sábado, 2 de novembro de 2013

Capítulo 18: Rakshasa

Postado por Estante de Livros às sábado, novembro 02, 2013
Uma pequena luz apareceu muito a frente de nós e, por
um tempo, eu pensei que fosse uma ilusão. Os irmãos, entretanto,
seguiram naquela direção, então eu assumi que eles poderiam vê-la
também.
Fanindra tinha decidido permanecer em segurança enrolada
em meu braço e somente nos deu o misterioso brilho verde azulado
claro de seus olhos, silenciando sua luminosidade dourada depois de
ter atraído muita atenção da caverna dos mortos-vivos.
Sem o seu brilho radiante, nós nos perdemos em nosso
caminho pela escuridão um pouco mais, mas também nos
mantivemos completamente ignorantes sobre o que nos rodeava.
Apesar de assustadoramente saber que eu estava rodeada pela morte
e que o cheiro de corpos em decomposição tinha penetrado em
minha roupa, cabelos e pele, eu me tornei atordoada devido à
exaustão o suficiente não só para ignorar isso, mas também para
começar a pensar que deitar próximo a um esqueleto apodrecendo para um rápido cochilo era uma boa idéia.
Ren me apanhou fechando os olhos enquanto eu andava, pegou minha mão e me conduziu. Kishan se colocou atrás de mim e dava um cutucão em minhas costas toda vez que eu começava a desacelerar.
Nós finalmente nos aproximamos da entrada da caverna e espiamos através do outro lado. Espessas árvores de fogo se estendiam tão longe quanto eu podia enxergar. Ren e Kishan examinavam a floresta de fogo procurando por movimentos enquanto nos mantínhamos escondidos na escuridão.
“O que é?” Eu sussurrei. “Por que nós não estamos nos preparando para um longo cochilo na floresta?” Kishan respondeu “Nós temos que procurar por Rakshasa. A Fênix nos alertou. Lembra?”
Eu olhei rapidamente para as árvores, procurando por demônios assustadores “Eu não vejo nada”
“É isso que me preocupa” Ren respondeu.
“Bom, qual é o problema? Nós enfrentamos demônios antes e sobrevivemos. Eles não podem ser piores do que os Kappa podem?”
“Rakshasa são caçadores”, Ren explicou “Eles andam a noite, são bebedores de sangue. Seu apetite é insaciável.”
Kishan completou “Eles são demônios da mitologia indiana. Diz-se que eles eram perversos, humanos ruins amaldiçoados para viverem a eternidade como monstros. Eles só podem ser destruídos utilizando armas especiais ou com uma flecha de madeira atravessando o coração. Eles são trapaceiros e usam poderes mentais para confundir suas vítimas e atraí-las para fora de suas casas.”
Eu pisquei e disse calmamente “Você está falando de vampiros.”
Ren assentiu “Eles são mais como a versão Européia dos vampiros”. Kishan bufou “Kelsey me convenceu a assistir um filme
de vampiro com ela bem recentemente e eu tenho que dizer que os Rakshasa são tanto da raça dos vampiros americanos quanto o Kraken é um polvo. Esses vampiros não só bebem sangue, mas também se alimentam da carne, especialmente carne em decomposição.”
“Oh” Eu gaguejei “E nesse exato momento nós cheiramos... agradáveis.”
Ren baixou a cabeça ligeiramente, concordando, sua atenção ainda estava focada na floresta. “Parece seguro o suficiente por agora, mas eu sugiro que revezemos entre dormir e atravessar a floresta o mais rápido possível.”
Nós entramos através da abertura da caverna na floresta de fogo, e foi quase como sair de um iglu para uma ilha tropical amena. Eu senti o calor das árvores de fogo quase que imediatamente. Elas estenderam longas vinhas para se esfregarem em meus braços e roupas conforme nós passávamos.
Eu parei debaixo de uma enorme árvore e uma gavinha folhosa se enrolou no meu dedo.
Enquanto eu examinava uma bonita flor de fogo em particular, Ren avisou “Nós temos que resolver nosso problema. Nós fedemos como os mortos.”
Kishan suspirou “Estamos deixando um rastro.”
“Eu acho que eu posso lidar com isso” Eu disse.
“O que você quer dizer?” Ren perguntou.
“As árvores podem incinerar o nosso fedor, foi algo que a Fênix mencionou quando eu perguntei como eu me curei estando tão queimada. Elas não podem fazer nada em relação as nossas roupas, mas nós podemos fazer mais.”
“O que nós fazemos?”
“Ponha suas mão em uma árvore e concentre em sua energia. O calor será puxado de suas raízes. Deixe que ele circule em volta de você e limpe seu corpo. Isso irá queimar suas roupas e pode arder
um pouco, mas o calor irá também curar você. Vocês dois vão para aquela clareira e eu ficarei aqui.”
Kishan e Ren relutantemente deixaram suas armas comigo e seguiram para a clareira. O fato de que eles estavam dispostos a deixar suas armas para trás mostrava o quão cansado eles estavam. Todos nós estamos eu corrigi. Eu coloquei Fanindra no chão próxima as armas e mochilas deles e coloquei minha mão em uma árvore.
