas fileiras de dentes pontiagudos. Seu corpo começou a brilhar mais e mais até que tive que desviar o olhar. A luz parecia se mover em direção a sua cabeça até que se concentrou em seus olhos. A luz azul disparou de sua órbita que não piscava e penetrou na parede. Camadas de gelo descascaram, como se estivesse derretendo. Eu olhei e vi uma porta onde não havia uma antes.
Quando o dragão estava satisfeito, ele se afastou, exalou uma respiração congelada e mudou para a sua forma humana. “Está feito. Através dessa porta existe um caminho que irá leva-los direto para o Oceano de Leite. Depois de atravessa-la e encontrar a guardiã, ela irá guia-los para a chave e para o Sétimo Pagode. Escutem atentamente suas instruções. Agora, devo ficar por aqui para ajuda-los com as amarras?”
“Isso provavelmente é uma boa ideia.” Kishan disse.
“Você primeiro minha querida. Vamos nos certificar que você estará confortável.”
Assim que comecei a perguntar de que todos estavam falando, Kishan me guiou por uma porta e segurou um trenó. Ele rapidamente empilhou grossos cobertores em cima de mim e me prendeu.
“Iremos viajar de trenó.” Kishan explicou.
“Yeah. Posso ver isso. Onde estão os cães?”
O dragão deu um tapinha em minha cabeça e respondeu. “Seus jovens homens irão puxar o trenó.”
“O que? Como? Eles irão congelar.”
“Eles ficarão perfeitamente quente. Senhores?”
O cabelo de Ren caiu em seu rosto quando ele se inclinou para amarrar sua mochila ao trenó. Ele estava tão perto que seu cheiro quente de sândalo tomou conta da mim. Meus dedos coçaram para alisar seu cabelo para trás, mas ele se levantou sem olhar para mim, balançou a cabeça, e ele e Kishan se transformaram para suas formas de tigres. Observei em choque o dragão os amarar nos cintos do trenó.
“Eles não precisam me puxar.” Gaguejei. “Eu posso andar.”
O dragão rejeitou rapidamente minha sugestão. “Dessa maneira será muito mais rápido. Além disso é melhor não se demorar muito no gelo. Os animais aqui ficam com muita fome, essas paredes podem ser grossas, mas nunca se sabe quando ele podem quebrar e atravessar.”
“Por quebra, você quer dizer...quebrar o gelo?”
“Sim. Eu recentemente tenho solidificado os túneis, mas há uma tremenda pressão nessa parte do oceano. Claro, se lembre que vocês nem sempre ficarão vulneráveis no oceano, o túneis de gelo levam a cavernas que serpenteiam através de rochas.”
“Fabuloso. Então, como dirijo essa coisa?”
“Essa é a parte bela. Você não precisa. Seus tigres o farão por você.”
“Maravilhoso.” Murmurei sarcástica.
“Boa sorte para todos vocês , desejo o melhor.”
Com isso, o dragão fechou a porta, e nós caímos na escuridão. Fanindra se enrolou em torno da alça do trenó e iluminou um pouco a caverna com o verde de seus olhos.
“Tudo bem rapazes. Mush**, eu acho.”
Ren saltou primeiro e o trenó balançava precariamente para o lado por um tempo, até que os irmãos entraram em ritmo. Assisti aos tigres correndo, garras fincando no gelo, e me mantive cautelosa, procurando por peixes famintos. A um ponto, um peixe do tamanho de humano de Ren demonstrou interesse. Ele correu conosco por vários minutos e até cutucou o túnel de gelo, os raspando brevemente com seus longos e pontiagudos dentes, antes de nadar para longe – para meu grande alívio. Ren e Kishan pareciam ter quantidades infinitas de energia e correram por várias horas, parando apenas para breves descansos.
De alguma forma, em algum ponto ao longo do túnel de gelo eu adormecia – somente sendo despertada por um solavanco repentino ao longo do caminho. Piscando na escuridão, eu me perguntava o quão longe tínhamos viajado. O suave túnel de gelo através do oceano havia mudado para uma neve como gelo-esmagado com rochas salientes, e percebi que
estávamos cercados por terra e não água. Insisti para que parássemos para que os irmãos pudessem comer e desejei uma carne assada inteira para cada um. Bebi um chocolate quente enquanto eles comiam e descansavam.
