quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Capítulo 25: O sétimo pagode

Postado por Estante de Livros às quarta-feira, outubro 23, 2013
“Ótimo. Agora me escutem com muita atenção. Vocês obviamente procuram pelo Colar e tem o auxílio de Durga.” Kaeliora pausou para delicadamente cheirar as flores de lótus novamente. “Caso contrário eu não estaria ajudando vocês. Continuem a seguir esse caminho. O túnel irá leva-lo de volta ao oceano. Sugiro que se movam pelo gelo rapidamente, porque algumas das mais antigas criaturas do mundo fizeram desse reino seu lar, e eles não estão muito interessados em intrusos.”
“O dragão branco não nos contou sobre isso.” Comentei enquanto Kishan nos alcançava.
“Sim, bom, ele não tem vindo aqui em baixo a muito tempo , e o que não é fatal para um dragão pode ser mortal para um humano. Algum dos mais terríveis predadores do oceano são meros bichinhos de estimação para alguém como Yïbáilóng. Uma vez que vocês chegarem no Pagode, use a chave para abrir as portas. O Colar será encontrado dentro de uma concha de uma grande ostra na piscina da água de leite, então se certifique de que apenas ele,” ela balançou a cabeça em direção a Kishan, “vá procurar por ela. Essa é a parte fácil.”
“Maravilhoso.” Murmurei.
“A parte difícil é-” ela torceu sua cauda novamente e grunhiu suavemente. “Pareço estar congelada novamente.Você se importa?”
Balancei a cabeça e levantei minha mão mas nada aconteceu.
“Ela não pode. Ela está exausta.” Kishan explicou.
Ren removeu sua luva e pegou meu pulso antes que eu pudesse me afastar. A luz dourada surgiu de minha palma da mão para aquecer toda a fonte. Vapor saiu da fonte, e a sereia afundou mais na água, suspirando em apreciação.
“Isso é absolutamente encantador. Você não tem ideia de quanto tempo tem desde que eu estive realmente aquecida. Obrigado.”
“Sem problemas.” Abaixei minha mão e tentei discretamente puxar meu pulso para fora do aperto de Ren. Timidamente, dei um passo para mais perto de Kishan que parecia chocado. Olhei para Ren , que apenas olhou para outro lado. Não era como se eu estivesse traindo Kishan, mas me senti como se estivesse acabado de ser pega com os lábios-cerrados em Ren. Havia algo diferente, algo especial sobre a labareda dourada, e eu não queria explorar a singularidade dela.
“Não é nada.” Sussurrei.
A sereia discordou. “Ah. Eu definitivamente diria que é alguma coisa. Não vejo uma conexão tão forte em milênios.”
“O que você quer dizer com conexão?” Kishan perguntou polidamente mas com uma insinuação por trás da pergunta.
“Essa luz. É mais poder do que ela pode fazer sozinha. Ele age como... bem, como filamento. Ela exala sua energia e ele a aquece. E então ele envia de volta para ela como um bulbo de uma lâmpada. Eles criam um tipo de vácuo entre eles; essa é a conexão a qual estou me referindo. É muito especial e raro de se ver. Quando eles estão se tocando, nada mais existe ao redor deles dois. Tudo que eles estão ciente é apenas eles dois.”
Minha primeira reação foi choque. Isso explica bastante. A sereia estava mortalmente precisa. Só havia apenas um problema com sua teoria. Ren não precisava me tocar para criar um vácuo. Eu podia senti-lo – todo calor e poder- o tempo todo. Todo que preciso fazer é fechar meus olhos, e ele poderia
me prender em uma bolha tão forte que eu iria esquecer todo mundo e tudo mais. Ren era tão potente.
Minha conexão com Ren era cósmica. Fazia sentido. Estávamos destinados a encontrar um ao outro para quebrar a maldição. Era tudo. E se eu apenas evitasse toca-lo, eu provavelmente poderia fazer um trabalho melhor sendo a namorada de Kishan, e como resultado, me sentir menos atormentada pela culpa. Talvez eu seja até capaz de esquecer o-que-tem-aquele-nome e amar Kishan completamente com meu coração inteiro, o que era meu objetivo.
