sábado, 2 de novembro de 2013

Capítulo 2: Ascensão

Postado por Estante de Livros às sábado, novembro 02, 2013
No dia seguinte, Lokesh se tornou ainda mais ousado,
estava mentalmente exausta da constante dança verbal de alto risco.
Não me iludi. Mesmo que ele me deixasse viver por tempo o
suficiente para ter um filho, sabia que não poderia criá-lo.
Eu era liberada de meu quarto durante o dia, mas nunca sem
um guarda ou o próprio Lokesh ao meu lado. O lugar era uma
fortaleza, sua decoração era dispersa. Não havia pinturas, a mínima
mobília era pesada de aspecto dispendioso. O mais importante, não se avistava porta alguma que levasse para fora.
Conforme andava, ele se limitava a pequenos apertos e
beliscões. Cada vez que Lokesh segurava meu braço ou me trazia
para perto, eu fechava meus olhos, pensava em como Lokesh torturou Ren e quebrou seus dedos no acampamento Baiga, e dizia a mim mesma que eu tinha sorte.
Para distraí-lo, eu o mostrei mais dos meus “poderes”. Fiz uma replica do amuleto com a Echarpe, enchi um copo de água com o Colar de Pérolas, e produzi um magnífico casaco adornado em ouro. Lokesh se mostrou feliz no início, mas logo se cansou da exibição. Era claro que ele estava ficando impaciente.
No jantar naquela noite, pensei no Fruto Dourado distante de mim, e desejei que Lokesh não tivesse tirado ele de mim. Os deliciosos crepes do Sr.Kadam me vieram a mente... e para minha surpresa, um prato cheio de crepes com creme apareceu a nossa frente.
Passei os olhos pela sala de jantar rapidamente, procurando por possíveis esconderijos. O Fruto Dourado deve estar próximo!
Lokesh pulou de seu lugar. “ Este é mais um de seus poderes?”
“Sim.” Respondi encontrando seu olhar. “Posso criar quaisquer comidas e drinques que você desejar.”
Aconteceu muito rápido; Eu estava completamente despreparada. Lokesh me deu um tapa com força em meu rosto e puxou meu queixo em direção a ele, retorcendo meu pescoço dolorosamente no processo.
“Você deveria ter me contato isso antes. Nunca mais minta para mim.” Ele ameaçou.
Uma lágrima caiu em minha bochecha. Eu cerrei os dentes e me sacudi com raiva. Pensei em todas as coisas que eu poderia fazer com ele, mas nenhuma delas seria letal. Somente iria o irritar mais.
Minha bochecha queimava e coçava onde ele havia me estapeado, mas eu me recusei massageá-la ou admitir a dor. Tentei mudar de assunto para distraí-lo de sua raiva. Pensando que um ser como Lokesh adoraria nada mais nada menos do que falar sobre ele, eu relaxei de volta em minha cadeira, bebi minha água e disse, “conte-me sobre seu passado. Se quisermos ter um filho, eu
preferiria que ele conhecesse sua herança. Já sei que ele seria metade americano.”
“Um fato que prefiro erradicar de minha mente.”
“Então me diga mais sobre seu passado. Não está orgulhoso o suficiente de sua história para passá-la a diante?”
Seu rosto se manchou de vermelho novamente e ele falou através de dentes cerrados. “Ninguém irá julgar minha prole e julgá-los desprovidos de descendência.”
Levantei uma sobrancelha. “Tudo bem. Então me diga.”
Lokesh me considerou por um momento então sentou novamente em sua cadeira e começou. “Eu nasci como o mais velho filho ilegítimo do imperador Shu durante o tempo dos Três Reinos. Minha mãe era uma escrava indiana, uma garota que foi capturada nas caravanas no ano 250 DC. Ela era bela e o imperador a tomou para si mesmo. Ela morreu por sua própria mão um ano depois de meu nascimento.”
“Um imperador?”
“Sim.” Lokesh sorriu travessamente. “Nosso filho terá sangue real.”
“Como foi? Crescer como filho de um imperador, quero dizer?”
Ele bufou. “Meu pai em um ato não característico de bondade humana, tomou-me sobre sua asa e me ensinou o que significava ter poder. Ele disse que um homem verdadeiramente poderoso, escuta somente a si próprio porque ele não pode confiar em outros, pega o que quer porque ninguém irá entregar a ele de livre vontade, e usa outras armas para exercer medo. Eu assisti cuidadosamente seu exemplo durante os anos e aprendi muito bem suas lições. Ele carregava um pedaço do amuleto e me contou sobre o poder que ele carregava.”
