Engoli em seco. Estava planejando um “oferecimento de
mim mesma de boa vontade” para alguém que eu realmente amasse
e que me amasse. Não foi há muito tempo atrás que eu tive o luxo
de escolher se esse alguém seria Ren ou Kishan. Eu havia escolhido
Kishan, mas nada disso importava agora. Eram somente opiniões.
Se eu não concordasse em seguir em frente com os planos de
Lokesh, todos nós certamente morreríamos.
Sabendo que não havia nada mais que eu pudesse dizer, fixei
um sorriso forçado em meu rosto. “Sim, eu decidi aceitar sua oferta.
Há algo a ser dito para um homem maduro de palavra. E o seu
poder... me excita.” Entrando em pânico, mas tentando
desesperadamente não demonstrar, eu objetei, “mas... eu tenho um
pequeno pedido.”
3
Os olhos de Lokesh brilharam impacientes. “E o que seria?”
Minha mente passou para cada possibilidade para deixar de fora seus avanços quando a resposta subitamente veio até mim. Eu rapidamente expliquei. “Meus pais morreram quando eu era jovem, e fui deixada sozinha. Não quero que isso aconteça com nosso filho.”
“Isso não irá acontecer.” Lokesh levantou meu pulso até sua boca e mordiscou bruscamente. “Pretendo totalmente instruir meu filho em todos os aspectos de meu poder enquanto você o instrui os seus. Meu intuito é ser um pai presente.”
“Estou certa de que será.” Assegurei a ele. “Mas o que estava tentando dizer é... Eu quero que ele leve seu nome. Não quero trazer um filho ilegítimo para o mundo. Você sofreu muito por causa desse status, e não terei meu filho usurpado. Eu quero que você....você...” Engoli em seco não acreditando que estava realmente dizendo aquelas palavras. “...case-se comigo.”
Lokesh deu um passo para trás e me encarou. “Você quer ser minha esposa?”
“Certamente você não esperava que eu fosse sua concubina, não é? Você ofereceu muito a mãe de Yesubai. Eu desejo o mesmo. Quero que nossa união não seja somente uma estratégia, mas uma ligação através da tradição, se não legalmente. Você pode utilizar qualquer nome que desejar mas desejo estar casada antes de... tentarmos ter um filho.” Abaixei meu olhar e peguei sua mão, a apertando levemente.
Depois de ficar quieto por um momento, ele declarou. “Você é sensata em negociar isto. Demonstra que você está pensando em nosso filho e em seu lugar no mundo. Farei conforme você desejar. Nós casaremos e como, permitirei que permaneça casta até que você venha para nossa cama de casal. Isso é satisfatório?”
“Sim, obrigado, meu... marido.”
Lokesh sorriu como um gato quando encurrala um rato. “A deixarei para que possa criar um vestido de noiva enquanto
organizo um casamento e o banquete. Irei mandar um servo para lhe buscar para nosso jantar casamento amanha. Te escoltaria pessoalmente, mas há muito a fazer e ainda não confio em você o suficiente para andar sozinha. Você me compreende, certo?”
“Mas é claro.” Respondi aliviada pois teria outras vinte e quatro horas para surgir com um plano de escape.
Beijando-me antes de sair, Lokesh puxava e afastava, mordia e empurrava, como se eu fosse um pedaço de massa de modelar que ele moldava como desejava. Quando ele finalmente se afastou, eu fingi um sorriso tímido, mesmo que tenha doído.
Acariciando meu ombro brutamente, ele disse. “Por volta desta hora de amanhã, você será minha esposa. Durma bem, meu bichinho. Você precisará estar descansada.”
“Boa noite.” Repliquei rigidamente e retornei para a liberdade de minha prisão vazia.
Não dormi muito aquela noite. Apesar de ter fechado os olhos, eu silenciosamente rezei para Ren ou Kishan, Sr. Kadam ou até mesmo Durga pudessem me ajudar. Eu estava ficando sem tempo.