Os galhos das árvores ao redor começaram a tremer e balançar e eu ouvi um zumbido ecoar. As folhas luminosas cresciam mais e mais brilhantes e o ar chiava. E então, com uma explosão de luz, as folhas se tornaram um branco tão quente que eu tive que fechar meus olhos. A fita azul que amarrei o meu cabelo se desintegrou, junto com as minhas roupas. Uma vibração quente e que me fazia cócegas surgiu em meus dedos e percorreu todo meu corpo. Então, um vento repentino soprou meu cabelo solto no ar e acariciou minha pele nua como se espantasse o fedor da morte.
Eu ouvi um ganido distante e soube que os meninos estavam sendo limpos da mesma maneira e imaginei rapidamente se a pele deles havia queimado. Para mim, era como se fosse um formigamento. Finalmente, o vento forte desapareceu e eu senti mais do que calor. Eu me senti revigorada. Eu estava relaxada e sonolenta, como se eu estivesse largada em uma banheira de água quente e então tivesse sido colocada debaixo de um secador enquanto alguém massageava os meus ombros e escovava meus cabelos. Eu peguei a echarpe divina e a levei ao meu nariz. Estava imitando o padrão de incandescência das folhas das árvores de fogo, as quais haviam diminuído novamente para laranja e amarelo. A echarpe cheirava limpa e fresca sem reter nenhum cheiro das cavernas. Eu desejei roupas novas e rapidamente estava vestida.
Ren e Kishan logo em seguida em roupas brancas e pretas que sempre apareciam depois que eles viravam tigres. Eles debatiam as vantagens de caminharmos mais. Ren sentiu que nosso cheiro anterior era forte o suficiente para ser rastreado, mas Kishan
argumentou que seria um tanto quanto fácil seguir nosso novo cheiro quando o fedor desaparecesse. Eu imaginei que nós estaríamos seguros desde que não cheirássemos como presas e ao lado de Kishan, principalmente porque eu queria dormir. Nós combinamos caminhar um pouco mais antes de montar o acampamento.
Kishan usou a Echarpe para criar a tenda e as camas enquanto Ren substituía as mochilas que foram deterioradas junto com as nossas roupas.Com meus tigres branco e preto posicionados cada um de um lado, eu estava inconsciente assim que minha cabeça encostou no travesseiro.
Desta vez eu sonhei com Lokesh como um garoto. Um homem velho que eu logo percebi que era seu pai, o imperador, estava lhe ensinando. Movendo as mãos no ar, o pai de Lokesh instruía, “Para controlar o movimento do ar, use sua mente. Imagine o vento rodopiando entre seus dedos ou envolvendo seu corpo e acontecerá. Uma vez que tiver praticado e tiver mais controle, você pode invocar uma coisa mais poderosa como um ciclone ou simplesmente erguer uma folha no vento.”
O imperador mostrou ao seu pequeno filho como manipular o vento para erguer uma pipa no céu. Ele estalou seus dedos e a pipa pulou e se balançou no ar. Quando foi a vez do garoto, o imperador colocou o amuleto no pescoço do seu filho e a pipa despencou. Com uma expressão determinada, o garoto ergueu suas mãos e no último momento, a pipa circulou em torno delas se levantou novamente.
“Bom” disse o pai, “Agora tente chamar o seu falcão”.
O garoto fechou seus olhos e logo um pássaro gritou lá no alto.
Seu pai explicou, “Todas as criaturas do ar estão sujeitos a você, mas você precisa ter controle”.
Calmamente o garoto assentiu.
Alguém tocou o meu braço e eu acordei sacudida. “Há movimento nas árvores” Kishan sibilou desesperadamente.
Imediatamente alerta, Ren e Kishan se moveram silenciosamente pela tenda, recolhendo as armas. Eles gesticularam para eu permanecer quieta antes dos dois se arrastarem para fora da tenda e desaparecerem na floresta. Estava completamente escuro lá fora, o que significava que o cometa noturno tinha passado.
Após esperar o que parecia muito tempo, eu decidi arriscar procurar por Ren e Kishan. Fanindra me levou até eles. Eles haviam voltado e estavam agachados atrás de uma pedra, observando a entrada da caverna.
Enquanto me aproximava, acidentalmente tropecei em um galho e ambos, Ren e Kishan, viraram-se, me viram e me puxaram para perto deles em questão de segundos. Ao mesmo tempo, o que pareciam tochas ganhou vida à nossa frente na floresta.
As luzes piscando sacudiam e convergiam em um ponto. Eu ouvi um assobio, barulhos estalados se moviam próximos a nós. Eu prendi a respiração enquanto as luzes cresciam brilhantes e vi um grupo de demônios de pele escura com tatuagens brilhantes cobrindo seus corpos. Suas longas mechas de cabelo tremulavam na escuridão como fogueiras. Os fios radiantes estavam penteados para trás e folhas de fogo trançavam através deles. Os demônios masculinos eram grandes com braços poderosos e o peito nu. Dois pares de chifres cresciam de suas testas – o mais cumprido virado para fora. As mulheres se aproximaram do maior homem e colocaram suas mãos em seu ombro.
Com um golpe rápido, ela ergueu garras perversas sobre o seu peito e assobiou para ele. Ele permaneceu em silêncio enquanto ela lambia as gotas molhadas de suas garras e eu percebi que as tatuagens dela brilhavam em vermelho enquanto as dele se tornavam laranja.
Enquanto ela falava com ele em tons ásperos, o interior de sua boca brilhava amarelo como se sua garganta queimasse com uma chama interior. Eu respirei fundo e ela se virou rapidamente para o nosso esconderijo. Seus olhos sagazes cintilaram e com um suspiro repentino, todas as luzes, incluindo as de seus cabelos, olhos e tatuagens rapidamente se extinguiram.