Pisquei e baixei meu garfo, esquecendo os deliciosos crepes enquanto Lokesh continuava.
“Ele disse que eu seria o único capaz de exercer seu poder se ele morresse em um herdeiro apropriado. A partir do momento que soube da existência do amuleto, eu cobicei apenas ele e não pensei em nada mais.”
“Quando eu era somente um garoto, a guerra veio até nosso império e pela primeira vez nós estávamos perdendo. Desesperado, meu pai tentou barganhar no último minuto e ofereceu tomar a adolescente bárbara filha do líder como sua noiva. Ele esperava que salvasse o seu império. Fiquei enojado com aquilo. Ele se tornara fraco, temeroso. Ele não era mais o homem que inspirava medo em outros.”
“Sua noiva negociada deu a ele um filho, e conforme o garoto crescia, eu me tornava dispensável ao lado de meu pai. Ele não confiava mais em mim. Eu não tinha mais a pretensão de possuir o império. Prometi então que tomaria a vida de meu meio irmão e de meu pai. Eu tinha 10 anos.”
“Quando meu irmão tinha sete e eu dezessete anos, eu o levei em uma caçada. Dispensei os guardas, nós andávamos seguindo as pegadas de um veado. Foi fácil empurrá-lo de seu cavalo. Andei pra frente e para trás sobre seu corpo usando seu próprio cavalo até que ele estivesse morto. Então matei seu cavalo e levei seu corpo quebrado de volta a meu pai.”
“Contei ao imperador que aquele cavalo havia derrubado meu irmão mais novo e depois foi a loucura atropelando-o até que ele estivesse morto. Tranquilizando-o, disse que o animal estava morto por minha própria mão. O fato que ele acreditou em minhas mentiras era a prova de quão fraco ele havia se tornado.”
“Alguns meses mais tarde, eu enfiei uma faca entre as costelas de meu pai enquanto ele dormia e peguei o amuleto. Ele nem sequer acordou. Quando subi ao trono, eu imediatamente tive a esposa bárbara de meu pai, a matei e peguei os anéis do império. Meu pai havia usado um e a princesa bárbara outro e o que ele tinha dado ao meu meio-irmão em seu nascimento. Era um símbolo de que ele
seria o próximo imperador.” Lokesh rodou o anel de seu dedo indicador esquerdo. “Este é o emblema do Império de Shu e este,” ele balançou seu dedo rosa, “é o anel do herdeiro do príncipe. O anel que meu meio irmão usava.”
Engoli minha repulsa e perguntei, “por quanto tempo você foi o imperador?”
“Não muito. A fraqueza do meu pai se tornou uma desculpa para os outros senhores de guerra constantemente tentarem batalhar. Eu não tinha interesse em dominar do trono de meu pai, quando meu exercito fugiu com covardia, eu escapei. Até então eu só estava interessado em obter as outras peças do amuleto.”
“Então o amuleto tem te mantido vivo durante todo esse tempo?”
“Isso juntamente com um pouco de magia negra que aprendi durante os anos.”
“Entendo. Mas como você-”
Lokesh me interrompeu. “Basta com as perguntas. É minha vez. Eu gostaria de ver uma demonstração do uso de sua arma.”
“Minha arma?” Perguntei hesitante.
“Seu arco e flecha de ouro.”
Lentamente, eu amassei meu guardanapo entre as palmas de minhas mãos suadas. O arco e flecha de Durga estão aqui também , em algum lugar!
“Tudo bem.” Concordei.
Ele esfregou o queixo e chamou um guarda. Contei o tempo que ele levou para trazer o arco. Sessenta segundos. Quando a arma estava de volta em minhas mãos, eu peguei uma flecha – Lokesh advertiu: “nem tente usá-los contra mim. Desviei de suas flechas antes e consigo fazer isso com facilidade novamente.”
Imaginando que ele provavelmente estava certo, eu virei minha mira para a estátua no outro lado do cômodo e assisti a flecha penetrar no mármore.
“Eles foram presentes da deusa Durga,” expliquei. “As flechas magicamente retornam e também desaparecem do alvo, de modo que elas não possam ser rastreadas.”
“Interessante.” Lokesh indicou o alvo e pediu para repetir a performance.
Dessa vez, eu tentei embutir o poder de raio na flecha para fazer um efeito mais impressionante. Minha mão começou a brilhar mas rapidamente se extinguiu. Ainda sem poder de fogo. Lokesh olhava para minha mão brilhante fascinado.