Durante breves momentos eu dormi, sonhei que estava sentada na cama segurando um precioso garotinho. Era a visão de Kishan no Bosque dos Sonhos. O bebê dormia, e eu não consegui evitar imaginar se seus olhos eram da cor vibrante de um oceano ou brilhantes como um deserto dourado.
Acariciei seu cabelo negro e beijei sua testa macia de bebê. Pequenos dedos seguraram os meus quando ele se moveu. Quando ele bocejou e piscou, eu recuei de horror. Os olhos de meu bebê eram negros como piche. Lentamente sua doce expressão de bebê mudou e seus lábios se contorceram cruelmente. Então escutei as palavras de um impiedoso jovem garoto sussurrar. “Olá, mamãe.”
Acordei com um grito. Rapidamente me recompus e rolei de lado e acomodei um travesseiro sob minha bochecha. Escapar era muito a se esperar, mas morte, seja a do Lokesh ou a minha, seria meu objetivo. Não permitiria que ele me tocasse muito menos
considerar carregar seu filho. Ele era um predador mortal, e quando um predador quer te devorar, você pode fugir, pode se esconder ou você pode matá-lo primeiro. Não tinha escolha a não ser lutar por minha vida.
Mas como eu mataria meu sequestrador? Tudo que possuía de armas são o Colar de Pérolas e a Echarpe, o que significava que eu poderia enforcá-lo ou afogá-lo em sua banheira. Não era exatamente um plano a prova de falhas. Eu sabia que não poderia ter acesso ao arco e flechas e não possuía nenhum poder de fogo.
Me revirei na cama, considerando estratégia atrás de estratégia até que escutei um barulho em minha janela. Na escuridão da madrugada, olhei para a paisagem coberta de neve. Em seguida ouvi o sussurro de um material bordando. A Echarpe havia bordado uma mensagem:
Kelsey?
Você está aí?
É o Kishan.
Kishan está aqui! Eu talvez ainda tenha que matar Lokesh, mas não terei que fazer isso sozinha! Me perguntei se Ren ou Sr. Kadam também estavam por perto.
Se não fossem pelos olhos curiosos de Lokesh, eu teria pulado de felicidade. Ao invés disso, pedi a Echarpe para mudar para uma resposta e pressionei o pano na janela.
Estou bem.
Lokesh vai se casar comigo amanhã a noite.
Câmeras e guardas em todo o lugar.
Engoli um soluço quando o pano mudou e a Echarpe obedeceu as instruções de Kishan. Invertendo-a, eu li:
Mantenha-o longe o quanto puder.
Temos um plano.
Estamos indo atrás de você.
Pressionei minhas mãos contra o vidro e concordei. Olhando através da janela, eu observei as árvores por um longo tempo, procurando por um flash branco ou negro.
Na manhã seguinte, eu ansiosamente levantei de minha cama e entrei no chuveiro. Estava exausta de todas as formas possíveis. Mantive minhas emoções a rédeas curtas; sabendo que minha prisão estava quase acabando, de um jeito ou de outro, me sobrepujou de modo que eu não poderia voltar mais atrás.
Preocupada com Ren e Kishan desafiando Lokesh. Perguntei-me se eu permaneceria trancada em meu quarto enquanto eles lutavam e talvez morressem. Pensei sobre o que aconteceria se eles falhassem e eu terminasse casada com um monstro.
De pé no banho escaldante, eu chorei baixo, esperando que o vapor que envolvia o espelho também embaçasse qualquer câmera oculta. Esgotada, eu afundei até sentar na banheira e deixei a água quente golpear meu corpo até que se tornasse gelada.
Hoje pode ser o dia que morrerei.
Com esse pensamento mórbido, me preparei para o casamento.
Levei um longo tempo secando e penteando meu cabelo. Passar horas no sol, caminhar na selva, e nadar no oceano fizeram o meu cabelo marrom clarear, agora eu possuía alguns fios louros como champagne. Mamãe iria gostar. Perguntei-me sobre o que ela acharia sobre minha noite de núpcias a caminho. Certamente não era o casamento que eu havia sonhado para mim.