Sentamo-nos quietos por um longo período, respirando baixo e não ousando nos mexer. Eu poderia sentir sua presença em torno de nós. Era como se eles estivessem esperando pela nossa fuga, querendo nos encorajar a sair de nosso esconderijo. Logo nós ouvimos um ruído familiar e nós espiamos através das folhas escuras na entrada da caverna. Um zumbi cambaleando, careca e magro, com a pele mumificada enrugada, entrava na floresta. Ele parou como se estivesse confuso e eu ouvi um delicado assobio. Cabelos e tatuagens brilhantes ganharam vida enquanto os Rakshasas cercavam o zumbi. Movendo-se como um só, eles atacaram, enrolando-o em videiras e carregando-o.
Levou um longo tempo até que Ren e Kishan me permitiram ficar de pé. Meus joelhos estavam presos no lugar enquanto fizemos nosso caminho de volta para o acampamento. Sem uma palavra, nós arrumamos as coisas e caminhamos na direção exatamente oposta aquela em que os Rakshasa carregaram o seu jantar.
No caminho, nós três revisamos as visões que eu tive. Eu disse a eles que agora eu sabia com certeza que Lokesh tinha o poder de manipular água, ar, terra e espaço, graças à peça do Sr. Kadam e também poderia quatro criaturas de cada reino. Lokesh tinha agora quatro partes do amuleto de Damon e tudo o que ele precisava era o que estava pendurado no meu pescoço. Nós finalmente tínhamos todas as peças do quebra-cabeça. Era hora de começar a juntá-las.
Quando o cometa da manhã voou ao alto, as árvores se levantaram e tocaram minhas bochechas com sua plumagem em leves batidas. Kishan estava preocupado, mas disse que de acordo
com as histórias, os Rakshasas tipicamente só caçam a noite, apesar de serem conhecidos por se aventurarem durante o dia se estiverem com muita fome. Ren queria estar o mais longe possível dos demônios, então caminhamos o dia inteiro e só paramos quando o cometa noturno voou no céu. Ren encontrou um lugar isolado para acampar e vigiar com Kishan, então eu decidi seguir para uma clareira com a echarpe para um banho de fogo.
“Só garanta que você voltará logo ou eu irei procurar por você” Kishan avisou enquanto eu o beijava na bochecha. “E se acontecer de eu pegar você despida, então será muito ruim.”
Ele sorriu enquanto Ren franziu a testa “Tome cuidado Kells”, ele acrescentou.
“Tomarei. Vocês não vão nem sentir minha falta.”
Eu dei uma boa contribuição do meu poder em uma árvore jovem, para compensar pela energia que logo seria gasta e ela me retornou o favor com um gentil banho de fogo. Depois de me vestir, eu me sentei em uma pedra que estava por perto e penteei meu novo cabelo limpo enquanto a pequena árvore voltava ao seu estado normal. O banho de fogo incluiu o benefício de alisar o meu cabelo e eu gostava da sensação macia de tê-los caindo pelas minhas costas.
Revigorada, peguei a echarpe e Fanindra e retornei para nossa pequena tenda somente para encontrá-la rasgada e nossos pertences espalhados. Ren e Kishan tinham sumido junto com todas as nossas armas. Eu me virei em um círculo lento e escutei cuidadosamente a floresta escura. Eu não escutei nada. Desesperada, eu voltei para a pedra perto da jovem árvore e rastejei.
“Bom, nós temos que salvá-los. Não há dúvidas quanto a isso” eu murmurei para Fanindra “Mas como?”
As escamas douradas de Fanindra brilharam ganhando vida enquanto ela me guiava pela floresta. Seus olhos brilhavam somente o suficiente para que eu não tropeçasse em pedras e raízes de
árvores. Após umas boas horas de caminhada, eu avistei a luz do acampamento dos demônios.
Desamarrando a echarpe da minha cintura eu a sacudi, enrolei envolta do meu corpo e disse “Disfarçar, rainha Rakshasa”.
Meu corpo formigava enquanto a echarpe fazia sua mágica e quando eu a retirei, eu coloquei meu cabelo ardente sobre o meu ombro e passei minha mão através dele. Ele era espesso e grosso e quando estendi minha mão para tocar minha cabeça eu encontrei um círculo de folhas de fogo. Meu braço escuro brilhou com as tatuagens vermelhas e eu passei minha língua pelos meus dentes. Os caninos eram pontudos e fortes. Eu usava um vestido com um brilho laranja que parecia arder em fogo lento quando eu andava.
Com a minha cabeça erguida e Fanindra se mostrando em todo seu brilho glorioso em meu braço, nós andamos até o acampamento. Sentinelas me avistaram quase que imediatamente e chamaram com gritos baixos. Logo, eu estava rodeada pelo clã, mas em pouco tempo, a multidão se separou e uma mulher passeou em minha direção. Eu adivinhei corretamente que aquela era uma sociedade matricial e ela era a rainha.
Ela era bonita para um demônio. Seu vestido, embora não tão bonito quanto o meu, era longo e de melhor qualidade do que as roupas dos que a cercavam. Uma faísca laranja se acendeu em seus olhos quando ela me viu, e quando ela piscou, eu vi que suas pupilas eram alongadas como as de um gato. Corajosamente, eu resisti a sua inspeção e levei o meu próprio tempo para avaliá-la. Ela usava um colar de pequenas fúrculas entrelaçadas. Brincos de ossos finos perfuravam suas orelhas e logo abaixo pendiam finas garras de um pequeno pássaro.