Inventei uma mentira o mais rápido possível. “Quando atiro uma flecha, minha mão brilha. Acredito que me ajuda a mirar melhor.”
“Muito interessante. Então me diga como encontrou este.” Ele disse enquanto apoiava o Fruto Dourado em cima da mesa.
Deixei o arco e as flechas de lado e contei a ele sobre a cidade perdida de Kishakindha. Expliquei que Durga nos pediu para localizar quatro itens, cada um com propriedades mágicas, e, em troca, os tigres seriam homens novamente. Eu não disse toda a verdade ou entrei em muitos detalhes, imaginando que seria melhor que Lokesh não soubesse de tudo.
“Por que você se importa se os homens são tigres ou não?”
“Quando descobri os presentes que Durga compartilhou comigo, eu queria mais.” Menti sem problemas, apelando para a sede de poder de Lokesh.
Ele concordou pensativo e rolou o Fruto Dourado entre as palmas de suas mãos. “Talvez nós dois possamos terminar a sua missão juntos e oferecer a Durga seus prêmios. Em troca, nos dois ganharíamos o poder que você busca.”
Eu sorri. Esse plano louco pode estar funcionando....“Eu ficaria.... privilegiada de dividir os poderes de Durga com você.”
Lokesh ordenou que o servo removesse o Fruto e o arco e flecha. Impulsivamente, eu instrui a Echarpe para anexar um fio invisível no arco e pedi para seguir o arco em seu esconderijo. Eu
havia preso a outra parte na estátua e pedi para o fio se enterrar no tapete e se misturar nele.
Assumindo um risco, eu aumentei o desafio. “Agora que eu compartilhei alguns de meus poderes com você, talvez você retorne o fav-”
Antes que pudesse terminar a frase, um arrepio gelado tomou conta de mim e fui incapaz de me mover, falar ou lutar.
Lokesh tocou meu rosto, sorriu com malicia, e se aproximou. “Você tão generosamente compartilhou alguns de seus talentos comigo. Pensei que deveria retribuir.”
Ele rasgou o ombro de meu vestido, gemeu e trilhou beijos brutos em meu ombro nu até meus lábios congelados. Ele passou suas mãos para cima e para baixo em minhas costas e puxou meu cabelo.(eca!) Eu queria vomitar, mas não consegui (eu também!). Sua respiração quente e apimentava se tornou tudo que eu conseguia respirar.
Ofegante, ele se endireitou. Seus olhos brilhavam com um prazer selvagem. Lokesh trilhou seus dedos suavemente em minha clavícula e brincou com o tecido rasgado por cima de meu ombro. Ele murmurou. “Você me agrada muito Kelsey.” Ele pressionou um beijo final em meu ombro nu e se afastou sorrindo.
“Se eu quisesse, eu poderia matar você congelada em um instante.” Lokesh regozijou-se. “A única razão a qual você pode respirar é porque eu não congelei seus pulmões ou seu sistema cardiovascular. “Ele segurou meu queixo quase amorosamente. “Aqui está, não foi uma demonstração efetiva?”
Lokesh me libertou, eu pisquei e percebi que podia me mover novamente. Meu ombro doía. Apertei um pedaço rasgado de meu vestido em meu ombro e acenei com a cabeça, engolindo em seco. “Muito efetiva.”
“Você possui alguma outra questão?” Ele perguntou.
“Eu o avisarei.” Murmurei, enquanto desesperadamente tentava controlar meus membros trêmulos. Eu estava esperando
fazê-lo mostrar suas mãos e descobrir seu calcanhar de Aquiles, mas eu não esperava por aquilo.
Enquanto me recompunha, Lokesh caminhou em direção ao envoltório e atiçou o fogo. As chamas crepitavam e dançavam. Eu estava grata que ele estava a uma distância maior.
O falei sobre as outras buscas de Durga sem divulgar os prêmios reais para me dar tempo de me recuperar de seu ataque perturbador. Ele estava mais interessado nos tesouros do dragão dourado. Eu lhe disse que a teoria de Sr. Kadam era que os prêmios haviam sido roubados de Durga e elas as queria de volta.
“Quantos anos tem o seu Sr. Kadam? Eu sei que ele possui uma das partes do amuleto.” Lokesh disse.
“Poucos anos mais velho que Ren e Kishan.” Esperando aprender mais sobre o amuleto, eu pressionei. “Como é que você pode parecer com um homem mais novo? É o amuleto?”