Pedi a Echarpe para criar um vestido de casamento semelhante a um vestido de princesa chinesa. O ignorei o quanto pude, mas finalmente abri o closet. Engasguei com o vestido de seda vermelho, que parecia com o vestido que uma noiva usara no casamento que Li e eu participamos.
O vestido era elaborado, e eu fiquei feliz pois tomaria ao menos vinte minutos para vesti-lo. Era aparado por contas com costura elaborada em dourado. Havia um estilo mandarim na gola adjunta a túnica dourada adornada com grandes flores de Lótus. Colares de contas cruzavam na frente e atrás na túnica, grossas e embelezadas mangas se estendiam sobre minhas mãos enquanto as mangas sedosas inferiores desciam por pelo menos trinta centímetros abaixo de meus dedos. Nas camadas superiores da túnica, a Echarpe havia bordado uma maravilhosa fênix de fogo.
Um longo lenço de ouro se enrolava em torno de mim e caía até o chão. Coloquei os chinelos de seda vermelhas bordados com flores douradas e prendi a ultima peça restante – uma magnífica peça de cabelo com penas douradas e flores, intricadas tranças, contas e ornamentos longos de tecidos.
Virei para olhar meu reflexo. Eu parecia um exótico pássaro, uma fênix, de fato. Como o grande pássaro, eu estava bela e vibrante, mas também fatal; e logo, eu seria consumida pelo fogo.
Dobrei a Echarpe dentro de uma de minhas longas mangas, ocultando-a para usar mais tarde. Após esfregar um perfume floral em meus pulsos e atrás de minhas orelhas, eu sentei para esperar por meu noivo.
Muito cedo, um dos servos de Lokesh veio me buscar. Ele observou meu traje com choque em sua expressão, e então rapidamente abaixou sua cabeça e se manteve o mais longe possível de mim que pode.
Ele está com medo de mim? Gostaria que Lokesh se sentisse do mesmo jeito.
O servo me guiou para o que parecia uma pequena biblioteca e me entregou uma nota e uma caixa antes de sair. Escutei o clique da fechadura atrás dele e então o silêncio.
Soltei uma suspiro furioso e tive esperanças de que, quaisquer que fosse o plano de Ren e Kishan haviam sonhado, fosse colocado em prática antes da cerimônia de casamento. Fechando os olhos, fiz um pedido para que todos nós saíssemos vivos.
Sentei rigidamente antes de abrir a nota de Lokesh, que dizia que iríamos comer antes de ministrar o casamento. Puxando o laço branco, eu abri o presente de meu futuro marido.
Era o maior diamante que eu já havia posto os olhos. A pedra era redonda, multifacetada e rosa; Dois menores diamantes estavam dispostos em cada lado. Poderia ser minha imaginação, mas parecia que os cinco dentes que seguravam o diamante no lugar pareciam com dedos grossos. Imaginei o próprio alcance de Lokesh – tão forte que não havia esperança de escapar. Deslizei o anel em meu dedo do meio justamente quando as portas abriram.
“Ah, aí está você minha querida. O que achou de meu presente?”
“É encantador.” Lhe dirigi um sorriso.
Algo brilhou em seus olhos negros, e ele subitamente deu um passo em minha direção. Permaneci firme orgulhosamente, mas interiormente me encolhi. Ele segurou meu queixo e murmurou suavemente com um sorriso repugnante. “Eu certamente irei gostar de dilacerar seu belo vestido em pedaços esta noite. Espero que você tenha espírito o suficiente para fazer essa noite interessante Kelsey. Não quero ser desapontado.”
Desprendi meu queixo dele e elevei meus olhos até os dele. “Acredite em mim quando eu disser que todas minhas energias estarão focadas em você esta noite, meu suserano.”