Kishan olhou para mim com dor e confusão, provavelmente entendendo errado as confusões que cruzavam meu rosto. Segurei a mão de Kishan e minimizei pensamentos que não queria ter.
“Bem, acho que isso explica porque podemos criar luz dourada juntos, se pudermos aceitar a palavra de uma sereia de gelo com uma analogia de bulbos lâmpadas. Como se ela pudesse saber. Parece que ela trocou muitas lâmpadas aqui em baixo no oceano.” Eu ri embora ninguém mais tenha feito. Limpando minha garganta, eu gaguejei. “É um ferramenta útil no entanto. Salvou sua vida agora a pouco Kishan.
Apertei sua mão, uma silenciosa mensagem de que conversaríamos sobre isso mais tarde, e pedi a Kaeliora que continuasse com o que ela estava supostamente deveria nos contar. Eu também lancei um olhar a alertando para não falar de outras coisa que deveriam ficar não mencionadas.
“Ah, sim... sobre o que eu estava falando?”
“A parte difícil.” Ren ajudou.
“Ah, sim. A parte difícil é não conseguir entrar. É conseguir sair. O Colar irá ajuda-lo a escapar. Apenas peça por uma maneira de emergir. Pode manipular água, assim como seu outro item manipula roupas. Mas um grande predador espreita a Sétimo Pagode. Não come. Não caça. Não dorme. Seu único objetivo é evitar que você faça o que está indo fazer.”
“Será capaz de quebrar os túneis de gelo?”
“Não terá que quebrar. Você não pode fugir através dos túneis.”
“Por que não?”
“Porque uma vez que vocês passem pelo limite do Pagode, os tuneis irão derreter para prevenir que qualquer ladrão escape. O único caminho para a superfície é o oceano.”
“Mas a pressão irá nos matar.”
“Não se tiverem o Colar. Embora ainda seja muito perigoso. Entenda isso antes de fazer sua escolha. Você ainda pode retornar se não quiser arriscar.
Ambos olharam para mim. Mordi meu lábio. “Vamos continuar. Viemos até este ponto.”
“Muito bem. Antes que partam, eu tenho um presente para você Buscador da Chave. Você pode encher seu frasco em meu poço.” Ela disse com um grande floreio.
“Meu frasco?” Kishan perguntou curioso.
“Sim. Um frasco. Um recipiente de algum tipo. Você não tem um? Durga deveria ter lhe dado um.”
“Durga?”
“Sim, sim.”
“Um recipiente de Durga? É o kamandal.” Explodi de animação. “Você o está usando?”
Ele puxou a correia ao redor de seu pescoço e tirou uma concha de sua camisa. “Você quer dizer isso? Mas não tem uma rolha.”
“Isso não importa,” a sereia disse. “Apenas mergulhe isso em minha fonte. Você não precisará de uma rolha. Nem uma gota será derramada a menos que você deseje usa-la.”
Ele segurou a concha debaixo de uma corrente de água leitosa. “O que supostamente eu devo fazer com isso? Matar pessoas?”
A sereia riu – um som borbulhante e feliz. “Não. Suas propriedades irão mudar uma vez que deixem esse lugar. Não irá machucar mais vocês. O néctar da imortalidade é somente para ser utilizado quando se estiver mais desesperado. Confie em seus instintos. É para usa-lo livremente para mudar o curso do destino. Um homem sábio vê todo o caminho que deve andar e abraça o livre arbítrio da humanidade, mesmo que vê-lo se desdobrar cause a ele dor.”
Kishan concordou e colocou o kamandal sobre sua blusa.
“Se é sua decisão seguir em frente, eu sugiro que vá rapidamente.”