“Parcialmente. Pouco tempo depois de eu ter encontrado a segunda peça, percebi que minha vida foi prolongada. Embora meu estado natural é de cinquenta, eu posso alterar minha forma de aparecer um homem jovem a minha vontade. Muitas vezes eu escolho a idade que me ajude completar meu objetivo.”
“Eu sei que o amuleto tem prevenido o Sr.Kadam de envelhecer, mas ele não tem a habilidade de parecer mais novo como você tem.” Comentei, retomando de volta para o amuleto.
“ Ele tem somente uma peça do amuleto e seus ancestrais nunca o usaram.”
“Que diferença isso faz?”
“O poder é aumentado quanto mais peças você tem,” Lokesh explicou. “Os descendentes daqueles que usaram amuletos vivem vidas muito longas, mesmo que eles nunca os tenham usado.”
Eu preciso saber mais. É a única maneira de desvendar todo esse enigma.
“Sim, o Sr. Kadam mencionou que seu filho e os filhos dos seus filhos viveram vidas mais longas do que a média. Você acha
que é por isso que Ren e Kishan viveram tanto tempo mesmo sem usarem o amuleto?”
“O amuleto os amaldiçoou. Desafiando-me, eles sofrem vivendo a eternidade como animais”
A maldição. Eu mordi meu lábio e pensei novamente em tudo o que nós aprendemos das nossas buscas anteriores.
Não é o amuleto protegendo Ren e Kishan? Eu preciso saber mais.
“Essa expressão significa que você ainda se importa com as feras, minha querida?”
“Não é isso. Eu só estou preocupada que eles possam retornar e tentar pegar as suas peças do amuleto.” Eu menti, com um olhar embriagado de preocupação em meu rosto.
“Não tema. Se eles voltarem, nós podemos facilmente tecer uma armadilha para eles com seu fio mágico, e obviamente eu sei mais sobre o poder do amuleto do que eles.”
Eu sorri timidamente, depositando-o intimamente através de meus lábios mentirosos. “Eu posso perguntar como você encontrou as partes do amuleto meu... rei. Me desculpe se é muito atrevimento designá-lo como tal, mas você era um imperador, e um homem da sua grandeza deve ser nomeado propriamente.”
Sorrindo, ele me estudou astutamente e então respondeu “Eu andei por vários lugares procurando por estudiosos, monges e reis para obter informações sobre a grande batalha que uniu os reinos da Ásia. Durante esse tempo, eu comecei a estudar as artes das trevas e feitiçaria. Eu procurei aqueles que os rumores diziam ser magos das trevas e aprendi tudo o que eles quiseram me ensinar e extraí o que eles não quiseram. Eu segui muitas pistas que me levaram a nada. Mas, uma por uma, eu descobri todas as cinco partes do amuleto. Ren e Kishan são a última parte do enigma. Mesmo agora, me irrita que eles tenham me iludido tanto tempo.”
“Porque você não matou Ren e Kishan logo no início?” Eu perguntei.
Lokesh sentou-se e respondeu: “A resposta mais simples para essa pergunta muito inteligente é que eu queria saborear o momento. Quando eu encontrei pela primeira vez a família real, Dhiren tinha cinco e Kishan quatro. Seus pais, Rajaram e sua esposa, Deschen, nunca usavam suas peças do amuleto em público. Eles também se cercaram, junto com seus jovens príncipes, com honoráveis e confiáveis guardas, os quais faziam seu palácio impossível de ser infiltrado. Eu observei a família real por muitos meses.”
“Isso foi quando eu fiquei fascinado por Deschen. Ela participou em todo aspecto para o funcionamento do reino. Ela era inteligente, bonita e tinha uma combinação encantadora de força e suavidade. Qualquer tolo poderia ver que seus filhos cresceriam para serem os melhores líderes de seu tempo. Eu descobri, para minha surpresa, que eu queria reunir as partes do amuleto, mas eu também tinha um desejo forte de ter Deschen e seus filhos fortes para mim.”
“Fingindo ser um comerciante rico no reino vizinho de Bhreenam, eu estimulei conversa suficiente para ganhar uma posição no Conselho Real e, através de roubos, traição e astúcia, fui nomeado comandante do seu exército. Eu desviei dinheiro do governo, peguei bens de pessoas comuns e trabalhei para enfraquecer gradualmente o reino. Eu enviei também espiões para a terra de Rajaram.”
“Durante esse período, um comerciante rico ofereceu sua filha em troca de um tratamento favorável. Ela era bonita – alta, ágil e jovem. E ela tinha impressionantes olhos violeta.”