Uma tiara de prata com um véu de folhas de fogo adornava suas tranças em chamas. Pendurado nela estava um osso em forma crescente que descansava no meio da sua testa. Tatuagens vermelhas que pareciam mãos com garras cobriam seus olhos e bochechas. Suas orelhas eram cumpridas e pontudas com as de um
elfo e seus chifres eram bem mais finos e delicados do que os dos homens em torno dela. Não havia outras mulheres à vista.
Seus lábios pintados de laranja estavam entreabertos e suas bochechas brilhavam como se fossem iluminadas por uma lanterna embaixo da pele. Ela passou a língua por seus dentes pontudos antes de falar. “Respeitosa viajante, carcaça de contaminação. Como devo chama-la?”
“Você pode me chamar de... Malevolência.” Eu respondi.
O grupo que me cercava ficou surpreso e a rainha sorriu para mim e respondeu perigosamente
“Você é uma conquistadora ou é a nossa presa?” Ela inclinou a cabeça “Eu imagino porque você está aqui sozinha. Isto poderia ser algum tipo de truque inteligente?”
Ela fez um sinal e alguns guerreiros pegaram suas armas e me cercaram enquanto outros desapareceram na floresta. Lentamente, ele me circundou e puxou o tecido do meu vestido, olhando para ele com uma cobiça óbvia. Quando ela ousou tocar Fanindra, a cobra ganhou vida e sibilou para ela. A rainha se afastou, mas não mostrou nenhuma surpresa ou medo da cobra.
Os guerreiros voltaram e sussurraram coisas em seus ouvidos. Ela sorriu.
“Eu sou Profanação.” Ela anunciou “A rainha Rakshasi desse clã. Por agora, eu abrirei minha mão para você. Pelo menos até que você pareça mais desafiadora. Venha”
Ela rosnou para os demônios corpulentos que nos cercavam até que eles dispersassem, deixando somente nós duas e alguns guardas. Ela passou a mão nos bíceps de um dos demônios apreciando-o e indicou que eu deveria segui-la.
Levando-me até uma tenda, ela entrou abaixada. Dois guardas ficaram pertos enquanto eu entrava e sentava de frente com a rainha.
Depois de borrifar algum tipo de pó em um copo com uma bebida fumegante, ela entregou a mim. Cheirava doce e acobreado e eu suspeitei imediatamente que era sangue.
Eu o deixei de lado e prossegui, como se não houvesse tempo para conversa fiada. “Eu vim para um assunto de muita importância.”
As tatuagens de seu rosto queimaram momentaneamente e então retornaram a sua cor normal.
Ela bebericou do seu copo, indicando que eu deveria continuar.
“Meus dois melhores caçadores estão desaparecidos do meu clã e eu acredito que eles tenham sidos levados pelo seu pessoal.”
Ela deu de ombros. “Meus caçadores tem o direito de pegar qualquer coisa que eles possam dominar da floresta.”
“Então você está com eles?”
“E se eu estiver?”
“Eu esperava que você estivesse disposta a fazer uma troca por suas vidas.”
“Troca? O que essa palavra significa?”
“Significa negócio. Eu lhe darei alguma coisa de valor em troca da liberdade deles.”
“Acordo. Rakshasas não fazem acordos.” Ela lambeu seus lábios com avidez e mudou de tal forma que me fez pensar que ela estava pronta para atacar.
Inclinando sua cabeça, ela me estudou com suspeita “O que você é? Você não é uma rainha Rakshasi” ela rebateu “Seus dentes não tem forma como os daquele que nós comemos e você nem mostrou suas garras quando ameaçada. Seu veneno deve ser tão fraco quanto seus caçadores. Eu tenho seus homens, embora pálidos e doentes como eles sejam.”
Ela mexia sua bebida cuidadosamente “Se você quer levá-los com você, você tem que fazer uma demonstração no campo de batalha” Profanação sorriu maldosamente. “Se você ganhar, eles
estão livres. Se você perder”, seus olhos brilharam “nós comemos você. A carne de uma rainha, mesmo sendo uma fraca, é deliciosa.”
Medo e aversão se misturaram e eu senti uma explosão de emoção dentro de mim que cresceu como uma chama quente. Meu novo corpo respondeu e meus dedos se alongaram, produzindo outra junta. Minhas unhas se estenderam em adagas afiadas e se esticaram vários centímetros da minha mão. As pontas das minhas garras ardiam e uma gota preta reluzente caiu no chão onde eu me ajoelhei e chiou quando tocou o solo.
Eu me posicionei agachada. Minhas pernas estavam fortes e eu me sentia poderosa. Com toda crueldade que eu podia reunir, eu saltei em direção a ela e golpeei o ar perto do seu rosto. Eu zombei e respondi “Eu aceito seu desafio”.
Profanação sorriu como se estivesse satisfeita com a minha exibição “Muito bom. Nós lutaremos ao crepúsculo amanhã; a noite será o banquete.”
Eu fui levada para a festança e tive que assistir com asco enquanto eles se divertiam com os zumbis que sobraram dos que eles capturaram mais cedo. Eu tremi ao som dos ossos quebrando, ossos sendo quase tudo o que restou do banquete da noite anterior. Não havia sinal de Ren ou Kishan em nenhum lugar e eu esperava que com suas habilidades de cura eles estivessem pelo menos vivos.