Estava frio, e eu me sentia como o homem de lata. Todas as minhas articulações congelaram em qualquer posição que fosse que eu havia adormecido. Me movimentei e tentei achar uma posição mais confortável e inutilmente tentei remover meu cinto de segurança para que ele não se enterrasse em meu ombro. Frustrada, tirei uma luva e imediatamente senti a diferença de temperatura. O ar estava tão frio que era doloroso. Era o tipo de frio que se infiltrava em seus ossos, e até o mais quente dos chuveiros não seria capaz de aquecer novamente.
Depois de algumas horas de corrida, Ren e Kishan decidiram parar pela noite. Desamarrei os meninos de suas correias e pedi para a Echarpe fazer uma barraca e dezenas de cobertores, e em seguida rastejei para debaixo de todos eles. Meus tigres se aconchegaram bem perto de mim, cada um de um lado, como pequenos super aquecedores eles me mantiveram aquecida a noite toda.
Continuamos a viagem no dia seguinte. Por volta da metade da manha, a caverna em rosa se abriu em uma grande caverna com um lago congelado. Os tigres andaram cautelosamente sobre o gelo, cheirando conforme se moviam. Mais alguns passos cuidadosos, e eles começaram a correr novamente, embora mais lentamente. Não tinha ideia de como eles sabiam onde ir, mas eles foram em frente, ambas as cabeças apontadas para a mesma direção. Talvez fosse um sexto sentido de tigre. Ou mais provavelmente, eles sabiam onde ir porque escutaram o dragão branco enquanto minha mente estava ocupada em outros lugares.
Entramos em um outro túnel do outro lado do lago. Ele não demorou muito antes que entrássemos em uma caverna esculpida. O gelo percorria um caminho circular ao redor dela, no centro estava uma alta fonte de pedra. Ren e Kishan pararam, e eu pedi a Echarpe para fazer roupas enquanto os
desafivelava. Quando eles estavam livres, dirigi minha atenção para a fonte, que tinha cerca de seis metros de altura, possuía quatro bacias e estava coberta de gelo.
Kishan encolheu os ombros em um casaco grosso e se aproximou de mim.
“Cabe a você agora Kells. Liberte o guardião.”
“O que? O que tenho que fazer?” Perguntei nervosa, imaginando o novo tipo de coisa assustadora que eu iria enfrentar.
“Derreta o gelo.” Kishan respondeu indicando a fonte.
Aliviada, eu relaxei e sorri. “Isso eu posso fazer. Água corrente, vindo já.”
Tirei as luvas de ambas as mãos. Comecei do topo da fonte, e lentamente fiz meu caminho para baixo. Cada centímetro que eu derretia, revelava os mais belos detalhes cravados na escultura de peixes, golfinhos, estrelas do mar, caranguejos e tartarugas. Meu poder começou a diminuir quanto apenas tinha feito um terço do caminho.
“O que há de errado?” Kishan perguntou.
“Ela esta fria.” Uma voz quente atrás de nós respondeu. Uma voz que tenho tentado desesperadamente ignorar.
Kishan pegou minha mão e as esfregou entre suas palmas. “Está melhor? Tente agora.”
Eu tentei, mas o calor rapidamente crepitou novamente, e o pior, a água que eu havia descongelado estava se cristalizando.
“Talvez você precise descansar por um tempo.” Kishan sugeriu.
Ren se aproximou e silenciosamente estendeu a mão. Olhei para ele e balancei a cabeça.
“Não seja teimosa Kelsey.”
Esfreguei as palmas de minhas mãos vigorosamente. “Posso fazer sozinha, obrigado.” Toquei meu núcleo central de fogo e joguei tudo que tinha em uma labareda, determinada a não pegar a mão de Ren e me permitir sucumbir a queimação que sentiria quando ele me tocasse. Eu poderia terminar sem ele.