Vibrando de antecipação, Lokesh pegou meu braço e me guiou até a bancada, que brilhava com as luzes de centenas de velas e cheirando ao perfume de dúzias de arranjos florais brancos. Se fosse
o casamento de qualquer outra pessoa, eu provavelmente teria apreciado melhor a arrumação.
Nos sentamos em uma pequena e intima mesa, apesar de meu rosto estar congelado em um sorriso falso, por baixo de muitas camadas de mangas, minhas mãos se fecharam.
Lokesh bateu palmas para começar os tradicionais dez pratos de uma cerimônia de casamento chinês, diferentemente do único prato que eu comi na recepção do casamento da prima de Li. Havia uma sopa fina de tubarão, melão recheado, duas lagostas inteiras em molho de alho e manteiga, camarões refogados com peras cobertas de mel, pato Pequim, peixe com cebolinha e gengibre, e pães rosados recheados com pasta doce de lótus.
Tentei esticar a refeição falando sobre o simbolismo de cada prato, mas Lokesh permaneceu em silêncio. De fato, tudo que ele parecia estar com humor para fazer era examinar-me. Seu olhar sombrio me estudava como um falcão estudava um coelho.
A um ponto durante a refeição, senti um toque gelado encontrar meu tornozelo por baixo de múltiplas camadas de tecido. Lentamente, o gelo cortante subiu por minha perna nua e acariciou minha coxa. Eu não estava certa de que se ele estava utilizando o ar ou seu poder da água ou uma combinação de ambos, mas me mantive em silêncio e mordisquei o meu jantar da melhor forma que consegui.
Os minutos passaram e ainda não havia sinal de Ren ou Kishan. Se eles não fizessem uma aparição logo, eu seria a Sra. Lokesh Shu ou qualquer que fosse seu sobrenome. Eu estava por conta própria. Um desamparo imponente cresceu dentro de mim. Isso tomou conta de mim até que eu me senti pesada como uma pedra afundando em um rio lamacento. Não era o que eu havia visualizado para meu futuro.
Ao invés de entrar na igreja até o homem que olharia para mim com amor e ternura, eu estaria andando até o vilão – alguém que preferia torcer o meu braço a colocá-lo sobre o dele. Ao invés
do Sr. Kadam pegando meu braço com orgulho, eu não tinha ninguém. No lugar de promessas e doces votos de amor, eu estaria escutando mentiras borbulhantes rolando em sujeira. Então, as bolhas explodiriam e eu seria coberta por camadas de corrupção.
A festa havia finalmente chegado ao final, e eu não poderia afastar o casamento por mais tempo. Lokesh tomou minha mão.
“Está pronta minha querida?” Perguntou e, sem minha resposta, chamou o ministro para entrar.
Apesar de querer torcer minha mão e fugir, eu coloquei minha palma da mão confiante na de Lokesh e sorri. “Mas é claro.”
“Devemos proceder?” Perguntou uma calma e sedosa voz.
Engasguei e olhei ao redor. Os olhos azuis do ministro brilharam com raiva, e suas roupas sacerdotais batiam atrás dele conforme ele caminhava para o centro da sala. Ren! Pensei que foi a coisa mais bela que eu já havia visto.
Armas voaram pelo ar. O chakram rodopiou, e dardos do tridente voaram em direção a Lokesh, que facilmente se defendeu deles.
Lokesh agarrou meu braço e riu “Saudações Dhiren. Você deve ter recebido o convite.”
“Você se casará com ela por cima do meu cadáver.” Ren ameaçou.
Lokesh deu de ombros. “Como desejar.”
Com um estalar de dedos de Lokesh, Ren parou de se mover.
Lokesh passou os olhos ao redor da bancada de velas nervosamente procurando pelo tigre negro.
Onde está Kishan? Preciso descongelar Ren. Pense Kelsey. Pense!
Não vendo outra maneira, eu coloquei meus braços ao redor de Lokesh, esperando com esperança, “Você matou Ren?”
“Não minha querida. Ele ainda está vivo.”