Eu peguei um dos demônios enormes sorrindo maliciosamente para mim (vou te contar hein). Ossos salientes atravessavam seus ombros e seus antebraços eram tão espessos que pareciam troncos de árvores.
Quando ele se virou na luz da fogueira de certa maneira, a simpática ilusão desapareceu e eu vi que por baixo daquilo, seu rosto era um crânio assustador com olhos brilhantes.
A rainha assistiu minha reação ao banquete com uma expressão de gozação e percebeu o demônio que estava prestando atenção particularmente em mim. Ela o chamou e sussurrou palavras em sua orelha enquanto os dois olhavam para mim.
Com um vasto sorriso ele se aproximou de mim e curvou-se “Minha rainha me entregou a você para esta noite.”
“Oh. Quanta... generosidade dela. E o que exatamente ela espera que eu faça com você?” Eu perguntei nervosa.
“Você pode me usar da maneira que desejar.” ele respondeu ávido.
Eu sorri para a rainha observadora e inclinei minha cabeça então, enrosquei meu braço ao corpulento Rakshasa. Ponderando os riscos contra os possíveis benefícios, eu disse “Então talvez você pudesse me levar para um tour pelo seu acampamento. Isso é, se você já terminou de festejar.”
Ele sorriu libertinamente. “Eu fui instruído a satisfazê-la em cada capricho. Um tour pelo acampamento é somente o início das coisas que eu poderei fazer para você” Ele se gabou e atrevidamente passou a mão no meu cabelo.
Esperando que eu pudesse manter suas garras longe de mim tempo suficiente para descobrir onde eles estavam prendendo Ren e Kishan, eu o deixei me guiar sozinho.
Ele me levou a uma grande tenda e me mostrou uma parede de troféus do tipo que ostentava ossos e crânios em uma exibição horrível. “Este lugar é dedicado aos nossos melhores caçadores.” Ele pegou um colar feito de minúsculos ossos e entregou para mim “Esse pertenceu ao melhor caçador da nossa geração. Nuvem de trovão. Eu sou seu descendente e fui nomeado por ele.”
“Você também é chamado de Nuvem de Trovão?”
“Não. Eu sou Relâmpago. Filho do Nuvem de Trovão.”
“Oh. Ele está aqui? Vou conhecê-lo.?”
“Ele seguiu o caminho de todos os enfermos.”
“O que aconteceu com ele?”
“Ele foi ferido em uma caçada. Todo ano o melhor caçador entra na caverna e tenta capturar a Fênix. Ele retornou, mas não teve sucesso. Seu braço estava quebrado.”
“Então o braço dele não curou? “
Ele assobiou “Os caçadores Rakshasa não tem desejo de curar. Eles se sacrificam pelo clã. A energia deles é absorvida e canalizada novamente.”
Eu engoli a seco “Você quer dizer... vocês comeram ele?”
Ele abaixou com sofrimento o crânio e olhou para mim “Você não dá essa honra aos seus soldados feridos?”
“Oh, nós fazemos, nós fazemos. É só que... meus soldados tem o poder de regenerar. Eles nunca estão permanentemente machucados, e eles não envelhecem.”
Ele pegou meu braço e sussurrou conspiratóriamente “Eu soube pela sua aparência que você era uma rainha especial. Você deve me conceder esse poder. Descarte seus caçadores fracos, e eu e você poderemos escapar e iniciar um novo clã, o nosso próprio clã.”
Ele me olhou de cima a baixo, sorriu e chegou mais perto. Seus dentes, pontudos e afiados brilhavam na luz tremeluzida criada pelo nosso cabelo. “De todos os caçadores aqui, eu sou o mais... talentoso.” Ele afagou meus braços com suas longas garras, não furando minha pele, mas deixando fracos arranhões ao longo dele. “Eu asseguro a você, eu seria a mais legal companhia.”
Eu agarrei seu antebraço e permiti que minhas garras se enterrassem em sua pele. Ele gemeu como se eu o beijasse. “Eu considerarei isso.” Eu prometi sugestivamente. “Agora... eu gostaria de ver o restante das relíquias do seu clã.”
Ele me mostrou uma pintura rude do primeiro líder Rakshasa, que era um homem, não uma mulher.
Interessante.
“Ele era um grande mágico e ilusionista” Relâmpago explicou “Ele poderia tomar a forma de uma coruja, um macaco, um humano ou até mesmo de um grande gato preto.”
“Sério?” Eu comentei, estudando a pintura com interesse “Sua rainha pode fazer isso?”
“A rainha do nosso clã tem essa habilidade, mas eu nunca a vi fazer. Ela pode, porém, criar ilusões. Ela é muito poderosa.”
“Entendo. Vocês todos tem essa habilidade?”
“As pessoas do nosso clã são todas experientes em ocultar nosso poder de vida. O seu clã não tem esse poder?”
“Meu clã tem... um tipo diferente de magia.” Eu coloquei minha mão em seu braço “Talvez eu consiga demonstrar algumas de minhas habilidades depois.”
Seu sorriso era assustador “Eu espero ansioso por isso.”
Ele me mostrou outra lembrança perversa – uma coroa seca de entranhas, uma coleção de couro e peles e muitas máscaras assustadoras, como se os seus rostos não fossem perversas o bastante. A sua fachada bonita já não me enganava. Agora que eu sabia como olhar, se eu focasse da maneira certa, eu poderia ver uma parte de seu crânio através de sua pele, mas era fácil fingir que ele era apenas um demônio bonito.