Forcei o calor para fora até que a caverna se abalar com ele. O gelo se derreteu mais e mais rápido. Comecei a suar com o fogo jorrado de meu braço. Quando finalmente descongelei a parte inferior da fonte, tive cerca de dois segundos para me maravilhar com a sereia em tamanho natural que eu havia descoberto antes de desabar aos pés de Kishan. Ele me pegou e me colocou na borda da fonte para descansar. Ren me repreendeu, apesar de minhas garantias verbais de que estava bem e minha advertência para ficar quieto.
Agora que a água estava se movendo livremente, eu vi como bonita ela era. A água não era clara ou mesmo azul. Era um branco leitoso e brilhante. Golfinhos na parte superior da fonte dispararam para a segunda bacia, enquanto os peixes de pedra espiaram para fora da terceira tigela e pularam pela água até a próxima. Tartarugas se esticavam como se estivessem se bronzeando nas pedras, e a sereia contorceu sua calda e penteou seu longo cabelo com seus dedos e...espere...a sereia estava viva!
Ela ria e torcia seus dedos glamourosos em Kishan. “Você não é uma garota de sorte por ser carregada por tal belo homem?”
“Sim. Minha sorte transborda. Você é a guardiã da chave?”
“Isso tudo depende.” Ela se inclinou para frente e sussurrou em conspiração. “Apenas entre nós garotas, posso ficar com um desses dois?”
Franzi o cenho. “O que, exatamente, você faria com um deles?”
A sereia deu risadinhas. “Tenho certeza de que poderia pensar em alguma coisa.”
“Eles tem garras e caudas, você sabe.”
“E eu tenho escamas. E daí?”
“Sim, é verdade, você tem escamas.” Kishan grunhiu em apreciação.
Bati em seu braço levemente. “Pare de olhar.”
“Certo.” Ele limpou a garganta. “Nós realmente precisamos da chave para o Sétimo Pagode. Hmm... qual é o seu nome?”
Ela fez um belo beicinho. “Kaeliora. Tudo bem, vocês podem ter a chave. Mas terão que obtê-la vocês. Se não posso ficar com um dos homens, então não há uma boa razão para que eu molhe meu cabelo novamente.” Ela franziu a testa e olhou para seu reflexo na água. “Tem ficada coberta de gelo por muito tempo, as raízes estão secando.” Ela comentou. Pegando um pente feito de coral, ela começou a pentear delicadamente as mechas de seu longo cabelo loiro. Quando ela pegou a seção que cobria a parte superior de seu corpo, eu engasguei baixinho. Ela tinha escamas. Elas cobriam toda a sereia. Seus braços, rosto e costas eram humanas, mas as escamas de sua calda de peixe subiam pelo seu torço e se enrolavam em seu pescoço como uma frente única. Quando ela se virou para ver seu reflexo na água novamente, eu vi que toda a frente da parte de cima de seu corpo estava incrustado de escamas estilo roupa-apertada que pareciam de alguma forma mais provocativa do que se ela estivesse nua. As escamas de Kaeliora eram de um tom roxo-esverdeado e cinza como a truta arco-íris. Ela era maravilhosa e parecia estar buscando pela atenção de Ren e Kishan.
Deliberadamente olhando para a tartaruga, eu disse. “Então? A chave? Você não precisa molhar seu cabelo. Eu o farei.”
“Ótimo, mas primeiro, onde está meu presente?” Ela agitou os dedos.
“Que presente?” Perguntei.
“Vocês sabem... algo brilhante e vivo?”
“Uh... desculpe. Não lhe trouxemos nada.”
Ela fez beicinho. “Então acho que não posso ajudar vocês de qualquer forma.”
“Espere.” Ren disse. Ele abriu sua mochila e pegou o ramo de Lótus. “A profecia diz para colocar a coroa de flores lótus no Oceano de Leite. É
isso que você quer Kaeliora? Flores?” Ele colocou as flores na água de leite, onde elas flutuaram para os dedos estendidos da sereia.
“Ah!” Ela pegou a coroa e aninhou o ramo em seu rosto. “Eu não tenho sentido o aroma de flores a mil anos. É perfeito.”
Ela colocou a coroa de flores ao redor de seu pescoço e jogou sua calda na água feliz.