Ren e Kishan prepararam o trenó enquanto a sereia me chamava para ir até ela. Ela colocou uma flor do ramo e a pressionou em minha mão.
“Você é sortuda jovem dama. O amor pode ultrapassar muitos desafios. É um tesouro precioso – vale mais que todas as outras coisas miraculosas. É a mais poderosa mágica no universo. Não deixe isso escapar pelos seus dedos. Segure-o.Com firmeza.”
Concordei e me virei para amarrar os tigres. Depois que estava sentada e afivelada, me virei para olhar a sereia uma ultima vez. Ela estava contente espirrando água de sua fonte. Dei um tapinha em Fanindra e amarrei uma das mochilas para ficar mais segura, e então começamos.
Quando os rapazes circularam a fonte, eu engasguei em choque. A sereia e a fonte inteira já estava congelada. Gotas leitosas pendiam suspensas no ar, gotejando da boca dos peixes congelados. Kaeliora havia abaixado sua cabeça para cheirar o ramo e havia congelado com um sorriso brilhante em seu rosto. Os garotos começaram a correr e eu me virei para olhar o caminho iminente diante de nós.
Não demorou muito para que saíssemos do túnel de gelo novamente, correndo pelo oceano. A água negra nos rodeando de repente me tornou
temerosa. Corremos o caminho, e eu não pude evitar de cantarolar a musica do pedalinho assustador de Willy Wonka. Arrepiantes peixes neons disparavam para dar uma olhada, mas a maioria nos deixava sozinhos. Eles não eram realmente grandes o suficiente para quebrar o gelo, mas não demorou muito até que algo grande demonstrou interesse.
Não podia ver nada exceto por uma sombra cinza no começo. Pensei que minha mente estava pregando peças em mim, mas então desci o olhar para meu lado e vi um gigante olho me espiando. Eu gritei e os tigres deslizaram para parar. Algo em pararmos estimulou a criatura a agir. Ele cutucou o túnel de gelo por baixo. O trenó subiu no ar de forma abrupta e desabou , tirando o ar de meus pulmões. Kishan e Ren caíram de pé sobre suas patas, e o trenó inclinado bateu na lateral. Fui empurrada contra o gelo e nos endireitei enquanto os garotos mexiam seus pés.
A criatura nadou para a direita e raspou sua lateral escamosa contra o gelo. Nós saltamos para o outro lado e uma rachadura apareceu. Ren e Kishan dispararam em uma corrida, com a criatura em perseguição. Comecei a avisar a posição dela, para que eles pudessem se preparar para quando fossemos atingidos. Rachaduras foram se formando por todo o túnel. Eu sabia que o oceano rapidamente iria entrar e nos matar. Não tínhamos bolhas do dragão aqui- tudo que podíamos era correr.
Mais e mais rápido os tigres disparavam, mas a criatura rapidamente nadava de fora. Em algum ponto, eu não podia vê-la mais e havia acabado de suspirar de alívio quando olhei para a direita e vi algo nadando em nossa direção em alta velocidade. Parecia como um crocodilo pré-histórico. Seu focinho enorme aberto vindo em nossa direção. Ele iria morder o túnel ao meio!
Gritei novamente e me preparei para o impacto. Fechando meus olhos e cobrindo minha cabeça, senti o túnel tremer violentamente quando a criatura bateu. Kishan e Ren deslizaram para parar e fincaram suas garras. Estou certa de que eles estavam se perguntando, como eu estava, se seria mais esperto virarmos e voltarmos.
Conforme esperamos o tremor passasse, eu olhei profundamente na boca da fera. A única coisa que nos prevenia de sermos comida de peixe era o túnel. Seus dentes eram de um metro de tamanho e apertou o gelo de uma forma terrível. Água começou a vazar onde os dentes perfuravam o topo. Kishan cutucou Ren e eles começaram a correr para frente novamente.