Quando eu já estava cheia do lugar, ele me levou para fora e me mostrou um tipo de curral. Ele assobiou calmamente e eu ouvi um trovão de cascos quando um enorme rebanho de animais se aproximava. Formas escuras se moviam em direção a nós e então, como se alguém apertasse um interruptor, os animais arderam em cores. Eles eram as criaturas mais bonitas que eu já tinha visto.
“O que eles são?” Eu sussurrei enquanto um dos animais se aproximava e esticava o pescoço.
“Eles são Qilin. Nós os capturamos da floresta da Fênix.”
“Ah.”
Os Qilin eram do tamanho e formato de cavalos, mas tinham a cara e os dentes de dragão. Suaves escamas de peixe cobriam seus corpos, mas eles ainda tinham crinas e caudas. Eles apareciam em cores variadas – vermelho, verde, laranja, dourado, azul e prata. E, como os Rakshasa, os pelos dos animais brilhavam como fogo.
Meu guia gritou um comando e os animais pularam de medo e galoparam em um círculo. Chamas tremulantes espalharam-se de seus cascos, crinas e caudas enquanto eles corriam.
Eu subi na cerca e estendi minha mão. Um forte e azul Qilin caminhou em minha direção. Ele acendeu suas narinas e soprou um bafo quente em minha mão quando eu toquei seu focinho. Quando eu acariciei suas bochechas lisas, e corri minhas mãos em suas flamejantes crinas azuis, eu pude ouvir seus pensamentos: Impetuosa, você não é um deles, eu posso sentir sua humanidade. Nós somos do outro lado da montanha. Eles nos alimentam com a carne de nossos irmãos. Você tem que nos salvar princesa.
Eu permiti meu poder de fogo queimar ao lado do Qilin, que estremeceu ao sentir o calor. Eu enviei uma mensagem silenciosa. Eu salvarei você. Espere-me e prepare seu rebanho.
Eu esperarei por você, princesa do fogo.
“O cometa da manhã se aproxima minha rainha. Você deve descansar para que você possa ser vitoriosa em sua batalha.”
“Muito bem. Vamos retornar ao acampamento.”
O demônio me escoltou até minha tenda e tentou me seguir até dentro dela. Eu coloquei minhas mãos em seu peito largo e o detive. “Ainda não é tempo para tais coisas. Primeiro, eu devo derrotar sua rainha.”
Ele resmungou em frustração “Eu vou deixá-la sozinha por agora, assim você pode se preparar. Mas eu não serei posto de lado assim tão facilmente no futuro.”
Eu assenti e me virei para ir quando ele pegou meu braço e sussurrou algumas das coisas brutais que ele queria fazer para mim ou comigo. Eu não tinha certeza qual delas e eu realmente não queria saber. Eu somente sorri para ele e sibilei ligeiramente, o que ele entendeu como um bom sinal, e então ele finalmente me deixou sozinha.
Dentro da minha tenda, eu puxei o cobertor, já na cama – e encontrei uma caixa cheia de insetos mortos. Eu descobri que eles eram usados como colchão ou um lanchinho noturno.
Eu me enrolei em um canto e passei a hora seguinte imaginando no que eu havia me metido. Até agora, não havia tido
sinal de Ren ou Kishan e até onde eu sabia a rainha Profanação estava blefando e não deveria nem tê-los, em primeiro lugar. Sabendo que eu precisava descansar, eu deitei minha cabeça em minhas mãos tentando descobrir como ofuscar meu cabelo e minhas tatuagens, e tentar dormir.
Eu rapidamente aprendi que a rainha Rakshasa não havia realmente me deixado sozinha com meus instrumentos. Dois enormes guardas estavam parados bem na porta da minha tenda e esmagavam qualquer ideia que tivesse de me esgueirar e procurar por Ren ou Kishan. Eu cochilava e acordava durante o dia, me preocupando com meus tigres.
Quando o cometa da noite passou lá no alto e o fogo das árvores se extinguiu, eu fui convocada para a batalha.
A rainha tinha se vestido para a ocasião com algum tipo de armadura óssea, e seu cabelo fora destrinchado para parecer uma fogueira. As tatuagens em seu rosto brilhavam em vermelho vivo, como se alguém tivesse dado tapas em seu rosto com tinta vermelha.
Nós marchamos para uma grande clareira, e os demônios Rakshasa se misturaram na floresta que nos rodeava, assim somente o seu cabelo, que parecia uma tocha, era visível.
A rainha se virou de costas para mim e levantou seus braços para o ar “Rakshasas! Testemunhem o poder da sua rainha!”
Ela moveu seus braços em círculo dramaticamente e produziu faíscas e fumaça preta que giravam em torno dela. A movia-se como se estivesse viva e se retorcia em minha direção. Ela girou em torno do meu corpo e então, voltou para a rainha.
Ela gritou e dois raios bateram no chão.
A fumaça clareou e dois altares de pedra apareceram – com Ren e Kishan amarrados a eles. Eles olharam em volta confusos e lutaram em vão contra as cordas. Suas camisetas estavam penduradas em fitas, mas, além disso, eu não via ferimentos.
A rainha caminhou até Ren e passou sua unha como uma adaga em seu peito nu. Ela cacarejou “Ora, Ora meu lindo... não se altere desse modo.” Ela tocou seus lábios com a sua garra grotesca “Eu gosto da minha carne... tenra”. Ela se mexeu como se fosse beijá-lo, e Ren virou sua cabeça em desgosto. Em retaliação, ela atravessou suas garras em suas bochechas. Os cortes sangravam em rios até seu pescoço. Profanação virou-se para Kishan “Talvez esse aqui seja mais cooperativo.”