Ficamos parados por um minuto esperando ela nos notar novamente. A sereia admirava seu reflexo, as flores , seu cabelo e assim por diante.
Finalmente, eu disse. “A chave?”
“Ah! Você ainda estão por aqui? Muito bem.” Ela murmurou enquanto estudava seu cabelo procurando por pontas duplas. “É por ali, no fundo do lago.”
“O fundo do lago! Como você espera que a consigamos?” Perguntei
Ela levantou sua cabeça e sorriu. “Nadando é claro. Que pergunta mais boba.”
“Mas a água esta congelada e é muito fundo!”
“Não é assim tão fundo. Somente seis metros ou mais, mas é gelado. Quem quer que vá provavelmente irá congelar antes de voltar para a superfície.”
“Eu irei.” Ren suavemente se voluntariou.
Algo estalou dentro de mim, e eu não pude evitar de explodir. “Claro que você diz isso!” Gritei. “Sempre disposto a seguir o caminho perigoso não está? Não consegue resistir a uma causa nobre, não importa o quão perigosa seja! Por que não? Ele é mais rápido que uma bala em curso, capaz de pular de prédios. Naturalmente, você quer ir.”
“Por que eu deveria ficar?” Ele perguntou baixo.
“Não. Você está certo. Você não tem absolutamente nenhuma razão para se manter salvo. É apenas outro dia de ofício para você, não é? Super-homem? Não, Homem-Gelo seria mais apropriado nesse caso. Por que não?
Vá em frente! Voe e salve o dia, como você sempre faz. Só se certifique que você não retorne como Sr.Frio. Ele era o vilão.”
Kishan deu um passo para frente. “Eu acho que você está exagerando Kells?”
“Claro que estou. Mas nós temos nossos papeis a seguir não temos? Eu irei interpretar a namorada irritante que impede todos de irem. Você pode ser o cara legal que fica para trás, consola a garota e segura sua mão, e Ren pode ir e salvar o mundo. É assim que funciona, não estou certa?”
Ren suspirou e Kishan me olhava como se eu estivesse fora de mim, o que eu estava, e a sereia enrugou seu nariz e riu. “Isso não é divertido?” Ela disse. “Mas isso não importa de qualquer maneira. Ele não pode ir. Apenas esse aqui pode.” Ela apontou para Kishan e então ficou fascinada com suas unhas.
“O que? Por que ele?” Perguntei.
“Porque ele bebeu a soma*. Se este aqui tentar entrar na água,” ela apontou para Ren, “ iria morrer imediatamente.”
“Bebeu a soma? Você quer dizer aquele drinque na casa de Phet?”
“Não tenho ideia de onde ele bebeu. Eu apenas sei que ele o fez. O poder brilha em sua pele. Não consegue ver? É muito atraente.”
Dei uma espiada em Kishan. “Não. Não consigo ver seu poder.”
“Bem, a água é cheia dele. Poder, quero dizer. Meu trabalho é agita-lo de vez enquanto para que não se assente no fundo. Coloque um dedo e você irá ter o choque de sua vida. Um braço e seu cérebro se desliga. Seu corpo inteiro? Zap! Você é apenas uma noz-moscada flutuando na gemada.” “Ótimo.” Murmurei.
“Mas a água faz maravilhas para uma escama de uma garota. Banhos de leite estão na moda quando a sua cauda resseca. Embora você não deva tentar. Não há apenas delícias cremosas nesse lago. Todos os tipos de poderes especiais estão nele, e apenas uma elite de poucos podem acessa-los. Você pode chamar de piscina dos deuses, e apenas aquele que tem o passe pode
entrar. É um clube do tipo só permite membros. Ele provavelmente irá congelar de qualquer forma, mas ao menos ele tem uma chance. Ah, eu esqueci de mencionar, é melhor você fazer isso rápido. Meus dedos já estão congelando, e se a fonte se congelar novamente antes de você volta, você não poderá entrar ou sair do lago, e eu não serei capaz de dizer como conseguir o Colar.”
Ficamos lá estupefatos.
“Xô. Vão agora. Corram.”