A criatura retirou sua cabeça e urrou de frustração conforme nos movemos para longe dela. Mais enormes rachaduras apareceram no gelo conforme seu corpo martelava no topo do túnel tentando nos pegar. Seu barulho deve ter atraído atenção, porque logo se reuniu com outra fera- uma enguia com uma cauda que terminava em barbatanas. Ela enrolou seu rabo ao redor do gelo completamente e começou a apertar. Escutei diversos estalos e a água entrou, revestindo as paredes e tornando o gelo escorregadio. Os tigres deslizavam e tiveram que reduzir a velocidade para firmar suas garras para ter tração.
Uma vibração sacudiu o túnel conforme o crocodilo urrava e começava a lutar com a enguia pelo seu prêmio. A enguia mordeu o rabo do crocodilo enquanto o último bateu seu corpo contra o túnel prendendo a enguia. O gelo rachou antes que eles nadasse para fora em um turbilhão de barbatanas. O tigres tiraram vantagem de sua ausência para prosseguir.
Viramos uma esquina e vimos um afloramento rochoso e um brilho dourado a frente. O Sétimo Pagode! Estávamos perto. Através do gelo pude ver o templo. Nós nos dirigíamos para uma montanha de pedra que aumentava a partir do fundo do mar. Esculpidos nessa montanha haviam alto pilares e lisos painéis escuros que se pareciam com gelo, apesar de saber que a pressão implodiria as janelas. O túnel nos guiava direto para a porta de ouro.
Os tigres dobraram sua velocidade, mas a primeira criatura estava de volta, martelando sua cabeça violentamente contra o túnel. Água pulverizou contra nós enquanto mais rachaduras apareciam. Os filetes congelados escorriam pelas grossas camadas de minha roupa, me fazendo tremer. Água gelada atingiu meu rosto e meu cabelo, congelando instantaneamente e fazendo um obstáculo em minha respiração. Um fino rio correu por baixo de nossos pés fazendo um caminho escorregadio, até mesmo para garras. Ren e
Kishan corriam o máximo que podiam, sabendo que seria uma corrida apertada. Um medo frio penetrou em meu estomago e cresceu, criando afiados punhais cristalinos que atravessaram meus membros.
Outro impacto,vi terríveis garras arranharem os lados do túnel. Fragmentos- perigosas lanças do tamanho de pingentes de gelo caíram e se quebraram em torno de nós. Uma seção do túnel abriu e uma parede de água bateu contra o trenó, nos girando. Nós estávamos cerca de a seis metros da porta, mas o túnel estava enchendo com água do mar gélida. A fera mordeu o túnel novamente. O horrível som da rachadura soou como quando gelo se quebrando fora de uma geleira. Eu arranquei minhas amarras do trenó e desamarrei Ren.Ele se mudou rapidamente e começou a ajudar Kishan.
“Corra Kelsey! Coloque a chave na fechadura.”
Avancei tão rápido quanto pude, mas minhas roupas me arrastavam para baixo. A água estava na minha cintura agora. Tentei puxar ar, mas o choque da água gelada em meu corpo era esmagador. Meus pulmões se apertaram e não conseguiam expandir ou contrair normalmente. Espinhos de dor correram pelas minhas penas, e em seguida desapareceram na dormência. Ren e Kishan estavam chegando rápido atrás de mim. O crocodilo bateu novamente, e uma corrente de água me jogou contra a porta dourada. Minha mão tremia enquanto eu tirava a chave do meu bolso com os dedos congelados. O buraco da fechadura foi submergido, e graças ao meu pânico e percepção de profundidade confusa, eu não conseguia colocar a chave na fechadura.
Mãos cobriram a minha e guiaram a chave de ouro. Nós a torcemos, e a porta abriu justamente quando o oceano nos jogou dentro do Sétimo Pagode. Fui despejada no chão próxima da mochila de Ren, jogada e misturada aos meus pés enquanto Ren e Kishan jogavam seus corpos na porta, tentando fecha-la contra o peso da água. Um brilhante objeto acertou meu pé. Olhei para baixo para pegar Fanindra e a aninhei contra meu peito. Feliz por Ren ter pensado em desamarrar nossas mochilas e meu bichinho dourado, acariciei suas espirais e me desculpei da melhor forma que pude.