Ela passou as mãos, alisando todo o ombro largo de Kishan e desceu para o seu braço. Ele rosnou bravo para ela. O demônio riu guturalmente “Talvez eu deixe você viver um pouco mais. Sua agressividade é encantadora. Bem, não se desesperem meus frágeis caçadores. Sua rainha veio para resgatar vocês, dependendo de tão quanto ela for boa.”
Ambos, Ren e Kishan procuraram desesperadamente pela floresta ao redor por mim, mas seus olhos não me viram na minha nova forma.
Eu dei um passo à frente e gritei “Você desperdiçou o suficiente do meu tempo e me insultou abusando dos meus soldados diante de meus olhos. Eu não creio que você tenha o veneno necessário para me derrotar.”
Fumaça girava em torno de Profanação e seus olhos brilhavam perigosamente “Eu vou sugar o tutano dos seus ossos enquanto você sufoca vagarosamente em seu próprio sangue.”
Eu coloquei minhas mãos nos quadris e sorri, expondo minhas presas, “Só se a sua mordida for mais forte do que seu perfume”.
Ren e Kishan estavam boquiabertos olhando para mim, e o caçador Rakshasa da noite passada saiu da linha das árvores e sorriu triunfante.
Justamente quando eu estava começando a sentir que eu tinha o controle, um vestígio de fumaça bateu em meu estômago e me atirou no chão. Ela se enroscou na minha garganta, cortando meu
oxigênio. Rapidamente, eu desamarrei a Echarpe da minha cintura e sussurrei com dor “Reúna os ventos.”
Uma onda de fumaça se criou e foi para dentro da sacola que a Echarpe criou. O ar girou dentro da clareira e soprou meu cabelo em todas as direções. Finalmente o vento cessou e a sacola dançou em minhas mãos. Eu sorri para a mulher me encarando do outro lado da clareira, ergui minha sobrancelha e abri a sacola. A fumaça atirou-se em direção da rainha, circulando-a e asfixiando-a. Ela tossiu, levantou seus braços para o ar e os abaixou de repente. A fumaça desapareceu.
Profanação estalou seus dedos e a luz do seu corpo e do seu cabelo saiu. Eu fiquei em posição de batalha, apaguei minha própria luz interior e encarei a escuridão cuidadosamente. Eu a ouvi rir enquanto aparecia rapidamente e sumia. Eu tentei senti-la, mas ela se movia furtivamente. Um assobio veio da minha direita e enquanto eu girava em volta, suas garras passaram através dos meus braços e ombros.
Ela pulou em mim e me jogou no chão, mas eu empurrei suas costas e ataquei com minhas próprias garras, manejando para pegar sua coxa e panturrilha. Meu ombro começou a queimar horrivelmente como se ácido estivesse correndo um caminho até meu músculo. Eu pensei que o arranhão do urso na minha perna fosse extremamente doloroso. Isso era muito pior.
Ela desapareceu novamente, somente para se materializar alguns metros dali. Ela sussurrou algumas palavras e com um toque, o tridente apareceu em suas mãos. Ela o apontou para mim
“Talvez você esteja sentindo falta disso. Ela brandiu a arma e circulou “Eu tenho que admitir que eu fiquei surpresa de ver sua coleção de prêmios de guerra. Para uma rainha tão fraca, você realizou muito.
“Venha um pouco mais perto” eu ameacei com um sorriso malvado “e eu lhe mostrarei o quanto mais eu posso realizar.”
Ela atacou com o tridente, mas eu me afastei e a golpeei nas costas com meu poder de fogo. Eu ouvi um assobio coletivo e me virei para os demônios nas árvores e sorri até que eu ouvi a rainha rir excitada.
“Agora eu me senti bem” Ela virou e se esticou languidamente. “Você vai me dizer o segredo desse poder antes de morrer, minha pequena rainha.”
“Provavelmente não”, eu assobiei e me agachei para o próximo assalto.
Estúpida! Fogo é bom para eles. Hora de mudar de táticas.
Eu me atirei para a rainha e a atirei no chão. Ela soprou um punhado de algum tipo de pó que inflamou e enviou faíscas para todo lado. Eu não enxergava nada a não serem flashes brancos. Mesmo assim, eu me lancei contra ela, cega, e nós nos cortamos uma a outra com nossas garras até eu ter machucados ardendo por todo lugar.
A rainha me dominou, me prendendo com suas pernas musculosas e enroscou suas garras em minha garganta. As pontas de suas garras perfuraram meu pescoço e eu pude sentir seu veneno entrar em meu corpo.
“O que você tem a dizer agora, pequena rainha?”
Eu mostrei minhas presas e sorri “Que tal um pouco de chuva?”
Seus olhos se estreitaram em confusão. Eu sussurrei para o Colar de Pérolas para que chovesse somente na rainha Rakshasa. Eu pude sentir o cheiro da água antes de ela me tocar. Eu reuni o ar acima de nós como uma névoa branca. A nuvem escureceu e retumbou e então uma chuva leve começou a cair. A rainha gritava enquanto as gotas caiam em suas costas e braços. A chuva chiava quando tocava sua pele e suas tatuagens sumiram.