“Bom.” Ronronei. Determinada a atuar meu papel bem, me virei para Ren, lancei para ele um olhar de pena, e disse, “É realmente muito ruim que você tenha que descobrir dessa maneira.
Mas, já que está aqui, você pode ser um convidado em meu casamento.”
Lokesh sorriu e instruiu os guardas a encontrarem o verdadeiro ministro. Os olhos azuis de Ren queimavam os meus.
“ Oh querido, que rude de minha parte. É claro que o convidado deve beijar a noiva.” Eu disse zombeteiramente antes de beijar o homem que havia vindo para me salvar, mordendo seu lábio até tirar sangue. Eu sinto muito! Pensei, desejando que Ren pudesse ler minha mente... e então lhe dei um tapa contra sua bela face.
Suas pupilas dilataram com o choque, e eu imaginei que a dor em seu coração era muito maior que a dor em sua bochecha. Puxando a Echarpe de minha manga, eu limpei seu lábio machucado e dobrei em seu colar, gargalhando com desdém enquanto Lokesh ria com prazer.
Permaneci por tempo o suficiente para ver a luz nos olhos de Ren. Virando-me para Lokesh, franzi o cenho. “Mas ele terá uma boa visão de tudo de onde está? Acho que deveríamos movê-lo, você não?”
Lokesh beliscou minha bochecha, a torcendo com força. “Mas que diabólica megera você é.” Ele disse feliz e enquanto assistia com deleite eu utilizar a Echarpe para amarrar os braços de Ren em seu peito.
Assim que Ren estava suficientemente amarrado. Lokesh o descongelou. Os músculos de Ren lutaram contra a Echarpe agressivamente. Eu balancei meus dedos suavemente contra minha blusa e balancei minha cabeça, esperando que ele entendesse meus sinais. Se acalmando, Ren relaxou e andou até a lateral do altar improvisado.
Lokesh levantou suas mãos para congelar Ren novamente, mas o cortei dizendo. “Isso não será necessário meu amor.”
Balancei meus dedos e a Echarpe se enrolou ao redor das pernas de Ren até que ele estivesse mumificado das pernas ao pescoço.
“Você fez um trabalho magnífico meu bichinho.” Lokesh disse. “Mas acho que manterei sua língua congelada, ao menos por enquanto. Não gostaria que ele estragasse nossas núpcias afinal.”
“Sábia decisão. Devemos começar então? Você encontrou o ministro?”
Lokesh bateu palmas, mas nenhum servo ou o ministro apareceram. Ele gritou uma, duas vezes, e tocou um sino frustrado. Sua única resposta foi uma explosiva chama de fogo, queimado cada vela no cômodo.
Lokesh levantou seus braços e tentou soprá-las com um cintilante vento, mas as chamas somente cresceram mais. Grunhindo, ele balançou sua mão e mergulhou cada vela em água enquanto Ren olhava com um sorriso.
Vendo que as coisas estavam em conflito, o maléfico feiticeiro pegou meu braço rosnando. “Venha comigo!” e me puxou por metade do caminho para fazer uma rápida passagem pela cozinha.
Silenciosamente, instrui a Echarpe para libertar Ren e teci uma mensagem a ele.
Por mais que tentasse, Lokesh não conseguia abrir a porta da cozinha. Ele usou raios, mas crepitar azul apenas deixou marcas de queimado na madeira. Finalmente, ele arrancou a porta de suas dobradiças.
Emergi alguns passos atrás enquanto Lokesh encarava o cômodo incrédulo que eu havia enchido até o teto com um bolo de chocolate. Sorri orgulhosa de mim mesma, e expliquei, “Uma garota deveria poder apreciar um pouco de chocolate em seu casamento, não acha?”
Quando sussurrei as palavras, o bolo explodiu calda caramelo fervendo espirrando por todo o Lokesh. Ele gritou e se virou para
mim no exato momento que Kishan atravessava a porta lateral e corria pelo pátio de entrada. Um guarda morto caiu aos seus pés.