Os irmãos de alguma forma conseguiram bloquear e fechar a porta, e em seguida, caíram no chão molhado ofegantes. Me posicionei entre eles e deslizei para o chão também. Descansando minha cabeça no ombro de Kishan, eu disse, “Nós conseguimos. O Sétimo Pagode.”
No inicio eu estava ciente apenas de nossa respiração. Então comecei a tremer. Nos entreolhamos e por decisão mútua , decidimos nos trocar e vestir roupas quentes, comer e dormir. Ren e Kishan havia usado toda sua energia. Me lembrei do treinador do circo de Ren, Sr.Davis, ele havia me dito uma vez que grandes gatos dormem a maior parte do dia e usam sua energia em rápidas explosões. Esses dois estavam correndo por um belo tempo, e Kishan nadou como um urso polar. Sabia que eles estavam exaustos.
Exploramos o santuário um pouco, procurando um lugar para acampar, e achamos um menor do que dos outros dois castelos subaquáticos. Não era gelado como o palácio Yïnbáilóng. Ao invés disso era quente e escuro.
Eu rapidamente me sequei e comecei a montar uma tenda e sacos de dormir enquanto a Echarpe criava novas roupas quentes. Todos escolheram seu próprio jantar usando o Fruto. Kishan comeu três pizzas, eu escolhi os biscoitos da vovó e batata frita com molho e ovos, e Ren pediu massa em em forma de conchinhas recheadas, gressinos e salada – a primeira refeição que fiz para ele. Quando dei a ele uma olhada, ele levantou a sobrancelha e sem verbalizar me desafiou a fazer algo sobre isso. Decidi que ignora-lo seria melhor, então virei de costas para ele e cheguei mais perto de Kishan que já estava na sua segunda pizza.
“Quer uma fatia?”
“Não. Estou satisfeita, obrigado.”
Ninguém disso muito mais do que isso. Era estranho. Comemos em silencio e nos preparamos para dormir. Bebi de meu chocolate quente e me
perguntei se iria dormir tão próxima de Ren como homem. Kishan não via problemas nenhum em nossos arranjos para dormir. Ele apenas rastejou até seu saco de dormir e começou a roncar.
Ren se virou para mim. “Você vem?”
“Irei...em um minuto.”
Ele me observou pensativo por um momento, e então abaixou-se para dentro da barraca. Quando não podia mais adiar, abri o retalho da tenda e suspirei, havia um espaço muito óbvio vazio entre Ren e Kishan. Esperando não perturbá-los, eu silenciosamente peguei meu saco de dormir e o puxei para o outro lado de Kishan. Havia apenas algum espaço disponível, então pedi a Echarpe para aumentar a tenta, rastejei para dentro de meu saco de dormir e me virei para encarar a parede da barraca.
“Não é como se eu fosse te atacar em seu sono.” Ren disse suavemente.
“Fica muito quente entre vocês dois.” Menti.
“Eu teria trocado com você.”
“Não quero que Kishan obtenha a mensagem errada.”
Escutei um profundo suspiro. “Boa noite Kelsey.”
“Boa noite.”
Encarei a parede da tenda por várias horas, e apesar dele estar quieto, não acredito que Ren tenha dormido muito também.
Quando acordamos ou, em meu caso, decidi me mover, nós arrumamos tudo e nos exploramos mais profundamente o Sétimo Pagode. A estrutura ainda estava escura, e a luz que Fanindra criava funcionava apenas em uma pequena área. Encontramos cômodos cheios de tesouros. Ouro, pedras preciosas, e estátuas de valor inestimável cobriam o chão e as prateleiras de cada cômodo.