Eu soquei o rosto da rainha demônio e a empurrei para o lado. Rolando para longe, eu parei a chuva e sussurrei para a echarpe amarrá-la e amordaçá-la. Fios se soltaram da echarpe e enrolaram
pernas e braços de Profanação. Ela usou suas garras para cortar os fios várias vezes, mas a echarpe só engrossava as cordas.
Eu pisquei, tentando clarear a minha visão para trazer todas as formas em volta de mim ao foco.
Eu procurei por um dos altares de pedra e bati na carne humana.
Ren falou orgulhoso “Você fez uma linda rainha demônio.”
“Obrigada” eu sorri fraca e corri minhas garras através da pedra. Faíscas voaram e as cordas apertadas segurando Ren se soltaram de seu corpo. Ele se soltou sozinho do restante enquanto eu cambaleei até o outro altar para soltar Kishan. Meu sangue fervia por causa do veneno e eu sabia que logo eu seria dominada.
A rainha vencida lutava no chão. Eu cortei as cordas que seguravam Kishan e me mantive de pé o mais alta possível. “Relâmpago. Venha aqui”.
O poderoso demônio entrou na clareira audaciosamente e prostrou-se a minha frente “Minha rainha.” ele disse e ergueu sua cabeça “Deixe-me ficar no lugar desses guerreiros fracos que não puderam protegê-la e então tomar meu lugar ao seu lado.”
Eu coloquei minhas mãos em seu ombro e sorri quase que amorosamente para ele “Eu tenho outros planos para você, grande caçador.” Eu pude sentir Ren e Kishan se erguerem atrás de mim “Eu não teria deixado você matar esses dois guerreiros, pois eles são especiais e estão longe de serem fracos. Eu lhe prometi uma demonstração, não?”
O demônio Rakshasa ergueu a cabeça. Eu cambaleei levemente e Ren me pegou pelo cotovelo.
Eu o empurrei, não querendo que o Raskshasa me visse enfraquecida e gritei “Meus caçadores, venham até mim.”
Ren e Kishan se posicionaram ao meu lado. Com uma dramática agitação de braços, eu declarei “Sua rainha ordena que mostrem a esse clã suas garras.”
Ren inclinou a cabeça à Kishan, ficaram quietos por alguns segundos. Então, ambos se transformaram em tigres. Os Rakshasas que tinham então entrado na clareira, arquejaram coletivamente. Ren rosnou ameaçadoramente e Kishan rugiu e bateu no ar antes de andarem protetoramente na minha frente. Alguns demônios imediatamente se prostraram no chão. Até a rainha parou de lutar olhou para nós, ainda amarrada e amordaçada.
“Relâmpago” eu continuei “Meu desejo enquanto sua nova rainha é que vocês não cacem mais as criaturas da caverna. Vocês irão se alimentar somente dos animais encontrados na floresta e deixarão a Fênix em paz.”
“Sim, minha rainha.”
“Os Qilin deverão ser libertos e ao invés de comer os enfermos, vocês permitiram que eles se curem. Tanto para uma primeira direta. Desculpe Capitão Picard* Picard (Star Trek) é um mestre da diplomacia e do debate, que resolve problemas aparentemente insolúveis entre múltiplas partes. Apesar de tais resoluções serem geralmente pacíficas, Picard também é mostrado usando suas notáveis habilidades táticas em algumas situações, quando elas são requeridas.
Ele inclinou a cabeça “Como desejar”.
“Nós devemos celebrar com um banquete da vitória”.
O demônio se endireitou e sorriu “Sim! Nós devemos comer a antiga rainha.”
“Não!” eu gritei “Vocês irão tratá-la com respeito, mas não irão mais se curvar aos seus desejos.”
Ele respondeu confuso “Se é esse seu desejo.”
“É, e eu decidi nomear você, Relâmpago, como líder desse clã”.
Ele hesitou e disse “Mas o nosso clã tem uma mulher como líder desde os tempos do meu avô.”
“Você me disse que uma vez foi liderado por um homem, correto?”
“Isso é verdade.” ele parou se endireitou e gritou: “Eu liderarei. Há alguém aqui que me desafie?”
Ninguém se manifestou. Ele assobiou presunçosamente e então se aproximou de mim e audaciosamente correu suas garras pelo meu braço “Venenosa, fique aqui como minha rainha e reine ao meu lado.”, ele ofereceu, “Divida comigo seu poder e você não desejará mais nada”.
Os dois tigres rosnaram e agacharam para atacar, mas ele os ignorou completamente.
Eu ergui meu queixo arrogantemente e tirei seu braço. Ele sorriu ante a minha hostilidade. Impetuosa eu respondi “Eu devo retornar para tomar conta do meu próprio clã, mas eu farei um banquete para vocês antes de eu ir.”
Eu me balancei nos meus pés e respirei fundo. Fechando meus olhos eu desejei um banquete para amantes de carne e fui atendida com porcos, raros bifes assados e grandes perus. Pratos apareceram em torno de nós e todos os demônios que ainda estavam de pé se ajoelharam no chão perante a mim. Somente Relâmpago permaneceu de pé e ele ordenou que os caçadores levassem a comida e antiga rainha de volta para o acampamento.
Quando ele me olhou buscando aprovação, eu sorri para ele e imediatamente desabei em seus braços. Eu ouvi um terrível rugido de um dos tigres, uma variação de assobios e gritos de aflição dos Rakshasa, a risada gutural da rainha compelida e então não ouvi mais nada.

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