“Kishan!” Eu gritei tão feliz que poderia chorar.
Kishan parou somente para me lançar uma piscadela antes de levantar sua mão e lançar bolhas de luz que explodiram diretamente em frente a Lokesh como foguetes estroboscópios. Ele gritou com dor e cobriu seus olhos. Usando ambas as mãos, Kishan atirou diversas explosões de luz no corpo de Lokesh.
Antes que eu pudesse dar o maior abraço de urso que Kishan já havia recebido, Ren se juntou a nós no saguão com meu arco e flechas e o Fruto Dourado. Sem perder o ritmo, ele atirou dardos do tridente em Lokesh, que rapidamente começou a se parecer uma almofada de alfinetes, e então pediu a Echarpe para mumificá-lo.
A Echarpe ganhou vida nas mãos de Ren e teceu longas camadas de linho. Com firmeza, ela se teceu por entre os dardos. Lokesh urrava de dor e cuspia palavras veementes em chinês e híndi. Suas pernas foram amarradas juntas, e a Echarpe dava voltas envolvendo seu pescoço, se enrolou ao redor de um toldo e levantou seu corpo do chão. Lokesh se contorcia e corcoveava, e eu momentaneamente me virei, não querendo olhar.
De algum modo, Lokesh conseguiu desprender suas mãos, e seu poder me transpassou imediatamente. Senti como se ele estivesse me arranhando, arrancando minha pele com suas garras. Gemendo, coloquei meus braços ao redor de meu corpo, cambaleando e arquejando com a dor. Ren correu até o meu lado para me pegar em seus braços antes que eu caísse. “Te peguei iadala.” Ren sussurrou suavemente.
Kishan atirou novamente em Lokesh e a dor começou a diminuir.
Incrivelmente, Lokesh ainda estava vivo, mas em terrível agonia. Kishan pôs fogo na mumificação, e então eu escutei um grito inumano e senti cheiro de carne queimada. Com um repentino
jato de água, Lokesh apagou o fogo. Iria ser necessário mais do que chamas para matar o feiticeiro.
Ren ergueu o Fruto Dourado e o cobriu de óleo o linho encharcado de água. Kishan pôs fogo novamente, e o corpo de Lokesh se contorceu para frente e para trás.
Recuperada o suficiente para me mover, eu agarrei a camisa de Ren. “Vamos!” Pressionei incapaz de testemunhar a cena por mais tempo.
Empurrei os rapazes pelo saguão, fechei a porta, e encaixei um atiçador de ferro pela alça da maçaneta, esperando que Lokesh fosse ser queimado ou impedido, ou ambos. A casa começou a tremer; sua magia negra criou um terremoto.
Era hora de correr. Pedi a Echarpe para criar uma roupa mais pratica por baixo de meu vestido de casamento. Os irmãos me mantiveram entre eles conforme corríamos descendo as escadas, passávamos por complicados saguões e arrebentávamos portas. Marcas de explosão salpicavam as paredes e meu pé triturou algo quebrado, uma das câmeras escondidas. Saltamos por dúzias de guardas caídos. Conforme corríamos, eu arranquei o anel de diamante de Lokesh e minha roupa de noiva chinesa, peça por peça.
Finalmente chegamos a uma janela aberta cujas barras haviam sido severamente cortadas. Kishan pulou para fora e aterrissou nos arbustos seis metros abaixo. Ren me pegou e me passou nos braços abertos de Kishan antes de se juntar a nós. Eu estava louca para falar, gritar, comemorar de alegria, mas quando chegamos as motocicletas, meu coração estava praticamente explodindo de meu peito e eu estava completamente sem ar.
Mas eu estava livre.
Sem tempo para mais nada que um breve aperto de mãos, Ren me colocou em sua moto, e com o ronco do motor, nós três disparamos como foguetes na noite, deixando um rastro de tecidos vermelhos descartados em nosso caminho.
sábado, 2 de novembro de 2013
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