Entramos em uma área cavernosa e paramos quando o som de nossas vozes ecoou no espaço. Eu podia escutar uma cachoeira e sentir cheiro de oceano, e imaginei se os irmãos haviam farejaram alguma coisa porque, ao
mesmo tempo , ambos se moveram para minha frente. Avançamos lentamente e chegamos até uma grande vasilha cheia de areia. Caixas com longas varas estavam apoiadas ao lado da mesa.
“O que é isso?” Perguntei.
Ren pegou uma vareta e a estudou. “Incenso. Eles são usados em santuários.” Peguei algumas varetas, as coloquei na areia como Ren havia feito com as dele e utilizei meu poder para ascende-los. Uma delicada fumaça subiu, cheirava como pinho. Kishan abriu uma caixa de varetas vermelhas e começou a encher a bacia com eles. Os ascendi e meu nariz coçou quando senti o cheiro de doces flores. Conforme o incenso queimava, notamos que a sala se tornou mais clara.
O pagode era impressionante! Não havíamos sido capazes de apreciar seu esplendor antes. Estávamos em uma sala tão grande que seria capaz de acomodar centenas pessoas confortavelmente. Pilares dourados a três andares a cima suportavam o dourado teto em cúpula sobre eles. Janelas espessas e arqueadas exibiam o mar, de tal maneira que senti que estava olhando uma série de aquários requintados. Detalhados arabescos e murais foram enquadrados nas paredes, mas por outro lado, as paredes e o teto foram pintados de vermelho com dragões jorrando chamas envernizados.
O chão era feito de azulejos pretos polidos. Uma pequena fonte gotejava em uma piscina larga, que ocupada a maior parte do espaço. A água era branca como a da piscina da sereia, impossível de se ver através dela. Fiz uma nota mental de não toca-la, não importando o quão linda ela era. Kishan e eu nos juntamos a Ren, que estava estudando um dos murais.
“Aí está. O Colar. Vê como ele fica em repouso na ostra?”
Ren disse excitado detectando um mural representando o Colar de Durga cercado por centenas de outras ostras.
“Hm...sim, mas não conseguimos ver nada na água. É muito nublada. Como Kishan supostamente deve encontra-la? E o que mais está lá em baixo?”
“De acordo com o mural, nada. Apenas uma ostra cama. Ele terá que abrir todas as ostras para acha-lo.” Ren deu tapinhas no ombro de Kishan. “Estou feliz que você bebeu a soma ao invés de mim.”
“Obrigado. Bem, não há momento como o presente. Vocês dois se sentem na beirada da piscina e eu vou joga-las para cima.” Ele tirou sua camisa e seus sapatos.
Quando me virei para o mural, Kishan colocou suas mãos ao redor de minha cintura por trás. “Quer dar uma nadada, belezinha?”
“A água irá matá-la.” Ren disse secamente.
Olhei para Ren, me virei para abraçar o peitoral nu de Kishan e sorri. “Talvez mais tarde.” Bati em seu peito e desci até sua cintura. Dando pequenos socos em seu abdômen definido, eu disse, “Eu realmente acho que você precisa malhar mais Kishan. Você está ficando todo flácido conforme envelhece.”
“Onde?” Ele perguntou enquanto tentava beliscar a pele de sua cintura.
Rindo eu disse, “Estou sendo sarcástica. Você poderia grelhar queijos em seu abdômen. Sou sortuda por não ter outras garotas ao redor. Todas desmaiariam aos seus pés.”
Ele sorriu. “Uma garota desmaiando é o suficiente para mim. Além do mais, um cara tem que ser forte o suficiente para salvar sua donzela em perigo, não tem?”
Ren franziu a testa e interrompeu. “O que usaremos como faca?” Ele perguntou.
“Irei usar o chakram. Como vai abri-las?”
“Iremos pensar em alguma coisa.” Ele deu a Kishan um empurrão amigável discutível e o empurrou para a piscina de leite. Kishan apertou minha mão e cuidadosamente deslizou para dentro d’água. Alguns segundos depois, escutamos o ruído de ostras molhadas e pesadas, do tamanho de panquecas atingirem o ladrilho. Deixei Ren sozinho por alguns minutos para descobrir como iríamos abrir e saí de perto da piscina.