“A mãe de Yesubai.”
Ele concordou com a cabeça. “Mais tarde, quando ela me confessou que estava grávida, eu fiquei satisfeito. Eu imaginei um garoto forte como Dhiren, mas com olhos violeta. Eu cuidei dela com carinho, eu a mimava...”
Eu reprimi um arrepio enquanto eu me perguntava qual poderia ser a definição de Lokesh para cuidar e mimar.
Ele continuou “...e estava bem no início da gravidez quando nos casamos. Na noite em que ela deu à luz a Yesubai, eu peguei a criança. Os olhos do bebê eram realmente violeta e levaram alguns segundos antes de eu perceber que era uma garota. Eu coloquei a criança de volta no berço. Eu estava enfurecido. Eu queria um filho e agora eu tinha uma garota inútil. Sem arrependimento ou pena, eu tirei a vida da mãe de Yesubai.”
Eu engoli seco, pensando sobre a pobre moça e sabendo que o seu destino provavelmente seria o meu também. “Qual era o nome de sua esposa?” Perguntei suavemente.
“Yuvakshi.” Ele estalou a língua. “Ora ora, eu sei o que você está pensando. Já se passaram algumas centenas de anos desde que isso aconteceu. Eu prometo à você que a minha atitude em relação as mulheres progrediu com o tempo, pelo menos algumas coisas. Além disso você é muito mais valiosa para mim do que minha primeira esposa era e eu não tinha controle sob o meu temperamento naquela época. Se nós descobrirmos que a criança que você carrega é uma menina, nós simplesmente a removemos e tentamos de novo.”
Eu puxei o ar e tentei transformar minha careta em um sorriso. “É claro, você está certo. Não estou preocupada de forma alguma.” Coloquei para fora. Quando vi o brilho de seus olhos eu limpei minha garganta. “Então, quando você decidiu usar Yesubai para ter acesso ao reino de Rajaram?”
“Muito inteligente minha querida.” Lokesh disse ainda olhando para mim de forma perturbadora. “Yesubai aprendeu desde cedo a me obedecer sem questionar. Ela era bela como sua mãe. Quando ela tinha dezesseis, eu matei o velho rei e assumi o trono. Comecei expandindo as infiltrações militares no reino de Rajaram sem sucesso. Ele simplesmente possuía uma exercito mais forte. Virei-me para a diplomacia, que faz com que a família de Rajaram
abrisse os braços para mim, mas toda a vez que os visitava, um dos garotos estavam sumidos.”
“Yesubai informou que ela havia visto o amuleto ser usado por um jovem. Na tentativa de trazer os dois irmãos para o palácio ao mesmo tempo, negociei um casamento entre Yesubai e Dhiren, mas planejava casá-la com o outro irmão mais facilmente influenciável. Então eu mataria o outro irmão e Rajaram, pegaria Deschen para mim mesmo, e reivindicaria as peças do amuleto. Acontece que não havia modo de manipular Dhiren. Seu irmão, Kishan, no entanto foi mais suscetível a um belo rosto.”
Pensei no que Kishan havia me tido sobre Yesubai. Eu não conseguia imaginá-la sendo tão fria e traiçoeira. Decidi dar a Yesubai o beneficio da dúvida. Mesmo que tenha realmente sentido e feito, ela não merecia a vida que tinha.
“Então você realmente não queria matar Ren quando ele e Kishan se transformaram em tigres?” Perguntei tentando entender como e por que a maldição aconteceu.
“Não. Eu queria usá-lo. Mantê-lo sobre meu polegar e causá-lo dor. Arrastá-lo para uma morte dolorosa. Tentei controlá-lo através de magia sanguínea. Comprei um medalhão de um padre das artes das trevas. Aqueles que em que usei se tornaram servos estúpidos, dispostos a fazer qualquer coisa.”
“Mas não pareceu afetar Dhiren ou Kishan. Os amuletos deles podem ter afetado o feitiço e os transformou em tigres. Não fui eu que coloquei na Maldição do Tigre. Retrospectivamente, eu deveria ter matado Dhiren quando tive a chance, mas eu senti que já havia ganhado. Obviamente as coisas não foram do meu jeito.”
Com um floreio, Lokesh pegou minha mão e colocou em seus lábios de modo rude - sua versão de uma carícia. Seus olhos negros brilharam ameaçadoramente, ele me encarou e disse as palavras que fizeram meu sangue gelar.
“Seu tempo acabou, meu bichinho de estimação. O que tem a oferecer de boa vontade em troca da vida de seus tigres?”

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