Nós três saímos correndo, escorregando e deslizando no túnel do lago. Escutei suaves reclamações da sereia, se lamentando porque sua calda não conseguia hidratante o suficiente. Então, viramos em uma curva, e eu não pude mais escutar suas palavras.
Kishan tirou seu casaco e seus sapatos enquanto eu usava o meu poder para fazer um buraco no gelo grande o suficiente para que ele entrasse.
Escutamos fracamente a voz de Kaeliora gritando. “É dourada! Brilha no escuro! Não tem erro!”
Kishan sacudiu seus braços, me beijou com força e mergulhou direto no gelo. Ele lá em baixo por vários minutos antes de sua cabeça rachar o vidro fino que cobria o buraco. Tomando um grande fôlego ele disse. “Não consigo ver ainda.”
Fiquei lá chocada, mordendo meu lábio, tentando arrumar uma desculpa racional do porque eu não reagi da mesma maneira com Kishan, mergulhando em uma água perigosa, como foi com Ren. Eu logo fui capaz de me convencer que foi apenas porque eu não havia tido tempo de processar meus sentimentos.
Mais duas vezes Kishan emergiu. Da ultima vez ele disse, “Eu a vi, mas está bem longe. Tenho certeza de que posso pega-la.” Seus dentes batiam, e seus lábios estavam azuis.
Kishan submergiu novamente, a sereia chamou falando alto mas entediada. “Ele não vai conseguir. Ele está congelando. Você pode ajuda-lo, você sabe.”
“Como?” Gritei de volta.
“Você já sabe como.”
Deixei mais alguns segundos se passarem antes de arrancar meu casaco e puxar Ren. Ele não disse nada, e ele já parecia saber o que eu estava fazendo. Eu levantei as mangas da minha blusa e atirei com meu poder no lago. Ren me puxou contra seu peito, pressionando sua bochecha contra minha, e deslizando suas mãos pelo meu braço. Senti chamas quentes lamberem minha pele enquanto o poder dourado explodia de não uma palma de minha mão, mas de ambas. Ele entrelaçou os dedos nos meus , e o calor se intensificou.
Vapor rosa subiu do lado e o buraco aumentou rapidamente e começou a se expandir por toda a superfície. Uma cabeça emergiu pela metade e Ren sussurrou. “Ele está bem. Consigo escuta-lo respirando. Você consegue fazer mais?”
Concordei e continuei a aquecer o lago até que eu não consegui mais ver gelo e Kishan começou a nadar em direção a nós através da água leitosa.
Ele se aproximou e gritou. “Ei! Isso é muito gostoso. Quase como uma sauna! Uma pena que vocês dois não podem tentar!”
Vendo que ele estava seguro, eu me empurrei para longe de Ren, que levantou uma sobrancelha, mas por outro lado não disse nada, e pedi a Echarpe para fazer toalhas.
Kishan se ergueu, saiu da água e se sacudiu como um cachorro. Ele me segurou, me deu um beijo muito encharcado e pressionou a chave na minha mão. Enquanto Kishan ficava atrás e trocava suas roupas para roupas secas, eu corri o caminho agora lamacento de volta para a fonte com Ren me seguindo silenciosamente.
Deslizei até parar em uma sereia metade congelada, dei a ela uma rajada de calor, e então mostrei a ela a chave. “Conseguimos. Agora o que fazemos?”
* Jogada tripla é muito difícil pois os jogadores de defesa têm que ser extremamente rápidos. Ela consiste, normalmente, em lançar a bola (recuperada após uma rebatida válida) para o guardador da terceira base (eliminando o corredor que avançava para esta base), que lança para o da segunda base (eliminando mais um corredor), que lança para o da primeira base (eliminando o terceiro atacante que no caso é o rebatedor). Assim, em apenas uma jogada três jogadores são eliminados e os times trocam de posição.
** comando para cães de trenó. *** A planta , ou o inebriante suco da planta, usados em antigas indianas cerimônias religiosas. Inevitavelmente, dada a tradição indiana, a planta e seu suco, foram personificada como um deus, Soma.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)


0 comentários:
Postar um comentário