A cachoeira era adorável. A água de leitosa caía de negros ladrilhos para a piscina abaixo. Uma escadaria levava até o topo da fonte e eu a subi. A um nível a cima das cachoeiras, notei um esconderijo com outra fonte e algumas estátuas de mármore.
Espiei Ren e o escutei dizer para Kishan continuar mandando ostras. Ele estava usando o tridente para abrir as ostras, e não tendo uma arma para mim mesma, decidi tirar um minuto para estudar as estátuas.
As estátuas de mármore e ouro representavam três pessoas: dois homens e uma mulher. A mulher colocava seus braços ao redor de um dos homens que oferecia um belo colar incrustado com uma pérola. O outro homem olhava com ciúmes. A espessa parede de mármore se curvava e esticava para trás de cada lado da fonte.
“Ren? Acho que encontrei Parvati e Shiva! Indra também está aqui!”
“Vou subir e olhar em um minuto.” Ele gritou.
Havia algo mais. A mão de Indra estava apertada em um punho ameaçador, mas o outro apontava para a fonte onde Shiva e Parvati estavam. Talvez isso significasse algo. Algo mais que poderia estar lá trás. Outra estátua talvez. Desci os degraus da fonte, andei o caminho por toda a longa parede, e ofeguei em choque e horror. Um tubarão gigante jazia morto no chão.
“Não pode ser.” Sussurrei.
Seu nariz pontiagudo se projetava no ar, e sua boca estava aberta livremente. Apesar de ser feito de mármore, eu tremi, imaginando ele caindo em cima de mim. Sua boca era grande o suficiente para morder um dragão, quanto mais um ser humano insignificante como eu.
Hipnotizada, levantei um dedo para tocar um dente afiado e serrilhado, mas o abaixei no ultimo minuto. Murmurando para mim mesma, eu disse, “Isso é impossível Eu nunca vi algo tão grande na Semana do Tubarão.” Talvez seja pré-histórico.
Limpei minha garganta. “Ren?” Sem resposta. Chamei um pouco mais algo, “Ren? Você pode vir aqui em cima? Por favor!”
“Em um minuto Kelsey. Quase consegui abrir essa aqui.”
Lentamente me afastei da criatura dos meus pesadelos até que minhas costas esbarrassem contra o parapeito do alabastro. Paralisada ali, encarei o tamanho de uma criatura que me amedrontava mais do que qualquer outra criatura que eu jamais havia enfrentado. Os Kappas eram gatinhos em comparação a essa coisa. Aves metálicas? Canários. Comecei a tremer quando as ondas do medo me sobrepujavam, obscurecendo tudo exceto o monstro que não conseguia desviar o olhar.
Balancei minha cabeça e pequenos miados escapando de meus lábios. Tropeçando rapidamente nos degraus da escadaria , parei na fonte e congelei novamente. Tudo em que eu podia pensar era a palavra não. Eu cantarolei sem parar em minha mente – não-não-não-não e não percebi que estava repetindo as palavras em voz alta até que escutei a palavra ecoar em outra voz.
Ren apareceu em minha frente como por mágica, colocou seus braços ao redor de mim e me segurou perto. Ele suavemente massageou minha nuca e perguntou. “Não... o que Kelsey?”
“É impossível,” sussurrei contra a camisa dele como um zumbi
“Vamos lá. Me mostre o que você achou.”
Uma parte de meu cérebro registrou Kishan gritando. “Ei! Onde está todo mundo? Acho que terei que fazer tudo por conta própria.” O escutei abrindo as ostras com curiosidade. Sabendo que ele não estava em perigo. Continuei a enterrar meu nariz na camisa de Ren
“Tudo bem.” Ren disparou. “Vamos dar uma olhada. Irei com você.”
Ele se afastou de minha forma apegada a ele e segurou minha mão. A segurei com ambas as minhas mãos e me pressionei contra ele. Ele brevemente beijou minha testa antes de subir os degraus. Passamos da cachoeira. Quando vi a primeira estátua, comecei a tremer de novo.
Ele parou no topo e estudou as formas. “Não compreendo. O que há de errado strimani?”
Levantei uma mão e apontei para a mesma direção que Indra apontava. “É-” minha voz tremeu, “muito grande.”
Vendo que eu não daria mais um passo, ele soltou minha mão e começou a andar por toda a parede de mármore sozinho. Eu vi seu rosto expressar choque e então uma carranca de determinação. Ele agachou perto da cabeça do animal a estudando. Fiz uma careta pensando que, em comparação com o tubarão, Ren parecia um delicioso creme mergulhado no chocolate. Ele seria delicioso, mesmo em decadência. Mas mesmo assim, ele era apenas um aperitivo. Eu? Provavelmente um talo de aipo. Não o mais saboroso , eu então eu poderia muito bem mergulhar no molho para salada para evitar o problema do tubarão me cuspir de volta. Kishan talvez fosse um pouco mais carnudo. Ele seria mais como um taco ou um enroladinho de ovo. Mesmo se o tubarão comesse nós três, ele teria que recorrer a segundas e terceiras refeições. Era...dessa....imensidão.
Ren parou de estudar a estátua da criatura brevemente, e se virou para mim.
“Tudo ficará bem Kelsey. Tente não se preocupar.”
“Tentar não me preocupar? É um tubarão gigante!”
“Sim, mas-”
“Ren! Macacos aranha são para o King Kong a mesma coisa que os grandes tubarões branco são para essa coisa!”
“Eu sei, mas-”
Ele foi interrompido por uma Kishan irado no chão atrás de nós. “Onde estão vocês ?”
Fui até o parapeito e acenei para ele. “Estamos aqui em cima. Desceremos em um minuto.”
“Tudo bem.” Ele se voltou amuado para as ostras enquanto eu me virava para Ren.
“Mas o que? Você não entende? Esse é o grande predador que não come ou dorme-o ser que a sereia nos alertou. Sua única tarefa é evitar que não cheguemos a superfície!”
“Não sabemos se essa criatura e aquela que ela mencionou são as mesmas.”
“Parece muito provável para mim.”
“Isso é o seu medo falando. Eu sei que está assustada, mas não adianta entrar em pânico sobre algo que não aconteceu ainda ou que talvez não aconteça.” “Não quero ser devorada por um tubarão.” Gemi baixinho. Ren colocou suas mãos ao meu redor, sorriu e disse. “Você está muito mais propensa ser devorada por um tigre. Se lembra?”
Concordei fracamente e funguei quando uma lagrima caiu pelo meu nariz. Ele beijou minha testa e pressionou suas mãos contra minhas bochechas. “Ficaremos bem. Eu prometo. Tudo bem?”
“Tudo bem.” Respondi baixo.
Seus dedos traçaram minhas maças do rosto suavemente, e minha respiração parou. Nervosamente, me afastei dele antes que ele confortavelmente avançasse para o próximo nível, e andei até a estátua de Parvati. Ren me assistia quieto, sem se mover do lugar onde ele havia me abraçou.
Pobre Parvati. Você teve que escolher entre dois homens que arriscaram sua vida por você. Você teve que se preocupar e se perguntar se um deles iria sobreviver ao monstro. Limpei uma lágrima de minha bochecha e toquei sua mão. A estátua brilhou e despareceu.
“Ren!”
“Eu vi !”
As estátuas de Indra e Shiva brilharam e desapareceram também, mas o que era pior era que o tubarão gigante também começara a brilhar. Chorei de
horror conforme desaparecia. No mesmo tempo um grito de triunfo vir de baixo de nós.
“Ei gente!” Kishan comemorou. “Eu o encontrei! Estou com o Colar!”

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